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▬ A segunda etapa de Formação Permanente para os religiosos mais velhos da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus teve início a 13 de Julho. Depois de umas horas de repouso, em Aveiro, o grupo partiu para Salamanca, onde foi recebido cordialmente pelos confrades espanhóis.

▬ A manhã do dia 14 foi destinada a visitar a cidade. Passámos pelo convento dominicano de S. Estêvão, onde foi decidida a viagem de Cristóvão Colombo à América, e onde funcionou a célebre escola que tanto se distinguiu no campo da teologia, mas também do Direito. Aí foram defendidos os direitos dos índios e alguns interessantes princípios que hoje chamaríamos ecológicos.
Visitámos, depois, as duas catedrais, a nova e a velha, bem como a torre dos Jerónimos. Além da beleza e da majestade desses monumentos, impressionaram-nos as marcas deixadas pelas ondas de choque do terramoto de Lisboa de 1755.
Passámos ainda pela universidade. Admirámos a fachada plateresca, o claustro, a estátua de Frei Luís de Leão e os “víctores” pintados nas paredes. Descemos à igreja da Puríssima onde pudemos contemplar o célebre retábulo de Ribera. Subimos à Praça Maior, maravilhosa sala de visitas da cidade. Detivemo-nos a admirar a beleza dos edifícios e a boa convivência, a serenidade e a alegria das largas centenas de pessoas, mais ou menos jovens, que a enchiam.
A parte da tarde, depois da obrigatória sesta, verdadeiro yoga espanhol, o P. Isildo brindou-nos com uma reflexão sobre “A comunhão com Cristo e a comunhão fraterna”, seguida de um animado debate.
O dia terminou com a adoração eucarística e a celebração de vésperas com a comunidade e com o grupo de formação permanente dos nossos irmãos espanhóis.

▬ O dia 15 foi escolhido para iniciar os nossos contactos com os lugares teresianos, também visitados pelo Fundador, P. Leão Dehon. Pelas 09.00 horas partimos para Ávila. Depois de uma paragem no Miradouro dos Quatro Postes, para ver o conjunto da cidade com as suas bem preservadas muralhas, descemos ao convento da Encarnação, onde Santa Teresa viveu cerca de 30 anos. Aí observámos a antiga portaria com diversos móveis, objectos e pinturas que documentam mais de quatro séculos de presença das religiosas. Admirámos uma cela que testemunha a forma de vida das freiras, antes da reforma teresiana. Na sala do campanário vimos objectos usados pela mística Doutora, por S. João da Cruz, com uma preciosa colecção de imagens, pinturas e alfaias litúrgicas. Dessa sala se observa também a cela que Teresa de Jesus usou quando priora.
Na igreja, observámos o coro baixo e a porta por onde a santa entrou, à força, para realizar a reforma do convento. Rezámos e cantámos a capela da transverberação, onde se mostra outra cela ocupada por Teresa de Jesus durante algum tempo.
Retomado o caminho, entrámos em Ávila para visitar o convento de S. José, onde Teresa iniciou a reforma da Ordem, a catedral e a casa onde nasceu, há muito transformada em capela.
Na parte da tarde, o nosso confrade espanhol, P. Ramón Domingues, apresentou-nos o Beato João Maria da Cruz, dehoniano martirizado durante a guerra civil espanhola. Com numerosas fotografias, apresentou alguns escritos que particularmente reflectem a espiritualidade dehoniana. Foi um bom encontro com este nosso confrade, que vale pela sua santidade e pelo seu martírio, mas que também simboliza a santidade e o martírio de tantos outros nossos irmãos ao longo dos 132 anos da Congregação.

▬ O dia 16 levou-nos, em primeiro lugar, ao Seminário de S. Jerónimo, em Alba de Tormes, onde os nossos confrades procuram educar a juventude e promover vocações para a nossa vida consagrada. Interessou-nos particularmente o museu P. Belda, situado nas ruínas da igreja do antigo mosteiro premonstratense e jerónimo, que estava em ruínas quando foi adquirido, em finais da década de cinquenta do século passado. O P. Belda, professor universitário em Salamanca, na área da Filosofia, foi um apaixonado pela História, pelas Belas Artes e pela Arqueologia, reunindo uma importante colecção de artefactos pré-históricos e históricos expostos no museu que, agora, tem o seu nome, ou guardados em lugar apropriado.
Terminada a visita a esse seminário dehoniano, dirigimo-nos para o convento da Encarnação, onde repousam os restos mortais de Santa Teresa de Jesus. Rezámos diante do seu túmulo, como fez o P. Dehon, em finais de Abril do ano de 1900, quando deixou escrito no livro de visitas: «Boa Santa, apresentai as minhas intenções ao Divino Mestre, que nada vos nega.» Depois da visita à igreja e ao museu teresiano, onde se vêem o coração e o braço esquerdo da Santa, cada um teve tempo de lhe apresentar os seus pedidos, certamente rogando, como o P. Dehon, «um fervente amor por Nosso Senhor», como lemos no seu livro de viagens «Au della des Pyrénées». No mesmo livro, afirma Leão Dehon: «Voltarei a ler com mais interesse e, espero, com mais proveito, os seus maravilhosos escritos. Ela é o doutor da vida mística».
O dia terminou com uma conferência do P. Fernando Ribeiro sobre a espiritualidade dehoniana. Tratando-se de um tema vasto, o orador soube sintetizá-lo de modo claro, dinâmico, atraente.

▬ Queira Deus que estes contactos com o Beato João Maria da Cruz, e com S. Teresa reavivem em nós o amor por Jesus, e façam crescer em cada um a mística dehoniana de uma vida toda transformada em oblação reparadora, em eucaristia permanente.

» Fernando Fonseca, scj