04º Domingo da Páscoa - Ano A [atualizado]

26 de Abril, 2026

ANO A
4.º Domingo da Páscoa

Tema do 4.º Domingo da Páscoa

O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe, neste domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. A imagem evoca proximidade, cuidado, ternura, confiança, segurança, paz, vida em abundância… É bom podermos entregar a nossa vida nas mãos de um tal “Pastor”.
No Evangelho Jesus recorre a duas imagens para descrever a missão que o Pai lhe confiou: Ele é o “Pastor Bom” e “a porta” que dá acesso às ovelhas. Como “Pastor Bom”, Ele cuida das ovelhas de Deus com dedicação e amor, liberta-as do domínio da escravidão e leva-as ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude. Como “porta”, Ele tem uma dupla função: impede que os “ladrões e salteadores” tenham acesso às “ovelhas” e torna-se a referência para as “ovelhas” que entram e que saem. A vida daqueles que fazem parte do “rebanho” de Deus constrói-se e entende-se a partir de Jesus.
A primeira leitura define o percurso que Jesus, “o Bom Pastor”, desafia as suas “ovelhas” a fazer: é preciso abandonar o egoísmo e a escravidão (converter-se), aderir a Jesus e segui-l’O (ser batizado), acolher a vida nova de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela (receber o Espírito Santo).
Na segunda leitura um “mestre” cristão do final do séc. I convida os batizados a olharem para o exemplo de Cristo: “insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-se àquele que julga com justiça”. Jesus, o “Pastor Bom”, aponta-nos o caminho que leva à vida. Se seguirmos as suas orientações, não seremos “ovelhas desgarradas”.

LEITURA I – Atos dos Apóstolos 2,14a.36-41

No dia de Pentecostes,
Pedro, de pé, com os onze Apóstolos,
ergueu a voz e falou ao povo:
«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel
que Deus fez Senhor e Messias
esse Jesus que vós crucificastes».
Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado
e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos:
«Que havemos de fazer, irmãos?»
Pedro respondeu lhes:
«Convertei vos e peça cada um de vós o Batismo
em nome de Jesus Cristo,
para vos serem perdoados os pecados.
Recebereis então o dom do Espírito Santo,
porque a promessa desse dom é para vós,
para os vossos filhos e para quantos, de longe,
ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus».
E com muitas outras palavras os persuadia e exortava,
dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa».
Os que aceitaram as palavras de Pedro
receberam o Batismo,
e naquele dia juntaram se aos discípulos
cerca de três mil pessoas.

CONTEXTO

De acordo com o autor do Quarto Evangelho, Jesus teria prometido repetidamente aos discípulos, naquela inolvidável ceia de despedida que antecedeu a sua prisão, condenação à morte e execução, que ia enviar-lhes o Espírito Santo (cf. Jo 14,15,17; 14,25-26; 15,26-27; 16,5-11; 16,12-15). E Lucas põe Jesus ressuscitado, no momento em que se despede dos discípulos, antes de ir ao encontro do Pai, a dizer-lhes: “ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo”. Para o autor doa Atos dos Apóstolos, essa promessa de Jesus cumpre-se precisamente na manhã do dia de Pentecostes.
A festa judaica do Pentecostes (em hebraico “Shavu’ot”) era também designada por “festa das semanas” e “festa das primícias”. Ocorria cinquenta dias após a Páscoa e era, antes de mais, uma festa agrícola: terminada a colheita dos cereais, os agricultores dirigiam-se ao Templo, ao som de música de flautas, para entregar a Deus os primeiros frutos da colheita (“bikurim”). Eram acolhidos com cânticos de boas vindas, entravam no templo e entregavam nas mãos dos sacerdotes os cestos com os frutos que tinham trazido. Mais tarde, contudo, a tradição rabínica ligou esta festa à celebração da “aliança” e ao dom da Lei, por Deus, no Sinai; e, no séc. I, esta dimensão tinha um lugar importante na celebração do Pentecostes.
Ora, no dia em que os judeus celebravam a festa judaica do Pentecostes, os discípulos de Jesus “encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar” quando, “viram aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2,1.3-4). Depois, transformados e fortalecidos pelo Espírito, os discípulos abandonaram a segurança dos muros do Cenáculo e assumiram, diante dos habitantes de Jerusalém, a missão de serem testemunhas de Jesus. De acordo com o autor do livro dos Atos dos Apóstolos, foi Pedro que, em nome da comunidade dos discípulos, tomou a palavra para “anunciar as maravilhas de Deus” e para oferecer a todos os presentes um primeiro anúncio sobre Jesus.
O texto que a liturgia do quarto domingo pascal nos propõe como primeira leitura apresenta-nos a última frase do discurso de Pedro e, logo de seguida, a reação da multidão a esse discurso.

