Teria Jesus um quarto só para si para rezar? Levaria consigo o Antigo Testamento, em edição de bolso, sempre que se ausentava na noite para sítios ermos? Os seus “instrumentos” de oração não seriam o silêncio, a escuridão, a sua ligação à terra e o encontro conSigo, na ausência de pessoas? Deixaria em casa os problemas do dia ou levava-os consigo?

Na retoma das noites 4×4 o tema escolhido foi “Deus respira em ti? A meditação como um caminho”. À conversa connosco Marta Ambrósio, da “ATITUDO, Artes Marciais e Curativas”, Sensei Kosho Ryu Kenpo, terapeuta e mestre de Reiki, e terapeuta de Shiatsu, e Ângela Pereira, praticante e mestre de reiki e presidente da “Meditando em Linhas d’Abraço”, um projeto solidário da AMUT. Ambas praticam a meditação nas suas diversas formas.

Numa vida tão agitada como é a de tantos de nós, fomos dialogar com propostas de caminhos diversos de espiritualidade que vão de encontro à procura de paz, de equilíbrio e de atenção ao momento presente, sem fugas para o passado ou futuro, e que é a necessidade de todos nós. Aos que dizem que não há tempo para meditar fizeram-nos ver que a meditação não é um movimento inverso ou antinatural, mas um redescobrir algo natural que ficou em desuso nas tradições ocidentais, ditas também, judeo-cristãs, sobretudo após a modernidade. Mantras ou mandalas, oração do coração ou contínua, “células espelho” ou “reconfiguração neuronal” são formas de dizer o mesmo, um percurso através do nosso corpo – não nos podemos dizer de outro modo – por mundos mapeados, ou ainda não, e que leva-nos à pacificação com o Todo, porque fazemos parte de Deus, porque nós somos deuses (Cf. Sl 82,6 cit. por Jesus em Jo 10,24).

Numa noite mágica, com uma “Super Lua” sempre vigilante e materna, foi assim que retomamos as nossas atividades presenciais de Pastoral Universitária Dehoniana no Centro Dehoniano.

Humberto Martins, scj