25º Domingo do Tempo Comum - Ano A [atualizado]

20 de Setembro, 2026

ANO A
25.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 25.º Domingo do Tempo Comum

As leituras que a liturgia nos convida a escutar no vigésimo quinto Domingo do Tempo Comum falam-nos da diferença entre o pensamento de Deus e o nosso, os critérios de Deus e os nossos, a lógica de Deus e as mesquinhas lógicas humanas; e convidam-nos a uma “conversão”, a uma transformação do coração e da mente que nos leve a ver o mundo e a vida com os olhos de Deus.

Na primeira leitura um profeta do séc. VI a.C. desafia o povo de Deus, exilado na Babilónia, a converter-se, a deixar os caminhos sem saída por onde tem andado e a regressar a Deus. A conversão exige uma transformação radical do coração, uma mudança de mentalidade e de atitude, uma decisão firme de abraçar novamente as indicações de Deus. Ao fazer essa “inversão de marcha”, Judá deverá confiar na bondade e na misericórdia desse Deus que está sempre de braços abertos à espera dos seus filhos.
No Evangelho Jesus apresenta Deus como um mistério de bondade insondável, que baralha todos os nossos cálculos humanos e que denuncia as nossas lógicas estreitas. Diz-nos que Deus não fica preso aos nossos critérios de justiça estrita, pois o Seu coração age por amor. É o amor que leva Deus a ser escandalosamente bom e a derramar sobre os seus queridos filhos, de forma incondicional e gratuita, a sua graça e a sua misericórdia.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de um cristão (Paulo de Tarso) que, depois de se encontrar com Cristo, fez de Cristo a “pedra angular” da sua vida. Colocou em lugar secundário os seus projetos pessoais, os seus interesses particulares, as lógicas que até então tinham alimentado as suas decisões, e passou a viver centrado em Cristo. Aos seus irmãos de todos os tempos e lugares, Paulo pede: “procurai viver de maneira digna do Evangelho de Cristo”.

LEITURA I – Isaías 55,6-9

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar,
invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho
e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele,
ao nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –.
Tanto quanto o céu está acima da terra,
assim os meus caminhos estão acima dos vossos
e acima dos vossos estão os meus pensamentos.

CONTEXTO

O autor dos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías é um profeta anónimo, possivelmente da escola de Isaías. Os biblistas conhecem-no pela designação de “Deutero-Isaías”. Sobre a sua vida quase nada sabemos, a não ser que exerceu a sua missão profética entre os exilados judeus na Babilónia, provavelmente entre 550 e 538 a.C., na fase final do Exílio. Foi-lhe confiada a missão de consolar os exilados, desiludidos porque o Exílio se prolongava no tempo e Deus parecia ter-se esquecido do Seu povo. Os capítulos que recolhem a mensagem do Deutero-Isaías chamam-se, por isso, “Livro da Consolação”.
Na segunda parte do “Livro da Consolação” (cf. Is 49-55), o Deutero-Isaías fala repetidamente de Jerusalém, a cidade destruída pelos babilónios em 586 a.C. e que os exilados não conseguiam esquecer (cf. Sl 137). Durante muitos anos reduzida a um montão de pedras calcinadas, “vestida” de viúva, abandonada por todos, a cidade prepara-se agora para viver uma nova era, para retomar as suas vestes de festa e para acolher os seus filhos que vão regressar em triunfo (cf. Is 54,1-17). Deus – esse Deus que vai libertar os exilados e trazê-los de volta a Jerusalém – vai convidar o Seu povo para um banquete esplêndido, vai oferecer-lhe, de forma totalmente gratuita, trigo, vinho, pratos deliciosos (cf. Is 33,1-2); e há de celebrar com Judá uma Aliança eterna (cf. Is 55,3). O povo tem, no entanto, que se preparar para esse tempo novo que está a chegar e para esses dons que Deus lhe vai proporcionar.
O tempo do Exílio foi um tempo de angústia e de sofrimento, mas também um tempo de amadurecimento e de graça. Durante o cativeiro, Judá tomou consciência das suas infidelidades e descobriu que o viver longe de Deus só leva à morte e à infelicidade; por outro lado, a experiência do Exílio ajudou Judá a purificar a sua noção de Deus, da Aliança, do culto e mostrou-lhe o que significa realmente viver como Povo de Deus. O Exílio foi, por isso, uma oportunidade para o povo redescobrir Deus e a importância de recentrar novamente a sua vida em Deus.
Agora, como o tempo do Exílio prestes a terminar, vão abrir-se, para Judá, novos horizontes. Em breve os exilados vão ser libertados e poderão partir em direção à Terra Prometida. Esse “caminho”, no entanto, implicará bem mais do que uma simples deslocação geográfica; terá de ser, sobretudo, um “caminho” espiritual de reencontro com o Senhor. Deixar a terra da escravidão e voltar à terra da liberdade deve significar, para Israel, uma “conversão”, uma redescoberta dos esquemas de Deus e um esforço sério para viver na fidelidade dinâmica aos mandamentos de Javé.

