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Há precisamente um mês que deixei Paris, rumo a Chamberlain, South Dakota, algures nos Estados Unidos da América. Foi uma longa viagem, com escala em Chicago, depois voo até ao aeroporto de Sioux Falls e finalmente uma longa viagem de carro até casa – o Pe. Anthony, um dos nossos confrades, tinha ido esperar-me a Sioux Falls, como tínhamos combinado previamente.

Chamberlain, South Dakota

South Dakota não é, certamente, a primeira coisa que nos vem à cabeça quando falamos ou ouvimos falar dos Estados Unidos. É de facto um sítio longe de tudo, sem grandes cidades nem especiais pontos de atração turística, exceção feita ao Monte Richmond, esse que tem as esculturas gigantes de alguns Presidentes americanos, e que ainda não tive oportunidade de visitar.

Falar de South Dakota é normalmente falar de reservas índias, de vastas áreas completamente desertas e do Missouri, o grande rio que o atravessa, e a outros Estados. Assim é. Ainda não conheço bem o Estado, mas já deu para ver que há de facto imensas regiões bastante inóspitas e as reservas índias estão espalhadas um pouco por todo o Estado. Trata-se dos índios Sioux e foi sobretudo por causa deles que eu vim para cá. Tive a oportunidade de visitar duas das reservas, onde trabalham os nossos confrades Dehonianos. Sem avançar muito em pormenores, sempre poderei dizer que não é propriamente o El dorado nem o sonho americano. É esse estudo que estou a fazer, já consegui alargar os meus recursos bibliográficos e passo a maior parte do tempo a ler acerca da história e cultura dos Sioux.

Tenho tido algumas dificuldades de adaptação a esta cultura, a estes ritmos de vida, aos hábitos alimentares e, claro, à língua. Mas estava mais ou menos consciente dessas dificuldades. Mas um mês já deu para uma razoável ambientação. O maior problema tem sido mesmo o clima. Nunca tinha apanhado tanta neve junta! Os últimos dias têm sido de sol e até de algum calor, mas dizem que a neve pode voltar a qualquer momento… Temos que nos sujeitar!

Presença Dehoniana em South Dakota

Encontro-me na St. Joseph’s Indian School. Não se trata simplesmente duma escola, mas duma grande instituição. Trata-se dum internato com cerca de duas centenas de crianças e jovens oriundos das comunidades indígenas e 200 funcionários, professores incluídos. A grande maioria estuda cá dentro, os mais velhos frequentam escolas públicas. O campus escolar tem uma quantidade tal de atividades e valências que não é possível descrever em poucas linhas. É uma verdadeira máquina, muito bem monada e oleada.

A comunidade Dehoniana que trabalha na instituição é constituída por três padres. Neste momento estão apenas dois, porque um se encontra nas Filipinas até ao próximo mês de Junho, a ensinar inglês. Em Chamberlain há mais dois Dehonianos: um é o pároco da paróquia católica existente e o outro é reformado e vai ajudando na pastoral. Nas reservas Sioux há outra comunidade Dehoniana, em Lower Brule, não muito longe daqui. São também três padres, um americano e dois da Indonésia. Tive oportunidade de ir duas vezes às reservas e constatar in loco que se trata de verdadeira terra de missão. Não é fácil a vida dos nossos confrades, sobretudo pela grande distância entre as várias comunidades que nos estão confiadas. Fazem um admirável e muito apreciado trabalho de acompanhamento e apoio das populações espalhadas pelas reservas, presidindo às celebrações e procurando ajudar as pessoas a enfrentar os maiores problemas que as afectam.
Muito mais haveria para dizer, mas o espaço não dá para tanto. Estou bem, vou sobrevivendo às dificuldades, o estudo vai avançando, acho que já consigo perceber quase tudo o que leio e rezo, já me vou fazendo entender melhor…

Bom mês de Maio, bom trabalho, bom fim de ano escolar e pastoral. Continuamos unidos na oração e na comum missão.

José Agostinho F. Sousa, scj