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“VINDE A MIM, TODOS OS QUE ANDAIS CANSADOS E OPRIMIDOS…”

 Caríssimos Confrades e membros da Família Dehoniana

Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Se calhar nunca foi tão pertinente, intenso e tocante este convite que Jesus nos faz no Evangelho deste dia. O contexto de pandemia, de sofrimento e dor, de isolamento social e de profunda crise económica e social em que celebramos esta Solenidade do Coração de Jesus faz sentir a absoluta necessidade de estarmos intima e permanentemente unidos a Jesus, de aceitarmos o seu convite a alimentar-nos do seu amor por nós, o amor total e gratuito, que passa pelo dom da sua própria vida para nossa salvação, para que a nossa vida seja abundante e para sempre.

A Solenidade do Coração de Jesus que hoje nos reúne, depois de tanto tempo de distância e de isolamento, não é para nós uma simples festa. Celebrar a Solenidade do Coração de Jesus é ocasião para celebrar, contemplar,  penetrar no mais profundo do mistério da nossa fé, da nossa redenção. E é também ocasião para colocar o nosso olhar no centro da nossa espiritualidade e da nossa vocação de Sacerdotes do Coração de Jesus e de Família Dehoniana. A celebração da presente Solenidade no contexto atual suscita em nós, certamente, sentimentos diversos, de apreensão e de preocupação compreensíveis, mas também de louvor e de ação de graças ao Senhor pelo dom do amor infinito e incomparável do seu Sagrado Coração. Ao mesmo tempo, a celebração desta Solenidade deve levar-nos a renovar o nosso compromisso de amor e de doação a esse Coração que tanto nos ama, a ponto de dar a vida por nós.

A Palavra de Deus da liturgia desta Solenidade é um convite a percorrermos alegres, confiantes e gratos a história do amor de Deus por nós, por cada um de nós. É uma Palavra que nos convida a descobrir a presença de Deus na nossa vida, que nos ajuda a contemplar esse Deus próximo, que não se cansa de vir ao encontro dos homens, que não fica indiferente à fragilidade, pequenez e contingências que marcam o caminho quotidiano dos homens de todos os tempos e de todos os contextos, também do nosso tempo e do difícil contexto em que nos encontramos. É o próprio Jesus que nos convida e desafia: vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos; aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração; o meu jugo é suave e a sua carga é leve. É um dos grandes desafios desta Solenidade do Coração de Jesus que estamos a celebrar: viver do seu Coração, viver no seu Coração. Só vive no Coração de Jesus quem tiver coração manso e humilde, generoso e disponível para acolher o seu convite.

Hoje somos chamados a ser imitadores deste carinho e desta ternura deste Jesus de Coração grande e misericordioso que continua a querer passar na nossa vida e na vida de todos os cansados e oprimidos. Somos convidados, uma vez mais, a olhar para Aquele que trespassaram, para Aquele que na Cruz dá vida até ao fim, para que a nossa vida não tenha fim. Contemplar o Coração trespassado não é uma atitude passiva nem dolorista, mas um renovado compromisso a sermos hoje profetas do seu amor e servidores da reconciliação.

O nosso Superior Geral, na carta que nos enviou para esta celebração, recorda que o Coração de Jesus vale-se da nossa fragilidade e pequenez para transformar o nosso mundo de hoje, como o fez com Margarida Maria Alacoque, com o Padre Dehon ou com os discípulos perdidos e desorientados a caminho de Emaús. Perante a enormidade do problema que hoje enfrentamos, podemos assumir a atitude do medo e da dúvida paralisante, pondo tudo em causa; ou podemos renovar a nossa fé e o nosso compromisso de discípulos, acreditando que hoje Deus se vale de nós, que é a nós que Ele confia a riqueza do seu Coração, que confia a força transformadora que só Ele pode conceder.

É este Coração cheio de amor que hoje celebramos e que partilhamos com todos os nossos irmãos de Congregação, com toda a Família Dehoniana. Aceitemos o seu convite, acreditemos que o seu jugo é suave e a sua carga é leve, especialmente para os corações mansos e humildes que se sentem envolvidos no abraço do seu infinito amor.

P. José Agostinho F. Sousa