MENSAGEM

Judá afastou-se de Javé e escolheu caminhos de infidelidade a Deus e à Aliança. Quis encontrar vida em caminhos onde Deus não estava, mas deu-se mal. Aonde o levou essa estúpida opção pelo orgulho e pela autossuficiência? Foi no Exílio da Babilónia que o povo percebeu o sem sentido da sua opção: afastar-se de Deus e ignorar as indicações de Deus não leva a lugar nenhum, só a becos sem saída.
Agora Judá tem de inverter a marcha da sua história e dirigir-se novamente ao encontro de Deus. Javé não abandonou Judá, não se afastou irremediavelmente do Seu povo; continua à espera, disposto a retomar a Aliança e a reescrever com o Seu povo uma história de comunhão (“procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto” – Is 55,6). A esse regresso a Deus chama-se “conversão”.
A “conversão” (“shûb” – “voltar”) exige uma transformação radical do homem, quer em termos de mentalidade, quer em termos de comportamento (“deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos” – Is 55,7a). A vida do “ímpio” e do “homem perverso” funciona numa lógica de egoísmo, de arrogância, de prepotência, de injustiça, de violência, de maldade… Ora, esses não são os valores de Deus. Os valores de Deus são o amor, a misericórdia, a bondade, o serviço, a partilha, a doação. Sendo assim, o ímpio necessita de “converter-se”, de concretizar uma inflexão do sentido da sua existência, de adquirir uma nova mentalidade, de assumir uma nova atitude, de adotar um novo sistema de valores. Só então estará alinhado com Deus e poderá dar um sentido novo à sua vida e à sua história. É esse caminho de “conversão” que Judá é convidado a percorrer.
Deus, pelo Seu lado, estará sempre à espera dos Seus filhos. Desde que Judá perceba o sem sentido das suas opções erradas e se disponha a “voltar”, Deus acolhê-lo-á com compaixão e perdoará todas as suas faltas (“converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar” – Is 55,7b). A misericórdia de Deus é infinita, o amor de Deus será sempre muito mais forte do que a sua ira.
De acordo com a lógica dos homens, parece estranho que Deus nunca desista do Seu povo e esteja sempre disposto a acolhê-lo novamente. Deus não perde a paciência e não se cansa das infidelidades de Judá? O profeta põe o próprio Deus a dar a resposta: “os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos” (Is 55,8-9). É verdade: a lógica de Deus ultrapassa infinitamente as nossas enviesadas lógicas humanas; Deus não fica preso às nossas mesquinhices, nem se perde nos nossos caminhos rasteiros; Deus olha para o mundo e para os homens a partir do Seu amor, de um amor que ultrapassa infinitamente tudo o que conseguimos compreender. Por isso, Deus tem uma perspetiva do mundo, da vida e dos homens que é infinitamente maior, mais sábia e mais perfeita do que a nossa; por isso Deus nunca deixará de acolher com amor os seus queridos filhos.

