Os dias têm sido de calor intenso e humidade muito acentuada. A época das chuvas está a passar, mas as marcas ainda estão bem visíveis. As ruas são em terra batida. Com as chuvas intensas de há semanas atrás transformaram-se em autênticas lagoas. A água demora a escoar porque não existem sistemas de drenagem nem canais de águas pluviais. Além disso, o terreno bastante argiloso não facilita a absorção. Por isso algumas ruas chegam a fica intransitáveis durante vários dias… À Casa Padre Dehon já se consegue chegar com alguma normalidade. Daqui para diante é impossível avançar. Só os grande camiões conseguem passar.

Viana, onde nos encontramos, é uma enorme cidade satélite de Luanda com milhares e milhares de pessoas que vivem em casas bastante modestas, mas onde parece não faltar o essencial. A paz trouxe muito bem-estar a todaesta gente. As pessoas vivem dos seus empregos, do pequeno comércio e de serviços que prestam. Em Viana que estão situados os armazéns das grandes empresas, as fábricas, as indústrias, o grande comércio. É também aqui que estão implantadas muitas congregações religiosas masculinas e femininas. Uma longa e larga estrada liga Viana a Luanda. Paralelamente corre a linha de comboio. É uma estrada onde circulam diariamente milhares e milhares de automóveis numa ordem desordenada. O trânsito chega a ser caótico nas horas de ponta. São também aos milhares as pessoas que perigosamente atravessam esta via sem as mínimas condições de segurança. Dizem as estatísticas que há uma média de duas dezenas de mortes por dia nesta estrada que se estende por muitos quilómetros.

A Casa Padre Dehon está situada no Km 9. Em 2006 foi inaugurada a parte da comunidade religiosa e em 2010 fez-se a inauguração do seminário que actualmente acolhe 9 seminaristas. A comunidade que aqui reside (Pe. Amândio, Pe. Max, Pe. Vincenzo, Pe. Domingos, Pe. Odilo e Ir. Igor) dedica-se à formação dos seminaristas, à pastoral paroquial (Paróquia NossaSenhora do Rosário), ao ensino universitário e ao apoio espiritual a diversas comunidades religiosas.

A Casa Padre Dehon foi dimensionada para receber todos os missionários dehonianos que trabalham em Angola. É o que está a acontecer nestes dias. Desde o passado dia 9 que todos os missionários dehonianos estão aqui reunidos em Assembleia Territorial para avaliar o trabalho realizado, concertar estratégias de acção pastoral e programar os próximos tempos deste projectomissionário. Na segunda-feira (dia 7) chegaram os missionários que trabalham em Luena e na terça-feira (dia 8) os missionários que trabalham no Luau (Pe. Amaro, Pe. Luiz e Ir. Jorge. O Pe. Joaquim já se encontrava em Viana, vindo de férias em Portugal).

Na segunda-feira, antes de se iniciar os trabalhos fui com o Pe. Amândio, Superior da Comunidade Territorial de Angola, fazer uma visita de cortesia ao bispo da Diocese de Viana, D. Joaquim Lopes, natural de Santo Tirso. Ao chegar ao novo paço episcopal desta recentíssima diocese encontrámos o senhor bispo em traje de trabalho, empenhado nas lides de jardinagem. Recebeu-nos muito bem e foi com bastante à vontade e simplicidade que partilhámos os nossos projectos e dificuldades. De regresso ainda deu para visitar a sé, um edifício pequeno e de construção muito modesta, situado numa enorme praça arborizada.

 

Zeferino Policarpo, scj