02º Domingo do Tempo Comum - Ano A [atualizado]
18 de Janeiro, 2026
ANO A
2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 2.º Domingo do Tempo Comum
As leituras que a liturgia deste domingo nos propõe recordam-nos que Deus conta connosco para concretizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Ele escolhe-nos, chama-nos, envia-nos e habilita-nos para sermos suas testemunhas no mundo. Não temos o direito de frustrar, com as nossas recusas, o projeto de Deus.
A primeira leitura traz-nos a história de vocação de um “servo de Javé”, escolhido por Deus “desde o seio materno” para ser “luz das nações” e levar a salvação de Deus “até aos confins da terra”. Consciente de que Deus o sustenta com a sua força, o “servo” dispõe-se a cumprir a missão que lhe é confiada. Quando Deus nos inclui nos sus planos, a nossa resposta só pode ser um “sim” sem reticências.
Na segunda leitura Paulo de Tarso, lembra aos cristãos da cidade de Corinto que todos são chamados a cumprir a missão que Deus lhes destina. Paulo, chamado por Deus a ser apóstolo de Jesus Cristo, irá anunciar o Evangelho em todo o lado aonde a vida o levar; os coríntios, chamados à santidade, deverão viver de forma coerente com a vida nova que assumiram no dia em que se comprometeram com Jesus e com o Evangelho.
No Evangelho, João Batista apresenta Jesus: Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito e que vem batizar os homens no Espírito. Jesus recebeu do Pai a missão de oferecer aos homens a vida nova de Deus; e irá cumpri-la com absoluta fidelidade. Nós, os que nos aproximamos de Jesus e que decidimos segui-l’O, continuamos a obra de Jesus: somos enviados a levar ao mundo a salvação de Deus.
LEITURA I – Isaías 49,3.5-6
Disse-me o Senhor:
«Tu és o meu servo, Israel,
por quem manifestarei a minha glória».
E agora o Senhor falou-me,
Ele que me formou desde o seio materno,
para fazer de mim o seu servo,
a fim de lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele.
Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor
e Deus é a minha força.
Ele disse-me então:
«Não basta que sejas meu servo,
para restaurares as tribos de Jacob
e reconduzires os sobreviventes de Israel.
Vou fazer de ti a luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».
CONTEXTO
A primeira leitura do segundo domingo do tempo Comum vem do “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55). Este profeta anónimo cumpriu a sua missão profética na Babilónia, na fase final do Exílio (entre 550 e 539 a.C.). Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Nabucodonosor havia destruído Jerusalém e arrastado para o cativeiro a maior parte dos habitantes de Judá. Os judeus cativos desesperam porque o tempo vai passando e a libertação (anunciada por Ezequiel, um outro profeta do tempo do Exílio) nunca mais acontece. Será que Deus se esqueceu das suas promessas?
O Deutero-Isaías sente que Deus o envia a dizer aos seus concidadãos, exilados e desanimados, palavras de esperança. Cumprindo o mandato de Deus, o profeta fala da iminência da libertação, comparando-a ao antigo êxodo, quando Deus salvou o seu Povo da escravidão do Egipto (cf. Is 40-48); e anuncia, também, a reconstrução de Jerusalém, a cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz (cf. Is 49-55).
Lado a lado com a proposta “consoladora” do Deutero-Isaías aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta temática. São cânticos que se referem a um personagem misterioso e enigmático, designado pelos biblistas como o “servo de Javé”. Esse personagem será Jeremias, o profeta que tanto sofreu por causa da missão? Será o próprio Deutero-Isaías, chamado a dar testemunho de Deus no cenário difícil do Exílio? Será Ciro, rei dos persas, que alguns anos depois libertará os judeus exilados e autorizará o seu regresso a Jerusalém? Será o povo de Israel, no seu conjunto, chamado a dar testemunho de Deus na Babilónia? Não sabemos ao certo. Mas esse “servo de Javé” é apresentado como um predileto de Javé, chamado para o serviço de Deus, enviado por Deus com uma missão universal. A missão desse “servo” cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional à Palavra. O sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiatório e redentor, pois dele resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício deste “servo” e recompensá-lo-á, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e adversários.
A primeira leitura de hoje propõe-nos parte do segundo cântico do “servo de Javé” (cf. Is 49,1-13). Neste cântico, esse “servo” é explicitamente identificado com Israel (embora alguns comentadores pensem que a determinação “Israel” não é original no texto e que foi aqui acrescentada como uma interpretação): poderia ser a figura do povo de Deus, chamado a dar testemunho de Javé no meio dos outros povos.
