05º Domingo do Tempo Comum - Ano A [atualizado]

8 de Fevereiro, 2026

ANO A

5.º Domingo do Tempo Comum

Tema do 5.º Domingo do Tempo Comum

Para que vivemos? Qual o sentido da nossa vida? Como devemos marcar a nossa passagem pela terra? Que “obras” devemos fazer? A Palavra de Deus do 5.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos respostas para estas questões. Desafia-nos a ser “luz” que brilha e que ilumina o mundo com as cores de Deus.

Na primeira leitura um profeta anónimo do séc. VI a.C. convida os habitantes de Jerusalém a serem uma luz de Deus que ilumina a noite do mundo. Como? Oferecendo a Deus o espetáculo de uma religião feita de rituais vazios e desligados da vida? Não. Ser “luz de Deus” passa por partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar daqueles que ninguém cuida, ser testemunha da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem.

No Evangelho, Jesus recorre a duas metáforas para definir os contornos da missão que vai confiar aos seus discípulos. Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos.

Na segunda leitura o apóstolo Paulo convida os cristãos de Corinto a agarrarem-se à “sabedoria de Deus” e a prescindirem da “sabedoria do mundo”. A salvação do homem não vem das palavras bonitas, dos sistemas filosóficos bem elaborados ou das qualidades humanas dos arautos da mensagem salvífica; mas vem do amor de Deus, expresso naquela cruz onde o Filho de
Deus ofereceu a vida e nos deixou a lição do amor até ao extremo. Paulo é testemunha privilegiada dessa mensagem: viver a partir da “loucura da cruz” é que dá sentido pleno à vida do homem.

 

LEITURA I – Isaías 58, 7-10

Eis o que diz o Senhor:
«Reparte o teu pão com o faminto,
dá pousada aos pobres sem abrigo,
leva roupa ao que não tem que vestir
e não voltes as costas ao teu semelhante.
Então a tua luz despontará como a aurora
e as tuas feridas não tardarão a sarar.
Preceder-te-á a tua justiça
e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá,
se O invocares, dir-te-á: “Aqui estou”.
Se tirares do meio de ti a opressão,
os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto
e matares a fome ao indigente,
a tua luz brilhará na escuridão
e a tua noite será como o meio-dia».

 

CONTEXTO

Nos capítulos 56 a 66 do livro de Isaías (o “Trito-Isaías”) temos uma coleção de textos, provavelmente de autores diversos, redigidos em Jerusalém na época pós-exílica. Os biblistas designam esta coleção com o nome geral de “Trito-Isaías”. O poema que a liturgia deste quinto domingo comum nos apresenta como primeira leitura pertence a essa coleção.

Em 538 a.C. o rei persa Ciro, depois de conquistar a Babilónia, autorizou os exilados judeus a regressar a Jerusalém. Alguns puseram-se imediatamente a caminho. Chegaram a Jerusalém cheios de entusiasmo; mas rapidamente ficaram desiludidos… A cidade estava destruída; o domínio persa recordava aos retornados que não eram livres. As profecias sobre a reconstrução de Jerusalém – que o Deutero-Isaías (cf. Is 40-55) tinha oferecido aos exilados quando ainda estavam na Babilónia – não se tinham concretizado. A intervenção definitiva de Deus para restabelecer as glórias passadas e para oferecer ao seu povo um futuro de vida abundante tardava em chegar.

No universo religioso de Jerusalém parece haver, por esta altura, uma forte tensão entre dois “partidos” ligados à vida cultual. De um lado, está o sacerdócio sadoquita (da linha de Sadoc, sacerdote do tempo de Salomão), que incluía sacerdotes recém-retornados do exílio na Babilónia, convencidos de que tinham sido provados e perdoados pelas suas faltas. Mantinham boas relações com o poder persa, estavam decididos a fazer valer os seus direitos e privilégios e pretendiam ser eles a definir as coordenadas do culto oficial. Do outro lado está o sacerdócio levítico, que incluía sacerdotes que se tinham mantido sempre em Jerusalém, presidindo à vida cultual da cidade durante os anos que tinha durado o Exílio. Tinham uma visão mais “democrática”, mais pragmática, menos “oficial” e legalista da fé. Os autores do texto que, neste domingo, nos é proposto como primeira leitura pertencem, provavelmente, a este último grupo.

O capítulo 58 – de onde é tirado o nosso texto – apresenta-se como uma reclamação de Deus contra o Povo. Nessa reclamação, há dois temas: a denúncia de um culto vazio e estéril, que cumpre as leis externas, mas que não sai do coração nem tem a necessária correspondência na vida (cf. Is 58,1-12); e o respeito pela santidade do sábado (cf. Is 58,13-14).