MENSAGEM

Na conclusão do seu discurso, Pedro dirige-se à “casa de Israel” e confronta-a com a confissão essencial da fé cristã: “Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes” (At 2,36).
A afirmação de Pedro é ousada. Acusa a “casa de Israel” de ter rejeitado “o Senhor” (o “kyrios” – nome grego que traduz o “Adonai” hebraico – o nome dado pelos judeus a Javé”) e o “Messias” (isto é, o “ungido” de Deus, que veio concretizar as promessas de salvação e de libertação que Javé tinha feito ao seu Povo). Depois de tantos séculos à espera de uma intervenção libertadora de Javé, como pôde a “casa de Israel” rejeitar o Deus que veio ao encontro do seu povo com uma proposta de salvação? Como pôde a “casa e Israel”, atacada de inexplicável cegueira, condenar e crucificar o “ungido” de Deus, o Messias esperado?
As palavras de Pedro atingiram o alvo (cf. At 2,37a). De acordo com a narração lucana, os ouvintes sentiram o coração “trespassado” (do verbo “katanyssô” – “afligir-se profundamente”). O verbo utilizado traduz o “pesar”, o “sentir pontadas no coração”, como remorso por ter feito algo contrário à justiça. É a atitude que conduz ao arrependimento e o primeiro passo para a mudança de vida, para a “conversão”.
A resposta dos habitantes de Jerusalém, representantes da “casa de Israel”, à interpelação de Pedro, consubstancia-se numa pergunta: “que havemos de fazer, irmãos?” (At 2,37b). É a resposta humilde e sentida de quem reconhece a verdade das acusações que lhe são imputadas, admite os seus erros e se mostra disposto a reequacionar a vida, a “voltar” para Deus, a escutar Deus outra vez, a voltar a trilhar os caminhos propostos por Deus.
Reconhecendo a sinceridade e a honestidade daqueles que o interpelam, Pedro aponta-lhes o caminho: é necessário converter-se, ser batizado e receber o Espírito Santo (cf. At 2,38).
A “conversão” (“metanoia”) implica a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores, de forma a que o coração do crente se volte de novo para Deus e passe a viver “segundo Deus”. No contexto neotestamentário, mais especificamente, a “conversão” é a renúncia ao egoísmo, ao orgulho e à autossuficiência, e o aceitar a proposta de salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus como o salvador e segui-l’O, no caminho do amor, da entrega, do serviço, do dom da vida.
“Receber o batismo em nome do Senhor Jesus Cristo” é reconhecer que Jesus tem uma proposta de salvação e de vida nova, mergulhar na água de Jesus, optar por essa vida nova que Jesus propõe e incorporar-se à comunidade da Nova Aliança.
Quem adere a Jesus e passa a integrar a comunidade do Reino, recebe o Espírito Santo: ao optar por Cristo, o crente acolhe no seu coração a vida de Deus e a sua existência passa a ser animada por um dinamismo divino que, continuamente, o recria, o vivifica, o transforma.
De acordo com a notícia de Lucas, as palavras de Pedro foram bem acolhidas: “naquele dia juntaram se aos discípulos cerca de três mil pessoas” (At 2,41). A força irresistível do Evangelho e a presença operante do Espírito começam a mudar a face da terra.

INTERPELAÇÕES

• As palavras de Pedro no dia de Pentecostes recordam aos habitantes de Jerusalém algo que a catequese de Israel conhecia perfeitamente: a vontade salvífica de Deus, mil vezes manifestada na história. É nesse enquadramento que Pedro lê a própria presença de Jesus no meio dos homens: Deus enviou-O ao mundo como “Senhor e Messias”, para apresentar aos homens, em discurso direto, o plano salvador do Pai. Apesar de tudo nós, seres humanos, nunca facilitamos a ação de Deus: ignorámo-l’O, desafiámo-l’O, enveredámos por caminhos de egoísmo e de autossuficiência, chegámos até a tentar silenciar Jesus dando-lhe uma morte abominável; mas Deus nunca abandonou o seu projeto de salvação e continuou sempre a apontar-nos os caminhos que conduzem à vida verdadeira. Este Deus, maravilhosamente “teimoso”, é verdadeiramente o Pastor bom que cuida de nós e que nos conduz para as nascentes de água viva. Como nos posicionamos diante da iniciativa de Deus? Estamos disponíveis para abraçar a sua oferta de salvação?

• Perante a interpelação que Deus faz, por intermédio de Pedro e dos outros apóstolos, os habitantes de Jerusalém perguntam: “que havemos de fazer, irmãos?” É a atitude de quem toma, bruscamente, consciência dos caminhos errados que tem trilhado, percebe o sem sentido de certas opções, comportamentos e valores, aceita questionar as certezas e seguranças em que estava instalado, para aceitar os desafios de Deus. Trata-se de uma atitude corajosa: é mais fácil continuar comodamente instalado na sua autossuficiência, do que “dar o braço a torcer” e reconhecer, com humildade, a necessidade de eliminar os preconceitos, de refazer os velhos e anquilosados esquemas mentais, de admitir as falhas, os limites, as incoerências. Aceitamos questionar-nos, estamos dispostos a admitir os nossos limites, procuramos humildemente o caminho certo, ou somos daqueles que nunca nos enganamos e raramente temos dúvidas?