MENSAGEM
O cântico apresenta-se na forma de uma declaração solene do “servo de Javé” (Israel) “às ilhas” e “aos povos de longe” (vers. 1) sobre a sua vocação e missão.
Na sua declaração, o “servo de Javé” manifesta, antes de mais, a consciência de que é um “eleito” de Deus desde o primeiro instante da sua existência: Javé escolheu-o desde o seio materno e chamou-o pelo nome ainda antes de ele nascer (vers. 1b. 5a.b). A mesma expressão aparece no relato de vocação do profeta Jeremias (cf. Jr 1,5). Ela põe em relevo a origem e fundamento de toda a vocação profética: é Deus que, por razões e caminhos que só Ele conhece, escolhe, chama e envia quem quer, como quer e quando quer. Se o “servo” do cântico é Israel, a expressão aludirá certamente às origens do Povo, à eleição e à Aliança: Deus escolheu Israel entre todos os povos da terra, iniciou com ele um diálogo, revelou-lhe o seu rosto, constituiu-o como Povo, libertou-o da escravidão do Egito, conduziu-o através do deserto e estabeleceu com ele uma relação especial de comunhão e de Aliança.
A eleição e a Aliança pressupõem, contudo, a missão e o testemunho. Deus chama em vista de uma missão. A missão desse “servo” a quem Deus escolheu e chamou é “reconduzir Jacob e reunir Israel” junto de Javé (vers. 5c.d). Os verbos “reconduzir” e “reunir” referem-se, muito provavelmente, ao regresso de Israel à comunhão com Deus (rompida pela idolatria, as injustiças, o desrespeito pelos mandamentos, o pecado), à reunião de todos os exilados e ao regresso à Terra Prometida.
No entanto, parece que a missão do “servo” não se esgota na reunião dos filhos de Abraão e na sua recondução a Deus, mas é uma missão que se alarga ao mundo inteiro: “vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra” (vers. 6). Israel deve dar testemunho da salvação de Deus e fazer com que essa proposta chegue aos homens e mulheres de toda a terra. O “servo”, com o seu testemunho, será uma luz que brilhará no meio do mundo e que iluminará o mundo com a glória de Deus.
Talvez soe um tanto estranho a entrega de uma missão tão grandiosa e exigente a um povo esgotado e desanimado, exilado numa terra estrangeira, que parece tão sem futuro como um conjunto de ossos ressequidos e sem vida (cf. Ez 37,1-14). No entanto, trata-se de algo que se repete em diversos passos da história da salvação: Deus, com frequência, recorre a instrumentos frágeis e indignos para intervir no mundo e para concretizar o seu plano salvador. É na fraqueza que se revela a força de Deus.
INTERPELAÇÕES
- A escolha do “servo” e a sua designação por Deus, “desde o seio materno”, para assumir uma missão, convida-nos hoje a olhar para esse mistério sempre pessoal, mas sempre insondável que é a vocação. Deus chama homens e mulheres para, através deles, intervir no mundo e concretizar o seu plano de salvação. Provavelmente nunca chegaremos a compreender cabalmente as razões e os critérios de Deus nas escolhas que faz. De resto, não nos compete questionar as escolhas de Deus, mas sim tentar descobrir o lugar que Deus nos reserva no seu projeto e acolher com obediência e disponibilidade o seu chamamento. Deus conta com cada um de nós. Também a nós Ele diz: “tu és o meu servo, por quem manifestarei a minha glória”. Como nos situamos diante do mistério da vocação? Temos procurado, através da escuta de Deus e do diálogo com Ele, descobrir o lugar e o papel que Ele nos tem destinado? Estamos disponíveis para colocar a nossa vida ao serviço do projeto de Deus, num “sim” total e comprometido?