A propósito do culto vazio e sem correspondência na vida aborda-se a questão do jejum (a raiz “jejuar” aparece sete vezes ao longo do capítulo). Como é que Deus vê a questão do jejum, uma das traves-mestras da vivência judaica da fé (cf. Ex 34,28; Lv 16,29.31; Jz 20,26; 2Sm 12,16-17; 1Rs 21,27; Esd 8,21; Est 4,16; Dn 9,3)? Qual é como é o jejum que agrada a Deus?

 

MENSAGEM

O “jejum” é, no universo religioso vétero-testamentário, um ato religioso. Pela prática do jejum o crente expressa, diante de Deus, a humildade, a entrega, o amor. Privar-se de alimentos significa, neste contexto, que o fiel está disposto a renunciar ao próprio egoísmo, a humilhar-se, a purificar-se, a converter-se a Deus, a obedecer a Deus, a entregar-se nas mãos de Deus, a acolher a ação e os dons de Deus.

Os habitantes de Jerusalém também utilizavam este recurso da piedade tradicional. Esperavam, com os seus repetidos jejuns, agradar a Deus e obter a intervenção de Deus para que tudo lhes corresse bem (cf. Is 58,2). Contudo, perante a falta de resposta de Deus, insurgem-se e dizem: “para quê jejuar, se Deus não faz caso? Para quê humilhar-nos, se Deus não nos presta atenção?” (Is 58,3).

Deus, através do profeta, responde-lhes: “no dia do vosso jejum só cuidais dos vossos negócios e oprimis todos os vossos empregados. Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem dó nem piedade. Não jejueis como tendes feito até hoje, se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto” (Is 58,3b-4). Isto significa que o jejum misturado com a exploração dos pobres e com violências de toda a ordem torna-se um simples ato externo sem significado, uma farsa piedosa que proclama coisas que não se sentem e não se vivem. Naturalmente, estes jejuns não podem agradar a Deus. São uma mentira. Não chegam ao céu, ao coração de Deus (cf. Is 58,5).

Qual seria o “jejum” que Deus aceitaria e que Lhe agradaria (vers. 6)? A resposta de Deus aponta para o cumprimento dos deveres morais e humanos, para a libertação dos oprimidos, para a eliminação da injustiça, da violência e dos gestos de ameaça (cf. Is 58,6).

O texto que a liturgia deste domingo nos oferece como primeira leitura começa precisamente aqui. Deus, definindo o “jejum” autêntico, o jejum que Lhe agrada, pede que se reparta o pão com os pobres (cf. Is 58,7.10) e que se cancelem definitivamente a opressão, a injustiça, a violência, os gestos de ameaça (cf. Is 58,9b). Trata-se de viver segundo os compromissos assumidos no âmbito da Aliança, obedecendo aos mandamentos e às indicações de Deus. Só então o culto fará sentido e será expressão de amor a Deus; só então Deus voltará o seu coração e o seu rosto para o povo, virá ao encontro de Judá e caminhará com o seu povo (“então, se chamares, o Senhor responderá, se o invocares, dir-te-á: ‘aqui estou’” – Is 58,9a). Vivendo de acordo com as indicações de Deus, Judá será uma luz que brilha no meio do mundo; e as feridas que o Exílio e o pecado deixaram na alma do povo ficarão definitivamente curadas (cf. Is 58,8).

Deus não está interessado numa religião feita de liturgias solenes, de gestos teatrais vazios de significado. Javé chamou Israel, libertou-o da escravidão, fez com ele uma Aliança, enviou-lhe os profetas para que ele fosse uma luz de Deus a brilhar entre as nações. Ora, é através de gestos concretos, sinceros, justos, compassivos, saídos de corações que amam Deus e obedecem aos seus mandamentos, que o povo de Deus testemunhará no mundo a bondade, a misericórdia e o amor de Deus.

 