• Aos interessados em acolher a salvação de Deus, Pedro propõe um caminho de conversão. Converter-se é abandonar os velhos caminhos de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de autossuficiência que nos levam para longe de Deus e voltar para trás, para que possamos escutar novamente Deus, aceitar outra vez os seus desafios, viver de acordo com as suas indicações, numa entrega obediente nas mãos de Deus; é abraçar a proposta de vida nova que Jesus nos veio oferecer, seguir atrás de Jesus, viver ao seu estilo, abraçar o seu Evangelho, comprometer-se com o Reino de Deus. Estamos disponíveis para encarar a nossa vida sob o signo da conversão? O que é que, na nossa vida, mais necessita de ser transformado, em termos de ideias, valores, comportamentos? O que temos de corrigir para viver de forma coerente com o nosso batismo e com a nossa opção por Jesus?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 22 (23)

Refrão 1: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Refrão 2: Aleluia.

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva me a descansar em verdes prados,
conduz me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão de acompanhar me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

LEITURA II – Primeira Carta de Pedro 2,20b-25

Caríssimos:
Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência,
isto é uma graça aos olhos de Deus.
Para isto é que fostes chamados,
porque Cristo sofreu também por vos,
deixando vos o exemplo,
para que sigais os seus passos.
Ele não cometeu pecado algum
e na sua boca não se encontrou mentira.
Insultado, não pagava com injúrias;
maltratado, não respondia com ameaças;
mas entregava Se Àquele que julga com justiça.
Ele suportou os nossos pecados
no seu Corpo, no madeiro da cruz,
a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça:
pelas suas chagas fomos curados.
Vós éreis como ovelhas desgarradas,
mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

CONTEXTO

O autor da designada “Primeira Carta de Pedro” apresenta-se como “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo” (1Pe 1,1a), “presbítero”, “testemunha dos padecimentos de Cristo e também participante da glória que se há de manifestar” (1Pe 5,1). O apóstolo Pedro conhecido da tradição cristã é, naturalmente, Simão Pedro, o pescador do Mar da Galileia, irmão de André, que habitava na cidade de Cafarnaum e a quem Jesus certo dia, chamou para ser “pescador de homens” (cf. Mc 1,16-18).
No entanto, parece bastante improvável que Pedro, o pescador do Mar da Galileia, tenha sido o autor desta carta. Antes de mais, por questões de ordem literária: a qualidade literária da carta parece estar bem acima daquilo que seria o estilo de um pescador galileu pouco instruído, como seria o caso de Pedro. Depois, porque a situação das comunidades cristãs referidas na carta parece situar-nos dentro dos anos oitenta, numa época em que se sentia claramente a hostilidade do Império contra os cristãos e começavam a perspetivar-se no horizonte as grandes perseguições do final do séc. I. Por essa altura, Pedro há muito teria morrido (segundo a tradição cristã, o apóstolo foi martirizado em Roma, durante a perseguição de Nero, por volta do ano 66-67).
A partir destes dados, o mais provável é que o autor da referida carta seja um cristão cujo nome ignoramos – provavelmente um responsável de uma comunidade cristã – empenhado em fortalecer o compromisso dos cristãos que viviam em algumas zonas rurais da Ásia Menor. Ele escreve em finais do séc. I (nunca antes dos anos 80).
Os destinatários da missiva seriam ainda, de acordo com o texto, os “eleitos” de Deus que peregrinam na diáspora do Ponto, da Galácia, da Capadócia, da Ásia e da Bitínia” (1Pe 1,1b). Trata-se de comunidades cristãs de âmbito rural, constituídas maioritariamente por camponeses pobres, que cultivam as propriedades de gente rica. Também há, entre eles, pequenos proprietários que vivem em aldeias, fora dos grandes centros urbanos. São pessoas economicamente débeis, vulneráveis à hostilidade que o império romano começa a manifestar em relação ao cristianismo.
Conhecendo bem as provações que estes cristãos sofrem, o autor da Carta exorta-os a manterem-se fiéis à sua fé, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experiência da paixão e da cruz, antes de chegar à ressurreição; e exorta-os a manterem a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coerência e fidelidade a sua opção cristã.
O texto que nos é proposto integra uma perícope em que o autor apresenta aos destinatários da carta um conjunto de conselhos práticos sobre a conduta que os cristãos devem assumir em várias situações da vida (cf. 1 Pe 2,11-5,11). Mais especificamente, o nosso texto reflete sobre os deveres dos servos (cf. 1 Pe 2,18) face aos seus senhores.

