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O Coração de Jesus não indica apenas o amor, com as conotações da misericórdia. Indica toda a vida interior de Jesus. Inclui o seu amor ao Pai, e o seu sofrimento muito humano, que o faz irmão dos que sofrem. Também abarca a sua exultação e acção de graças diante dos pequenos e pobres, as suas indignações frente aos auto-suficientes e arrogantes, a sua experiência de abandono, a sua felicidade de Ressuscitado. Tudo isso poderá parecer apenas uma extensão do significado do símbolo do coração.

Na verdade, tem a ver com os “estados de vida” ou os “mistérios” de Jesus, para os compreendermos a partir de dentro. Ajuda-nos a entender aquilo que Jesus vivia em profundidade, a sua vida escondida, o seu impulso oblativo, o seu zelo que se torna paixão, o seu sofrimento no Getsémani… Trata-se de nos determos em meditação amorosa e orante para compreendermos a interioridade de Jesus, que o animava a ser disponível. Assim se passa do “olhar” ao ”contemplar”, do “considerar” ao “meditar” para entendermos o mundo íntimo de Cristo, que o animou na sua caminhada terrena.

Mas é preciso dar outro passo: ao dizermos “Coração de Jesus”, não nos referimos apenas ao que Jesus “sentiu” durante a sua vida mortal, mas também ao que continua a sentir, hoje (Von Balthasar, De La Poterie). Ainda hoje, como Ressuscitado, Jesus continua a amar-nos humanamente. Depois da Ressurreição “um coração de carne palpita eternamente na SS. Trindade” (Von Balthazar). O Ressuscitado é também capaz de tecer histórias humanas como as que enchem o Evangelho; é um coração que nos escuta nas nossas angústias e nas nossas alegrias; não acabou aquele tipo de relação personalizado e integralmente “psicológico” pelo qual permanece irmão. Ainda hoje podemos relacionar-nos com ele de modo totalmente confiante, como Alguém que está em sintonia connosco, e nos acompanha sempre. Não é aquele que está longe, mas aquele que está connosco, no mais íntimo do nosso ser. É Aquele que vive e intercede por nós junto do Pai e está presente a nós e para nós nas realidades sacramentais.

P. Fernando Fonseca, SCJ