INTERPELAÇÕES

  • O que é que Deus pretende de nós? Qual o papel que Ele nos destina no seu plano salvador? A estas perguntas poderão ser dadas múltiplas respostas. Uma das mais belas e mais desafiantes aparece nas palavras do Trito-Isaías que escutamos hoje: Deus pretende que sejamos uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta aos homens o caminho que leva à vida verdadeira. Sim, é uma boa resposta. Mas, como poderemos ser essa luz? Oferecendo a Deus rituais litúrgicos majestosos, que sejam expressão (mesmo que deslavada) da grandeza e da omnipotência de Deus? É oferecendo ao mundo o espetáculo de uma religião que se exprime em gestos e palavras carregados de história e de tradição, mas herméticos e incompreensíveis para os homens e mulheres que se movem à margem dos caminhos da fé? Ouçamos, outra vez, o Trito-Isaías: seremos luz de Deus no mundo se partilharmos o nosso pão com os famintos, se ficarmos do lado dos injustiçados, se cuidarmos daqueles que ninguém cuida, se formos testemunhas da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. Dessa forma, todos nos verão e todos entenderão o nosso testemunho. Como é que vemos tudo isto? Como vivemos e expressamos a fé que nos anima?
  • A história atual do nosso mundo está a ser escrita no meio de infinitas sombras… A cada instante, a guerra e a violência semeiam a morte e desumanizam agressores e agredidos; a cada momento há homens e mulheres humildes e bons, que não fazem mal a ninguém, mas que veem as suas vidas destruídas pela prepotência, pela injustiça e pela arrogância dos poderosos; a cada passo multiplicam-se os sinais de indiferença para com os sofredores, os frágeis, os que não têm pão, os que não têm casa, os que são obrigados a procurar num país estranho um futuro viável; a cada hora são maiores as feridas que deixamos na natureza, explorada e saqueada pelo nosso egoísmo e pela nossa ganância; a cada instante há mais homens e mulheres que não encontram lugar à mesa onde a humanidade come e que são abandonados nas bermas dos caminhos… Talvez estas “sombras” existam porque nós nos entrincheiramos atrás das portas do nosso egoísmo e não cuidamos de ser luz que brilha no mundo. Em concreto, o que podemos fazer para que o nosso mundo se torne menos sombrio? O que é que Deus nos estará a pedir para fazer neste momento da história do mundo?

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 111 (112)

Refrão 1: Para o homem reto nascerá uma luz no meio das trevas.

Refrão 2: Aleluia.

Brilha aos homens retos, como luz nas trevas,
o homem misericordioso, compassivo e justo.
Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.

Este jamais será abalado;
o justo deixará memória eterna.
Ele não receia más notícias:
seu coração está firme, confiado no Senhor.

O seu coração é inabalável, nada teme;
reparte com largueza pelos pobres,
a sua generosidade permanece para sempre
e pode levantar a cabeça com altivez.

 

LEITURA II – 1 Coríntios 2, 1-5

Quando fui ter convosco, irmãos,
não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria
a anunciar-vos o mistério de Deus.
Pensei que, entre vós, não devia saber nada
senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.
Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor
e a tremer deveras.
A minha palavra e a minha pregação
não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana,
mas na poderosa manifestação do Espírito Santo,
para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana,
mas no poder de Deus.

 

CONTEXTO

Corinto, a capital da província romana da Acaia, era uma cidade cosmopolita e próspera, de população heterogénea. Na época neotestamentária, devia ter à volta de meio milhão de habitantes, dos quais dois terços eram escravos. Servida por dois portos de mar – um virado para ocidente, outro para oriente – era a cidade onde a cada momento desembarcavam marinheiros chegados de todos os portos do Mediterrâneo, ávidos de prazeres depois de semanas passadas no mar. Os mais diversos cultos religiosos estavam ali representados. Mas a grande referência religiosa de Corinto era Afrodite, a deusa do amor, da beleza, da sexualidade e da fertilidade, em cujo templo se praticava a prostituição sagrada.

Paulo chegou a Corinto por volta do ano 50, no decurso da sua segunda viagem missionária, depois de ter passado por Tessalónica, Bereia e Atenas. Instalou-se na cidade e começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos há pouco chegado de Roma. Ao sábado Paulo frequentava a sinagoga e aí falava aos judeus sobre Jesus. No entanto, o apóstolo não tardou a entrar em choque com os líderes da comunidade judaica da cidade. Expulso da sinagoga (cf. At 18,6), Paulo decidiu dedicar-se à evangelização dos pagãos. O apóstolo permaneceu em Corinto cerca de dezoito meses (entre os anos 50 e 52). Quando deixou a cidade, já havia em Corinto uma comunidade cristã numerosa e entusiasta.

Mesmo fisicamente afastado da comunidade, Paulo não perdeu o contacto com os seus queridos filhos de Corinto. Mais tarde, durante a sua terceira viagem missionária (anos 53-58), possivelmente quando estava em Éfeso, Paulo recebeu notícias alarmantes sobre a comunidade. Após a sua partida de Corinto, tinha aparecido na cidade um pregador cristão – um tal Apolo, judeu de Alexandria, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na polémica com os judeus. Formaram-se partidos na comunidade (embora, segundo parece, Apolo não favorecesse essa divisão): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Co 1,12). Os cristãos de Corinto, ainda imbuídos de uma mentalidade pagã, transplantaram para a comunidade o esquema das escolas filosóficas gregas, cada uma com os seus mestres e os seus adeptos. Neste quadro, multiplicavam-se as divisões, os conflitos, as discussões que deixavam feridas abertas na comunidade. Mais grave ainda: o cristianismo corria o risco de deixar de ser o seguimento de Jesus Cristo, para se tornar uma proposta de “saber” cuja validade dependia do poder de sedução dos mestres que “vendiam” aos próprios adeptos as suas ideias.

