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Neste momento em que o Papa Francisco me nomeia bispo para servir a Igreja de Deus com sede em Setúbal, desejo fazer chegar aos membros da diocese, às autoridades e ao povo da cidade e da região de Setúbal uma saudação muito fraterna e amiga.

Saúdo muito especialmente todos aqueles que sentem as dificuldades dos tempos difíceis que vivemos e são vítimas do desemprego e da falta de meios e de perspetivas para uma vida digna e segura, que atinge particularmente os jovens, os anciãos e os imigrantes. Ao mesmo tempo, saúdo com profundo apreço e carinho os que continuam a lutar, apesar das situações adversas, e as muitas pessoas e instituições da diocese e de outras entidades que, com sensibilidade e solidariedade criativa, buscam soluções e caminhos de justiça, humanização e esperança.

Desejo cumprimentar com gratidão e estima todas as pessoas que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço dos outros o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Que os vossos braços não cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção da Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado.

Saúdo com alegria e esperança os jovens das nossas comunidades, bem como os movimentos juvenis, com especial relevo para os escuteiros. No mundo que está a mudar radical e velozmente, a vossa presença e criatividade, como também a vossa crítica e impaciência, são importantes para sermos capazes de sonhar e pôr em movimento o Evangelho da alegria, da liberdade, da fraternidade e da paz. Não vos deixeis resignar e não vos canseis de sonhar o sonho de Deus para a nossa diocese e o nosso mundo.

Deixo uma palavra de especial estímulo a todos os seminaristas e às/aos jovens que se interrogam sobre um futuro consagrado a Deus para o serviço dos outros. Que sintais a alegria da descoberta e aprofundamento do afeto e do convite que o Senhor vos dirige, para servir o seu povo, nesta diocese e no mundo. Que a luz do Espírito ilumine igualmente aqueles que vos acompanham neste importante processo de descoberta e discernimento.

Uma saudação particular vai para as religiosas, religiosos e demais pessoas consagradas, neste ano especialmente a eles dedicado. Que o testemunho da vossa consagração a Deus, da vossa vida fraterna e da vossa atenção aos mais pobres e necessitados seja sal e luz para a comunidade eclesial e para a nossa sociedade.

Aos diáconos e presbíteros, envio um abraço muito fraterno de comunhão e corresponsabilidade no serviço que o Senhor nos confia em favor do seu povo. Não sou capaz de pensar o ministério que Deus me pede sem a união convosco e com o vosso ministério. Espero que, na escuta da Palavra, na fidelidade ao Espírito, na riqueza e diversidade dos dons de cada um, possamos construir a unidade pela qual o Senhor orou ao Pai e colocar-nos juntos ao serviço do seu povo, com os sentimentos e atitudes do seu Coração de Pastor misericordioso.

Ao Senhor D. Gilberto, dedicado pastor desta diocese nos últimos 17 anos, desejo exprimir a minha imensa gratidão pelo testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus. O acolhimento fraterno, a confiança e o conforto que de si tenho recebido, têm sido um precioso encorajamento nos dias nem sempre fáceis destes últimos tempos. Espero poder continuar a contar com a sua presença, conselho e ajuda ao serviço desta Igreja de Setúbal. Quero associar nesta gratidão o Senhor D. Manuel Martins, primeiro bispo, pastor incansável e grande profeta da nossa jovem diocese, e sinto-me feliz por poder vir a participar na homenagem que lhe está a preparar a comunidade diocesana. A presença dos dois primeiros bispos desta Igreja é, para mim, motivo de grande encorajamento e esperança. Peço ao Senhor que eu possa continuar uma tão nobre tradição de serviço eclesial.

Saúdo também com respeito e aberta cordialidade as autoridades do distrito e das autarquias da diocese, bem como as instituições cívicas que estão ao serviço da população. Sei que a diocese de Setúbal tem uma feliz tradição de abertura para solicitar e oferecer entendimentos e colaborações que redundem em benefício das pessoas e abram perspetivas novas para o nosso futuro comum. Desejo muito – e tudo farei por isso – que estas parcerias possam desenvolver-se, para fazer face aos ingentes desafios do nosso tempo e para abrir novos caminhos para a plena realização das pessoas e da sociedade.

Desejo ainda endereçar uma palavra muito fraterna aos membros das diferentes Igrejas cristãs presentes na nossa diocese e aos seus responsáveis. O diálogo ecuménico e a cooperação real entre os discípulos de Cristo, na diversidade das Igrejas a que pertencem, constituem uma oportunidade e um dever para todos nós. Não pouparei esforços para que a fé comum no Senhor Jesus e o mandamento novo do amor fraterno nos conduzam por caminhos de crescente unidade e colaboração.

Quero igualmente saudar os crentes de outras religiões, cujo número tem vindo a aumentar com as fluxos migratórios recentes. Espero que o acolhimento, o respeito e o diálogo possam ajudar a entender o contributo que as nossas tradições religiosas podem oferecer à construção da justiça, da paz, da solidariedade entre povos e culturas e da Casa Comum da humanidade.

Da minha parte, venho de coração aberto, com algum temor, muita confiança na presença do Senhor e esperança na comunhão e na boa vontade dos membros da comunidade diocesana. Oriundo da Madeira e membro da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), onde cresci como homem, religioso e padre, o meu ministério teve lugar sobretudo no ensino da Sagrada Escritura na Universidade Católica e no serviço da Congregação. Depois dos últimos doze anos sediado em Roma como Superior Geral, fui indigitado, a meu pedido, para uma missão em África. O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: "Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária". E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial. Não trago planos traçados e estou bem consciente das minhas limitações e de quanto preciso de aprender e conhecer, para poder estar ao vosso serviço como vosso irmão e vosso bispo.

Em coincidência com o início do meu serviço como bispo, acolheremos a imagem da Virgem Peregrina de Fátima, que vem visitar a nossa diocese. É um sinal para todos nós! Acolhamos no coração a Virgem de Nazaré que, movida pela Palavra e pelo Esp&iacute
;rito de Deus, se pôs a caminho para anunciar, celebrar e servir, na casa de sua prima Isabel, dando início aos novos tempos de Deus entre os homens. Nos tempos de mudança que vivemos, temos uma impelente necessidade de assumir esta atitude itinerante, de sair de nós mesmos, como diz o Papa Francisco, para levar a feliz e criadora notícia do Evangelho, particularmente aos que andam longe e aos que têm mais necessidade de atenção, carinho e esperança.

Peço-vos que me tenhais bem presente na vossa oração; e podeis estar certos de que tendes já um lugar bem grande nas minhas preces, na minha atenção, no meu afeto e nas minhas perspetivas de olhar o futuro. Que o Senhor abençoe e acompanhe este caminho que nos chama a percorrer juntos.

 

Lisboa, 24 de agosto de 2015

Pe. José Ornelas Carvalho, SCJ