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No sábado passado, aproveitando o facto dos museus estarem abertos ao público e  gratuitamente (o que não é despiciendo referir), os seminaristas do Seminário Missionário Padre Dehon viveram um dia diferente e intenso. Durante a manhã e tendo como ponto de partida para a nossa caminhada a pé a Ponte D. Luíz, na Ribeira, dirigimo-nos ao Museu do Vinho do Porto. É certo que o mais fácil e apetecível seria provar a dita bebida. Desta vez, porém, pretendia-se ir um pouco mais além e conhecer a história desta referência nacional e local, bem como o seu desenvolvimento e todos os aspectos culturais que lhe estão subjacentes.

Terminada esta visita, dirigimo-nos ao Museu de Serralves. Podem acreditar que demorou mais tempo este trajecto que escrever-vos estas linhas. No Museu de Serralves, pudemos observar as colecções de arte contemporânea aí patentes, com destaque para a obra de Alberto Carneiro. Obviamente que nem todos estávamos preparados para apreciar tais manifestações artísticas, mas o mais importante é conhecer, porque ninguém aprecia o que não conhece.

De seguida, arrancámos velozmente para o Parque da Cidade, onde almoçámos. Depois de um almoço, marcado por uma chuva repentina, seguimos (agora de carrinha) para o Museu dos Transportes. Aqui pudemos deliciar-nos com alguns modelos que fizeram história na indústria automóvel ao longo dos anos. É bastante engraçado ver os carros antigos das marcas que ainda hoje brilham no panorama actual: a evolução que elas fizeram…

Do Museu dos Transportes, abalámos de carrinha para o Museu Militar do Porto, que se situa nas instalações da antiga PIDE. Posso garantir-vos que nunca vi estes seminaristas tão atentos aos relatos do alferes que nos guiava durante a visita. E as muitas perguntas que eles colocavam acerca das técnicas de tortura usadas pelos agentes da PIDE!!! Aqueles corredores escuros, estreitos e baixos, as salas dos interrogatórios, a proximidade com o cemitério, as celas dos presos políticos, a intimidação que o próprio espaço incutia no indivíduo… Tudo isto era explicado e tudo era absorvido pelos seminaristas. Já para não falar das armas, dos canhões e outros artefactos (não muito pacíficos). Penso que terá valido por muitos filmes de acção que eles gostam de ver…

Em suma, foi um dia verdadeiramente cultural, em que aproveitámos as oportunidades surgidas. Houvesse mais tempo e pernas mais frescas e teríamos ido mais longe. De qualquer forma, valeu a pena conhecer um pouco mais da nossa história, da nossa cidade, do espaço em que nos movemos habitualmente…

 

José Domingos, scj