Neste contexto, Paulo recorda aos coríntios que a “sabedoria humana” não salva nem realiza plenamente o homem. A realização plena do homem está em Jesus Cristo e na “loucura da cruz”. No entanto, como é que a salvação e a realização plena do homem podem manifestar-se nessa estranha história de um Deus condenado à fragilidade, que morre na cruz como um maldito? Para demonstrar que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens e que Deus pode agir através da fraqueza humana, Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro Paulo refere o caso da própria comunidade de Corinto: os cristãos que compõem a comunidade são gente pobre e débil, muitos deles na situação de escravos; mas, apesar disso, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salvação no mundo (cf. 1Co 1,26-31). No segundo (é precisamente esse exemplo que a segunda leitura deste domingo nos apresenta), Paulo refere o seu próprio caso.

 

MENSAGEM

Paulo foi enviado por Deus a anunciar o Evangelho de Jesus na cidade de Corinto. Quer enquanto evangelizador, quer enquanto ser humano, Paulo desenvolveu a missão que lhe foi confiada apoiando-se apenas em Deus, sabendo que não podia contar muito com as suas próprias forças e com as suas poucas qualidades.

Como evangelizador (vers. 1-2), Paulo não se apresentou com palavras grandiosas, com discursos sublimes, com filosofias elaboradas e coerentes; mas apresentou-se com toda a simplicidade para anunciar o paradoxo de um Deus frágil, que morreu numa cruz rejeitado por todos. Ora, apesar das poucas qualidades humanas do evangelizador, em Corinto nasceu uma comunidade cristã motivada e comprometida, cheia de força e de fé.

Como homem (vers. 3-5), Paulo apresentou-se em Corinto consciente da sua fraqueza, assustado e cheio de temor. Não foi, portanto, pela sedução da sua personalidade arrebatadora, pelas suas “brilhantes” qualidades de pregador, nem pelo brilho e coerência da sua exposição ou do seu pensamento que os coríntios se sentiram atraídos por Jesus e pelo Evangelho.

Qual foi, então, a razão pela qual os coríntios aderiram à proposta de Jesus, humildemente apresentada por Paulo?

Os coríntios abraçaram a fé – uma fé “difícil” de “engolir”, porque se baseia no estranho caso de um Deus que morre na cruz para dar vida aos homens – porque a força de Deus se impõe, muito para além dos limites do homem que apresenta a proposta ou do ouvinte que a escuta. O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração dos crentes, de forma que eles não se fiquem pelos esquemas da sabedoria humana, mas se deixem tocar pela sabedoria de Deus.

Os coríntios devem ter claro que a salvação não vem da sabedoria do homem, das palavras bonitas do homem, ou das qualidades do homem; a salvação vem de Deus, vem desse amor de Deus mostrado aos homens naquela cruz onde Jesus ofereceu a vida. A “loucura da cruz” manifesta a “sabedoria de Deus”. É nessa loucura e nessa sabedoria que os coríntios devem apostar, pois é aí que está a chave da salvação e da plena realização do ser humano.

 

