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No último dia de Março fechamos estas recordações quotidianas, narrando a morte do Pe. Dehon e descrevendo o testamento que nos deixou.
Ao iniciar o ano de 1925, no primeiro de Janeiro, assim escreve o Pe. Dehon nos cadernos do seu Diário: “É o último caderno e talvez o último ano.. Fiat!.. A minha carreira chega ao fim. É o crepúsculo da minha existência… (NQ XLV, Janeiro 1925).
Com estes pressentimentos de espera, o Pe. Dehon vive o último ano da sua existência terrena. Em Julho de 1925 propaga-se em Bruxelas uma epidemia de gastroenterite que ataca muitos confrades da comunidade. O Pe. Dehon visita-os a todos até ao momento em que, também ele, a 4 de Agosto, cai doente. No princípio ele aguenta bem a doença, mas depressa agrava-se o seu estado. “Sofro de manhã até à noite e da noite até de manhã”, diz ele a quem o assiste; e da noite ele diz: “Percorri as catorze estações da Via-Sacra”.

Quem o assiste é testemunha que “a noite convertia-se para ele numa comunhão espiritual” na espera de receber a Eucaristia pela manhã: “Jesus é tudo, é amigo. Trazei-me então o meu Jesus”, pedia ele. Tinha mandado colocar junto do leito um postal que representava S. João Evangelista que apoia a cabeça no peito de Jesus. Apontando para esta imagem, dizia a quem o visitava: “Eis o meu tudo, a minha vida, a minha morte, a minha eternidade”. A 11 de Agosto recebe a Unção dos Enfermos e, antes de receber o Viático, renova os seus votos religiosos de “pobreza, castidade e obediência”, acrescentando o de “imolação”. Chama pelo nome todos os confrades que o circundam; recorda as pessoas queridas e todos os seus filhos ausentes:
“Dizei-lhes que penso em todos, neste momento”. Agradece aos presentes pela assistência que lhe deram na doença, pede perdão a Deus e aos homens pelas suas culpas; por fim dá a sua bênção paterna aos presentes e a todos os seus religiosos espalhados pelo mundo. A 12 de Agosto, ao meio dia, entra em agonia e apontando a imagem do Coração de Jesus diz: “Para ele vivo, para ele morro”: são as suas últimas palavras; às 12:10 ele repousa para sempre no Coração de Jesus.

Depois da morte do Pe. Dehon foi encontrado entre as suas cartas um envelope com esta escrita: “Pacto de Amor”; no interior havia um documento, escrito por seu punho: “Jesus meu, diante de ti e do teu Pai celeste, na presença de Maria Imaculada; minha mãe, de São José, meu patrono, faço voto de consagrar-me por puro amor ao teu Sagrado Coração, de dedicar a minha vida e as minhas forças à obra dos Oblatos do teu Coração, aceitando, desde já, todos as provações e todos os sacrifícios que te aprouver pedir-me…”
É o pacto de amor estipulado pelo Pe. Dehon com o Sagrado Coração já desde os primeiros tempos da sua vida religiosa, um pacto secreto guardado cuidadosamente no seu coração.

Anos antes, em 1914 durante os tristes dias da guerra, tinha escrito para os seus filhos o seu Testamento Espiritual. Eis a herança que nos deixou: “Deixo-vos o tesouro mais maravilhoso: o Coração de Jesus!
É de todos, mas tem ternuras particulares para com os Sacerdotes que se consagram a Ele, e que se dedicam inteiramente ao seu culto, ao seu amor e à reparação que Ele pediu. Devem ser, porém, fiéis a esta linda vocação…
Ofereço ainda e consagro a minha vida ao Sagrado Coração de Jesus, por seu amor e segundo as suas intenções. Tudo por teu amor ó Coração de Jesus!”

 

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj