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Já se passaram alguns dias depois da minha chegada a Madagáscar. Estes primeiros dias têm sido de readaptação a este país que já conheço um pouco. Depois da viagem, que correu muito bem, a primeira impressão que tive foi a de que nada mudou neste cantinho do mundo.
Depois de algumas confusões e muito atraso, lá consegui sair do aeroporto com as bagagens. Da parte de fora estava o Pe. Armando Baptista. Quando me viu acabou com o desespero da demora. O abraço foi caloroso e fraterno: “Bem-vindo, Joaquim! Então, o que é que se passou para tanta demora?!?” Bem, quer dizer… o melhor é nem saberes – disse eu. Continuámos a nossa espera para sair do aeroporto; a fila para o pagamento do estacionamento era enorme – quase que deu tempo para falar de todas as novidades e mais algumas. Durante o caminho, percorrido pela noite dentro, pouca luz e o cheiro do fumo dos carros.
Chegámos a casa já no dia seguinte, ou seja, Domingo. O tempo de repouso foi curto, pois, fiz questão de participar na Eucaristia dominical das 8.30 h. No fim, feitas as apresentações, senti as boas vindas calorosas dos cristãos.
Passei três dias no nosso Escolasticado a tratar dos documentos para a permanência em Madagáscar. O Pe. Álvaro, meu novo superior, fez questão de me vir buscar à capital. Aproveitou a subida a Antsirabé (noviciado), onde se realizou o retiro anual, a primeira profissão de alguns jovens e os votos perpétuos, para fazer algumas compras e me reconduzir ao nosso distrito de Ifanadiana.
Como foi emocionante o regresso aos nossos distritos! Até o cansaço ignorei. Estava em casa, finalmente. Os dias que se seguiram foram de readaptação a tudo e de descanso.
No fim-de-semana desci até Antsenavolo onde me encontrei com o Pe. Alcindo. Lá estava ele, sereno como sempre. Em Antsenavolo reavivaram-se no meu espírito os bons momentos que lá passei aquando do meu estágio de vida religiosa (2000-2002). Como poderia eu esquecer o que fazia parte de mim? Lá estavam os mesmos rostos, alguns mudados, a casa diferente, o calor húmido e os mosquitos chatos e doentios, a igreja e as pinturas do Pe. Roberto, a vegetação sempre luxuriante.
Fiquei surpreendido pela forma como fui recebido. Passaram-se cinco anos mas toda a gente se lembrava de mim: vinham dar-me as boas vindas, saudavam-me (tonga soa mon Père – alguns ainda me chamaram mon frère). Reavivou-se em mim o espírito missionário e o lema do Amor de Deus que não tem fronteiras…
O Pe. Alcindo pediu-me que presidisse a Eucaristia que culminava mais uma fiacárana, fi-lo com uma condição: que fosse ele a fazer a homilia, pois, ainda me sinto incapaz de fazer uma homilia em malgaxe. Presidi e a sua homilia foi um verdadeiro monumento à Sabedoria. Todas as igrejas do distrito estavam presentes, a Igreja superlotada, os cânticos ribombaram, alegres, pela imensidão daquele monumento longo. Ao centro e dos lados encontravam-se os pais e padrinhos das 115 crianças que baptizámos: ajudei-o na unção dos óleos e ele concedeu-me a honra de derramar a água baptismal. A celebração começou às nove e acabou às doze e trinta. À noite contámos com a presença de D. Alfredo Caíres e dos nossos confrades Pe. Álvaro e Pe. Gabriel. Foi um dia em cheio vivido na comunidade cristã e na fraternidade religiosa.
Na Segunda-feira, dia 07 de Setembro, subi então para Fianarantsoa, donde vos estou a escrever, para reiniciar o estudo da língua malgaxe.
Um abraço para todos os confrades e amigos, deste que não se esquece de vós na amizade e oração.

| Joaquim António, scj |