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O Encontro dos Superiores prosseguiu dentro dos mesmos moldes, em ambiente tranquilo e de partilha franca e fraterna. A Carta Programática continuou a ser o documento base para todo o debate e para a reflexão em busca de caminhos novos e comuns para toda a Congregação.

A sexta-feira, último dia de trabalhos, foi sobretudo dedicada a questões continentais, com encontros das várias áreas geográficas, espalhados pelas diferentes salas da Villa Aurelia. O desafio era que cada área geográfica trouxesse dois ou três desafios ao Governo Geral; pela partilha feita na primeira sessão da tarde, deu para ver que houve muito mais do que isso, ficando claro que todos levaram muito a sério o trabalho que tinha sido proposto.

O dia prosseguiu com o debate à volta da data, do local e do tema da Conferência Geral que ficou “pendurada” pela forma abrupta como o anterior Governo Geral cessou funções. A ideia mais consensual parece a de manter o tema (“Fidelidade ao evangelho e ao nosso carisma, através da formação em resposta aos desafios sociais”) e o lugar (Filipinas); quanto à data, não ficou definitiva, mas aponta-se para abril/maio de 2021. Terminado este debate, houve ainda tempo para alguma partilha sobre o que se faz nos diferentes Centros de Espiritualidade da Congregação e, claro, para os habituais agradecimentos próprios de “fim de festa”.

Terminados os trabalhos, começou a debandada: houve quem partisse logo na sexta-feira, outros fizeram-no no sábado ou no domingo e houve quem prolongasse a estada, até porque havia outros trabalhos e compromissos por Roma.

Havendo a feliz coincidência de no domingo se celebrar o III Dia Mundial dos Pobres, alguns de nós fomos bem cedo, apesar da ameaça da chuva, até à Basílica de São Pedro, para concelebrar com o Papa Francisco, na missa das 10:00. Foi uma celebração carregada de emoção, com muitos pobres e sem-abrigo a tomarem lugar na imensa assembleia que enchia por completo o grande e majestoso templo. Foram também muitos os cardeais, bispos e padres que quiseram ladear o Papa nessa celebração tão especial. E o Papa Francisco não se fez rogado: apesar do seu notório cansaço, foi com vigor e muita convicção que nos lembrou que os pobres são o verdadeiro tesouro da Igreja e que em circunstância alguma podem ser esquecidos ou marginalizados na ação pastoral da Igreja, sob pena de não estar a ser fiel àquilo que Jesus fez e nos pediu que fizéssemos também.

Dizia o Papa que não basta ter o rótulo de “cristão” ou de “católico” para ser de Jesus, mas que é preciso falar a mesma linguagem de Jesus, que é a linguagem do amor, que é a capacidade e a vontade de passar da linguagem do eu ao tu, a linguagem que nos faz sair de nós mesmos, para irmos ao encontro dos outros, especialmente dos mais pobres, abandonados e marginalizados. Os pobres, dizia Francisco, são os porteiros do Céu, são quem mais nos ajuda a aproximar-nos de Deus e do seu Reino. O amor, dizia o Papa, é a coisa última, que não passa, que permanece para sempre, porque vem de Deus e Deus é amor.

Que o Dia Mundial dos Pobres não seja mais um dia mundial, mas ocasião ímpar para nos fazer sair da indiferença a que tantas vezes o mundo nos conduz.

P. José Agostinho Sousa