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Um sentimento de orfandade perpassa por esta cidade de Roma. Na passada quinta-feira um helicóptero tirou o Papa do Vaticano e levou-o para Castel Gandolfo, 25 km a sul de Roma. E por lá ficará durante dois ou três meses. O Vaticano e a Igreja estão sem Papa! Bento XVI, “depois de ter examinado repetidamente” a sua consciência diante de Deus chegou à certeza de que as suas forças, devido à idade avançada, já não eram idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino e por isso renunciou ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que lhe havia sido confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005. Uma decisão inédita desde há vários séculos na história da Igreja. Uma decisão pessoal e livre que não deixou o mundo indiferente. Uma decisão que marcará para sempre a história da Igreja. Bento XVI sai com a mesma humildade com que entrou, como Papa, ao serviço da Igreja: um “humilde servo da vinha do Senhor” que reconhece a sua debilidade e fraqueza física e que se retira na maior simplicidade, “bem consciente da gravidade deste acto”, assumindo-se como “um peregrino que inicia a última etapa da sua peregrinação nesta terra”.

No Vaticano prepara-se agora a eleição do novo Papa. A Igreja vive este momento com serenidade, expectativa e oração. É, de facto, um momento histórico e único na vida da Igreja onde ecoam as últimas palavras de Bento XVI pronunciadas na varanda de Castel Gandolfo: “Vamos para a frente juntos com o Senhor para o bem da Igreja e do mundo”.

Ontem à tarde passei pelo Vaticano. Pude entrar na Basílica de São Pedro, rezar um pouco e deter-me na Praça… São às centenas e centenas as pessoas que por ali circulam, vindas dos quatro cantos do mundo: cristãos piedosos, turistas, curiosos… Os jornalistas das grandes cadeias e agências de comunicação internacionais que acompanharam os últimos momentos de Bento XVI, são também às dezenas. Circulam pela Praça e pelos arredores, de câmara de filmar e microfone, à procura de elementos de reportagem. Abordam as pessoas, fazem perguntas, recolhem imagens… Um enorme palanque destinado à comunicação social, equipado com os melhores recursos tecnológicos, foi montado no perímetro externo da Praça. Aí os jornalistas dão notícias ao mundo e aguardam o desenrolar do Conclave que dará à Igreja o novo Papa. A Igreja e o mundo vivem os próximos dias com enorme expectativa.

Vem-se a Roma e não se vê o Papa… Mas sente-se a paz, a serenidade e a alegria interior que este momento da Igreja proporciona àqueles que, como eu, têm a oportunidade de pisar este chão.

No Vaticano há um vazio cheio esperança. Em breve, Deus dará um Pastor ao seu Povo.

Zeferino Policarpo, scj