MENSAGEM

Muitos desses “eleitos” de Deus “que peregrinam na diáspora do Ponto, da Galácia, da Capadócia, da Ásia e da Bitínia” (1Pe 1,1b), são escravos que estão ao serviço de um patrão rico e poderoso. Como devem eles comportar-se em relação aos seus senhores, nomeadamente em relação àqueles que são severos e exigentes? O autor da primeira Carta de Pedro responde: com respeito e obediência (cf. 1Pe 2,18), pois “é meritório suportar contrariedades em, atenção a Deus, sofrendo injustamente” (1Pe 2,19).
Para ilustrar a sua resposta, o autor da Carta propõe o exemplo de Cristo: Ele sofreu (cf. 1Pe 2,21) sem ter feito mal nenhum (cf. 1Pe 2,22); maltratado pelos inimigos, não respondeu com agressão e vingança (cf. 1Pe 2,23); pelo dom da sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e curou-nos daquilo que nos fazia mal (cf. 1Pe 2,24); por isso, Ele é como um Pastor que reúne as “ovelhas desgarradas”, as cura, as guarda e as conduz em direção à vida verdadeira (cf. 1Pe 2,25).
O nosso texto integraria, provavelmente, um antiquíssimo hino cristão utilizado na liturgia primitiva para celebrar Cristo e o valor salvífico da sua morte na cruz, em benefício de todos. Esse hino teria sido composto a partir de diversas referências véterotestamentárias. Um dos textos que inspirou esse hino foi, certamente, o quarto cântico do “servo de Javé” (cf. Is 53,4-9.12), um poema que reflete a experiência de um misterioso “servo sofredor” bom e justo, que “não cometeu pecado algum e em cuja boca não se encontrou mentira” (cf. Is 53,9), que suportou pacientemente as injustiças e de cuja entrega resultou vida para o seu Povo. Outro texto que poderá ter influenciado a composição desse hino cristão primitivo é Ez 34, onde se fala de Deus como “o bom pastor”, que cuida das suas ovelhas fracas, doentes e tresmalhadas. Ao ligar o tema do “pastor” com o tema do sofrimento de Cristo, o autor desta catequese está a sugerir que foi do sofrimento de Cristo que resultou vida e salvação para o rebanho de Deus.
A reflexão proposta pelo autor da primeira Carta de Pedro é dirigida apenas aos escravos que têm de lidar com a severidade e a desumanidade dos seus senhores? É claro que não. Trata-se de uma proposta para todos os crentes de todas as épocas, de todos os lugares e de todas as condições sociais. O cristão é chamado a “fazer a diferença”, a quebrar a cadeia de violência e de agressividade, a introduzir no mundo uma lógica nova. Mesmo que seja maltratado e injustiçado, o discípulo de Cristo vive e testemunha o amor, a bondade, a misericórdia e a mansidão de Deus. Assumindo uma atitude semelhante à de Cristo, o batizado está a lançar a semente de um mundo novo. É essa a sua vocação.

INTERPELAÇÕES

• A injustiça, a prepotência, a arbitrariedade, são realidades que, desde sempre, estiveram presentes na relação entre os humanos. Pensou-se que a consciência progressiva da dignidade e dos direitos de cada pessoa poderia tornar obsoletos todos os comportamentos desrespeitosos e desumanos; mas isso não aconteceu e, provavelmente, nunca acontecerá. Em pleno séc. XXI, a violência, a tirania, o despotismo, o desprezo pelos direitos dos mais frágeis, a imposição de visões e interesses egoístas por parte dos poderosos, continuam a manchar a história dos homens. Como devemos lidar com tudo isso? Faz sentido responder à violência recorrendo à solução da violência? É a este tipo de questões que a nossa leitura responde. O autor não está interessado em grandes argumentações filosóficas, sociológicas ou teológicas: propõe apenas aos “batizados” o exemplo de Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem e foi preso, torturado, assassinado sem resistir, sem se revoltar, sem responder “na mesma moeda” aos seus assassinos. É uma lógica incompreensível, até mesmo incongruente aos olhos do mundo… Mas é a lógica de Deus, desse Deus misericordioso e paciente, que nos propõe transformar o mundo e a história através do amor; e Jesus demonstrou que só este caminho conduz à ressurreição, à vida nova, a um dinamismo gerador de um mundo novo. O cristão é chamado a ser testemunha no meio dos homens desta novidade absoluta: só o amor gera vida nova e transforma o mundo. Seremos suficientemente “fortes” para abraçar o caminho que Jesus veio propor-nos?

