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Pelo sexto ano consecutivo a Associação dos Antigos Alunos do Seminário Missionário Padre Dehon promoveu a peregrinação a Fátima em bicicleta. E peregrinação que se preze tem como ingredientes essenciais, o prazer e o sacrifício, a superação e o descanso, a fé e as dúvidas.

Para dar o mote às dificuldades, o dia começou bem cedo, às quatro da manhã (por si já difícil!) com a oração e bênção dos cicloperegrinos.  Refrescados (outros acordados) pelas gotas da água benta e cheios da força do Espírito Santo, os 19 aventureiros deixaram o Seminário da Portelinha a alta velocidade rumo à zona ribeirinha do Porto, cais de Gaia e por aí fora até ao primeiro pequeno-almoço. Foram 40km galgados a um ritmo bem interessante, superior a 20 km/h.

Já com a subida do sol surgem as primeiras dificuldades, um engano no percurso e um problema mecânico lançam as primeiras dúvidas de fé nos peregrinos e pedem-se explicações ao ciclocapelão porque não aspergiu as bicicletas. Desabafados os impropérios voltamos ao caminho e com a preciosa ajuda do carro de apoio lá se encontrou forma de concertar a bicicleta.

De novo, com os 19 ciclistas na estrada, as dificuldades só aumentaram. As altas temperaturas começaram a ter os seus efeitos e a paragem para o almoço parecia cada vez mais distante. Só pelas 14h00 vimos aquilo que parecia ser uma miragem mas não, era mesmo o oásis do repasto…

Com as forças retemperadas e o corpo hidratado o pelotão voltou à estrada para a última tirada do dia. O muito calor ainda se fazia sentir mas corria uma saborosa brisa do Mondego que ajudou a ganhar algum ânimo. Os últimos quilómetros do dia foram percorridos na esperança da fruição do sugestivo local onde iriamos pernoitar: Adega Típica de Ansião (quem nunca quis dormir numa adega?). No destino, as responsabilidades do carisma dehoniano levaram-nos à celebração eucarística da comunidade local. Só depois o descanso.

Meios amassados pelos mais de 180 quilómetros do dia anterior e com outra noite pouco dormida, às 6H00 já se pedalava rumo ao destino final, Santuário de Fátima. De novo um engano no percurso, depois outro e de repente… tresmalhou-se uma “ovelha” deste rebanho em duas rodas. Que fazer? Movidos pela fé na proteção Divina seguimos na esperança do “Bom Pastor” voltar a reunir todo o rebanho.

As provações continuaram, e os últimos 10 quilómetros, dos 50 programados, foram uma ascensão interminável. A lei da gravidade atrasava as vontades mais ansiosas, até que, finalmente, se avistou, ao longe, o Santuário, “agora está quase!”. A Providência Divina não falha e os 19 cicloperegrinos voltaram a encontrar-se antes da chegada triunfal ao Santuário de Fátima.

As dificuldades fazem parte de quem peregrina. São momentos de dúvida, superação e confiança num bem maior que nos transcende. Aceitei pela primeira vez este desafio e sinto-me grato a todos os que o tornaram possível, sejam os companheiros do pedal, os elementos do carro de apoio, a Associação e toda a família dehoniana que acolhe com tanto carinho esta iniciativa. Obrigado a todos e até para o ano!

Renato Gilberto
(Aluno do SMPD de 1993 a 1996)

 

Peregrinação A Fátima Em Bicicleta

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