INTERPELAÇÕES

• A cultura pós-moderna decidiu prescindir de Deus e incentivou o homem a “matar” Deus. Decretou que o homem é o único senhor do seu destino; que, só se afastando de Deus, o ser humano poderá potencializar todas as suas capacidades, sentir-se verdadeiramente livre e realizado. No entanto, sem Deus como referência, o homem viu-se prisioneiro dos seus limites e da sua fragilidade. Descobriu-se vulnerável e percebeu que a autossuficiência é capaz de arrastá-lo para caminhos sem saída. O orgulho, a vaidade, a arrogância, o consumismo, a efemeridade, a solidão, o medo, são alguns dos “frutos” desse caminho de autossuficiência que o homem quis escolher. O divórcio entre Deus e os humanos será, agora, uma realidade irreversível? Estaremos condenados a procurar o sentido da nossa vida em caminhos equívocos, que não levam a lado nenhum? Um profeta de Judá, o Deutero-Isaías, propõe-nos uma solução simples: reconhecer que nos enganamos, “voltar para trás”, regressar a Deus. Chama-se a isto, na linguagem cristã, “conversão”. Deus não “queima pontes”, Deus não corta relações connosco… Deus está sempre à nossa espera, disponível para nos acolher e para escrever connosco uma história de comunhão e de amor. Estamos dispostos a abandonar os caminhos de egoísmo e de autossuficiência que temos trilhado e a voltar para Deus? Estamos dispostos a confiar novamente em Deus, a acolher as suas indicações, a colocar outra vez Deus no centro da nossa vida?

• Deus diz ao seu povo, através do Deutero-Isaías: “os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos”. Na verdade, é esse o nosso grande drama: os nossos esquemas mentais, a nossa forma de olhar o mundo, a nossa atitude para com aqueles que caminham ao nosso lado, até mesmo a nossa maneira de nos relacionamos com Deus, estão frequentemente marcadas pelos nossos interesses mesquinhos, pelas nossas visões distorcidas, pelos nossos preconceitos insuperáveis, pelos nossos ódios de estimação, pelas exigências do nosso egoísmo e da nossa vaidade. Necessitamos de limpar o nosso coração e de nos convertermos à lógica de Deus; precisamos de começar a olhar o mundo e os homens com os olhos de Deus; necessitamos de pensar a nossa vida e as nossas relações tendo por base os valores que Deus nos propõe. Estamos dispostos a fazer essa mudança, essa “conversão”? O que é que temos de mudar na nossa vida para que isso aconteça?

• A “conversão” é um processo nunca acabado. É uma opção que é preciso renovar a todos os instantes, em cada passo do caminho. Por isso, o crente honesto resiste à tentação de se deixar apanhar na armadilha das certezas definitivas ou das conquistas absolutas. Esforça-se, em contrapartida, por viver cada dia em fidelidade dinâmica a Deus e às suas propostas. Procura descobrir todos os dias, no diálogo pessoal com Deus, quais os caminhos que Deus propõe; procura compreender a cada passo, a partir da relação próxima que mantém com Deus, o que é que Deus pensa, o que é que Deus quer; procura estar disponível, a cada momento, para entender e acolher os desafios sempre novos de Deus. Vivemos acomodados numa bolha de conforto sem exigências, ou deixamo-nos questionar a cada passo pelas “provocações” que Deus nos lança no sentido de construirmos uma vida mais autêntica, mais coerente, mais plena?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)

Refrão: O Senhor está perto de quantos O invocam.

Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

O Senhor e justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.

LEITURA II – Filipenses 1,20c-24.27a

Irmãos:
Cristo será glorificado no meu corpo,
quer eu viva quer eu morra.
Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro.
Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho,
não sei o que escolher.
Sinto-me constrangido por este dilema:
desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor;
mas é mais necessário para vós
que eu permaneça neste corpo mortal.
Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.

CONTEXTO

Filipos, cidade situada na Macedónia oriental, era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava, por isso, dos mesmos privilégios das cidades de Itália e os seus habitantes tinham cidadania romana.
Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem missionária, acompanhado de Silvano, Timóteo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua pregação nasceu a primeira comunidade cristã em solo europeu.
A comunidade cristã de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusalém – cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos cristãos de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apreço. Apesar de tudo, a comunidade cristã de Filipos não era perfeita: os altivos patrícios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.
Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na prisão (não sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em Éfeso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover às suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupação dos filipenses com a sua pessoa (cf. Flp 4,10-20); exorta-os a manterem-se fiéis ao Evangelho de Jesus e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (“tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus” – Flp 2,5).
O texto que a segunda leitura deste domingo nos propõe faz parte de uma perícope (cf. Flp 1,12-26) onde Paulo fala aos cristãos de Filipos da forma como vê a sua situação, enquanto prisioneiro por causa do Evangelho.