INTERPELAÇÕES

  • Em meados do séc. I, os cristãos de Corinto procuravam encher de sentido as suas vidas correndo atrás daquilo a que o apóstolo Paulo chamava a “sabedoria do mundo”. Os belos discursos, os argumentos construídos com lógica inatacável, a fascínio dos sistemas filosóficos bem construídos seduziam-nos e mantinham-nos agarrados a valores perecíveis. Dois mil anos depois, ainda continuamos a funcionar numa lógica semelhante: colocamos a nossa esperança e a nossa segurança no progresso científico, nas conquistas da medicina, nos sistemas económicos, nas promessas dos políticos, nas ideologias, nos discursos sedutores dos manipuladores da opinião pública, até mesmo na publicidade que nos promete por preços módicos a realização de todos os nossos sonhos… Nada disso seria especialmente grave se não nos fechasse num mundo de autossuficiência que nos afasta de Deus e da salvação que Ele nos oferece. Onde é que a “sabedoria do mundo” nos leva? A prescindir de Deus e dos seus dons? A uma vida virada apenas para os valores efémeros? Conseguiremos dar pleno sentido à nossa vida e saciar a nossa sede de eternidade simplesmente correndo atrás da “sabedoria do mundo”?
  • À “sabedoria do mundo” Paulo contrapõe a “sabedoria de Deus”. A “sabedoria de Deus pode parecer algo de estranho e de incongruente à luz da nossa lógica humana; mas ela é, segundo o apóstolo Paulo, fonte de vida verdadeira e eterna. O que aconteceu com Jesus aponta exatamente nesse sentido: Ele aceitou prescindir das suas prerrogativas divinas, desceu até nós, assumiu a nossa humanidade, experimentou a nossa fragilidade, solidarizou-se connosco e partilhou as nossas dores, enfrentou corajosamente a injustiça e a maldade, foi condenado e sofreu uma morte maldita; mas, da Sua entrega brotou vida nova que inundou o mundo e transformou a história dos homens. Jesus mostrou-nos uma coisa que, mesmo depois de dois mil anos, ainda temos dificuldade em entender: o amor até às últimas consequências, o serviço aos outros, a vida “dada” até ao extremo, a renúncia a si próprio, são fonte de vida. Quem vive dessa forma não fracassa, não passa ao lado da vida, não é um vencido; quem vive dessa forma dá sentido pleno à sua existência. O que vale para nós a “sabedoria de Deus”? É a partir dela que construímos o nosso projeto de vida?
  • O apóstolo Paulo – um homem limitado, que não possuía as qualidades humanas que os coríntios apreciavam nem o brilho arrebatador dos grandes “sedutores” de massas – é a prova provada de uma realidade mil vezes repetida na história da salvação: a força de Deus revela-se na fraqueza, na fragilidade, na pequenez. Deus escolhe o que é fraco para confundir os fortes. Ele aproxima-se de nós em “pezinhos de lã”, sem nos assustar com a exibição da sua grandeza, e transforma o mundo e a história através de gente “improvável”, de gente que não figura entre os grandes do mundo. Estamos conscientes disto? Somos capazes de reconhecer a presença e a ação de Deus em tantas pessoas simples e bondosas que, sem darem nas vistas, iluminam o mundo e acrescentam humanidade à história dos homens? Uma vez conscientes do método de Deus para intervir na história dos homens, não percebemos como são ridículas e descabidas as nossas poses de importância, de autoridade, de protagonismo, de exibicionismo?
  • Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem sempre ter presente que a eficácia da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas postas ao serviço da evangelização: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus concretiza o seu projeto de salvação para o mundo… Temos consciência de que, para além do nosso esforço, da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos?

 

ALELUIA – João 8, 12

Aleluia. Aleluia.

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor:
quem Me segue terá a luz da vida.

 

EVANGELHO – Mateus 5, 13-16

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Vós sois o sal da terra.
Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se?
Não serve para nada,
senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo.
Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire,
mas sobre o candelabro,
onde brilha para todos os que estão em casa.
Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens,
para que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

 

CONTEXTO

Depois de nos dizer quem é Jesus (Mt 1,1-2,23) e de definir a sua missão (cf. Mt 3,1-4,11), Mateus vai mostrar-nos como Jesus concretiza a missão que o Pai Lhe confia (cf. Mt 4,12-18,35). No centro de tal missão está o anúncio de uma realidade a que Jesus chama o “Reino de Deus”. Esse anúncio é feito com palavras e com gestos.

As palavras de Jesus sobre o Reino de Deus ocupam um espaço bem significativo no Evangelho de Mateus. O evangelista agrupou a maior parte das palavras – ou “ditos” – de Jesus em cinco discursos (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25). É provável que o autor do primeiro Evangelho visse nesses cinco discursos uma nova Lei, destinada a substituir a antiga Lei dada por Deus ao seu povo, o “ensinamento” que Israel recebeu na montanha do Sinai e guardou nos cinco livros da Tora (Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio).

O primeiro desses discursos de Jesus é conhecido como o “sermão da montanha” (cf. Mt 5-7). Reúne um importante conjunto de palavras de Jesus que Mateus ordenou e apresentou com a intenção de oferecer à sua comunidade as coordenadas fundamentais da proposta cristã. O evangelista vê, no “sermão da montanha”, um novo código ético, uma nova Lei, que supera e substitui a antiga Lei dada por Deus ao seu Povo.

Mateus situa este discurso de Jesus no cimo de um monte não identificado. Em qualquer caso, a indicação geográfica não é inocente: lembra-nos a montanha da Lei (o Sinai), o cenário em que Deus deu a antiga Lei a Israel. Agora é Jesus que, também numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus uma nova Lei; e essa Lei irá orientar a vida de todos os que se propõem fazer parte da comunidade do Reino de Deus.

O “sermão da montanha” começa com as “bem-aventuranças” – um elenco dos valores fundamentais que devem ser assumidos para todos os interessados em seguir Jesus e em integrar a comunidade do Reino de Deus (cf. Mt 5,1-12). Mas Jesus não se fica por aí: completa o exórdio do “sermão da montanha” com duas parábolas (ou “ditos”) que indicam a missão daqueles que estão dispostos a viver segundo o espírito das “bem-aventuranças”.

