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▬ Quinze dos religiosos dehonianos portugueses, que professámos até 1969, iniciámos, a 5 de Junho, a primeira etapa da formação permanente que nos foi proposta: uma visita aos “lugares dehonianos”. Tomado o avião, logo de manhã cedo, no Porto, chegámos a Paris à hora prevista. Esperava-nos um autocarro que, de imediato, nos conduziu para uma visita panorâmica guiada à Cidade Luz, com paragens junto dos principais monumentos. Particularmente significativa foi a visita à igreja da S. Sulpício, frequentada pelo P. Dehon, quando, ainda jovem, estudava Direito na Sorbonne e habitava no vizinho Bairro Latino. Era nessa igreja que rezava, recebia o Sacramento da Reconciliação e participava na Eucaristia. Era também que se empenhava na catequese, nas Conferências de S. Vicente de Paulo, no Círculo de reflexão católico. Aí encontrou bons directores espirituais, que muito o ajudaram a caminhar na fé e a discernir a sua vocação.

▬ No dia seguinte, 6 de Junho, subimos a Montmartre, e visitámos a basílica dedicada pela França, “penitente e agradecida”, ao Coração de Jesus. Celebrámos a Eucaristia e fizemos adoração, com idêntico espírito de penitência e gratidão. E ainda houve tempo para uma breve visita aos arredores, onde admirámos as obras dos artistas que por lá se detêm a desenhar paisagens ou o rosto de quem lhes paga. A parte da tarde ficou ao dispor de cada um. Uns subiram à Torre Eifel, outros optaram por uma viagem de barco no Sena. Mas também houve quem preferisse ficar a descansar.

▬ No dia 7, logo de manhã, seguimos de autocarro para S. Quentin. Mas houve tempo para visitar a Basílica de S. Remígio e a Catedral, em Reims, tão significativas para a França cristã. Visitámos igualmente Laon, com a sua Montanha Coroada e a magnífica Catedral. Ao fim da tarde, chegámos a S. Quentin que, durante cinco dias, seria o centro da nossa peregrinação. Aí foi vigário paroquial o P. Dehon, durante sete anos. Aí exerceu a sua intensa actividade pastoral e social. Aí lançou as suas iniciativas em ordem a formação espiritual e social do clero, dos empresários e dos trabalhadores. Aí fundou a Congregação. Aí está sepultado.

▬ O dia 8 foi destinado a visitar S. Quentin, particularmente a igreja de S. Martin, onde celebrámos a Eucaristia. Detivemo-nos junto ao túmulo do P. Dehon, como filhos à volta do pai. Rezámos pela Congregação, pela Província e pelos bons frutos da nossa formação. Cantámos o hino «Salve Padre Leão Dehon». Seguidamente, o nosso confrade, P. Marcel, acompanhou-nos a visitar o que resta da Obra de S. José, criada pelo P. Dehon, quando sétimo vigário da paróquia, e o Colégio S. João iniciado quando decidiu fundar a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Observámos o lugar onde se ergueu a Casa-mãe, destruída durante a guerra de 1914-1918, e onde agora se vê um estacionamento de carros e uma rua. Depois do almoço, já de autocarro, visitámos o cemitério oriental da cidade, onde inicialmente foi sepultado o P. Dehon, e onde ainda repousam alguns dos primeiros padres da Congregação, alguns confrades da província francesa e também o antigo superior geral, P. Alberto Bourgeois. Perto está o mausoléu das Servas do Coração de Jesus, que tanta influência tiveram na fundação do nosso Instituto. Depois de uma oração, prosseguimos para Fayet, a fim de visitarmos o que resta do primeiro seminário dehoniano, a Escola Apostólica de S. Clemente, destruída durante a primeira Grande Guerra. As visitas terminaram no santuário de Nossa Senhora de Liesse, tão querido ao P. Dehon. Lá esteve com a família, antes de entrar, aos 21 anos, e já doutor em Direito, no Seminário de Santa Clara, em Roma.

▬ O dia 9 levou-nos a La Capelle, à casa dos Dehon. Aí celebrámos a Eucaristia e almoçámos. Observamos a casa, o jardim onde o menino Leão gostava de cultivar flores para os seus altares, e o campo dos cavalos preferido pelo irmão Henrique. Um confrade da comunidade acompanhou-nos a visitar a igreja, o centro paroquial, o mausoléu dos Dehon, no cemitério local, e a capela de S. Grimónia, padroeira da povoação.
Regressados a S. Quentin, visitamos a grande e bela Basílica dedicada ao mártir que deu nome à cidade, nomeadamente a capela onde o P. Dehon costumava celebrar a eucaristia. A sul da basílica, onde outrora estava a casa dos vigários, vê-se, agora, um jardim e um parque de estacionamento. Leão Dehon recorda o bom ambiente que reinava entre os vigários, bem como o elevado nível cultural que os distinguia.

No dia 10, deslocámo-nos a Bruxelas para visitar a Casa do Sagrado Coração. O Fundador viveu aí os seus últimos anos na terra. Estivemos no seu escritório, e, com grande emoção, entrámos no seu quarto. Aí recordamos as palavras que, ao expirar, pronunciou, apontando um quadro de Jesus, com o apóstolo S. João reclinado sobre o seu peito: «Para Ele vivi, para Ele morro». Além do leito onde morreu, guardam-se o genuflexório onde rezava, a cadeira que usava, alguns paramentos e outros objectos que lhe pertenceram. Aí rezámos e entoámos o «Ecce venio! Fiat! Ecce venio», renovando o nosso acto de oblação, como o Fundador tanto gostava de fazer.
Os confrades de Bruxelas receberam-nos calorosamente, oferecendo-nos um lauto almoço preparado pelas duas cozinheiras portuguesas que servem a comunidade. Um dos confrades acompanhou-nos a visitar o Parlamento Europeu, a Catedral e a famosa praça central da cidade.
Da casa de Bruxelas, partiram algumas centenas de missionários para várias partes do mundo, incluindo os 28 mártires do Congo, sacrificados em 1964.

▬ No domingo, dia 11, já em S. Quentin, fomos concelebrar a Eucaristia com o P. Marcel, na comunidade Beato João XXIII, uma das três confiadas aos nossos padres. São comunidades bem organizados, onde predominam pessoas de mais idade. Mas, o final da eucaristia, apareceu uma pequena multidão que acompanhava o baptismo de umas 10 ou 12 crianças.
De tarde assistimos a um concerto de órgão na Basílica. Foi um dia mais calmo, para ler, rezar, fazer visitas e descansar.

▬ O dia 12 começou com a celebração da Eucaristia na igreja de S. Martin e uma passagem de despedida junto ao mausoléu do P. Dehon. Mas aAinda houve tempo para passar pela casa paroquial, e admirar diversas fotografias históricas, nomeadamente a da Casa-mãe da Congregação, com o fundador e alguns dos primeiros padres. Prosseguimos, depois, a viagem para Paris. Depois de mais umas voltas e visitas à cidade, rumámos ao aeroporto de Orly, donde levantámos voo para o Porto, ao fim da tarde. Chegámos pelas 22.00 horas. Depois de uma passagem pelo Seminário, rumámos para a casa do Noviciado, em Aveiro, onde pernoitámos e descansámos, antes de iniciar a segunda etapa da nossa
formação.

▬ Estes dias foram essencialmente de convívio e de contacto com os lugares mais significativos para a Congregação, com leituras de extractos das Memórias do Fundador, de um opúsculo sobre a sua actividade como vigário paroquial em S. Quentin e da espiritualidade que o animou, e de uma síntese sobre a Obra de S. José e as diversas actividades que englobava. As celebrações eucarísticas decorreram com calma, havendo boa partilha de reflexões e orações. Reservaram-se tempos para oração pessoal e adoração eucarística. Utilizaram-se orações apropriadas para os diversos momentos e situações. Deixou-se tempo para leitura, reflexão e oração pessoal.

▬ O balanço destes dias é francamente positivo, restando-nos agradecer aos confrades que ficaram a suportar «o peso do dia e o calor» para que esta semana de formação posse possível.

» Fernando Fonseca, scj