MENSAGEM

À primeira vista poderia parecer que a prisão inesperada de Paulo iria trazer prejuízos consideráveis à causa do Evangelho. Na realidade, não foi assim (cf. Flp 1,12). Pelo contrário: os pagãos que circulavam pelo “pretório” da cidade, ao verem a paciência do prisioneiro Paulo e o testemunho que ele dava, começaram a interessar-se por Jesus e pelo Evangelho (cf. Flp 1,13); os “irmãos” da comunidade cristã, por sua vez, quando souberam da prisão de Paulo, ganharam um novo alento e dispuseram-se a dar testemunho da sua fé na cidade (cf. Flp 1,14); e até mesmo alguns “irmãos” ambiciosos, que sentiam inveja de Paulo e pretendiam ocupar o lugar do apóstolo, tentaram realizar esse desígnio lançando-se no anúncio Evangelho (cf. Flp 1,15). Tudo somado, a prisão de Paulo foi uma enorme bênção, um “acidente” favorável, que beneficiou a difusão do Evangelho e o projeto salvador de Deus. Ora, isso é algo que alegra enormemente o coração do apóstolo (cf. Flp 1,18).
Paulo está na prisão, e não sabe como é que aquele “incidente” irá terminar; mas não está preocupado consigo: nem com o que lhe vai acontecer, nem com os seus interesses particulares, nem com o facto de o seu lugar poder ser ocupado por outros. Só está preocupado com Cristo, com o engrandecimento de Cristo, com a difusão do projeto de Cristo por todos os cantos da terra. Para Paulo, só Cristo interessa, só Cristo é absoluto.
Talvez o mais impressionante, no comovente testemunho do prisioneiro Paulo, seja a centralidade que Cristo assume na sua vida. Paulo vive para Cristo e toda a sua vida se constrói à volta de Cristo; para Paulo, só Cristo conta, só Cristo importa, só Cristo é decisivo. Essa centralidade de Cristo na vida do apóstolo ecoa, de uma forma muito bela na conhecida frase (que, aliás, está escrita no seu túmulo, em Roma): “para mim, viver é Cristo e morrer é lucro” (Flp 1,21). Se Deus quiser deixá-lo mais alguns anos na terra, Paulo continuará a viver para Cristo e a construir a sua vida à volta de Cristo (cf. Flp 1,22); mas se Deus quiser levá-lo deste mundo, Paulo também ficará muito feliz, pois irá encontrar-se definitivamente com Cristo e viver em comunhão plena com Cristo (cf. Flp 1,23). Para já, Paulo acha que Cristo pretende que ele fique mais algum tempo na terra, a fim de apoiar os seus irmãos no exigente caminho da fé (cf. Flp 1,25). Mas Paulo está disponível para tudo o que Deus dispuser; e, aconteça o que acontecer, Cristo continuará sempre no centro da sua vida.
A reflexão de Paulo termina com um apelo aos filipenses: “procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo” (Flp 1,27a). É verdade que a vida oferece aos cristãos de Filipos um sem número de sugestões e de propostas cativantes; mas quem encontrou Cristo encontrou o tesouro mais valioso, pelo qual vale a pena deixar tudo o resto. Paulo deseja que os seus queridos “filhos” de Filipos estejam conscientes disso e façam a opção certa: a opção por Cristo.

INTERPELAÇÕES

• Paulo, fariseu convicto durante a sua juventude, não conheceu Jesus Cristo quando Ele andava pelos caminhos da Galileia e da Judeia a pregar o Reino de Deus. Encontrou-O mais tarde, quando ia a caminho de Damasco, encarregado pelo Sinédrio de prender os cristãos dessa cidade. Contudo, esse encontro na estrada de Damasco revelou-se decisivo: a partir desse instante, a vida do fariseu Paulo mudou radicalmente. Cristo passou a estar no centro da sua existência, a ser a referência absoluta da sua vida, a condicionar todas as suas decisões, a ser a razão de todos os seus passos. Paulo passou a viver de Cristo, em Cristo e para Cristo. Ora, o exemplo de Paulo constitui, para todos nós, uma poderosa interpelação… Também nós, certo dia, nos encontrámos com Cristo e aceitamos segui-l’O; também nós nos comprometemos, a certa altura, a fazer de Cristo a nossa referência… Como é que temos vivido o nosso compromisso com Cristo? Cristo tem sido a “pedra angular”, a referência fundamental à volta da qual estamos a edificar o edifício da nossa existência? Na hora das pequenas e grandes decisões, os valores que constam do Evangelho de Jesus têm-nos ajudado a definir o caminho que nos propomos percorrer?

