O ser humano experimenta muitas resistências à mudança. Embora tudo nesta vida seja feito de constante devir, a verdade é que também nos custa muito mudar. Se dependesse de nós, permaneceríamos sempre na situação actual, porque se nos afiguraria como a melhor entre todas.

Esta resistência natural à mudança acaba por ser a responsável de só aceitarmos mudar, quando a catástrofe se abate sobre a nossa vida. Quando batemos no fundo, então ousamos mudar. Quando percebemos que já não nos resta outra possibilidade, então ousamos percorrer um novo caminho. Quando nos damos conta que o nosso coração se tornou triste e pesado, então começamos a equacionar outro rumo a dar à nossa vida. Mesmo quando nos avisam com tempo, mesmo quando observarmos o mal que aconteceu aos outros, continuamos a acreditar que a tragédia não se repetirá connosco e assim vamos mantendo uma situação que é insustentável. Talvez seja por isto que usamos com repetida frequência as categorias de conservador e progressista e com elas vamos arrumando as pessoas nestas duas gavetas, identificando – de forma um pouco superficial e ideológica – aqueles que nos parecem mais resistentes à mudança e aqueles outros que são verdadeiros apaixonados por ela.

Há momentos na nossa vida em que mudar se torna prioritário e urgente. Há problemas na sociedade e no mundo que vêm reclamando há bastante tempo uma alteração de rumo. Uma destas situações mais perigosas e desesperantes é representada pelas alterações climáticas.

O problema, no entanto, não está na falta de ideias ou de propostas. Normalmente, sabemos muito bem o que temos de fazer e até a melhor forma de executar. Inclusivamente manifestamos uma grande aptidão para indicar os caminhos de mudança que os outros deveriam percorrer, mas, quando nos toca a nós, a situação já é bem diferente. O problema fundamental é que não nos decidimos a mudar e vamos protelando a decisão até ao máximo que pudermos. Parece que mudar representa um enorme dispêndio de energia e queremos poupar-nos a esse esforço.

Portanto, porque é que nos custa tanto mudar de hábitos e comportamentos? Por que é que demoramos muito tempo a adoptar e consolidar novos hábitos, mais cuidadosos e responsáveis para com a natureza? Que sinais mais alarmantes do que estes necessitamos para nos consciencializarmos de que não podemos continuar a viver desta maneira?

Uma razão, que pode explicar porque nos custa tanto mudar, talvez seja o facto de que o cuidado do ambiente não é um tema que nos preocupe o suficiente. Temos outras preocupações que consideramos mais importantes e mais urgentes e parece-nos que essa pode esperar um pouco mais. Não duvidamos que algo terá de ser feito, mas parece-nos que não precisa de ser já, pois ainda temos alguma margem de manobra.

José Domingos Ferreira, scj