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Que diria eu se me pedissem cinco minutos do meu tempo para me dizerem «não estás só»? Paro? Escuto? Digo que estou com pressa? Que não sou praticante? Para vir noutra altura? Tudo respostas possíveis, das quais resulta somente uma certeza: não estou só! Se alguém me interpelou é sinal de que há Alguém a querer estar próximo de mim e a querer entrar para inquietar. Precisamente inquietar.

O testemunho de quantos participaram na “Missione all’Unical 2019” – missão na Universidade da Calábria – foi a expressão visível da inquietação que Deus suscitou nas vidas destes padres, religiosos e leigos que durante uma semana saíram; saíram não para incomodar, mas para inquietar e levar um testemunho de proximidade de Deus na vida de cada um.

Para muitos foi uma experiência de “alegria” e “temor”. Temor, porque não é fácil bater à porta de desconhecidos com a incerteza da resposta a receber; temor, porque interpelar exige mais do que coragem, exige confiança e a alegria de saber estar; temor, porque, por si, transmitir uma mensagem de eternidade num mundo de publicidade de três segundos, não é para muitos uma proposta cativante. Mas ao mesmo tempo alegria, pois resultaram tantos e belos encontros; tantas pequenas histórias de vida guardadas à espera do nosso (do d’Ele) toque na campainha; tantos encontros inesperados que revelaram no próprio momento o fruto da arte de semear.

Não seria justo que a Alegria por nós recebida fosse em nós mantida como um tesouro  a conservar egoisticamente. Era, foi e continua a ser necessária e muito urgente esta missão! Ninguém neste mundo deveria sentir-se sozinho somente pela razão de não haver um de nós a ser companhia. Nenhum estudante, docente ou funcionário merece não ter a oportunidade de escutar “não estás só”! Esta experiência é um sinal de que a proximidade fraterna no seio da comunidade cristã não existe no abstracto, nem se reduz aos poucos momentos em que estamos juntos. Mas, expande-se e perpetua-se nos muitos encontros que quotidianamente se proporcionam naquela ponte que congrega pessoas e edifícios.

De ambas as partes colhemos como reflexão que todos temos medo do confronto, de não sermos aceites ou de sermos reprovados. Medo este que tantas vezes se tornou observável nas diversas tentativas timidas de um sinal da cruz ou de um “buongiorno” mais celebrado. Os medos que temos e tantas vezes não assumimos – também eles – não estão sós. A presença de Cristo nas nossas vidas ensina-nos que os nossos medos são apenas oportunidades para estarmos mais perto d’Ele. Os momentos de oração na universidade, em especial a Via Crucis, foram, precisamente, sinais desta presença eterna, sempre próxima.

Possa Deus continuar o bem que em todos começou…