• A prisão de Paulo poderá ter parecido, à primeira vista, um acontecimento doloroso, um incidente que iria ferir irremediavelmente a causa do Evangelho. Contudo, acabou por ser uma oportunidade para que o Evangelho de Jesus chegasse mais longe e interessasse mais gente. Paulo conseguiu perceber isso. Ele sabia que os projetos de Deus são insondáveis e ultrapassam todas as lógicas dos homens; ele estava consciente de que Deus “escreve direito por linhas tortas”, tira o bem do mal, serve-se de “acidentes” que nos parecem negativos para concretizar o seu projeto de salvação. E nós, conseguimos olhar para os incidentes da vida e da história com os olhos de quem confia em Deus, na sua bondade, no seu amor? Conseguimos admitir que, por detrás de certos acontecimentos que nos parecem desprovidos de sentido, está a ação misteriosa de Deus a gerar novas oportunidades e a apontar-nos o caminho que conduz a uma vida nova?

• No testemunho que deixa aos filipenses, Paulo mostra-se um homem absolutamente livre, que não teme nada, nem sequer a morte. A sua confiança em Deus permite-lhe encarar a morte, não como o mais terrível e assustador de todos os males, mas como a possibilidade do encontro definitivo e pleno com Cristo. Dessa forma, Paulo pode entregar-se tranquilamente ao exercício do seu ministério, sem deixar que o medo trave o seu empenho e o seu testemunho. Também nisto há uma interpelação que nos atinge e nos questiona. A atitude de Paulo lembra-nos que, para um cristão, a morte não é um ponto final na vida, mas é o momento da realização plena, do encontro com a vida definitiva, da comunhão plena com Cristo. Sendo assim, poderemos deixar que o medo da perseguição ou da morte nos impeça de sermos testemunhas de Deus e do seu projeto? Poderemos permitir que o medo nos paralise e nos impeça de colaborar com Deus na construção de um mundo mais justo e mais humano?

ALELUIA – cf. Atos 16,14b

Aleluia. Aleluia.

Abri, Senhor, os nossos corações,
para aceitarmos a palavra do vosso Filho.

EVANGELHO – Mateus 20,1-16a

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário,
que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.
Ajustou com eles um denário por dia
e mandou-os para a sua vinha.
Saiu a meio da manhã,
viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:
‘Ide vós também para a minha vinha
e dar-vos-ei o que for justo’.
E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde,
e fez o mesmo.
Saindo ao cair da tarde,
encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:
‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’
Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.
Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.
Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:
«Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário,
a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.
Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.
Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um.
Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:
‘Estes últimos trabalharam só uma hora
e deste-lhes a mesma paga que a nós,
que suportámos o peso do dia e o calor’.
Mas o proprietário respondeu a um deles:
‘Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo?
Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.
Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu?
Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’
Assim, os últimos serão os primeiros
e os primeiros serão os últimos».

CONTEXTO

Terminada a etapa da Galileia, Jesus decide pôr-se a caminho de Jerusalém (cf. Mt 19,1). Os discípulos acompanham-n’O. Jesus aproveita a “viagem” para completar a formação dos discípulos, para os instruir sobre o sentido e a lógica do Reino de Deus. Dentro de poucos dias será preso, julgado, condenado e crucificado. Os discípulos ficarão sozinhos e deverão estar preparados para dar testemunho, diante do mundo, do projeto do Reino de Deus. A “parábola dos trabalhadores da vinha” insere-se nessa longa “instrução” que Jesus, ao longo do caminho para Jerusalém, vai oferecendo aos seus discípulos.
O quadro que a parábola nos apresenta reflete bastante bem a realidade social e económica dos tempos de Jesus. Por essa altura, a Galileia estava cheia de camponeses que, por causa da pressão fiscal ou de anos contínuos de más colheitas, tinham perdido as terras que pertenciam à sua família. Para sobreviver, muitos desses camponeses sem terra alugavam a sua força de trabalho. Juntavam-se de manhã cedo na praça da cidade e esperavam que os grandes latifundiários os contratassem para trabalhar nos seus campos ou nas suas vinhas. Normalmente, cada “patrão” tinha os seus “clientes” – isto é, homens em quem confiava e a quem contratava regularmente. Naturalmente, esses trabalhadores “de confiança” recebiam um tratamento de favor. Esse tratamento de favor implicava, nomeadamente, que esses “clientes” fossem sempre os primeiros a ser contratados, a fim de que pudessem ganhar uma “jorna” completa – um denário. Um denário era o pagamento diário habitual de um trabalhador não especializado.

