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S. Bento, patriarca dos monges ocidentais, nasceu em Núrcia, no ano 480. Ainda muito jovem, seduzido e impelido pelo Espírito, abraçou um período de absoluta solidão numa gruta em Subiaco. A sua fama atraiu-lhe discípulos. Organizou para eles a vida cenobítica, inicialmente em doze pequenos mosteiros à volta de Subiaco e, depois, no célebre cenóbio de Monte Cassino. Escreveu uma Regra que resume sabiamente a tradição monástica oriental, adaptando-a ao mundo latino. Esta escola de “serviço ao Senhor” é construída à volta da Palavra de Deus (Lectio divina), da Liturgia de louvor realizada em coro, e do trabalho em ambiente de fraternidade, de humilde e obediente serviço. S. Bento faleceu com 67 anos de idade, em Monte Cassino, no ano 547.

 
 
Lectio
 
 
Primeira leitura: Provérbios 2, 1-9
 
 
Meu filho, se receberes as minhas palavrase guardares cuidadosamente os meus mandamentos,2prestando o teu ouvido à sabedoria, e inclinando o teu coração ao entendimento; 3se invocares a inteligência e fizeres apelo ao entendimento, 4se a buscares como se procura a prata e a pesquisares como um tesouro escondido, 5então, compreenderás o temor do Senhor e chegarás ao conhecimento de Deus. 6Porque o Senhor é quem dá a sabedoria e da sua boca procedem o saber e o entendimento. 7Ele reserva a salvação para os rectos e é um escudo para os que procedem honestamente. 8Protege os caminhos dos justos e dirige os passos dos seus fiéis. 9Então, compreenderás a justiça e a equidade, a rectidão e todos os caminhos que conduzem ao bem.
           
Só a busca interessada da verdade permite estabelecer uma relação correta com Javé, que dá a sabedoria e protege o sábio. É o ensinamento preciso que um pai dá ao seu filho, segundo esta página do livro dos Provérbios.
S. Bento utiliza o mesmo estilo literário ao introduzir a Regra que escreve para os seus monges: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai,…” Acolher a Palavra de Deus é o caminho seguro para nos conformarmos a Cristo, Sabedoria do Pai.
 
 
 
Evangelho: Mateus 19, 27-29
 
 
Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna
 
Jesus responde a Pedro com a linguagem figurada do profeta Daniel (cf. Dn 7, 9-14), onde se fala de tronos e do Filho do homem. Jesus realça o aspeto judicial desta figura misteriosa. Os discípulos, a quem foi dado conhecer o mistério do Reino (13, 11), estão intimamente associados a Jesus. O prémio prometido por Jesus parece que terá lugar “no dia da regeneração de todas as coisas” (v. 28), isto é, no mundo renovado, que resultou da última intervenção de Deus na história, que já teve lugar, quando enviou o seu Filho. A “regeneração” é a nova vida do homem novo concedida pela ação de Deus. Indica, pois o tempo da Igreja e refere-se a todos os crentes, àqueles que se submetem à senhoria de Deus e participam dela. Os discípulos são “juízes”, isto é, “dirigentes” do povo de Deus, que devem administrar e defender esse povo.
 
 
Meditatio
 
S. Bento, depois de longo tempo na presença de Deus, a escutar a sua Palavra, vivendo em total desapego do mundo, em completo silêncio e em austera solidão, tornou-se um homem, capaz de orientar outros, que buscavam a Deus. Só dá fruto quem acolhe no coração e medita a Palavra de Deus, quem se deixa transformar por ela. As comunidades criadas por S. Bento caraterizam-se pela busca apaixonada de Deus, pela escuta atenta da Palavra, meditada e guardada no coração. Assim descobrem Jesus Cristo como sabedoria do Pai, como o verdadeiro tesouro, ao qual nada se deve antepor. Permanecendo estavelmente unidos a Ele, os discípulos permitem ao Espírito produzir neles os seus frutos. Esses frutos são o melhor prémio para quem deixa tudo para estar com o Senhor e “permanecer” n´Ele.
A união de S. Bento com Deus explica a sublimidade da sua Regra, exigente e equilibrada, e a sua influência perene na vida de perfeição da Igreja. Bossuet falou assim da Regra de S. Bento: “Suma do cristianismo, resumo douto e misterioso do Evangelho, das instituições dos Santos Padres, de todos os conselhos de perfeição, na qual atingem o seu mais alto apogeu a prudência e a simplicidade, a humildade e o valor, a severidade e a doçura, a liberdade e a dependência, na qual a correção encontra toda a firmeza, a condescendência todo o encanto, a voz de comando todo o vigor, a sujeição todo o repoiso, o silêncio a sua gravidade, a palavra a sua graça, a força o seu exercício e a debilidade o seu apoio”.
Chamado por Pio XII “Pai da Europa”, S. Bento foi proclamado por Paulo VI patrono do mesmo continente, em 1964.
 
 
Oratio
 
Senhor, nosso Deus e nosso Pai, eis-nos aqui, como filhos que se sentem amados por ti. Os nossos ouvidos estão atentos à tua palavra. Queremos corresponder ao teu amor. Sabes como ainda somos instáveis na fé e frágeis na caridade. Faz-nos, uns para os outros, sinais e sacramentos da tua mansidão e da tua bondade. Que todos possam verificar como é bom amar-nos como filhos do mesmo Pai, que és Tu, e servir-nos e honrar-nos uns aos outros em teu santo Nome. Ámen.
 
 
Contemplatio
 
S. Bento teve também a graça de trabalhar pelas almas. Na sua solidão, catequizava os pastores da montanha. Mais tarde, aceitou fazer a educação de alguns jovens piedosos de Roma, que as suas famílias lhe confiavam em Subiaco. Foi entre eles que recrutou S. Mauro e S. Plácido, seus amáveis discípulos. Sabia falar corajosamente aos grandes e recordar-lhes os seus deveres. Repreendeu ao bárbaro Tótila as suas depredações e as suas crueldades. Ordenou-lhe que não abusasse das suas vit&oacute
;rias, especialmente na ocupação da cidade de Roma. Que variedade nas suas obras e na sua ação social! Os seus discípulos, ao longo dos séculos, dedicar-se-ão também ao apostolado em todas as suas formas, segundo os tempos e as necessidades da Igreja. É preciso tomar forças no recolhimento, especialmente em cada manhã, e dedicar-se depois às obras, segundo a nossa vocação, segundo a vontade de Deus que nos é conhecida. É um dever para nós hoje rezar pela conservação da vida regular e monástica através das dificuldades que o demónio lhe suscita. Senhor, não priveis a vossa Igreja dos asilos que lhe destes para pôr os seus filhos ao abrigo das tempestades do século; mas fazei que, ao renunciarem ao mundo, se entreguem verdadeiramente à perfeição no claustro. (Leão Dehon, OSP 3, p. 314s.).
 
Actio
 
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“O Senhor é quem dá a sabedoria” (Prov 2, 6).
 
 
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S. Bento, Abade, Padroeiro da Europa (11 Julho)