No passado dia 24 de novembro a Pastoral Universitária Dehoniana regressou às noites “4 x 4”: mais “quatro coisas à quarta-feira” (eucaristia, jantar, conferência e dois dedos de conversa para a despedida). Desta vez com o tema: “Há magia em nós: uma conversa com o Pe. Armando Marques, ilusionista e hipnotizador e o jovem Gonçalo Gil, ilusionista profissional, fundador da Escola de Magia do Porto (2011).

Os nossos convidados partilharam connosco um pouco da sua história e como é que apareceu a magia nesse percurso. Recordava-nos o Gonçalo Gil que, nem por acaso, o patrono dos mágicos é Don Bosco, porque tinha a criatividade pastoral de usar a magia para se aproximar dos rapazes da rua.

Foi de facto uma noite mágica, porque os momentos mágicos acontecem quando nos deixamos levar pelo espanto e pela beleza do todo, sem o decompor em partes (“Em que manga escondeu ele o coelho?”). Aliás é esse o segredo também do hipnotismo, o deixar-se “sugestionar”, ou “iludir”, que é aquela cumplicidade entre aquele que pretende criar um momento mágico e aquele que se deixa levar pela magia. No fundo, a magia, como a fé, acontece no “momento” da quebra de lógica, do que vai além do expectável, criando um momento-surpresa ou salvífico.
Jesus também usou momentos “mágicos” – por exemplo, os milagres – no sentido de que apontavam para um “mais além”. Mas a fé, em si, não se baseia em atos mágicos, mas na confiança na pessoa de Jesus. Jesus reinventava e surpreendia pondo ao serviço dos outros os seus dons. Na verdade, os mais puros gestos mágicos da vida são sempre gratuitos, mesmo se alguns só quisessem ver Jesus por causa dos milagres que fazia (Lc 9,7-9).

Na continuidade, sugerimos formas de a Igreja não fechar portas à “magia”, ao inesperado, a novas linguagens para a transmissão da fé, tendo em conta que o Pe. Armando, com mais de cinquenta anos de sacerdócio, sempre usou o ilusionismo na catequese para alegria das crianças e para percorrer o país de lés-a-lés e o mundo para contribuir para a concretização de sonhos de tantos projetos eclesiais.

As quarenta e cincos pessoas que se aqueceram com truques de cartas, com o cubo de Rubik ou com as vítimas do hipnotismo, regressaram a casa de coração cheio e encantado.

Humberto Martins