CONGREGATIO PRO INSTITUTIS VITAE CONSECRATAE ET SOCIETATIBUS VITAE APOSTOLICAE

Estimados irmãos e irmãs,

Por ocasião do XXVI Dia da Vida Consagrada em Roma, teremos a alegria de participar na celebração eucarística, presidida pelo Papa Francisco, na Basílica de São Pedro. Estamos certos de que, também em cada comunidade individuais e nas diferentes dioceses do mundo, o dia 2 de fevereiro será uma oportunidade para um encontro marcado pela fidelidade de Deus que se manifesta na alegre perseverança de tantos homens e mulheres, consagrados e consagradas em Institutos religiosos, monásticos e contemplativos, em Institutos seculares e novos Institutos, membros da ordo virginum, eremitas, membros de sociedades de vida apostólica de todos os tempos.

O convite que fizemos no ano passado, nesta mesma ocasião, foi para praticar a espiritualidade da comunhão (Vita consecrata, n. 46) a fim de sermos construtores de uma fraternidade universal e para sonhar como uma única humanidade (Fratelli Tutti n. 8). Palavras que de alguma forma prepararam o caminho eclesial, que há pouco iniciamos, intitulado: Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão.

Assim, neste ano, debruçamo-nos sobre a segunda palavra do Sínodo para convidar cada um de nós a fazer a nossa parte, a participar, de fato: ninguém deve excluir-se, ou sentir-se excluído deste caminho, ninguém deve pensar “não me diz respeito”. A todas e todos é pedido que entrem no “dinamismo de escuta recíproca, conduzido a todos os níveis da Igreja, que diz respeito a todo o povo de Deus” (Papa Francisco à Diocese de Roma, 18 de setembro de 2021).

Antes de mais, é um caminho que interpela cada comunidade vocacional no seu ser expressão visível de uma comunhão de amor, reflexo da relação trinitária, da sua bondade e da sua beleza, capaz de suscitar novas energias para enfrentar concretamente o momento presente. Se voltarmos ao nosso chamamento vocacional, redescobriremos a alegria de fazer parte de um projeto de Amor pelo qual outros irmãos e irmãs, antes de nós e connosco, colocaram sua própria vida à disposição. Quanto entusiasmo no início das nossas histórias vocacionais, quanta maravilha ao descobrir que o Senhor me chama também para realizar este sonho de bem para a humanidade! Reavivemos e zelemos pela nossa pertença porque, como sabemos muito bem, com o tempo, ela corre o risco de perder a sua força, especialmente quando a atração do nós é substituída pela força do eu.

A primeira expressão da participação é a de pertencer: não posso participar se me concebo como o todo e não me reconheço como parte de um projeto compartilhado e se não está enraizada em mim a convicção de que “para viver, corpo e membros devem estar unidos!” e que “a unidade é superior ao conflito, sempre!” (Papa Francisco, Audiência de 19 de junho de 2013).

Enquanto percorremos este caminho eclesial, perguntemo-nos, queridos irmãos e irmãs, que tipo de escuta fazemos nas nossas comunidades: quem são as irmãs e os irmãos que escutamos e, antes ainda, porque os escutamos? Esta é uma pergunta que, repetimos, somos todas e todos chamados a fazer, porque não podemos chamar-nos comunidade vocacional e, muito menos de comunidade de vida, se faltar a participação de alguém.

Entremos neste caminho de toda a Igreja, com a riqueza dos nossos carismas e das nossas vidas, sem esconder as nossas fadigas e feridas, fortalecidos pela convicção de que só podemos receber e dar o Bem, porque “a vida consagrada nasce na Igreja, cresce e só pode dar frutos evangélicos na Igreja, na comunhão viva do Povo fiel de Deus” (Papa Francisco, 11 de dezembro de 2021).

A participação torna-se, então, responsabilidade: não podemos faltar, não podemos deixar de estar entre os outros e com os outros, nunca, e ainda mais neste chamamento para nos tornarmos uma Igreja sinodal! E mesmo antes disso, sabemos bem que a sinodalidade começa dentro de nós: de uma mudança de mentalidade, de uma conversão pessoal, na comunidade ou fraternidade, no lar, no local de trabalho, nas nossas estruturas, para expandir-se depois nos ministérios e na missão.

Trata-se de uma dinâmica gravada na nossa vida. É como um eco daquela primeira resposta ao Amor do Pai que nos alcançou. É nessa dinâmica de apelo e de adesão que reside a raiz dessa atitude de estar dentro dos processos que dizem respeito à vida da comunidade e de cada pessoa, de sentir na nossa carne as feridas e as expectativas, de fazer o que é possível, começando por colocar tudo nas mãos de Deus através da oração, de não fugir do esforço de testemunhar a esperança, dispostos a perder para que alimentemos aquele caminho juntos que começa com a escuta, que significa abrir espaço para o outro nas nossas vidas, levando a sério o que é importante para ele ou para ela.

A participação assume, assim, o estilo de uma corresponsabilidade que se refere, em primeiro lugar, não à organização e ao funcionamento da Igreja, mas antes à sua própria natureza, que é a comunhão e ao seu significado último, o sonho missionário de chegar a todos, de cuidar de todos, de sentir que somos todos irmãos e irmãs, juntos na vida e na história, que é a história da salvação.

Caminhemos juntos!

Confiemos os nossos passos a Maria, mulher da solicitude, e sobre cada um invoquemos a bênção do Senhor crucificado e ressuscitado.

Cidade do Vaticano, 25 de janeiro de 2022

Cardeal João Braz de Aviz

Prefeito

 

José Rodríguez Carballo, OFM

Arcebispo Secretário