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"Ir ao povo… sair das sacristias"

“Ir ao povo!”: é a palavra chave do Pe. Dehon no seu Apostolado Social; é a linha de conduta que o guiou e na direcção da qual estimulou o clero do seu tempo.
“É preciso ir ao povo! É necessário! É preciso ir ao povo, porque é infeliz, porque sofre, porque se encontra num estado de miséria não merecida; porque está sem protecção… É preciso ir ao seu lar e à sua oficina. É preciso chamá-lo às reuniões e reagrupá-lo em associações para intruí-lo e confortá-lo, para assisti-lo nos seus sofrimentos e levantá-lo no abatimento, para escutar os seus lamentos e os seus desejos, para dirigi-lo nas suas reivindicações, para conduzi-lo a Cristo, seu Defensor e Salvador…”

O Pe. Dehon dirige este apelo especialmente aos Padres: “Eles não podem ficar fechados nas suas igrejas e nos seus presbitérios… Saí das sacristias!” dirá muitas vezes. Fazia sua a afirmação de Leão XIII: “A Igreja não pode deixar-se absorver de tal maneira pelo cuidado das almas que venha a descuidar o que diz respeito à sua vida terrena; de maneira especial deve fazer todo o possível para afastar os operários da sua miséria e para melhorar a sua situação”.

As “obras sociais”: constituem o esforço desesperado do pastor que faz apelo a todas as reservas do seu zelo e da sua inteligência para saír, a pesar de tudo, do círculo da impotência onde se quer fechá-lo, para abrir às almas novas estradas à medida que se vão fechando as velhas… É preciso ir ao povo pelas estradas que nos vão sendo abertas pelas novas obras. Deus assim quer!”

O critério pastoral que o Pe. Dehon dá, é o da actualidade e da creatividade: “A necessidades novas deve-se responder com acções novas…, diz-nos ele. O ministério pastoral, encontrando-se diante de situações novas, deve reflectir sobre as necessidades do momento e responder às exigências dos tempos, como fez em todas as épocas… As obras sociais são a nova forma especial de apostolado exigida pelos novos tempos… Hoje a sociedade espera da Igreja a promoção dos operários e o ensino das leis da justiça e da caridade, que devem presidir à reforma das legislações e à organização professional.”

Nesta nova acção das obras sociais não é suficiente a acção do padre, exige-se a colaboração pessoal dos cristãos leigos. É outra intuição profética de Leão Dehon pelo apostolado dos leigos: “… as obras sociais dão à acção do padre um carácter mais apostólico e permitem aos leigos de dar-lhe uma ajuda sempre útil e às vezes indispensável… Os padres e os leigos devem iniciar-se e, com santa emulação, estimular-se a esta nova forma apostólica de ministério; dedicar-se, com o estudo de meios práticos, a criar e a dirigir estas obras que dão resposta directa às necessidades actuais das almas e da sociedade. Então os pastores não se consumirão mais num ministério infrutuoso, não iluminado, porque em condições de ineficácia. Os leigos cristãos aprenderão a não desanimarem, fechando-se na cerca egoista dos deveres domésticos, eles tornar-se-ão poderosos auxiliares dos seus pastores para o maior bem da nação e da Igreja” (Manual Social, Introdução à II parte: Oeuvres sociales).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj