Luau, 15 de Agosto de 2005
É com uma certa nostalgia que sinto este dia passar entre a rotina do pó destes dias de estio de Agosto a que aqui as gentes chamam cacimbo. Também nós, por habituação e falta de referências, nos deixámos levar pela rotina e marcámos um grande trabalho comunitário para hoje. O tecto da igreja ameaça iminente ruína e é inadiável fazer alguma coisa. Falei do assunto aos catequistas responsáveis ontem, domingo, e hoje, segunda feira, pelas 7h00 já tinha uma equipa de 15 homens voluntários à porta para começar os trabalhos. Só depois me ocorreria que na nossa terra este era um dia santo para guardar! Mas afinal a causa justificava bem o envolvimento de todos. Quem nos dera poder para o próximo ano estar livres de urgências destas para que também aqui possamos promover a festa de Nossa Senhora da Assunção não já então com trabalhos árduos como aquele que nos tocou hoje, mas sim com a alegria de uma festa como merece Nossa Senhora do Monte ou um qualquer dos muitos nomes populares que Ela toma neste dia na terra que tanto A quer!
Voltando ao que nos ocupou hoje, ainda bem que o decidimos fazer. O que fomos encontrar, só um verdadeiro milagre pode tornar possível! As hercúleas traves de madeira que habilidosas mãos construíram há algumas décadas estão totalmente desfeitas pelas formigas e pela humidade a que estes últimos trinta anos de abandono a sujeitou. É verdade, só por milagre aquilo se mantém de pé! Como somos uns missionários a começar o nosso trabalho no Luau, ainda não temos projecto e muito menos orçamento e financiamento para estas obras. Foi assim que nasceu a ideia do voluntariado e que resultou em pleno. Mas é preciso que se saiba que esta gente veio trabalhar às 7h00 em jejum e assim ficou até se lhes dar um parco almoço de funge (farinha de mandioca) e peixe seco com verduras. Isto é, esta gente recém regressada do vizinho Congo, onde se refugiaram, ainda passam fome e por isso também se não poderá contar muito com a sua colaboração para a reconstrução da igreja, para além daquilo que possa ser a oferta do seu trabalho. Mas muitos outros meios serão necessários: motosserra para cortar e preparar as madeiras (não existem serragens!…), cimento, ferro, ferragens, um mínimo de salário para quem trabalhar diariamente, serão meios que a solidariedade inspirada na caridade há-de conseguir. E se encontrássemos um mestre voluntário capaz de armar de novo esta igreja, que bom seria! Será esta uma graça que nos há-de conceder Nossa Senhora da Assunção?
| Jorge Alves, scj |