• O autor da primeira Carta de Pedro refere-se a Jesus como “o Pastor” que reúne as suas ovelhas, as guarda e as conduz para as pastagens eternas onde há vida em abundância. Seguir esse “Pastor” é tornar-se seu discípulo e ir atrás d’Ele pelos caminhos que Ele indica, imitar os seus gestos, fazer o bem a todos, perdoar sem condições, testemunhar a todos a misericórdia de Deus, responder à injustiça e à violência com o amor. Cristo é, de facto, o nosso “Pastor”, a nossa referência fundamental, o modelo de vida que temos sempre diante dos olhos, aquele que seguimos sem hesitar? Como Cristo, estamos disponíveis para dar testemunho no mundo – mesmo que “contra a corrente” – da ternura, da misericórdia e da bondade de Deus?

ALELUIA – João 10,14

Aleluia. Aleluia.

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:
conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

EVANGELHO – João 10,1-10

Naquele tempo, disse Jesus:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta,
mas entra por outro lado,
é ladrão e salteador.
Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
0 porteiro abre lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz.
Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva as para fora.
Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem,
caminha à sua frente
e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele,
porque não conhecem a voz dos estranhos».
Jesus apresentou lhes esta comparação,
mas eles não compreenderam o que queria dizer.
Jesus continuo: «Em verdade, em verdade vos digo:
Eu sou a porta das ovelhas.
Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores,
mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta.
Quem entrar por Mim será salvo:
é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.
O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida
e a tenham em abundância».

CONTEXTO

O capítulo 10 do 4º Evangelho é dedicado à catequese do “Bom Pastor”. O autor utiliza esta imagem para propor uma catequese sobre a missão de Jesus: a obra do “Messias” consiste em conduzir o homem às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a Vida em plenitude.
A imagem do “Bom Pastor” não foi inventada pelo autor do Quarto Evangelho. Literariamente falando, este discurso simbólico está construído com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente o texto de Ez 34, onde se encontra a chave para compreender a metáfora do “pastor” e do “rebanho”. Falando aos exilados da Babilónia, Ezequiel constata que os líderes de Israel foram, ao longo da história, maus “pastores”, que conduziram o Povo por caminhos de sofrimento, de injustiça e de morte; mas – diz também Ezequiel – o próprio Deus vai agora assumir a condução do seu Povo; Ele irá colocar à frente do seu “rebanho” um “Bom Pastor” (o “Messias”), que o livrará da escravidão e o conduzirá à Vida. A catequese que o 4º Evangelho nos oferece sobre o “Bom Pastor” sugere que a promessa de Deus – veiculada por Ezequiel – se cumpre em Jesus.
De acordo com o Evangelho de João, Jesus teria pronunciado o “discurso do Bom Pastor” (cf. Jo 10) em Jerusalém, em contexto da “festa da Dedicação do Templo” (cf. Jo 10,22). Esta festa (chamada, em hebraico, “Hanûkkah”) celebra a purificação do Templo de Jerusalém (164 a.C.), por Judas Macabeu, depois de o rei selêucida Antíoco IV Epifânio o ter profanado (167 a.C.), construindo um altar em honra de Zeus dentro do espaço sagrado. É a festa da Luz. O símbolo por excelência dessa festa é um candelabro de oito braços (“hanûkkiyyah”). Os braços desse candelabro vão sendo progressivamente acesos, um a um, ao longo dos oito dias em que se celebra a festa. Jesus tinha, pouco antes, curado um cego de nascença, assumindo-se como “a Luz” que veio para iluminar as trevas do mundo (cf. Jo 8,12; 9,1-41).
Apesar do ambiente festivo, a relação entre Jesus e os líderes judaicos é de grande tensão (cf. Jo 9,40; 10,19-21.24.31-39). Depois de ver a pressão que esses líderes colocaram sobre um cego de nascença para que ele não abraçasse a luz (cf. Jo 9,1-41), Jesus denuncia a forma como eles tratam a comunidade: estão apenas interessados em proteger os seus interesses pessoais e usam o Povo em benefício próprio; são, pois, “ladrões e salteadores” (Jo 10,1.8.10), que tomaram de assalto o rebanho que lhes foi confiado e roubam ao Povo a oportunidade de encontrar Vida.

MENSAGEM

O episódio da cura do cego de nascença (cf. Jo 9), terminara com Jesus a avisar s dirigentes judaicos que iam ser chamados a juízo (“krima”) pela forma displicente como exerciam a missão a que tinham sido chamados (cf. Jo 9,39-41). Enquanto líderes da comunidade, eles deviam conduzir o povo por caminhos direitos; mas, ocupados com os seus interesses pessoais e preocupados em preservar os privilégios de que gozavam, declinaram as suas responsabilidades. Rejeitaram acolher a luz libertadora de Deus e fizeram tudo para que o povo permanecesse nas trevas. O povo de Deus, conduzido por gente indigna e incompetente, era como um rebanho sem pastor.
O chamado “discurso do Bom Pastor” encaixa aqui. Recorrendo a duas parábolas muito belas e muito expressivas, Jesus anuncia a intenção de Deus de dar ao seu povo um Pastor Bom e Verdadeiro, que se interesse realmente pelas suas ovelhas e as conduza à vida abundante, à vida feliz, à vida plena.