- O “relato da vocação” do “servo de Javé” que a liturgia deste domingo nos oferece lembra-nos que na origem da vocação está sempre Deus: é Ele que elege, que chama e que confia a cada pessoa uma missão. Sendo assim, a vocação é algo que só se entende à luz de Deus e a partir de Deus. O “chamado” não age em nome próprio, mas age em nome de Deus e por mandato de Deus; o “chamado” não proclama as suas ideias ou teorias, mas sim a Palavra que ouviu de Deus; o “chamado” não faz aquilo que lhe apetece fazer, mas sim aquilo que Deus o encarregou de fazer; o “chamado” não dá testemunho de si próprio, mas procura ser um sinal vivo de Deus no meio dos seus irmãos. Esse “testemunho” de Deus só é possível se o “chamado” cultivar uma grande proximidade com Deus, viver na escuta de Deus, aprofundar cada vez mais a sua comunhão com Deus. A nossa ação, o nosso testemunho e a nossa intervenção no mundo são alimentados por Deus? Procuramos, no diálogo com Deus e na escuta de Deus, descobrir o sentido da nossa missão?
- Poderemos nós, seres frágeis e indignos, ser sinais de Deus no mundo? Poderemos, com todas as nossas limitações, concretizar a “obra” de Deus no meio dos nossos irmãos e anunciar, com palavras e com gestos, um mundo mais belo, mais justo e mais humano? Sim podemos, com a força de Deus. Convém, no entanto, que não nos iludamos: aquilo que fazemos de extraordinário não resulta das nossas forças ou das nossas qualidades, mas sim de Deus. Quando nos louvarem ou nos aplaudirem por causa das obras que fazemos, que o nosso coração não se encha de orgulho, de vaidade, de autossuficiência, de autoconvencimento: por detrás de todos os nossos êxitos está Deus, esse Deus que é capaz de renovar e transformar o mundo a partir da nossa fragilidade. Estamos bem conscientes dos nossos limites e, em simultâneo, da força de Deus que atua em nós e através de nós?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 39(40)
Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.
Esperei no senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».
«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».
Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa fidelidade e salvação.
LEITURA II – 1 Coríntios 1,1-3
Irmãos:
Paulo, por vontade de Deus
escolhido para Apóstolo de Cristo Jesus
e o irmão Sóstenes,
à Igreja de Deus que está em Corinto,
aos que foram santificados em Cristo Jesus,
chamados à santidade,
com todos os que invocam, em qualquer lugar,
o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo
estejam convosco.
CONTEXTO
No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Grécia, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Timóteo (cf. 2Co 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao anúncio do Evangelho. Não tardou, no entanto, a entrar em conflito com os líderes da comunidade judaica de Corinto e foi expulso da sinagoga.
Corinto era uma cidade nova e muito próspera, capital da Província romana da Acaia. Distinguia-se como centro comercial importante. Servida por dois portos de mar, possuía as características típicas das cidades marítimas: era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterrâneo, ávidos de prazer, após meses de navegação. Na cidade pontificava Afrodite, deusa do amor, em cujo tempo se praticava a prostituição sagrada. Na época de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois terços eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a miséria da maioria.
Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condição humilde (cf. 1Co 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas também havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1Co 1,22-24; 10,32; 12,13). De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1Co 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Co 1,11-12), sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1Co 1,19-2,10).
Paulo escreveu a sua primeira Carta aos Coríntios quando estava em Éfeso, no decurso da sua terceira viagem missionária. O apóstolo teve conhecimento de notícias alarmantes, chegadas de Corinto, que davam conta de problemas graves na comunidade: divisões, conflitos e diversos escândalos. Paulo, compenetrado do seu papel enquanto fundador da comunidade, escreveu aos coríntios exortando-os a corrigir todas essas situações. No entanto, para além das questões particulares, transparece na Carta uma questão mais ampla: a dificuldade de inserção do cristianismo numa realidade cultural muito diferente da realidade palestina.
O trabalho missionário de Paulo de Tarso, em meados do séc. I, levou o cristianismo ao encontro do mundo grego. Paulo, depois de um certo discernimento, tinha concluído que a proposta de Jesus era para todos os povos da terra e não exclusivamente para os judeus. No entanto, o contexto judaico – de onde o cristianismo era originário – e o contexto grego eram realidades culturais e religiosas bastante diferentes. Como é que a proposta cristã se aguentaria quando mergulhasse num mundo que funcionava com dinamismos que lhe eram estranhos? Iria a brilhante cultura grega absorver ou desvirtuar os valores cristãos? Como é que os cristãos de origem grega integrariam a sua fé na realidade cultural em que estavam inseridos? Esta problemática é, em última análise, o cenário de fundo da reflexão de Paulo nesta carta.
O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como segunda leitura faz parte da introdução à carta (1Co 1,1-9).
