Chamo-me Roque, tenho 31 anos, sou moçambicano, do distrito de Mocuba, na província da Zambézia. Desde 2019 sou religioso da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus – Dehonianos. Atualmente, encontro-me em Portugal, no Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide, para dar continuidade à formação religiosa e para os meus estudos de Teologia que faço na Universidade Católica Portuguesa.

O meu caminho vocacional começou em 2008, quando eu andava na catequese para receber a primeira comunhão. Nessa altura, comecei por fazer parte do grupo dos acólitos, ficando nesse grupo durante três anos.

Entretanto, a convite das religiosas presentes na paróquia, em 2010, entrei para o grupo dos “vocacionados” (uma espécie de grupo de discernimento vocacional muito comum nas paróquias em Moçambique). Tive de participar nos encontros vocacionais clandestinamente, sem a minha família saber de nada. Tinha medo de contar à minha mãe, pois já sabia que seria a sua resposta seria um não. Nunca houve nenhum padre da nossa família. A grande razão para a minha mãe não querer que eu participasse nesses encontros era o medo de pagar as despesas dos estudos. Em 2011, tive de enfrentar a minha mãe e contar-lhe a minha decisão. Graças ao meu padrinho, consegui convencer minha mãe. Ela lá aceitou que eu frequentasse os encontros, mas começou a controlarme: não podia chegar tarde a casa!

Em 2012, no dia 28 de janeiro, tive a sorte de entrar no seminário Dehoniano, em Quelimane. Foram três anos difíceis. Era a minha primeira experiência de viver fora da família. Passei a viver com pessoas que nunca tinha visto e que não esperava vir a conhecer. Foi no Seminário menor que comecei a saber um pouco da vida do Fundador. Foi lá também que comecei a conhecer os padres Dehonianos, porque eles não trabalham no meu distrito. Foi através dos meus amigos que conheci os Dehonianos. Hoje sinto que devo agradecer-lhes por me terem indicado o caminho para esta Congregação. Infelizmente eles seguiram outro caminho vocacional.

O meu percurso vocacional foi prosseguindo. Anos mais tarde, fui admitido ao noviciado que representou mais um grande desafio e até grande provação: as limitações das saídas e do uso do telefone. Mas tudo foi superado. No dia 25 de Janeiro de 2019, fiz a minha primeira profissão. Foi a primeira vez que minha mãe veio ao Seminário.

Agora estou aqui em Portugal a dar continuidade à minha formação. Pertenço à comunidade do Seminário Nossa Senhora de Fátima, onde somos 14 membros da comunidade, atualmente de três nacionalidades. Frequento as aulas na Faculdade de Teologia. Faço pastoral na Paróquia de Outurela, onde ajudo na catequese e noutros trabalhos.

Quero agradecer à Província Portuguesa SCJ por tudo que tem feito por mim e também pelos outros que têm passado nesta casa de Alfragide que é uma autêntica escola para a vida. E a todos pedimos que rezem por nós e pelo nosso caminho vocacional.