Na primeira parábola dessas parábolas (cf. Jo 10,1-6), Jesus apresenta-se como o verdadeiro Pastor do rebanho de Deus. Ele tem um mandato do Pai e a sua missão foi-lhe confiada pelo Pai. Em Ezequiel, o papel do “pastor” correspondia, em primeiro lugar, a Deus (cf. Ez 34,11-12.15) e ao futuro enviado de Deus, o “Messias”, descendente de David (cf. Ez 34,23). Ao apresentar-se como Aquele “que entra pela porta” (Jo 10,2), com autoridade legítima, Jesus declara-Se, implicitamente, o “Messias” enviado por Deus para conduzir o seu Povo e para o guiar para as pastagens onde há vida em plenitude.
A atuação de Jesus em relação ao rebanho de Deus estará em absoluto contraste com a dos dirigentes judaicos. Estes abeiram-se das “ovelhas” como “ladrões e salteadores” (Jo 10,1). Não estão preocupados com o bem das “ovelhas”; apenas pretendem explorá-las, enganá-las, utilizá-las de acordo com os seus interesses pessoais. Mantêm o povo prisioneiro, mergulhado numa escuridão sem saída e sem objetivos. Escravizam o “rebanho” e impedem-no de ter acesso a uma vida livre e digna. Em contrapartida Jesus, o Bom e Verdadeiro Pastor, está interessado no bem das ovelhas. O que o move é o amor. Ele entra no redil das “ovelhas” para cuidar delas, não para as explorar e roubar. A sua missão é libertá-las das trevas em que os dirigentes políticos e religiosos as trazem imersas e conduzi-las ao encontro da luz libertadora (cf. Jo 10,2).
Como é que Jesus concretizará a sua missão de “pastor”? Em primeiro lugar, irá chamar as “ovelhas”. Chamá-las-á “pelo seu nome”, porque conhece cada uma e com cada uma quer ter uma relação pessoal de amor, de proximidade, de comunhão: para Jesus, não há “massas” anónimas e sem rosto, mas pessoas concretas, com a sua identidade própria, com a sua riqueza, com a sua dignidade.
O Pastor Bom e Verdadeiro não obrigará ninguém a responder-Lhe; mas os que responderem ao seu chamamento farão parte do seu “rebanho”. A esses, Jesus conduzi-los-á “para fora” (Jo 10,3): Ele não veio instalar-Se na antiga instituição judaica, geradora de opressão e de escravidão; mas veio criar uma comunidade humana nova, a comunidade do novo Povo de Deus.
Depois, o “pastor” caminhará à frente das ovelhas (Jo 10,4). Será o primeiro a identificar os perigos e a defender as suas ovelhas; depois, mostrará às “ovelhas” o caminho, pois Ele próprio é “o caminho” (cf. Jo 14,6) que leva à vida plena. As “ovelhas” segui-l’O-ão sem hesitações: “seguir” traduz a atitude do discípulo, convidado a ir atrás de Jesus no caminho do amor e do dom da vida, a fazer d’Ele a sua referência fundamental, a aderir a Ele de todo o coração. As “ovelhas” escutarão a voz” de Jesus, porque sabem que só Ele as conduzirá em segurança pelos caminhos e veredas, ao encontro da vida definitiva.

Na segunda parábola (cf. Jo 10,7-9), Jesus apresenta-Se como “a porta das ovelhas”. Qual o alcance desta imagem?
“A porta” dá acesso ao espaço onde estão as ovelhas. Quem quiser ter acesso ao rebanho, tem de passar pela porta. Nessa sentido, a imagem indica que ninguém pode ir ao encontro das ovelhas se não tiver um mandato do próprio Jesus. Indica também que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver os mesmos sentimentos, a mesma atitude, a mesma preocupação de Jesus: cuidar das ovelhas, proporcionar-lhes vida em abundância.
Mas “a porta” também dá passagem às próprias ovelhas. Permite-lhes sair e entrar. Permite-lhes aceder às pastagens onde há alimentos e água em abundância; mas permite-lhes também regressar ao espaço protegido onde encontram abrigo e segurança contra a noite, contra os animais selvagens e contra os ladrões e salteadores. Toda a vida das “ovelhas” passa por Jesus. Para as suas “ovelhas”, Jesus é a referência fundamental. É de Jesus que as “ovelhas” partem e é para Jesus que as “ovelhas” voltam. É à volta de Jesus e em relação a Jesus que as “ovelhas” constroem o seu horizonte existencial.

