Um dia de descanso… visita dos superiores provinciais | 25/02 – 16/03 | 2010

01 | março | segunda-feira

Um dia de descanso…

OHoje o dia foi de descanso. É verdade que começou cedo, às 06h30, com a celebração da missa, mas depois, durante o dia, não houve muito a fazer. A missa devia ser presidida por D. Tirso, mas bispo teve sair naquele momento para o aeroporto a fim de seguir para Luanda onde vai participar na Conferência Episcopal. Desta vez o avião fora pontual… Presidiu, então, o Pe. Madella, já conhecido por estas bandas. Os onze seminaristas que vivem aqui numa casa anexa ao paço também participaram. São jovens que fazem acertos curriculares antes de entrarem no seminário diocesano.
Tomado o pequeno almoço, a manhã ficou livre. Quem quis ficou em casa a ler e a descansar ou metido nos seus trabalhos. Outros passearam pela cidade. O Pe. Joaquim e o Ir. David foram comprar mantimentos para a viagem de amanhã que deve demorar mais de 10 horas…

Após o almoço – com direito a champanhe e parabéns porque a Émilie, arquitecta voluntária da Bélgica, faz hoje anos – descansamos um pedacinho e depois metemo-nos no jeep para fazer um giro pela cidade. Contrariamente a outros dias, hoje o calor era sufocante. Fomos a um extremo da cidade visitar o escola das Irmãs Salesianas. É uma escola muito grande, com 1.300 alunos, desde a primária até ao 13º ano. Os edifícios estão muito bem concebidos e funcionalmente espalhados pelo terreno. De manhã a escola acolhe os alunos mais pequenos. De tarde é para os restantes, inclusive os adultos, que são sobretudo mulheres. Os homens parece que já sabem tudo!!!

Já na conclusão da visita, sob um sol abrasador, a irmã que nos guiou ofereceu-nos um copo de água. Estávamos na sala em amena cavaqueira, quando, de repente, começou a chover abundantemente. Bastaram uns 15 minutos de chuva e logo o ar se tornou mais agradável e fresco. Depois voltou o sol que nos acompanhou até ao fim do dia. É assim o clima africano!

Dali o Pe. Joaquim levou-nos a visitar uma das várias ravinas que cercam e comem a cidade.
Já vos disse que esta cidade está edificada no cimo de um extenso planalto. Nos vales passam os rios. A guerra fez com que enormes extensões de floresta fossem dizimadas para cozinhar, fazer carvão, etc… Floresta próxima da cidade praticamente não existe o que torna os terrenos menos permeáveis à água. Esta região tem outra particularidade: não existe rochedos nem pedras na terra. O solo é apenas constituído por um terreno semi-arenoso. Conhecedores desta situação, os portugueses de outros tempos tinham construído um sistema de drenagem das águas pluviais que nunca mais teve manutenção. Ora todo este conjunto de coisas está a contribuir para a tragédia: quando as chuvas são abundantes e persistentes, formam-se cursos de água que arrastam consigo a terra, abrindo enormes crateras que vão avançando em direcção à cidade. Muitas construções já foram engolidas neste processo de desgaste natural. Em cada época das chuvas as ravinas avançam e tomam conta da cidade. Se nada for feito nos próximos anos, Luena corre o risco de desaparecer. A solução passa pela reflorestação e pela manutenção e criação de novos canais de escoamento das águas.
Visitámos uma destas impressionantes ravinas…

» Zeferino Policarpo, scj