 

MENSAGEM

O que é que Jesus espera dos seus discípulos? Esse grupo de gente pobre e pouco influente que aceita viver segundo o espírito das “bem-aventuranças” não se irá diluindo irremediavelmente no meio do vasto império romano, sem conseguir contagiar o mundo com a proposta que recebeu de Jesus? Jesus acredita que, apesar da grandeza da tarefa e da hostilidade do mundo, os membros da comunidade do Reino poderão “fazer a diferença”. Di-lo através de duas imagens simples, audazes e surpreendentes: “vós sois o sal da terra”, “vós sois a luz do mundo”.

A metáfora do sal é muito expressiva (vers. 13). O sal tornou-se, para nós, um elemento tão normal e barato que não o valorizamos convenientemente. Mas, na antiguidade, era algo bem precioso, de tal forma que os soldados romanos chegavam a receber o seu soldo pago em sal (o “salário”). Servia, antes de mais, para “dar sabor” aos alimentos: transformava alimentos insípidos em alimentos saborosos (cf. Jb 6,6). O sal também era usado para a conservação dos alimentos, para assegurar a sua incorruptibilidade. Nesse sentido, usava-se a imagem do sal para significar o valor durável de um contrato: uma “aliança de sal” (Nm 18,19) queria dizer “um contrato duradouro”, imperecível, não afetado pela corrupção dos elementos (cf. 2Cr 13,5). Também era habitual colocar-se uma placa de sal nos fornos de terra como substância capaz de catalisar o calor. Com o tempo, essa placa ia perdendo a sua capacidade catalisadora, ficando esse sal inutilizado. Jesus poderia estar a referir-se a isto quando falou do sal que se desvirtua e deixa de poder ser utilizado para o fim que se pretendia.

É bem provável que, com a imagem do “sal”, Jesus tivesse em vista todos estes significados. Ele queria dizer que os seus discípulos são chamados a trazer ao mundo essa “qualquer coisa mais” que o mundo não tem e que dá sabor à vida dos homens; pretendia dizer também que, da fidelidade dos discípulos ao programa enunciado por Jesus (as “bem-aventuranças”), depende a perenidade da Aliança entre Deus e os homens e a permanência do projeto salvador e libertador de Deus no mundo; pretendia ainda dizer que os seus discípulos têm como missão aquecer o mundo com a verdade do Evangelho.

Se, no entanto, os discípulos se recusarem a ser “sal” e se demitirem das suas responsabilidades, o mundo ficará privado dos dons de Deus; continuará a conduzir-se por critérios de egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais distante da realidade do Reino que Jesus veio propor. Nesse caso, com o seu desleixo, com a sua preguiça, com a sua recusa em cumprir a missão que lhes foi confiada, os discípulos terão defraudado gravemente o projeto de Deus e as esperanças dos homens.

A metáfora da luz (vers. 14-16), por sua vez, era bem conhecida no judaísmo. Jesus explicita-a através de duas imagens.

A primeira (a da cidade situada sobre um monte, que não pode se ocultada) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos. A interpretação judaica de Is 60,3 (“as nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora”) aplicava a frase a Israel: o Povo de Deus devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Javé diante de todos os povos da terra (cf. Is 58,7-10). A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro, a fim de alumiar todos os que estão em casa) repete e explicita a mensagem da primeira; mas sublinha especialmente uma coisa: esconder a luz de Deus priva o mundo de uma referência de que os homens precisam. É possível que haja ainda nestas duas imagens, uma referência ao “Servo de Javé” de Is 42,6 e 49,6, o profeta cuja missão consiste em ser, com a sua entrega e o seu testemunho, a “luz das nações”.

No Evangelho de João, quem é apresentado como “a luz” é Jesus (“Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” – Jo 8,12; cf. Jo 9,1-41). Ora, os discípulos – os que aderem a Jesus e são iluminados pela luz de Jesus – participam da mesma missão que Jesus tinha. Os que vivem segundo o espírito das “bem-aventuranças” e aderem ao Reino de Deus são, como Jesus, uma luz que ilumina o mundo e aponta caminhos aos homens. De acordo com Mateus, a luz que eles recebem de Jesus deve manifestar-se, não apenas em belas palavras, mas também nas “boas obras” que praticam e que testemunham o amor, a bondade, a ternura, a misericórdia de Deus. Essas “boas obras” são, provavelmente, aquelas que Mateus apresenta na segunda parte das “bem-aventuranças” (cf. Mt 5,7-11): a “misericórdia, a “pureza de coração”, a construção da paz, a luta pela justiça.

Dessa forma, a comunidade do Reino, o novo povo de Deus, será a “nova Jerusalém”, a “cidade santa”, a partir da qual a luz de Deus brilha sobre as nações. Essa luz elimina as sombras do mundo e faz irradiar sobre todos os povos a proposta salvadora de Deus.