MENSAGEM

A parábola refere-se a um dono de uma vinha que, ao romper do dia, se dirigiu à praça da povoação e chamou os seus “clientes” para trabalhar na sua vinha, ajustando com eles o preço habitual do trabalho diário: um denário. Contudo, o volume de tarefas a realizar na vinha fez com que este patrão voltasse a sair a meio da manhã, ao meio-dia, às três da tarde, às cinco da tarde, e que trouxesse, de cada vez, novas levas de trabalhadores. Aparentemente não ajustou nada, quanto ao pagamento, com os novos trabalhadores que foi recrutando ao longo da jornada. O facto é que o trabalho decorreu sem incidentes nem queixas, até ao final do dia.
Terminada a jornada de trabalho, os assalariados foram chamados diante do senhor, a fim de receberem o pagamento que lhes era devido. Todos – quer os que só tinham trabalhado uma hora, quer os que tinham trabalhado todo o dia – receberam o mesmo: um denário. Contudo, os trabalhadores da primeira hora (os “clientes” habituais do dono da vinha) manifestaram a sua surpresa e o seu desconcerto por, desta vez, não terem recebido um tratamento “de favor”: “estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor” (Mt 20,12). A lógica dos trabalhadores da primeira hora parece fazer todo o sentido quando a questão se situa ao nível da estrita justiça.
A resposta do dono da vinha, no entanto, atira a questão para um nível diferente, para o nível da bondade: “não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?” (Mt 20,13-15). Na verdade, aquele dono da vinha cumpriu as obrigações que tinha assumido para com os seus trabalhadores; mas, por pura bondade, decidiu ir mais além. Poderá ser criticado pela sua generosidade?

A parábola contada por Jesus serviu, sem dúvida, para responder às críticas daqueles que O acusavam de estar demasiado próximo dos pecadores e marginais, os “trabalhadores da última hora”. Ao contá-la, Jesus quis dizer aos fariseus e escribas que o amor do Pai se derrama sobre todos os seus filhos, sem exceção e por igual. Para Deus, não é decisiva a hora a que se respondeu ao seu apelo; o que é decisivo é que se tenha respondido ao seu convite para trabalhar na vinha do Reino. Para Deus, não há tratamento “especial” por antiguidade, por nascimento, ou por mérito; para Deus, todos os seus filhos são iguais e merecem o seu amor incondicional.
A parábola serviu a Jesus, além disso, para denunciar a conceção que os teólogos de Israel tinham de Deus e da salvação. Para os fariseus, sobretudo, Deus era um “patrão” que pagava conforme as ações do homem. Se o homem cumprisse escrupulosamente os mandamentos e preceitos da Lei, conquistaria determinados méritos e Deus pagar-lhe-ia convenientemente. Segundo esta perspetiva, Deus não dá nada; é o homem que conquista tudo. O “deus” dos fariseus é uma espécie de contabilista, que todos os dias aponta no seu livro de registos as dívidas e os créditos do homem, que um dia faz as contas finais, vê o saldo e dá a recompensa ou aplica o castigo. Para Jesus, no entanto, Deus não é um comerciante, sempre de lápis na mão a fazer as contas dos homens para lhes pagar conforme os seus merecimentos; mas é um pai, cheio de bondade, que ama os seus filhos por igual e que derrama sobre todos, com uma generosidade sem limites, a sua bondade e a sua misericórdia. Jesus nunca se cansou de nos revelar, nas suas palavras e nos seus gestos, a grandeza do coração de Deus.

A parábola foi posteriormente proposta por Mateus à sua comunidade (provavelmente a comunidade cristã de Antioquia da Síria) para iluminar a situação concreta em que a comunidade se encontrava. A comunidade mateana era constituída por cristãos de origem judaica e cristãos de origem pagã. Alguns cristãos de origem judaica não conseguiam entender que os pagãos, chegados mais tarde e sem conexões anteriores com o “povo da Aliança”, estivessem em pé de igualdade com aqueles que tinham acolhido a proposta do Reino desde a primeira hora. Mateus entende, com esta parábola, explicar-lhes que o Reino é um dom oferecido por Deus a todos os seus filhos, sem qualquer exceção. Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora, todos são filhos amados do mesmo Pai. Na comunidade de Jesus não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento; o dom de Deus destina-se a todos, por igual.

