SEGUNDA-FEIRA DA II SEMANA DA QUARESMA

Do Evangelho segundo S. Lucas (6, 36-38)

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
“Sede misericordiosos,
como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados.
Não condeneis e não sereis condenados.
Perdoai e sereis perdoados.
Dai e dar-se-vos-á:
deitar-vos-ão no regaço uma boa medida,
calcada, sacudida, a transbordar.
A medida que usardes com os outros
será usada também convosco”.

“Perdoai e sereis perdoados”. Depois de anotar a proclamação das Bem-aventuranças, Lucas anota o mandamento do amor universal e da misericórdia. Redige como que um pequeno poema didático com três estrofes. Enunciação do mandamento, as suas motivações e a sua prática. Verificamos uma clara analogia com o “Sermão da Montanha” de Mateus. Mas Lucas tem uma particularidade. Fala da imitação do Pai em termos de “misericórdia”, enquanto Mateus fala de “perfeição”. Como praticar esta misericórdia? É o que nos indicam os versículos que hoje escutamos. Cinco verbos passivos revelam que o sujeito é o Pai: “Não sereis julgados; não sereis condenados; sereis perdoados; ser-vos-á dado; uma boa medida… será lançada no vosso regaço”.

Quando nos arrependemos dos nossos pecados, nos dispomos a arrepiar caminho, e nos abrimos ao amor misericordioso do Pai, o seu perdão é mesmo “per-dão”, um dom superabundante: “uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante… lançada no vosso regaço”. Por isso, também nos convém ser generosos no perdão aos nossos irmãos.

Senhor, ensina-nos a não julgar, para não sermos julgados, e a não condenar, para não sermos condenados.

Pensamento do Padre Dehon

Sede misericordiosos para com o próximo, e Deus sê-lo-á convosco. (ASC 29).