Estes últimos dias foram passados no interior de Angola. Primeiro no Luau (18-20 de Março) e depois em Luena (21-23 de Março).

A comunidade dehoniana do Luau é formado pelos padres Joaquim, Luiz Cláudio e Amaro e pelo irmão Jorge. A presença dehoniana no Luau começou em 2005, com muitas dificuldades. Estes primeiros anos foram dedicados, não apenas à evangelização e acompanhamento das comunidades cristãs, mas também às obras. Os religiosos que têm passado pela missão do Luau têm feito um pouco de tudo: arquitectos, engenheiros, construtores, electrecistas… Quando osdehonianos lá chegaram todas as estruturas da missão tinham sido destruídaspela guerra: a igreja paroquial, a escola da missão, a residência dos missionários… entregar estas obras a empresas de construção seria imensamente dispendioso. Tudo tinha de vir de Luanda. Basta pensar que o frete de um camião de Luanda para Luau custa à volta de 9 mil dólares. Seria impensável arranjar verbas para o tanto que havia a fazer. Foi por isso que os missionários decidiram assumir tudo: desde o pensar a obra até à execução. Desse modo tudo saíu muito mais económico. Neste momento as obras principais estão executadas: a colocação do telhado na igreja, a reconstrução da escola, da casa das irmãs e da casa da missão. As casa dos missionários foi a última a ser restaurada. O Pe. Joaquim e o Pe. Jorge deram muito do seu saber a este trabalho e conseguiram devolver àquela residência a beleza, a elegância e a funcionalidade que os missionários beneditinos portugueses tinham criado. Está um edifíciolindo de se ver. A inauguração ocorreu no passado dia 28 de Novembro de 2010, com a presença do bispo da diocese, D. Tirso Blanco, e de diversas autoridades locais.

Depois destes anos onde as obras foram uma preocupação constante, a comunidade dehoniana vai agora voltar-se para aquela que é a sua missão principal: anunciar o evangelho e acompanhar as duas dezenas de comunidadescristãs que existem na região. Começa assim uma nova etapa da presença dehoniana no Luau.

No dia 21 de Março fizemos a viagem do Luau para Luena, capital da Província do Moxico. Uma viagem muito difícil. Os primeiros 100 quilómetros fazem-se muito bem por uma belíssima estrada alcatroada, uma das tais obras de uma empresa portuguesa. Daí para diante são duzentos quilómetros de aventura e de sofrimento. As chuvas desta época deixaram quase intransitável a estrada em terra batida. A parte final do percurso seria uma estrada alcatroada, mas é uma obra do tempo colonial que nunca mais teve manutenção e por isso é impossível andar a mais de 20 km/hora… Enfim, para fazer 300 quilómetros até Luena, foram necessárias mais de 8 horas de viagem…

Em Luena está a presença dehoniana mais recente: desde 11 de Junho de 2010 que o Pe. Jorge e o Pe. Madella deram início a esta nova missão. O Pe. Jean-Paul, neste momento a estudar em Roma, também faz parte desta comunidade. Aqui também os começos não foram fáceis. Foi necessário mudar 4vezes de casa. E neste momento os missionários estão a viver numa casa provisória: uma adaptação feita no antigo seminário diocesano. Este grande e belo edifício não chegou a ser concluído devido ao eclodir da guerra colonial. Depois veio a guerra civil que deixou o seminário em estado deplorável. A paz permitiu recuperar uma parte do edifício que funciona como escola da diocese com mais de dois mil alunos. Outra parte aguarda obras de recuperação. O bispo pretende concluir essas obras até 2013 para aqui instalar o seminário diocesano que neste momento funciona em dois locais adaptados.

Para que a nossa presença na cidade de Luena ganhe maior estabilidade, urge construir a casa da comunidade. O terreno já existe. Situa-se a 5 km do centro da cidade, na saída para Saurimo, pouco depois docemitério onde terá sido sepultado Jonas Savimbi. Também já existe um projecto que está a ser aperfeiçoado. Para além da casa da comunidade religiosa, pretende-se que haja também um pequeno seminário para acolher vocações do ensino secundário.

A preocupação dos dehonianos de Luena é, pois, pensar nestas futuras instalações.

Mas não é a única preocupação! O bispo criou uma nova paróquia nos arredores da cidade (bairro do Capango) e confiou-a aos dehonianos. A paróquia

quase não tem estruturas para os cristãos celebrarem, em comunidade, a sua fé. Existe uma casa em terracota que foi adaptada a capela e à qual se juntou um avançado em forma de tenda de campanha. É aí o único espaço que os cristãos da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus têm para se reunir. Foi também aí que tive a alegria de celebrar a eucaristia para o pequeno grupo cristãos que, num dia chuvoso da semana, apareceu cheio de entusiasmo para rezar.

Capango é um bairro enormíssimo, onde predominam as construções em zinco, e onde há muito (tudo) para fazer ao nível da evangelização. Enormíssimo é também o desafio que os nossos missionários têm pela frente…

No dia 23 de Março regressei a Luanda no avião das linhas aéreas angolanas que aproxima estes lugares quase inacessíveis do interior de Angola. A viagem durou sessenta minutos.

Zeferino Policarpo, scj