Um fim-de-semana a "aprender-se"…

Conhecermo-nos a nós próprios, e, conhecendo-nos, conhecer melhor os outros que connosco vivem é, hoje mais do que nunca, uma tarefa muito proveitosa, mesmo indispensável.
Embora não seja possível “aprender-se” de um dia para o outro, porque (“aprender-se” é um desafio para toda a vida) há momentos em que é bom parar e, com mais ou menos brincadeira, com mais ou menos silêncio, pensar, ou começar a pensar, a sério no assunto.
Foi isso que fez, este fim-de-semana, o grupo de seminaristas do secundário do Colégio Missionário – começar a “aprender-se”.
Tendo como inspiração de fundo a máxima de Santo Agostinho “Conhece-te! Aceita-te! Supera-te!”, os sete seminaristas acompanhados pelo Pe. António Loureiro (orientador disciplinar) e por mim (Clérigo Emanuel Pinto) partiram na sexta-feira para uma antiga escola da Eira do Mourão, onde foram acantonar para reflectir e conviver durante o fim-de-semana.
As peripécias começaram desde logo, ainda na viagem. Porque a estrada principal estava fechada devido a um acidente, desviamo-nos por um atalho indicado por alguns habitantes locais. O atalho, contudo, era um desses caminhos rurais típicos da Madeira: estreito, cheio de curvas e muito íngreme. Em situações normais a nossa gasta carrinha teria conseguido subi-lo, mas, percorridos uns 500 metros de ladeira, o peso da tralha que levávamos connosco obrigou-nos a parar a meio da subida e a, depois de conseguirmos chegar a um difícil acordo com os condutores que seguiam atrás de nós, voltar para trás. Uns de carro, outros a pé.
Chegados à Eira do Mourão, arrumámos a casa, conforme as nossas necessidades, e lançámos mão ao trabalho que nos tinha trazido ali. O Pe. António Loureiro fez uma breve introdução ao horário e ao tema que vínhamos reflectir. Depois dividimos o grupo em dois e fomos reflectir sobre isso que seja conhecer-se.
Depois do jantar, em que tivemos também a agradável companhia do Pe. Juan Noite, vimos o filme “Man about Town”, cujas primeiras palavras são, exactamente: “Who are you?”, que aproveitamos para recomendar. Seguiu-se um chazinho a que chamámos KaFé, por ter servido tanto para matar o bichinho da fome, como para conversar descontraidamente sobre a relação entre o filme, o tema e a fé.
No sábado, os seminaristas, sozinhos, responsabilizaram-se pela alvorada, que tocou às 8.30h, pela oração da manhã e pelo pequeno-almoço. Por volta das 10.00h, preparado o farnel e os demais acessórios necessários, fomos “fazer uma levada”, que, em bom madeirense, significa passear ao longo das tão características Levadas da ilha. Fomos desde a Eira do Mourão até à Central Hidroeléctrica da Serra de Água. Foram 10 quilómetros (3,5 dos quais em túnel) e 4 horas de pura aventura sempre à beira de ravinas, castanheiros e penhascos.
A seguir ao almoço, fomos animar a Eucaristia da Paróquia de São Paulo, que está entregue aos dehonianos da comunidade da Ribeira Brava. Apresentámo-nos a nós e ao Seminário e aproveitámos para fazer vender algumas rifas e para fazer entrevistas relacionadas com o tema do fim-de-semana.
Voltados à escola, preparámos o jantar (arroz com bifinhos de peru em nata) e jantámos. Jogámos à bola, trabalhámos mais um bocadinho e, depois, jogamos “Party and Company” pela noite dentro até que o corpo, cansado da caminhada, exigisse que fôssemos para a cama.
No domingo, fomos a outra paróquia dehoniana da Ribeira Brava, a Serra de Água, onde também animámos a Eucaristia e apresentámos o Seminário. Seguidamente fomos tratar da espetada para o almoço, de novo na Eira do Mourão.
Terminado o almoço, lançámo-nos diligentemente na tarefa de empacotar as nossas coisas e limpar a casa gentilmente cedida pela Câmara Municipal da Ribeira Brava. A seguir, demos um saltinho a São Vicente, onde visitámos as grutas vulcânicas que lá existem e o recém-estreado centro de vulcanologia adjacente.
Por fim, voltámos para o Seminário, ainda a tempo da oração da tarde com toda a Comunidade. Das breves palavras com que o Pe. António Loureiro e os seminaristas contaram aos outros seminaristas e padres o que estivéramos a fazer, destaco duas ideias: “o tema da actividade é para continuar a trabalhar”; e “foi muito bom”…

» Emanuel Vítor, scj