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▬ A Comunidade do Instituto Missionário viveu na tarde do dia 26 de Junho, em ambiente de fé, uma celebração única e inolvidável. O nosso confrade, o Padre Miguel Corradini (Gino Corradini) recebeu, durante a eucaristia presidida pelo Senhor Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto, a Unção dos Enfermos.
 

A paróquia de Santa Cruz e as Comunidades do Brinca e Loreto tinham pensado organizar uma celebração de homenagem ao Padre Miguel à qual se seguiria um jantar convívio. Estava tudo previsto para o dia 27 de Junho. Tendo em conta a dificuldade de levar o Padre Miguel para a Igreja de Santa Cruz e as limitações físicas do mesmo em aguentar tanto tempo, tudo teve que ser alterado. Ainda bem, porque o Padre Miguel, na sua maneira de ser e humildemente achava que era melhor celebrar sem espalhafato rodeado de pouca gente. Só quem conhece verdadeiramente o Padre Miguel pode compreender este seu desejo. Comove-se interiormente e vive muito tudo o que lhe fazem o que nem sempre exterioriza. Nos últimos tempos, desde que deixou de poder celebrar nas capelas do Loreto e do Brinca, tem-se manifestado muito sensível a tudo o que lhe tem sido dirigido.

Assim, ficou decidido que celebrar-se-ia uma missa aqui, numa sala adaptada. Foi na antiga sala de televisão da Comunidade Religiosa que tudo se preparou e, às 17,30 o Senhor Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto, o Pe. Anselmo, Pároco de Santa Cruz, os confrades Pe. Fernando, Pe. Roberto, Pe. Tiago e Ir. Caetano, bem como os quatro seminaristas do 12.º ano e algumas pessoas do Loreto e do Brinca (gente mais ligada às coisas da vida das comunidades) em ambiente muito familiar, celebramos a Eucaristia durante a qual, e por vontade expressa do interessado, foi administrado ao Padre Miguel o Sacramento da Unção dos Enfermos. A este propósito o Senhor Bispo referiu que o sacramento em causa não era ‘o sacramento da última meia hora da vida’ ao que o Padre Miguel respondeu, depois de ungido ‘ainda bem que não é o sacramento da minha última meia hora de vida’. Tudo decorreu com muita familiaridade. O Senhor Bispo dirigindo-se ao Padre Miguel quis acentuar que esta não era uma cerimónia de homenagem ao padre Miguel, mas antes de acção de graças pelos anos dedicados ao apostolado por estas terras de Coimbra, e não só, já que o senhor bispo conhecera o padre Miguel ainda nos tempos em que estava por Lisboa como pároco e bispo auxiliar.

O Senhor Bispo agradeceu repetidamente a doação do Padre Miguel e recordou passagens da liturgia da palavra da missa de hoje que nos falava da idade avançada de Abraão, de Sara e do projecto de Deus que passa também pelo silêncio e postura humilde dos corações de cada um. Falou ainda do papel importante do Padre Miguel, agora que já não pode trabalhar directamente no apostolado. Recordou a MadreTeresa de Calcutá que já na sua velhice, quando já não podia fazer mais nada, estava presente com o seu sorriso e a sua oração.
O padre Miguel proferiu algumas palavras de agradecimento e de testemunho. Recordou aos presentes o dia da sua primeira missa, a missa nova na sua terra. O Cálice do altar tinha gravadas as palavras ‘Sacerdos et victima’. Parece ter sido o seu lema de vida. Agora sentia-se, também ele, essa ‘victima’ que tem que se oferecer e entregar no altar do Senhor.

No fim da celebração o Pe. Anselmo quis oferecer uma recordação dos presentes ao Padre Miguel, um crucifixo. Logo o Padre Miguel, no melhor do seu humor disse:

– Pus-vos uma cruz ferrugenta no terreno da igreja e vós dais-me agora uma cruz dourada.

Não foi um ágape, mas um lanche muito simples, que encerrou esta celebração entre irmãos e amigos que como referiu o Bispo não quis ser homenagem mas antes uma acção de graças a Deus pelos dons que continuamente nos vai concedendo.

‘Não são as coisas grandes à vista dos homens que contam para Deus, mas sim os corações grandes dos homens humildes e santos’ recordou D. Albino Cleto.

» Constantino Tiago, scj