MENSAGEM
A introdução à carta inclui, como é normal, o remetente (“Paulo”) e o destinatário (“a Igreja de Deus que está em Corinto”). No entanto, o mais importante nestes versículos iniciais é a caraterização que Paulo faz de um e de outro: sobre si próprio, diz que foi “chamado (klêtos), por vontade de Deus, para apóstolo de Cristo Jesus” (vers. 1); sobre os cristãos de Corinto, diz que eles foram “chamados (klêtois) à santidade” (vers. 2). O vocábulo “klêtos” (“chamado”, “convocado”, “eleito”) assume aqui um lugar fundamental. Sugere que, tanto Paulo como os cristãos de Corinto, cada qual à sua maneira, são chamados a desempenhar um determinado papel no projeto de Deus.
Paulo, no que lhe diz respeito, foi escolhido por Deus para ser apóstolo de Cristo Jesus. Deus elegeu-o e enviou-o a dar testemunho da Boa Nova de Jesus em toda a terra, inclusive entre os coríntios. É essa a sua missão. Custe o que custar, Paulo tenciona cumpri-la. Sentindo, possivelmente, que o seu testemunho estava a ser posto em causa por alguns membros da comunidade cristã de Corinto, Paulo evoca o chamamento que lhe foi feito e o mandato que recebeu de Deus como fundamento da sua autoridade. Chamado e mandatado por Deus, Paulo tem legitimidade para proclamar a verdade do Evangelho.
Os coríntios, por sua vez, são uma comunidade de “chamados” por Deus à santidade. Na linguagem, paulina, “santos” são todos aqueles que acolheram a proposta libertadora de Cristo e que abraçaram a salvação de Deus (cf. 2Co 1,1; Ef 1,1; Fl 1,1). Separados do mundo velho do egoísmo e do pecado, os que aderiram a Jesus escolheram abraçar a vida do Homem Novo e dispuseram-se a viver para o serviço de Deus. A vida cristã é uma vocação. Paulo, enquanto apóstolo de Deus, sente-se na obrigação de lembrar aos cristãos de Corinto que devem viver de forma coerente com a vocação a que foram chamados.
Uma nota final para sublinhar o vínculo que Paulo estabelece entre a comunidade de Corinto e a Igreja universal. Os cristãos de Corinto devem ter sempre presente que fazem parte de uma família universal, constituída por “todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome do Senhor Jesus Cristo” (vers. 3). É uma definição muito bela de “Igreja”. Nessa “família” – que inclui os membros da comunidade cristã de Corinto – não há lugar para qualquer divisão ou fratura.
INTERPELAÇÕES
- Paulo de Tarso, o rabi judeu que encontrou Jesus na estrada de Damasco, entendeu toda a sua vida à luz do chamamento que Deus lhe dirigiu. Por mandato de Deus, tornou-se “apóstolo”, enviado a dar testemunho de Jesus e a ser arauto da Boa Notícia que Jesus veio oferecer ao mundo e aos homens. Paulo assumiu essa missão com total compromisso e com uma dedicação sem limites. Foi martirizado em Roma, durante a perseguição de Nero, por causa do seu testemunho e da sua fidelidade à missão que lhe foi confiada. Evidentemente, a nossa história de vida não é igual à do apóstolo Paulo. Talvez Deus não exija que vivamos ao mesmo ritmo e que percorramos o mesmo caminho de Paulo de Tarso. Mas todos nós, talvez de formas diversas, somos chamados a dar testemunho de Jesus e do seu Evangelho neste mundo e neste tempo que nos tocou viver. Assumimos essa missão com dedicação, com entrega, com compromisso, independentemente dos obstáculos, das resistências e das incompreensões que encontramos?
- Paulo lembra aos cristãos de Corinto – e a nós também – que todos os batizados são chamados à santidade. Para muitos cristãos, contudo, a palavra “santidade” assusta: parece demasiado exigente e, portanto, irrealizável. Na verdade, a vocação à santidade não implica obrigatoriamente seguir caminhos extremos de ascese, de privação, de sacrifício, de renúncia, de abandono do mundo; mas significa, sobretudo, viver de forma coerente com a vida nova que assumimos no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos no seguimento de Jesus; significa deixarmos para trás as obras das trevas e passarmos a viver na luz, como pessoas novas, animadas pelo Espírito. Temos procurado concretizar a nossa vocação à santidade? A nossa vida dá testemunho dos valores de Deus?
