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No dia 27 de outubro de 2019, o Instituto Missionário Sagrado Coração voltou a acolher um daqueles dias de encontro, celebração, convívio e partilha que marcaram tantos dias da sua existência ao serviço da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus e, por extensão, da Igreja e do mundo. Um assinalável número de antigos seminaristas desta casa (e respetivas famílias, em muitos casos) reuniu-se para celebrar a vida que ali partilharam em determinada (e determinante) fase das suas biografias. Aos que ali passaram como seminaristas reuniram-se alguns dos que foram mentores e guias do seu caminho: os formadores e religiosos e os professores.

O dia iniciou com a partilha da mesa em torno de Cristo, com a celebração da eucaristia dominical na emblemática Capela Grande, prosseguindo com a partilha da outra mesa, igualmente fraterna, em torno do outro pão e do outro vinho que também alimentam as relações. Não faltaram os momentos de evocação de canções de outros tempos que, não apenas guardadas na memória mas nela vivendo, continuam a dar cor ao nosso imaginário. Após o almoço, o espaço do convívio deslocou-se para aquele campo onde tantas partidas de futebol tiveram lugar; era tempo para mais uma, ainda que realizada agora sob especiais cuidados, em razão da muita ferrugem acumulada nas articulações. Não houve feridos (graves, pelo menos) a registar, mesmo se os dias seguintes foram fazendo ecoar os gemidos dos atletas! O programa continuaria com o lanche e haveria de concluir com o canto de vésperas. Aos poucos, iam acontecendo as despedidas, permeadas de palavras de alegria e de promessa: a alegria do encontro e a promessa do reencontro. Promessa a cumprir mais amiúde, sem a menor dúvida!

Volvida já mais de uma semana, será certo que as poeiras que nesse dia levantámos já assentaram. As poeiras que voltámos a levantar, tantos anos passados desde a passagem por aquela casa. Sim, não obstante a vida que lá permaneceu, feita de rostos e ações diferentes, de horizontes de missão renovados, porque construídos sobre papéis novos e distintos ainda que sob a mesma matriz carismática, o pó e o levantar do pó não eram os mesmos desde que o último grupo de seminaristas foi o sangue daquele corpo. Neste dia 27 de outubro, em que muitos dos que ali viveram e cresceram se reuniram para celebrar a amizade, a vida partilhada, o desabrochar de frutos e futuros que o caminho no Instituto Missionário fecundou, as poeiras voltaram a ser desinquietadas como há anos atrás: foram pés de homens que ali despontaram e cresceram os que as levantaram, como quando, muito jovens ainda, se deitavam naquelas camas, percorriam aqueles corredores, ocupavam aquelas cadeiras e aqueles bancos, pisavam a correr as areias daquele campo. O dia foi de (re)encontro e de convívio, possibilitou matar muitas saudades e, porventura, avivar o fogo que as motiva – porque reencontrar aqueles com quem se partilhou tanto fomenta as saudades-a-vir tanto quanto acalma as que de trás vinham –, criou espaço para olhar o passado com gratidão e o futuro com esperança. Àquela casa dirigimos um olhar carinhoso e grato. Vemos as muitas tesselas que constituem o mosaico que cada um de nós é, reconhecendo que muitas delas, certamente das mais belas, foram desenhadas e dispostas naquela oficina e com ajuda desses mestres-artesãos – formadores, religiosos, professores – que potenciaram a singularidade das obras que somos. Vemos, pois, muito especialmente, aqueles que lhe deram vida e nela nos ajudaram a crescer: os colegas com quem crescemos como irmãos, os formadores que caminharam connosco, os professores que em nós enxertaram saberes e sabedoria. Por outro lado, mas com o mesmo carinho e a mesma gratidão, dirigimos àquela casa um olhar esperançado e confiante. É outra a missão que lhe está destinada, como outros são os que lhe darão vida. Permanecem, contudo, dois traços a que não podemos ficar indiferentes e que não podem deixar de alimentar esse horizonte de esperança: esta casa continuará a ter vida; e a vida desta casa passará por uma dimensão tão cara ao P. Dehon que não pode ser-nos menos querida – a dimensão social e do cuidado –, num tempo tão dela carente. Que os frutos dessa nova vida sejam tão belos quanto os gerados até aqui!

Num apontamento final: os que passámos este significativo dia no Instituto Missionário – em cujo nome ouso falar – deixamos um especial agradecimento ao P. Fernando Fonseca e a toda a comunidade pelo acolhimento generoso que nos ofereceram. Nesta palavra condensamos o agradecimento aos Dehonianos por tanto bem semeado!

André Pereira

 

Um Reencontro De Vidas Partilhadas No Instituto Missionário Sagrado Coração

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