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No dia 28 de Julho partimos de coração apertado mas com muita alegria neste projeto de Angola. Era nossa intenção estar e ser junto do povo do Angola. 

Chegados a Angola, assustou-nos encontrar uma realidade que até para nós era difícil de descrever…

Fomos muito bem acolhidos pela comunidade dehoniana de Viana (Luanda) e pelos seminaristas. Tivemos a possibilidade de ficar nesta comunidade dois dias. Conhecemos as comunidades de fé locais, podemos fazer uma experiência de fé junto das comunidades que com a sua alegria contagiante nos ensinavam de forma simples que Deus verdadeiramente se torna próximo. Visitámos os santuários de S. José do Calumbo e da Mamã Muxima, que no meio da natureza nos inspiravam e davam um toque africano lindíssimo. Muitas seriam as histórias para contar, dariam um livro…

Dois dias depois viajámos para Luena, onde alguns de nós iríamos desenvolver o nosso projeto, nomeadamente: o Eduardo a Carolina e a Carina. As restantes voluntárias: Camila, Inês, Cláudia e Isabel teriam de aguardar mais dois dias pela chegada dos padres David e Igor que viriam a fazer 1350km de carro e só depois tomariam o caminho em direcção ao Luau, a 360 km da missão do Luena.

Missão do Luena

Foi a partir do dia 03 de Agosto que começámos a pôr em prática os projectos que levámos delineados para executar naquela missão. O acolhimento, a forma como todas aquelas pessoas e a comunidade religiosa nos trataram e todos os gestos de carinho que tiveram para connosco, fizeram com que desde o primeiro minuto nos sentíssemos verdadeiramente em casa.

Quem em Portugal pensaria numa sala juntar mais de 50 alunos para uma aula de alfabetização? Pois arriscaríamos a dizer que ninguém, mas a Carina e a Carolina fizeram-no e, não só uma vez, mas sim ao longo das três semanas em que as suas aulas decorreram, chegando a ter 117 alunos. E se nos perguntarem se é possível ensinar assim a tanta gente, a resposta é sim, pois a força de vontade daquelas crianças em aprender é tão grande, que todas aquelas coisas a que nós chamamos dificuldades para ensinar, para eles não existem.

Já o Eduardo interveio junto de jovens já com uma idade mais avançada, o mais novo tinha 12 anos. Na primeira semana esteve a trabalhar nas noções básicas de Inglês. Os alunos eram extremamente esforçados e a sua enorme vontade de querer aprender a falar Inglês tornou a formação mais dinâmica. Nas restantes duas semanas, trabalhou com um grupo de jovens da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Luena, eram cerca de 23 adolescentes mais os 7 seminaristas. Essa formação foi sobre a Liderança Cristã.

O Pe. Igor deu formação musical a alguns jovens da Paróquia e também aos seminaristas daquela comunidade. O entusiasmo deles foi tanto, que todos os dias nos seus tempos livres eles agarravam na guitarra e lá iam treinar.

Contámos ainda com a ajuda do Valter, um jovem Angolano que concluiu os seus estudos recentemente em Portugal e uma vez de férias decidiu juntar-se ao projeto. Foi dando uma mãozinha a cada um de nós. O facto de ele também ser Angolano, ajudou-nos a encontrar formas de motivar ainda mais os jovens e por vezes, até adaptando alguns expressões a alguns dialectos locais.

Partimos de Luena de coração cheio e certos de que as aprendizagens que trazemos são certamente maiores do que os ensinamentos que deixámos. A saudade e a vontade de regressar acompanha-nos e se nos dessem a hipótese de voltarmos novamente todos a Luena, não hesitaríamos em dizer que SIM!

Um agradecimento muito especial ao Pe. Amaro, ao Pe. Jorge, ao Diácono Bartolomeu, à “mama Dorca” (funcionária) a todos os seminaristas e a toda a comunidade local que tão bem nos recebeu e tratou!” (Eduardo – Carolina – Carina – Pe. Igor)

Missão no Luau

Os voluntários da missão de Luau: Cláudia, Camila, Inês e Isabel acompanhadas pelo padre David Mieiro, chegaram ao Luau no dia 5 de Agosto. Fomos acolhidos pelos padres Joaquim e Jardim com muito entusiasmo e alegria.

O projeto que desenvolvemos esteve dividido em cinco áreas: aulas de informática; atividades extracurriculares; formação de professores; encontro com os jovens e com os escuteiros. Sendo que as áreas que tiveram uma maior intervenção foram as aulas de informática e a formação de professores, que chegavam a ter uma centena de participantes. Era entusiasmante sentir o interesse de todos por aprender e partilhar. Sentíamo-nos por vezes como uma formiga no meio do deserto, uma vez que, aquilo que transmitíamos era ínfimo com aquilo que aprendíamos por vezes só num sorriso… Marca-nos deste projecto os ensinamentos que levamos para as nossas vidas. Os bens materiais por vezes por nós tidos como indispensáveis, lá não existem e não é por isso que falta a alegria.

Deixa-nos felizes saber que as aulas de informática após o nosso regresso a Portugal terão continuidade.

Aos fins-de-semana visitávamos as comunidades de fé. Mesmo sem condições como estamos habituados a ver e a ter, um edifício com paredes… energia… lá, era chapa e por vezes colmo! Mas, aquela gente estava reunida e motivada porque acreditava que Deus estava lá entre eles como comunidade orante, sendo um grande ensinamento para nós. Era motivante ver a alegria dos cânticos e como celebravam a fé!

Fica um agradecimento à comunidade do Luau e a todos aqueles que nos ajudaram a crescer em Angola. (Cláudia – Camila –Inês – Isabel – Pe. David).

David Mieiro

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