- Paulo também lembra aos cristãos da cidade de Corinto que não estão sozinhos na vivência e no testemunho da vocação a que foram chamados. Eles fazem parte de uma grande família, espalhada pela terra inteira, e que é constituída por “todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Nessa família não há distinções baseadas na cor da pele, no lugar de nascimento, nas categorias sociais, nas diferenças culturais, nos títulos honoríficos, nos bens materiais que cada um possui… Trata-se de uma família de irmãos e de irmãs, reunida à volta de Jesus, animada e conduzida pelo Espírito Santo. Todos os membros dessa família, de formas diversas, participam da mesma missão: dar testemunho, no meio do mundo, da proposta salvadora de Deus. É desta forma que vemos a Igreja nascida de Jesus? Sentimo-nos plenamente membros dela? Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que esta família viva unida e testemunhe o amor de Deus no meio dos homens?
ALELUIA – João 1,14a.12a
Aleluia. Aleluia.
O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós.
Àqueles que O receberam
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
EVANGELHO – João 1,29-34
Naquele tempo,
João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro,
e exclamou:
«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Era d’Ele que eu dizia:
“Depois de mim virá um homem,
que passou à minha frente, porque existia antes de mim”.
Eu não O conhecia,
mas para Ele Se manifestar a Israel
é que eu vim batizar em água».
João deu mais este testemunho:
«Eu vi o Espírito Santo
descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele.
Eu não O conhecia,
mas quem me enviou a batizar em água é que me disse:
“Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar
é que batiza no Espírito Santo”.
Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
CONTEXTO
Este trecho integra a secção introdutória do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Nessa secção, a principal preocupação do autor é apresentar a figura de Jesus.
João, o autor do Quarto Evangelho, dispõe os materiais que tem à sua disposição como se estivéssemos num teatro. Diante dos nossos olhos, diversas personagens vão entrando no palco e apresentam-nos Jesus. As “falas” que lhes são atribuídas são afirmações categóricas, carregadas de significado teológico, que nos convidam a mergulhar no mistério de Jesus. O quadro final que resulta destas diversas intervenções apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Espírito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da água e do Espírito.
João Baptista tem um lugar especial neste cenário de apresentação de Jesus. O seu testemunho aparece no início e no fim da secção (cf. Jo 1,19-37; 3,22-36), como se o seu testemunho fosse decisivo. De facto, a catequese cristã sempre viu João Batista como “o percursor do Messias”, aquele que Deus enviou para preparar os homens para acolherem Jesus.
Neste quadro que o Evangelho deste domingo nos apresenta, o narrador não define o auditório ao qual João se dirige. Com isso, ele pretende possivelmente sugerir que o testemunho de João é perene, dirigido aos homens e mulheres de todos os tempos e com eco permanente na comunidade cristã.
A cena narrada pelo autor do Quarto Evangelho passa-se em Betânia, na margem oriental do rio Jordão (cf. Jo 1,28), uma povoação situada perto de Jericó e até agora não identificada (Orígenes fala de “Bethabara”, ou “Casa da Passagem”). Alguns séculos antes, tinha sido da margem oriental do rio Jordão que os hebreus, libertados do Egito e conduzidos por Josué, “passaram” para a Terra Prometida.
MENSAGEM
João, o “Batista”, postado na “Casa da Passagem”, espera pelo enviado de Deus, Aquele que está para chegar e a quem não se julga digno “de desatar a correia das sandálias” (Jo 1,27). Quando, a dada altura, vê Jesus que vem ao seu encontro, João apresenta-O ao mundo. O momento em que Jesus irrompe na história e é apresentado àqueles que o esperam ansiosamente é o momento da “passagem” do tempo velho da antiga Aliança para o tempo da nova Aliança. Com a entrada em cena de Jesus, começa o “tempo do Messias”.
O que é que João diz sobre Jesus? De que forma e em que termos o apresenta? A catequese sobre Jesus que aqui é feita expressa-se através de três afirmações com um profundo significado teológico: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; Jesus é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito; Jesus é Aquele que vem batizar os homens no Espírito.
A primeira afirmação (Jesus é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – Jo 1,29) evoca, provavelmente, duas imagens que a catequese tradicional de Israel conhecia bem. Por um lado, evoca a imagem do “servo sofredor”, o “cordeiro levado para o matadouro” (cf. Is 53,7) que entregou a sua vida à morte e sofreu pelos pecados do seu povo (cf. Is 53,12b.c); por outro lado, evoca a imagem do cordeiro pascal, o símbolo por excelência da ação libertadora de Deus em favor de Israel na noite em que os hebreus saíram da escravidão do Egito e começaram a sua peregrinação para a Terra Prometida (cf. Ex 12,1-28). Nos dois casos, a imagem do “cordeiro” encaixa numa narrativa que nos situa no contexto da ação libertadora de Deus em favor dos homens.
