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A água constitui «um recurso escasso e indispensável», o que a torna num «direito fundamental que condiciona o exercício doutros direitos humanos» (LS 185). De facto, a água «vivifica-nos e restaura-nos», mas, quando olhamos a forma descontrolada como nos estamos a servir deste elemento natural imprescindível à vida, podemos entrever toda a força da «violência, que está no coração humano ferido pelo pecado» (LS 2). É preciso recordar – uma e outra vez – que, «quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar… tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus» (LS 8).

As consequências derivadas de uma maior escassez de água serão, pura e simplesmente, desastrosas e lançarão muita gente num duro e insuportável sofrimento. Na verdade, «uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem do seu uso». No horizonte próximo, vislumbram-se já alguns graves perigos, como a possibilidade de padecermos de «uma aguda escassez de água dentro de poucas décadas» (LS 31), bem como os conflitos que derivarão do controlo da água passar a ser assumido por grandes empresas mundiais.

Estamos a demorar demasiado tempo para experimentarmos que «todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus» (LS 84). Quando nos tivermos dado conta desta realidade profunda, então poderemos louvar o Criador, com as mesmas palavras de São Francisco de Assis: «louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta» (LS 87).

Educar para a responsabilidade ambiental é promover «comportamentos que têm incidência directa e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso de plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos, servir-se dos transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias…» (LS 211). Aparentemente são gestos simples, mas a vida de cada dia mostra-nos como é difícil assumi-los e transformá-los em hábitos quotidianos.

Nesta linha de pensamento, os próprios sacramentos cristãos revelam-se «um modo privilegiado em que a natureza é assumida por Deus e transformada em mediação da vida sobrenatural. Através do culto, somos convidados a abraçar o mundo num plano diferente. A água, o azeite, o fogo e as cores são assumidas com toda a sua força simbólica e incorporam-se no louvor. A água derramada sobre o corpo da criança baptizada, é sinal de vida nova» (LS 235).

 

José Domingos Ferreira, scj