A “visibilidade” que Jesus pede aos discípulos não significa, contudo, que eles devam procurar lugares privilegiados, onde podem exibir-se diante do mundo e conquistar aplausos, benefícios e recompensas; significa, simplesmente, que eles devem desempenhar a sua missão profética sem interrupção, deixando a cada momento ao mundo e aos homens as interpelações e os desafios de Deus. De resto, a vida de Deus manifesta-se na fraqueza, na humildade, na simplicidade, na pequenez.

 

Vivendo como “sal da terra” e “luz do mundo”, os discípulos de Jesus serão fermento de uma nova humanidade. Com as suas “boas obras”, anunciarão o mundo que há de vir, o mundo de Deus, esse mundo novo de vida e de felicidade sem fim que espera todos aqueles que acolhem a salvação que Deus oferece.

 

INTERPELAÇÕES

  • Para que vivemos, cinquenta, setenta, noventa, cem anos? Que marca deixamos no mundo e na memória daqueles que se cruzam connosco no caminho da vida? A nossa ação e intervenção tem vindo a acrescentar alguma coisa à história dos homens? O que é que determina o êxito ou o fracasso da nossa existência? A nossa realização passará apenas por viver o mais comodamente possível, com um mínimo de complicações, de aborrecimentos e de contrariedades? As coisas corriqueiras e fúteis, a mediocridade e a banalidade, as diversões e os bens materiais, os prazeres e as satisfações efémeras, os triunfos e os aplausos, bastarão para dar sentido à nossa vida e para saciar a nossa sede de felicidade? Nós que encontramos Jesus, que acolhemos o seu chamamento e que nos apaixonamos pelo seu projeto, em que moldes construímos a nossa existência de forma que ela faça pleno sentido?
  • Jesus convida os seus discípulos a serem “sal da terra”. É uma imagem expressiva e desafiante. O sal serve, sobretudo, para dar sabor aos alimentos. Vivemos num mundo cada vez mais insípido, onde tudo é feito à medida da nossa pressa (até mesmo a “comida de plástico”), do nosso comodismo, do nosso egoísmo, da nossa instalação, da nossa alienação, da nossa dificuldade em assumir compromissos exigentes. Buscamos uma existência indolor e evitamos tudo aquilo que exige sacrifício, renúncia, esforço, entrega, verdadeira dedicação. “Sermos sal” seria, neste contexto, não termos medo do que é difícil, estarmos disponíveis para servir e para “curar” as feridas dos irmãos magoados pelas vicissitudes da vida, envolvermo-nos sem medo na luta contra as injustiças, gastarmos tempo a cuidar daqueles que ninguém quer e que ninguém ama, semearmos bondade e compaixão na vida daqueles que são marginalizados e condenados pelas sociedades ou pelas igrejas, darmos testemunho da bondade e do amor de Deus em todos os lados onde a vida nos levar. Estamos disponíveis para “fazer a diferença”, como o sal faz quando se mistura com os alimentos e faz sobressair o seu sabor?
  • Jesus também pediu aos seus discípulos que fossem “luz do mundo” e que brilhassem diante dos homens. Mais de dois mil anos depois, o pedido de Jesus continua a fazer sentido. Apesar de todas as nossas conquistas e de todos os nossos êxitos, são muitas as sombras que escurecem o mundo e que obrigam os homens a perderem-se em caminhos sem saída, a tropeçarem no medo e no desespero, a ficarem prisioneiros de frivolidades e bagatelas, a não acertarem com o sentido da existência, a permanecerem parados no erro, a caminharem às apalpadelas sem vislumbrar uma luz no fundo do túnel. Os seguidores de Jesus, iluminados pela luz que d’Ele brota e pela verdade do Evangelho, são chamados a dissipar, com as suas “boas obras”, as sombras que cobrem o mundo; são enviados por Jesus a apontar aos homens os caminhos luminosos que conduzem à vida verdadeira. Aceitamos o convite de Jesus para sermos testemunhas da luz? A luz de Deus brilha no mundo através das nossas boas obras?
  • Durante muitos séculos vigorou um modelo de organização social e política conhecido como “regime de cristandade”: a filosofia e os valores do cristianismo permeavam e governavam todas as esferas da sociedade, incluindo as leis, as instituições, os costumes e as relações entre a Igreja e o Estado. A Igreja exercia uma influência dominante, que ia além do domínio espiritual, moldando a totalidade da vida social e cultural. Entretanto, os tempos mudaram. Atualmente já não existe esse modelo. Os seguidores de Jesus estão mais diluídos na massa e têm menos visibilidade. Por outro lado, uma boa parte da sociedade parece menos interessada nos valores propostos por Jesus. Poderão ainda os discípulos de Jesus, neste novo cenário, serem “sal da terra” e “luz do mundo”? Jesus não hesitou em pedir isso ao seu pequeno grupo de discípulos quando eles eram um grupo ridiculamente insignificante no vasto e hostil império romano. Ele sabia que a força de Deus é capaz de se manifestar na fraqueza e na pequenez. Como nos sentimos quando somos chamados a dar testemunho de Jesus no meio dos nossos irmãos que seguem modelos diferentes dos nossos? Deixamo-nos dominar pelo desânimo, ou contagiamos os que nos rodeiam com a nossa paixão por Jesus?
  • Para que o sal possa cumprir o seu papel, tem de ser misturado com os alimentos; para que uma luz possa iluminar “todos os que estão em casa”, não pode estar escondida debaixo do alqueire. Tudo isto parece-nos demasiado evidente. Mas temos sempre tirado daí as consequências que se impõem? Há entre nós quem, desagradado com a indiferença ou até mesmo a hostilidade do mundo, ache que a comunidade de Jesus deve fechar-se ao mundo, condenar o mundo e “cortar relações” com uma sociedade que não entende a proposta cristã. Poderemos ser “sal da terra” e “luz do mundo” fechados dentro das nossas igrejas ou dos espessos muros dos nossos conventos, limitados a atirar condenações lá para fora? Poderemos alhear-nos dos problemas e angústias, alegrias e esperanças dos homens, renunciando a contagiar o mundo com a proposta de Jesus? Uma Igreja que gasta todas as energias com os seus solenes rituais litúrgicos ou com a arrumação harmoniosa do calendário paroquial poderá dar sabor à vida moderna e oferecer aos homens a luz genuína do Evangelho?