A ideia é, aliás, explicitada logo a seguir: Jesus, o “Cordeiro de Deus”, veio para tirar (“eliminar”) “o pecado do mundo”. A palavra “pecado” aparece, aqui, no singular: não designa os “pecados” dos homens, mas um “pecado” único que oprime a humanidade inteira. No cenário da catequese joânica, esse “pecado” parece ter a ver com a recusa da proposta de vida que Deus insiste em fazer aos homens. Na verdade, é dessa recusa que resulta o pecado histórico que desfeia o mundo e que oprime os homens. O “mundo” designa, neste contexto, essa humanidade orgulhosa e autossuficiente que resiste à salvação e que recusa a luz/vida que Deus lhe pretende oferecer. A missão de Jesus, o Cordeiro de Deus, será libertar os homens prisioneiros do egoísmo, da injustiça, da violência, da maldade, do pecado, da morte. Jesus, o Cordeiro de Deus, irá realizar um novo êxodo: irá fazer passar os homens da terra da escravidão para a terra da liberdade.
A segunda afirmação (Jesus é o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito Santo – cf. Jo 1,32.34) completa e aprofunda a anterior. Jesus é o Filho de Deus que possui a plenitude da vida do Pai, toda a riqueza do Pai, todo o amor do Pai (o Espírito). Ele é um com o Pai (“Eu e o Pai somos um” – Jo 10,30). Por mandato do Pai, Jesus veio ao encontro dos homens e instalou-se no mundo (“montou a sua tenda no meio dos homens” – Jo 1,14). Assim, quem encontra Jesus encontra Deus; quem acolhe Jesus acolhe a vida de Deus.
João, o “Batista”, compreendeu que Jesus é o Filho de Deus quando, certo dia, viu “o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar” sobre Jesus (Jo 1,32): percebeu, naquele momento, que em Jesus está presente e atuante o Espírito de Deus, está presente a própria vida de Deus. Depois de “ver” (“eu vi”) o Espírito descer e permanecer sobre Jesus, João pode garantir que Jesus é a presença de Deus no mundo. Jesus, por mandato do Pai, tem como missão comunicar aos homens essa vida divina que Ele possui em plenitude. A finalidade dessa comunicação (do Espírito) é tornar possível ao homem escapar da morte e alcançar a vida eterna, a vida verdadeira.
Para concretizar esta missão, Jesus foi investido como Messias: foi “ungido” (“messias”) com o Espírito. Cumpre-se assim a profecia messiânica de Isaías: “brotará um rebento do tronco de Jessé, um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor” (Is 11,1-2). Animado pelo Espírito de Deus, o Messias irá concretizar a sua missão à maneira do Servo de Javé, ungido também ele com o Espírito de Deus e enviado ao mundo para ser “luz das nações”, para “abrir os olhos aos cegos”, para “tirar do cárcere os prisioneiros”, para libertar das suas “prisões aqueles que vivem nas trevas” (Is 42,6-7). Como o Servo de Javé, Jesus vai partir ao encontro dos homens para lhes levar a salvação de Deus.
A terceira afirmação (Jesus é Aquele “que vai batizar no Espírito” – Jo 1,33) refere-se à concretização da missão de Jesus: Ele irá comunicar aos homens o Espírito de Deus e, dessa forma, transformá-los em “Homens Novos”, que vivem sob o dinamismo do Espírito. Os que estiverem dispostos a aderir a Jesus e a acolher as propostas de Jesus, receberão o Espírito de Deus; e, com a força do Espírito, serão capazes de abandonar a vida da escravidão e das trevas. Alcançarão o seu pleno desenvolvimento, conhecerão a vida plena. Integrarão a comunidade do Povo de Deus e farão parte da família de Deus.
As declarações de João, o “Batista”, o “apresentador” oficial de Jesus, convidam os homens de todas as épocas a voltarem-se para Jesus e a acolherem a proposta libertadora que, em nome de Deus, Ele faz: só a partir do encontro com Jesus será possível chegar à vida plena, à meta final do Homem Novo.
