Definitivamente, o adjectivo “sustentável” está na moda. O seu uso disseminou-se rapidamente e todos querem recorrer a ele, desde a publicidade aos programas eleitorais, sem esquecer o comércio e a indústria. A cada passo, na rádio ou na televisão, escutamos esta palavra mágica que vai ao encontro de uma crescente sensibilidade mais amiga do ambiente. Hoje ser sustentável é sinónimo de qualidade ou, pelo menos, de um tipo específico de qualidade, mais adaptado aos nossos tempos.

À partida, não há nenhum mal neste uso tão frequente de uma palavra que até há pouco tempo não entraria no léxico do dia-a-dia. De alguma forma, uma linguagem nova ajuda a configurar uma outra maneira de viver. É de esperar, no entanto, que não cheguemos a um ponto de saturação e de cansaço relativamente a esta palavra, o que poderá acontecer quando nos dermos conta que a realidade está bem longe daquilo que esta palavra quer transmitir.

Uma definição comum do dicionário diz-nos que sustentável é “aquilo que tem condições para se manter ou conservar”. Perceberemos melhor o significado desta palavra se lermos o final de LS 106, que nos descreve um modo de pensar insustentável e irresponsável: «isto supõe a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a “espremê-lo” até ao limite e para além do mesmo. Trata-se do falso pressuposto de que existe uma quantidade ilimitada de energia e de recursos a serem utilizados, que a sua regeneração é possível de imediato e que os efeitos negativos das manipulações da ordem natural podem ser facilmente absorvidos».

Foi no célebre Relatório Brundtland, em 1987, que este termo foi usado pela primeira vez. Aí define-se o desenvolvimento sustentável como «o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração actual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais».

Na única vez em que a Laudato si’ usa a palavra “sustentabilidade” é uma citação da Carta da Terra, onde se diz: «que o nosso seja um tempo que se recorde pelo despertar duma nova reverência face à vida, pela firme resolução de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta em prol da justiça e da paz e pela jubilosa celebração da vida» (LS 207). Por seu lado, a expressão “desenvolvimento sustentável” aparece oito vezes, sendo que a primeira está logo na introdução (LS 13) e a última encontra-se no quinto capítulo (LS 193), ficando de fora o último capítulo que se refere à educação e espiritualidade ecológicas.

José Domingos Ferreira, scj