No nosso país, para muito boa gente a chegada do verão significa férias. Esta é uma palavra mágica que, de tão agradável aos nossos ouvidos, quase nos enfeitiça e deslumbra, mesmo sabendo que elas, em geral, sabem sempre a pouco… Há até quem diga que as férias são boas antes de começar, porque é quando deixamos que a imaginação e o sonho trabalhem livre e criativamente.

Nas férias, o país parece que pára (ou, pelo menos, avança em marcha lenta), pois há realidades que entram em modo de hibernação: não há aulas nas escolas, as paróquias reduzem a sua actividade, o desporto deambula entre contratações e pré-época… Em contrapartida, regressam os emigrantes, aumentam os turistas e enchem-se as praias. O sol a brilhar em todo o seu esplendor acende a alegria e abre o sorriso nas pessoas…

No meio de uma vida tão agitada e acelerada, parece-me que as férias não são apenas um direito, mas também um dever de todos. Pode parecer estranho dizer isto desta maneira, mas precisamos de descansar, precisamos de sair desse ritmo frenético que nos desgasta paulatinamente, precisamos de dedicar tempo àquilo que, durante o ano, é arrumado a um canto, precisamente por falta de tempo. Ir de férias não é um pecado nem um crime! Ir de férias é uma bênção que não podemos desperdiçar de ânimo leve. Por tudo isto, não tenhamos medo nem vergonha de fecharmos a porta e oferecer-nos a nós próprios um período de verdadeiro e merecido descanso.

Se as férias são uma necessidade, é importante que não sejam vividas de forma consumista. Com efeito, transparece, com frequência, uma sofreguidão gulosa em acumular experiências, eventos e festivais, ao longo destas poucas semanas. O ritmo alucinante do ano mantém-se inalterado, mudando apenas as actividades em que consumimos as nossas energias. Também nas férias existe a tentação de ir saltitando de actividade em actividade, sem ter o tempo necessário para digerir aquilo que vivemos. Diz-nos o papa Francisco que «é necessário distinguir, esta distracção superficial, duma cultura saudável do repouso, que nos abre ao outro e à realidade com um espírito disponível e contemplativo» (GE, nota de rodapé n. 29).

Gozemos as férias com tranquilidade e paz. Que elas sejam realmente o tempo para abrir os olhos à realidade envolvente, para escutar mais atentamente aquilo que nos rodeia, para respirar mais lenta e profundamente. O repouso das férias poderá então aparecer como «uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros» (LS 237).

As férias podem ser o momento propício para passar mais tempo com a família e como seria bom se esse tempo fosse realmente de qualidade superior. As férias podem também ser um momento feliz para escutarmos aquela Voz a que somos tão surdos ao longo do ano. Afinal de contas, se estou bem comigo mesmo, é mais fácil estar bem com os outros, especialmente com aqueles que vivem ao meu lado…

José Domingos Ferreira, scj