Fernando Rodrigues da Fonseca, scj

O profeta Miqueias anuncia que Cristo, o Salvador esperado por Israel, virá da descendência de David e de Belém. Na “casa do pão”, nascerá o Chefe/Pastor do Povo de Deus, aquele que é a nossa paz. Quando o anjo Gabriel anunciou a Maria a sua maternidade divina, ela respondeu “Eis-me aqui!” Ao visitar a prima Isabel, grávida de João Batista, havia seis meses, a jovem de Nazaré já levava no ventre o Menino Jesus. João apercebeu-se misteriosamente dessa presença e exultou de alegria: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio.” Esta nota de Lucas pretende dizer-nos que Jesus é Deus que vem ao encontro dos homens para realizar as promessas de salvação feitas aos antepassados. Por Jesus, Deus vai construir um mundo novo de justiça, de amor, de paz e de felicidade para todos.

Isabel, animada pelo Espírito Santo proclama bendita Maria, e bendito o fruto que ela traz no ventre, Jesus: “Bendita és tu entre as mulheres, bendito o fruto do teu ventre! Mais: proclama Maria bem-aventurada porque acreditou: Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”.

Estas palavras de bem-aventurança já foram usadas no “cântico de Débora” para celebrar Jael, a mulher frágil que Deus tornou instrumento de libertação para o Povo oprimido por Sísera. Agora servem para bendizer Maria, que aceitou ser instrumento de Deus para salvação da humanidade.

A minha alma enaltece o Senhor…”.  Maria retoma um salmo de ação de graças a Deus, que protege os humildes e os salva, apesar da prepotência dos ricos e poderosos. É um cântico de esperança e de confiança em Deus. A presença de Jesus, no seu seio, é sinal do amor de Deus, que está atento aos que sofrem as injustiças dos homens.

A Carta aos Hebreus apresenta-nos o mistério de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se faz carne por obra do Espírito no ventre da Virgem Maria, realizando a vontade do Pai que o enviou para nos salvar e santificar por meio da oblação sacrificial do seu Corpo, feita de uma vez para sempre. O “eis-me aqui” do Verbo, ao aceitar o projeto do Pai, ressoa no “eis.me aqui “de Maria, quando acolhe a proposta de ser Mãe do Redentor, permitindo-lhe assumir nela a carne humana que há de sacrificar no altar da cruz.

Aprendamos de Maria, mulher de fé, a disponibilidade e o serviço a quem precisa, para nos prepararmos a acolher o Senhor Jesus, dom do amor do Pai.

Vem, Senhor Jesus!” Visita os que estão presos aos seus leitos de dor, os pobres, os explorados e os oprimidos, para que a sua dignidade seja reconhecida.

Vamos ao encontro de Maria e peçamos-lhe que coloque nos nossos corações o amor do Menino/Deus e as graças do mistério do Natal. (ASC 130).