Na última “palavra” do nosso texto, Jesus reafirma a missão que recebeu do Pai: “Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A afirmação de Jesus desvenda, definitivamente, o desígnio de Deus a nosso respeito.

INTERPELAÇÕES

• Todos nós temos os nossos heróis, os nossos mestres, os nossos modelos. São figuras que consideramos como referências, figuras que respeitamos e de quem esperamos orientações, figuras cujas opiniões acolhemos e seguimos. Os povos antigos, ainda muito ligados a contextos agrários e pastoris, facilmente designavam uma figura dessas como “o Pastor” (nós hoje utilizamos outras palavras: “presidente”, “rei”, “diretor”, “superior”, “chefe”, “professor”, “guru”, guia). Será que todas essas figuras que admiramos e cujas opiniões seguimos merecem a nossa confiança? Todas elas estarão realmente interessadas no nosso bem? Todas elas terão como objetivo fundamental conduzir-nos à vida verdadeira?

• Para o autor do Quarto Evangelho, “o Pastor” por excelência é Jesus: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o “rebanho” de Deus das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. “Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância” – diz Jesus. É, portanto, em Jesus que devemos confiar, é à volta d’Ele que nos devemos juntar, são as suas indicações e propostas que devemos seguir… O nosso “Pastor” é, de facto, Cristo, ou temos outros “pastores” que nos arrastam e que são as referências fundamentais à volta das quais construímos a nossa existência? Quem é que define os caminhos em que andamos: Jesus Cristo, ou um qualquer “influencer” que a sociedade do nosso tempo adotou e impôs? Quem é que dita os valores sobre os quais construímos a nossa vida: Jesus Cristo, ou os valores consagrados por uma sociedade materialista, desumana e desumanizadora?

• Reparemos na forma como Jesus desempenha a sua missão de “Pastor”: Ele ama as ovelhas, interessa-se por elas, conhece-as e chama-as pelo nome, estabelecendo com cada uma delas uma relação única, especial, pessoal; Ele dirige às “ovelhas” um convite a deixarem a escuridão, mas não força ninguém a segui-l’O pois, para Ele, a liberdade de cada pessoa é um valor inalienável… Jesus manifesta de maneira sublime, na forma como se relaciona connosco, o amor, a bondade, a tolerância, a misericórdia que Deus tem por todos os seus queridos filhos. É esse o paradigma para as relações que nos ligam aos irmãos e irmãs que caminham connosco? Aqueles que receberam de Deus a missão de presidir a um grupo, de animar uma comunidade, exercem a sua missão no respeito absoluto pela pessoa, pela sua dignidade, pela sua individualidade?

• No “rebanho” de Jesus, não se entra por convite especial, nem há um número restrito de vagas. A proposta de salvação que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção. O que é decisivo para fazer parte do rebanho de Deus é “escutar a voz” de Jesus, aceitar as suas indicações, tornar-se seu discípulo… Isso significa, concretamente, ir atrás de Jesus, aderir ao projeto de salvação que Ele veio propor, viver ao seu estilo, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, numa entrega total aos projetos de Deus e numa doação total aos irmãos. Atrevemo-nos a seguir o nosso “Pastor” (Jesus) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho é apenas um caminho de derrota e de fracasso, que não leva aonde nós pretendemos ir?

• Nas nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam, pessoas a quem foi confiado o serviço da autoridade. Podemos aceitar, sem problemas, que elas receberam essa missão de Jesus e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições. Mas convém igualmente ter presente que o único “Pastor verdadeiro”, aquele que nunca falha, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condições, é Jesus. Procuremos escutar e acolher, com humildade, mas também com consciência crítica, as indicações que nos são dadas pelos líderes das nossas comunidades; mas não nos esqueçamos de as confrontar, para aquilatar da sua validade, com as indicações que nos foram deixadas por Jesus, o Bom Pastor, o nosso único Pastor. Como me posiciono diante daqueles a quem foi confiado, na comunidade cristã, o serviço da autoridade?

• Para que distingamos a “voz” de Jesus de outros apelos, de propostas enganadoras, de “cantos de sereia” que não conduzem à vida plena, é preciso um permanente diálogo íntimo com “o Pastor” (Jesus), um confronto permanente com a sua Palavra e a participação ativa nos sacramentos onde se nos comunica essa vida que “o Pastor” nos oferece. Procuro manter um diálogo frequente com Jesus, a fim de ter sempre vivas as suas indicações?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 4.º DOMINGO DA PÁSCOA
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A LITURGIA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 4.º Domingo da Páscoa, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…

2. DIA DAS VOCAÇÕES.
Domingo do Bom Pastor, Dia Mundial de Oração pelas Vocações… A introdução à celebração deve ter em conta essa intenção. Para envolver a comunidade neste dinamismo vocacional, é bom recolher algum material preparado pelos animadores de centros vocacionais, que ajudem à oração, à reflexão e ao compromisso. O próprio Salmo 22 deve ser cuidado de modo especial. Ele não somente canta o Bom Pastor, mas é o salmo da iniciação cristã (alusão à água, à unção, à mesa). O cântico de entrada poderia ser um texto relacionado com este salmo.