A parábola do dono da vinha oferece-nos uma imagem muito bela de Deus e do mistério insondável de bondade que Deus é… Deus sai a todas as horas à nossa procura e convida-nos para trabalhar com Ele; trata-nos a todos por igual, independentemente dos nossos merecimentos; a sua bondade e generosidade derramam-se sobre nós por pura graça e ultrapassam todas as nossas expetativas. Deus não está preso às nossas lógicas e ao nosso rasteiro sentido de justiça. Ele está sempre muitos passos à nossa frente. A sua justiça é o amor sem limites e sem condições.

INTERPELAÇÕES

• Talvez a lógica que aquele dono da vinha assume no pagamento dos trabalhadores que contratou pareça, a muitos de nós, absurdamente antipedagógica; talvez o sentido de justiça daquele senhor que pagou o mesmo salário aos que trabalharam de sol a sol e aos que trabalharam apenas uma hora soe, a alguns de nós, como uma extravagância de um patrão senil, que já não está no pleno uso das suas faculdades mentais… Mas Jesus vê as coisas a outra luz. Ele diz, simplesmente, que a lógica daquele patrão é a lógica de quem ama, é a lógica de quem tem um coração generoso, é a lógica de quem põe a bondade acima de um sentido estrito de justiça. Ora, de acordo com Jesus, é dessa forma que Deus age com os seus filhos. Deus trata de igual forma todos os seus queridos filhos: os primeiros e os últimos, os que se portam bem e os que se portam mal, os merecedores e os não merecedores, os dignos e os indignos, os santos e os pecadores. Mas que desequilibrada justiça é essa? É, simplesmente, a justiça de quem ama. O amor escapa a todas as nossas lógicas e a todos os desenhos que fazemos para controlar a nossa vida e para evitar surpresas. Ora, Deus é amor. Ele vê-nos com os olhos do amor; Ele aproxima-se de nós com um coração cheio de amor. O que achamos de tudo isto? Seremos capazes de entender a lógica de Deus, a lógica do amor?

• Se Deus reserva um pagamento igual para todos os seus filhos, de que vale trabalhar desde a primeira hora, gastar toda a vida ao serviço de Deus e do seu projeto, cumprir escrupulosamente as indicações de Deus, privar-se dos prazeres efémeros, esforçar-se genuinamente por viver na verdade? Não será mais inteligente “gozar a vida” o mais possível, explorar todas as oportunidades que a vida nos der e deixar o compromisso com Deus para o último instante? Aqueles que se comprometem com Deus desde o primeiro momento não ficarão prejudicados face àqueles que disfrutam a vida da maneira que lhes apetece e só se aproximam de Deus depois de tudo terem experimentado? Na verdade, aqueles que só se apresentaram a Deus na última hora é que ficaram prejudicados, pois deixaram a vida passar e malbarataram as oportunidades que lhes foram oferecidas para darem sentido pleno à sua existência. Ao contrário, aqueles que se aproximaram de Deus desde o primeiro instante, tiveram a possibilidade de caminhar lado a lado com Deus, de disfrutar mais tempo dos dons de Deus, de construir uma vida repleta de sentido; e essa será a sua grande recompensa. Vistas as coisas desse ângulo, estamos disponíveis para nos aproximarmos de Deus quanto antes e para nos empenharmos na Sua vinha? Reconhecemos que o nosso envolvimento com Deus será sempre fonte de felicidade e de vida?

• Deus chama-nos a todos para trabalhar na Sua vinha. Não interessa a que hora chegamos à vinha e ao trabalho; o que é decisivo é se nos dispomos a aceitar o convite que Deus nos dirige. Na vinha de Deus, há sempre trabalho para todos. Quem fica de fora não é porque não tem trabalho, mas sim porque não quer trabalhar. Ora, isto deve questionar-nos e fazer-nos pensar… Nas nossas comunidades cristãs há muitos irmãos que se limitam a ser consumidores passivos de ritos e de práticas religiosas, mas que não estão disponíveis para assumir um papel ativo na comunidade, nem para se comprometer na transformação do mundo. Poderemos, simplesmente – por comodismo, por preguiça ou por outra razão semelhante – recusar-nos a trabalhar na vinha do Senhor? Poderemos, com a nossa “demissão”, sobrecarregar um número reduzido de irmãos com as tarefas e responsabilidades que pertencem a todos? Qual o nosso lugar, qual a nossa tarefa, qual o nosso papel na vinha do Senhor?

