Proteger é ser escudo e amparo para quem se mostra mais débil e indefeso, ainda que seja só por breves momentos. A família é, por excelência e dignidade, o lugar sagrado desta acção. Todos temos ocasiões na nossa vida em que nos vamos abaixo, pelas mais variadas razões, e, nesses momentos, sentimos esta necessidade de ser protegidos e preservados daquela agressividade feroz que marca a nossa sociedade.

A nossa fé cristã fala-nos de figuras que se impõem pela sua capacidade de proteger e amparar. S. José, por exemplo, é descrito como custódio e protector: «com o seu trabalho e presença generosa, cuidou e defendeu Maria e Jesus e livrou-os da violência dos injustos, levando-os para o Egipto. No Evangelho, aparece descrito como um homem justo, trabalhador, forte; mas, da sua figura, emana também uma grande ternura, própria não de quem é fraco mas de quem é verdadeiramente forte, atento à realidade para amar e servir humildemente. Por isso, foi declarado protector da Igreja universal. Também Ele nos pode ensinar a cuidar, pode motivar-nos a trabalhar com generosidade e ternura para proteger este mundo que Deus nos confiou» (LS 242). Mas não é apenas S. José. Temos também o anjo da guarda, a quem pedimos que nos guarde e proteja de noite e de dia.

Proteger aparece, portanto, como uma dimensão específica do cuidar, que merece ser tida em conta, dado que toda a situação de vulnerabilidade precisa de ser protegida. Inclusivamente, «as várias culturas, cuja riqueza se foi criando ao longo dos séculos, devem ser salvaguardadas para que o mundo não fique mais pobre» (FT 134). Esta é uma séria advertência contra a implementação cega da “lei do mais forte” e do salve-se quem puder, que apenas produz mais abandono, sofrimento e desamparo.

No nosso mundo, também a vida humana «é um dom que deve ser protegido de várias formas de degradação» (LS 5). São muitos aqueles que, nestes tempos actuais, estão a ser lançados na precariedade, vendo-se postos à margem e desprovidos das ferramentas que lhes permitam sair dessa situação. Assistimos tranquilamente ao espectáculo dos grandes grupos económicos a arrasar com os pequenos produtores e empresas, que contribuem de forma muito positiva e fecunda para o real bem-estar da sociedade. Já nos demos conta de como as nossas vilas e cidades estão a ficar saturadas dos supermercados das grandes cadeias? Aparecem e crescem como cogumelos… Pelo contrário, os pequenos produtores e empresas precisam de ser protegidos e é relativamente a eles que faz sentido falar de “discriminação positiva”.

Não obstante, proteger é uma atitude que está marcada por um princípio e por um fim. É uma etapa intermédia que desemboca numa fase posterior. O excesso de protecção infantiliza e não ajuda ao amadurecimento: protectores sim, mas não proteccionistas. Uma protecção excessiva pode tornar-se paternalismo, que até nos faz sentir bem connosco próprios, mas impede que o outro possa seguir o seu caminho.

 José Domingos Ferreira, scj