3. A PARÁBOLA DAS 4 PORTAS.
Neste dia em que a porta tem uma função essencial de saída e entrada (a tal porta que é Cristo), a seguinte parábola, adaptada de Henri Denis, pode ajudar-nos a renovar o dinamismo da nossa vocação.
“A Igreja é um templo com 4 portas.
Jesus de Nazaré, o Cristo, é a sua pedra angular.
Sobre esta pedra, colocaram-se os alicerces:
a fé de Maria, o ensino dos Apóstolos.
O templo foi-se edificando com pedras vivas.
A construção é permanente durante séculos e séculos.
Este templo é a Igreja: somos o templo do Deus vivo.
A entrada no templo dá-se através de 2 portas.
Uma chama-se MISTÉRIO, a outra INSTITUIÇÃO.
Porém, quem entra no templo, é logo convidado a sair.
As portas de saída também são duas.
Uma chama-se MISSÃO, a outra REINO.
No templo, entra-se para sair e sai-se para entrar.
Não é um cofre, nem uma arca, nem um bunker.
Nem sequer um paraíso,
nem uma mera ponte ou um edifício ornamental.
No templo, nota-se um admirável dinamismo,
onde se harmoniza o aparentemente contraditório.
Todos estão a caminho, em permanente movimento.
No templo, há dois eixos:
o centrípeto, para o qual conduzem as portas de entrada
(criam comunhão e identidade)
e o centrífugo, para o qual conduzem as portas de saída
(responsável pela dispersão da Igreja e sua missão no mundo).
Cada um pode escolher, para começar,
a porta de que mais gostar,
a que lhe pareça mais fácil e acessível,
mas com a condição de ir buscar em seguida
as chaves das outras portas”.

4. BILHETE DE EVANGELHO.
Chamados a ser a fazer… Alguns escolheram o seu estado de vida, outros não escolheram, mas procuram assumi-lo: pensemos nas pessoas viúvas, divorciadas, celibatárias. A Igreja enriquece-se com esta variedade de estados de vida: vida consagrada na vida religiosa ou num instituto secular, vida conjugal, celibato. Todos somos chamados a tornarmo-nos em cada dia um pouco mais santos. Tal é a nossa vocação comum a todos. A Igreja cumpre a sua missão graças àqueles que asseguram um serviço. Há o ministério ordenado (padres ou diáconos), o serviço do anúncio da Boa Nova para lá de todas as fronteiras (missionários) e todos os serviços prestados pelos leigos nos domínios da catequese, da liturgia, da ação caritativa, do testemunho. Nem todos somos chamados a ser padres, diáconos ou missionários. Mas somos todos chamados a servir no mundo e na Igreja!

5. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Bendito sejas, Jesus, manifestado como Cristo e Senhor pela tua ressurreição. Por Ti damos graças a Deus nosso Pai pelo batismo na tua Igreja, pelo perdão dos pecados e pelo dom do Espírito Santo.
Nós Te pedimos por todos os nossos irmãos e irmãs que procuram conhecer-Te: converte os seus corações à tua Palavra, para que possam aproximar-se do batismo.

No final da segunda leitura:
Deus nosso Pai, nós Te damos graças pelo teu Filho Jesus, porque suportou os nossos pecados no madeiro da cruz, a fim de que nós possamos morrer a tudo o que é mal e viver na justiça.
Nós éramos errantes como ovelhas, mas por Jesus Tu nos procuraste, e nós pudemos regressar para junto do pastor que vela por nós. Cura-nos das feridas do mal.

No final do Evangelho:
Nós Te damos graças, Jesus, Pastor do teu povo, que caminhas à frente da tua Igreja. Nós Te bendizemos, Tu que és a Porta das ovelhas, Tu que vieste para que tenhamos a vida em abundância.
Nós Te pedimos por todos os teus fiéis: Tu que chamas cada um de nós pelo nome, torna-nos atentos à tua voz, que nos fazes ouvir na tua Igreja pela leitura dos Evangelhos.

6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística III para a Assembleia com Crianças, em harmonia com o Evangelho, que contém duas passagens próprias do tempo pascal.

7. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Eu sou o bom pastor. Nesta semana, tomemos tempo para caminhar ao ritmo do Pastor que nos conhece e que chama cada um de nós pelo próprio nome. E nós escutaremos a sua voz, saboreando o magnífico Salmo 22: «O Senhor é meu pastor, nada me falta». Durante a semana procuremos também rezar pela fidelidade à vocação a que o Senhor nos chama e por todas as outras vocações…

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
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