INTERPELAÇÕES
- A liturgia deste domingo lembra-nos que Deus chama todos os seus filhos a desempenhar um determinado papel no projeto que Ele tem para o mundo e para os homens. Nesse sentido, apresentou-nos a vocação do Servo de Javé, a vocação do apóstolo Paulo e a vocação dos cristãos de Corinto (que é, afinal, a vocação dos cristãos de todos os tempos e lugares). O quadro não estaria completo sem uma referência a Jesus e à missão que o Pai Lhe confiou no seu projeto de salvação. É esse o tema do Evangelho deste dia. No entanto, antes de nos questionarmos sobre a missão que o Pai confiou a Jesus, detenhamo-nos um pouco a olhar para esse facto espantoso e verdadeiramente improvável que é Deus escolher-nos, chamar-nos, enviar-nos, envolver-nos nos planos que Ele desenhou para levar todos os homens ao encontro da vida plena. É verdade: apesar da nossa pequenez, dos nossos limites, da nossa indignidade, Deus conta connosco – com cada um de nós – para concretizar o seu projeto de salvação. Como nos sentimos diante do chamamento de Deus? Como Jesus, estamos dispostos a cumprir o papel que Deus quer confiar-nos no contexto do seu plano salvador?
- João Batista, o “apresentador oficial” de Jesus, diz-nos que Jesus é “o Cordeiro de Deus” que veio tirar o pecado do mundo”. O que é que isso significa? Que Deus, irritado com as ofensas que Lhe fazemos, decidiu enviar alguém da sua confiança para nos controlar e para nos impor a sua vontade? Não. Deus não é um ditador cujo programa é restringir a liberdade dos seus súbditos; mas é um Pai cheio de amor, um Pai que detesta ver os seus filhos a escolher caminhos que os afastam da felicidade e da vida verdadeira. O pecado não é uma ofensa contra Deus; é uma decisão estúpida nossa, uma decisão que nos leva por caminhos sem saída. O envio de Jesus ao encontro dos homens para “tirar o pecado do mundo”, é a decisão amorosa de um Pai que quer estar sempre ao nosso lado e ajudar-nos a vencer tudo aquilo que nos destrói e nos rouba a vida. Jesus enfrentou precisamente o “pecado do mundo” – o egoísmo, a injustiça, a violência, a maldade – para nos mostrar como devemos viver para ter vida verdadeira. Jesus morreu porque decidiu enfrentar “o pecado”; mas Deus ressuscitou-O e deu-Lhe razão. A ressurreição de Jesus significa a sua vitória sobre o pecado. Nós, esses filhos e filhas que Deus quer salvar, escutamos e acolhemos as indicações de Jesus? Já percebemos que o pecado é “um mau negócio”, uma opção que não ajuda a construir uma vida com pleno sentido?
- Apesar da vitória de Jesus, o pecado não desapareceu da história e da vida dos homens. O “pecado” continua hoje a enegrecer o nosso horizonte diário, apresentando-se em forma de guerras, de terrorismo, de corrupção, de injustiça, de indiferença, de exploração dos mais fracos, de tráfico de pessoas, de açambarcamento por alguns dos recursos que pertencem a todos, de destruição da natureza e da criação… Jesus falhou? Não. Jesus disse-nos, em nome de Deus, que o pecado frustra a nossa vocação à vida plena; lutou contra o pecado e mostrou-nos como derrotá-lo. A questão é que nós continuamos a fazer escolhas duvidosas e a preferir seguir caminhos de autossuficiência, passando ao lado de tudo o que Jesus nos veio dizer. No entanto, a nossa missão é continuar a obra de Jesus e lutar objetivamente contra “o pecado” instalado no coração de cada um de nós e instalado em cada degrau da nossa vida coletiva. A missão dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretização na história. É isso que fazemos? Enquanto discípulos de Jesus, lutamos objetivamente contra os mecanismos de pecado que, por todo o lado, trazem sofrimento e morte à vida dos homens?
