Nesta crónica destaco três momentos vividos nestes últimos dias.

Primeiro: Celebração do I Domingo da Quaresma. Na distribuição do ministério pastoral o Pe. Domingos Pestana, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, pediu-me que fosse celebrar a Santa Maria, um dos centros culto da Paróquia. Aquele centro de culto serve imensa gente, tal como se fosse uma paróquia. Par além da igreja coberta de zinco (os cristãos estão a contribuir para a construção de um novo e espaçoso templo), há uma arrecadação destinada à sacristia e ao atendimento das pessoas e uma escola da paróquia que serve várias centenas de crianças. As sessões de catequese realizam-se na escola,debaixo das árvores e na igreja. Vários movimentos paroquiais funcionam naquele centro. Na celebração várias dezenas de escuteiros marcaram presença com a sua típica farda. O Pe. Max Atanga é quem assiste de modo mais próximo esta comunidade. A viagem da Casa Padre Dehon para Santa Maria começou às 6h30 da manhã. Para lá chegar é uma aventura que se percorre aos solavancos por caminhos labirínticos que contornam os diversos bairros. São quarenta minutos de viagem que desperta os mais sonolentos. Junto ao caminho vê-se, aqui e ali, algum pequeno templo de uma das seitas que proliferam por estes bairros. Chamam os seus fiéis com o som em altos decibéis. A lei do ruído tem outros níveis. Em Santa Maria o ambiente é festivo. Este povo não sabe celebrar sem festa. Mesmo sendo tempo de Quaresma, onde os instrumentos musicais ficam de lado, nota-se que a festa do encontro anima as pessoas. A celebração teve a particularidade de nela se fazer a eleição dos candidatos aos sacramentos de iniciação cristã (Baptismo, Crisma e Eucaristia). Eram 20. Todos eles adultos, apresentados pelos seus padrinhos. Entraram em procissão no início da celebração, acompanhados pelos padrinhos e ficaram até à escuta da Palavra de Deus e respectiva reflexão. Depois procedeu-se ao rito da eleição, findo o qual oscandidatos saíram da igreja. Entretanto surgirão outras etapas de preparação até à administração dos sacramentos na Vigília Pascal. Este rito foi celebrado de igual modo em todos os centros de culto da Paróquia.

Segundo: Celebração do 14 de Março, dia do nascimento do Padre Dehon. O dia foi de dispersão. Os missionários que vieram do Luau e de Luena, aproveitam estes dias em Luanda para fazer compras, tratar de documentos, controlar a saúde, etc… Mas ao fim do dia todos marcámos presença para dar graças a Deus pelo dom do nosso Fundador concedido à Igreja, rezarpela Congregação e pelas vocações dehonianas, acolher o novo postulante da Comunidade Territorial de Angola e dar graças a Deus pelos cinco anos de presença dehoniana na missão do Luau. Trata-se do Abraão Palanga, um jovem que está connosco há dois anos e frequenta o 3º ano de Filosofia. Na celebração eucarística, para além de todos os missionários dehonianos em Angola, participaram os seminaristas da Casa Padre Dehon. No momento próprio o Abrão manifestou o seu intento de pertencer à Congregação, pelo que foi acolhido postulante pelo presidente da celebração e por todos os religiosos presentes. Juntamente com o Bartolomeu que faz o noviciado nos Camarões, o Abraão é mais um fruto vocacional que Deus concede à Congregação presente em Angola. Temos motivos para dar graças a Deus.

Após a celebração houve o jantar festivo e um convívio com tonalidade dehoniana. Também por estes lados a festa não seria festa se não tivesse bolo, champanhe, velas, palmas, “parabéns a você”… Foi assim que concluímos o dia.

Terceiro: Encontro com os bispos. Amanhã começa o encontro da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé), no edifício próprio, no coração da cidade de Luanda. O facto de todos os bispos estarem em Luanda possibilitou uma deslocação à cidade para falar com dois bispos: D. Luís Maria, Bispo de Malange e D. Tirso Blanco, bispo de Luena. D. Luís Maria tinha solicitado este encontro. O objectivo foi apresentar-me a realidade da sua diocese e convidar a Congregação a abrir uma presença missionária naquele território, apresentando até uma proposta muito concreta. Não disse que não. Mas também não me comprometi. Estamos abertos à proposta, mas é, evidentemente, uma questão que temos de estudar com mais profundidade, envolvendo diversas entidades da Congregação, entre as quais a própria Comunidade Territorial de Angola. Para já o que podemos garantir é uma colaboração esporádica em algum serviço pastoral.

Quanto ao encontro com D. Tirso Blanco, serviu para fazer o ponto da situação sobre a nossa recente presença na cidade de Luena, bem como da missão do Luau que desde 2005 está sob a nossa responsabilidade pastoral.

Amanhã sigo viagem para o Luau, juntamente com os confrades daquela comunidade. Uma viagem longuíssima, de quase dois dias. Depois de breves dias no Luau seguirei para Luena, numa viagem por caminhos difíceis. Não sei se nos próximos dias haverá crónicas. Tudo dependerá do funcionamento das novas tecnologias! Regresso a Luanda a 24 de Março.

Zeferino Policarpo, scj