 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

  1. A liturgia meditada ao longo da semana.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 5.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo…

Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…

 

  1. Vós sois a luz do mundo.

Há quinze dias as leituras apontavam para Deus como Luz das nações. Neste domingo, apontam para nós mesmos, que devemos viver como filhos da luz, isto é, portadores da claridade de Deus. Eis uma proposta (a adaptar pelos que preparam a liturgia): no momento da abertura da liturgia da Palavra, acendem-se algumas lamparinas, em silêncio, perto do lugar da Palavra; antes da profissão de fé, o sacerdote – ou outra pessoa – entrega-as a alguns membros da assembleia que avançam para o lugar da Palavra e mantêm as lamparinas na mão até ao momento da preparação do Pão e do Vinho, em que vão colocar as lamparinas sobre o altar.

 

  1. Oração na lectio divina.

Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

 

No final da primeira leitura:

Deus de luz, nós Te bendizemos: Quando te chamamos, Tu responde “Eis-me aqui”, nos encontros e na presença dos nossos irmãos e irmãs.

Nós Te pedimos pelos famintos e pelos infelizes sem abrigo, mas sobretudo pelas missões que nos confias. Enche-nos do teu Espírito de generosidade. Que Ele nos abra as mãos para a partilha e nos inspire palavras de esperança e de coragem.

 

No final da segunda leitura:

Nós Te damos graças, Pai todo-poderoso, pelo teu Filho Jesus Cristo, o Messias crucificado, que transformou a cruz em passagem para a vida.

Nós Te pedimos: purifica-nos das sabedorias ilusórias e das doutrinas contrárias ao Evangelho; pelo teu Espírito, fortifica a nossa fé, faz-nos aderir ao teu Filho, porque só a Ele queremos conhecer.

 

No final do Evangelho:

Pai Nosso que estais nos céus, nós Te damos glória pela luz que entrou no nosso mundo, manifestada no teu Filho Jesus, e pela multidão dos fiéis que caminharam no seguimento da luz, fazendo o bem.

Nós Te pedimos por todas as nossas assembleias cristãs: que elas deem sabor à nossa humanidade e sejam a luz que brilha para o nosso mundo.

 

  1. Oração Eucarística.

Pode-se escolher a Oração Eucarística II para as Missas da Reconciliação.

 

  1. Palavra para o caminho.

“Sal da terra”. As nossas vidas têm gosto? E que gosto? O gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade, como nos convida Isaías? Têm o sabor de Cristo ressuscitado? Se sim, as nossas vidas terão gosto para nós mesmos e para os outros… tornar-se-ão “Luz diante dos homens”. Que assim seja em mais uma semana!

 

  1. Semana do Consagrado.

Termina neste domingo a celebração da Semana do Consagrado, tempo para rezar, refletir e deixar-se interpelar por esta vocação a que muitos são chamados. A Semana incluiu a Festa do Apresentação do Senhor, a 2 de fevereiro, dia em que, por decisão de João Paulo II desde 1997, se celebra o Dia do Consagrado. Quem quiser continuar a viver os dinamismos desta Semana, que são de sempre e para sempre, pode utilizar os subsídios para oração e reflexão que se encontram na net (www.cirp.pt).

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA

Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org

 

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