- João Batista diz-nos também que Jesus é o “Filho de Deus” que veio ao encontro dos homens e que dá testemunho no mundo dessa vida de Deus que O habita em plenitude. A vida de Deus brilha no mundo e ilumina a história dos homens através das palavras, dos gestos, do amor que Jesus partilhou com todos os que com Ele se cruzaram nos caminhos da Galileia e da Judeia, especialmente os pobres, os marginalizados, os pequeninos, os sofredores, os injustiçados. Em Jesus, Deus encontrou-se com os homens e manifestou-lhes a sua bondade e a sua misericórdia. Jesus, quando terminou o seu caminho neste mundo, encarregou os seus discípulos de continuarem a sua obra. Hoje são os discípulos de Jesus que, apesar das suas limitações e fragilidades, têm como missão testemunhar no mundo o rosto de Deus, o coração de Deus, a misericórdia de Deus, a vida de Deus. Fazemo-lo? Somos sinais de Deus e testemunhas da vida de Deus no meio dos nossos irmãos? Quem olha para nós, para o que dizemos e fazemos, encontra a realidade de Deus?
- Segundo João Batista, Jesus veio “batizar no Espírito”. A todos aqueles que se dispuserem a acolher a sua proposta, Jesus comunica a vida de Deus, a força de Deus, o amor de Deus (o Espírito Santo). Os primeiros discípulos de Jesus fizeram essa experiência no dia de Pentecostes (cf. At 2). Aquele que recebe esse “batismo no Espírito”, passa a viver segundo um dinamismo novo: os seus gestos, as suas palavras e o seu estilo de vida refletem a vida de Deus. O que é batizado no Espírito, renuncia à escravidão do pecado e passa a fazer as obras de Deus. Ser batizado no Espírito corresponde a um novo nascimento. Para nós, este caminho começou no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos a caminhar com Jesus e recebemos d’Ele a vida de Deus. Temos vivido de forma coerente com essa opção? Renovamos em cada dia a nossa decisão por Jesus ou, entretanto, optamos por outros caminhos, outras propostas, outras formas de vida? A nossa vida, as nossas escolhas, os nossos valores, os nossos gestos refletem a opção que fizemos no dia em que fomos “batizados no Espírito”?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
- A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 2.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo…
Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…
- DAR ATENÇÃO ÀS PROCISSÕES.
Ao longo dos domingos que precedem o tempo da Quaresma, pode-se dar uma atenção particular ao desenrolar das procissões na missa. Por exemplo, a procissão de entrada, que não é apenas para o presidente da assembleia acompanhado de um ou outro acólito… Podem entrar nesta procissão: um leigo com a cruz, os acólitos ou leigos que vão servir ao altar (podem levar cada um uma vela), os que vão fazer a primeira e a segunda leitura (um deles leva o lecionário), assim como o leitor da oração dos fiéis. Para acolher a procissão, enquanto se canta, a assembleia dirige o olhar para o fundo da igreja e acompanha com o olhar o movimento da procissão. Chegados ao altar, depois da inclinação ou genuflexão, colocam o livro e as velas, tomando os seus lugares. A celebração continua…
- ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Deus, Pai do teu povo, nós Te bendizemos pelo envio de salvadores, os profetas, os juízes e os reis, mas sobretudo pelo envio do teu Filho, o teu eleito, em quem puseste toda a tua alegria, e que Se manifestou como a luz das nações.
Nós Te confiamos as vítimas das inumeráveis angústias da nossa terra, todos os infelizes que aspiram a reencontrar a luz, a liberdade e a paz.
No final da segunda leitura:
Cristo Jesus, Tu que és o Senhor de todos e que revestiste a nossa condição humana, Tu que o Pai revelou como o Messias e encheu com a sua força, nós Te damos graças pela tua obra de salvação.
Nós Te confiamos os nossos irmãos e irmãs que procuram a luz e a verdade, como fazia outrora o centurião Cornélio. Dá-nos a coragem de ir ao seu encontro, como outrora o apóstolo Pedro.
No final do Evangelho:
Pai de Jesus e nosso Pai, nós Te damos graças pelo batismo de Jesus no Jordão, porque nele nos revelaste a nova humanidade, da qual Jesus é a cabeça. Faz de nós também teus filhos bem-amados e cumula-nos com o teu Espírito.
Nós Te pedimos pelos novos batizados, pelos padrinhos e madrinhas, pelos pais e pelas equipas que asseguram a preparação para o batismo.
- ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II para as Missas da Reconciliação.
- PALAVRA PARA O CAMINHO.
Testemunho… A palavra “Servidor” regressa hoje em força, em Isaías, enquanto João nos convida a contemplar o Cordeiro de Deus investido da Força do Espírito, ao qual dá testemunho. E nós? O nosso testemunho ficará limitado a estas palavras do Credo proclamado ao domingo? Ou leva-nos a empenharmo-nos em ações concretas no seguimento do Servidor?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org