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Padre José Diomário Gonçalves

23 de Outubro de 2011
 
Caros confrades
 
Na manhã deste Dia Mundial das Missões concelebrei na eucaristia das 11h00, na Paróquia de Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Maison-Alfort, Paris. Presidiu à celebração o Pe. José Agostinho, vigário paroquial desta paróquia confiada aos dehonianos da Província da Europa Francófona. Comigo estavam também o Pe. Manuel Barbosa, o Pe. Humberto Martins e o Pe. Nélio Gouveia. Ao longo da semana tínhamos participado na Conferência SCJ da Europa, em Clairefontaine, na Bélgica, e fazíamos a viagem de regresso a Portugal, depois de termos passado pelos “lugares dehonianos”.
Pouco antes de se iniciar a eucaristia um telefonema do Pe. Leandro Garcês, comunicava o falecimento do Pe. José Diomário. Este nosso confrade, missionário em Moçambique, chegou a Portugal para férias, no passado dia 9 de Julho. No dia 10, foi comigo a Fátima, pois queria colocar aos pés de Maria as suas intenções e súplicas.
Nessa altura estado de saúde do Pe. José era já bastante débil. Em Moçambique tinha passado algum tempo no hospital. Estando já em gozo de férias no Campanário (Madeira), sua terra natal, teve de ser hospitalizado em inícios de Agosto, com uma anemia bastante forte. Durante as minhas férias visitei-os por duas vezes. Estava a recuperar bem e manifestou-me o gosto em querer voltar a Moçambique, dizendo-me: “Quero morrer no meio do meu povo”. Depois de alta hospitalar precisou de fazer ainda diversos exames clínicos, pois padecia de vários problemas de saúde.
Há pouco mais de uma semana voltou a ser hospitalizado e uma pneumonia, acabou por lhe roubar a possibilidade de voltar para junto do seu povo. O Senhor chamou o Pe. José Diomário no Dia Mundial das Missões.
Este nosso confrade, deu 48 anos da sua vida às missões em Moçambique. Fez parte do grupo dos primeiros alunos que em 1947 entrou no Colégio Missionário Sagrado Coração. Como religioso dehoniano, trabalhou 10 anos nos nossos seminários, particularmente no Seminário Missionário Padre Dehon, na Rua Azevedo Coutinho, na Boavista, Porto, na secretaria dos benfeitores, nos grupos missionários, na formação dos seminaristas, no apostolado.
Em 1963, pôde finalmente realizar o sonho que o fizera entrar no Colégio Missionário e partiu, como missionário, para Moçambique. Viveu os anos belos de fulgor missionário e, juntamente com outros dehonianos, enfrentou também os difíceis e dolorosos anos de guerra civil. Sempre com Deus e ao lado do seu povo.
Ordenado sacerdote em 1985, escolheu como lema sacerdotal esta passagem bíblica: “De todos quero ser servo e em Cristo a todos ganhar; Tudo faço pelo Evangelho, para dele participar” (1Cor 9, 12-23). E assim fez! Como S. Paulo, serviu a Igreja de Jesus Cristo, anunciou o Evangelho, testemunhou a radicalidade da entrega total da sua vida ao Senhor.
 
 
A sua simplicidade e humildade, o desprendimento das coisas, a sua alegria expressa também no gosto pela música, o carinho que tinha pelas pessoas, as amizades que cultivava com grande fidelidade e dedicação, traduziam no concreto da sua vida, esta opção por Jesus Cristo, com o qual se quis identificar e ao qual serviu com generosidade e ardor.
Há dias, no último contacto telefónico que tive com o Pe. José Diomário, ele manifestava o desejo de regressar a Moçambique, logo após o Dia Mundial das Missões. Deus quis, porém, que o Pe. José fizesse outra viagem de regresso e chamou-o à sua presença…
Agradecemos a Deus o dom que este nosso confrade foi para nós e para a Igreja, particularmente para a Igreja em Moçambique.
Em meu nome e em nome da Província, apresento aos seus familiares, ao Pe. Carlos Lobo, Superior Provincial de Moçambique e aos respectivos confrades, os meus sentidos pêsames. Como já foi comunicado, o funeral realiza-se amanhã, dia 24 de Outubro. Haverá missa de corpo presente às 14h00, na capela do Colégio Missionário, seguindo depois o funeral para o jazigo da Província, no cemitério de S. Martinho, Funchal.
Recordo que se devem fazer os sufrágios devidos, conforme estabelece o n.º 63 do Directório Provincial.
 
Que testemunho e exemplo de vida do Pe. José seja para nós um incentivo para reavivarmos a nossa fé e fortalecermos a nossa a nossa esperança na Vida Eterna à qual o Senhor incessantemente nos chama.
Que Coração de Jesus seja para este nosso confrade, descanso, paz e felicidade.
 
 
Pe. Zeferino Policarpo, scj
superior provincial
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Padre José Diomário Gonçalves
 
O Pe. José Diomário Gonçalves era filho de Manuel Henriques Gonçalves e de Maria Franco Gonçalves. Nasceu a 22 de Agosto de 1932. Viveu os primeiros anos da sua vida na freguesia do Campanário, Madeira. Foi baptizado a 28 de Outubro de 1932 na paróquia de S. Pedro, no Funchal e crismado na Paróquia de Santa Maria Maior, no Funchal, a 18 de Março de 1948.
Entrou para o Colégio Missionário em 1947, com o sonho de partir para as missões. Fez parte do primeiro grupo de seminaristas da casa-mãe da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus.
Iniciou o noviciado em Albissola, Itália, a 28 de Setembro de 1952 e fez a Primeira Profissão a 29 de Setembro de 1953, em Albissola. Emitiu a Profissão Perpétua a 29 de Setembro de 1956, no Colégio Missionário Sagrado Coração.
Partiu para Moçambique a 7 de Setembro de 1963, para realizar o ideal missionário que trazia consigo desde criança.
Em Moçambique, e perante as necessidades e apelos da Igreja local, pede para ser admitido às ordens sagradas. Foi ordenado Diácono a 7 de Outubro de 1984, na Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, no Maputo e Presbítero, na Sé de Maputo, a 8 de Dezembro de 1985, pelo bispo D. Alexandre Maria dos Santos.
Em 2010, na celebração dos 25 anos de sacerdócio, escolheu com frase: 
“Maria, minha mãe, senhora do Sim, guarda este teu sonho em tuas mãos para sempre. Como tu, faz que o meu sim a Deus seja o mesmo sim aos meus irmãos”. Faleceu a 23 de Outubro de 2011 no Hospital do Funchal.
 
 
Pe. Zeferino Policarpo, scj
superior provincial
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