• De acordo com o que Jesus diz, na vinha de Deus haverá sempre lugar para todos os que quiserem trabalhar, independentemente das suas atribuladas histórias de vida, dos seus méritos morais ou pessoais, dos seus comportamentos mais ou menos desajustados, das suas opções discutíveis, das feridas e marcas que carregam, da forma como o mundo os julga e considera… Nós, os cristãos da primeira hora, que por vezes nos sentimos tentados a zelar pela “pureza” e pela santidade da Igreja, tiramos as devidas consequências do que Jesus diz? Como são vistos nas nossas comunidades cristãs os irmãos e as irmãs que chegaram mais tarde, talvez depois de andarem por caminhos pouco recomendáveis? São acolhidos como membros de pleno direito da grande família de Jesus? Comportamo-nos para com eles como “senhores da vinha” e procuramos controlá-los, impor-lhes as nossas regras, as nossas visões pessoais, a nossa forma de viver a fé?

• A parábola do senhor da vinha que paga por igual a todos os seus trabalhadores, independentemente do trabalho que fizeram, põe radicalmente em causa uma compreensão de Deus que a doutrina farisaica alimentava: a que via Deus como um contabilista sempre ocupado a registar os créditos dos homens para lhes pagar em conformidade com aquilo que produziam. Não, não somos nós que conquistamos a pulso a salvação, com as nossas ações meritórias; a salvação é um dom de Deus oferecido gratuitamente, por pura bondade, a todos os seus filhos. Isto deita por terra qualquer lógica interesseira no nosso relacionamento com Deus. O que fazemos não se destina a conquistar méritos que nos assegurem os créditos de que necessitamos para ir para o céu, para ter saúde ou para ter sorte na vida; o que fazemos é simplesmente o resultado da nossa opção por Deus, da nossa vontade de estar com Deus. É dessa forma que sentimos e vivemos a nossa experiência de fé e o nosso relacionamento com Deus? Como se encaixam, nesta lógica, os “negócios” que fazemos com Deus para que Ele nos assegure aquilo que julgamos necessitar?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 24.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 24.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. A VINHA.
Neste domingo (e nos dois próximos) temos a imagem da vinha. Embora a comparação só apareça plenamente no 27º domingo (em que a vinha significa o povo de Israel), pode ser interessante, a partir deste domingo: pôr em evidência uma cepa, quer na entrada da igreja, quer dentro da igreja (é o mês da vindima em muitas regiões); solenizar a procissão das oferendas pedindo a um jovem para levar ao altar um belo cacho de uvas…

3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Nós Te louvamos, Deus nosso Pai, porque Te deixas encontrar por aqueles que Te procuram e tens piedade daqueles que vêm até Ti. Tu estás próximo de nós, és rico em perdão e misericórdia e os teus pensamentos são tão elevados acima dos nossos.
Nós Te pedimos: que o teu Espírito nos guie, que Ele nos livre dos caminhos do mal, que Ele eleve e inspire os nossos pensamentos.

No final da segunda leitura:
Senhor Jesus Cristo, nós Te bendizemos e com o apóstolo Paulo confessamos: a nossa vida, a nossa alegria e a nossa felicidade, és Tu.
Nós Te pedimos por nós mesmos e por todas as nossas comunidades cristãs: penetra-nos com o teu Espírito, para que levemos uma vida digna do teu Evangelho e que a tua grandeza seja manifestada nas nossas vidas.

No final do Evangelho:
Deus da Aliança antiga e nova, não cessas de chamar os homens a mudar de mentalidade. Hoje, Jesus recorda-nos isso uma vez mais na parábola da última hora.
Abre os nossos olhos, as nossas mãos e os nossos corações, Senhor de infinita ternura. No respeito leal pela justiça dos homens, ensina-nos, pelo teu Espírito, a dar provas de generosidade.

4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II, que nos recorda que fomos “escolhidos para servir” (2ª leitura).

5. PALAVRA PARA O CAMINHO.
“Ide também vós para a minha Vinha!” Pobreza na nossa Igreja. Falta de vocações… Assembleias dominicais “raquíticas”… Cada vez menos crianças na catequese… Críticas… Lamentações… Deceções… “Ide também vós para a minha Vinha!” Compreendemos bem que Jesus não faz seleção e que Se dirige a todos sem exceção. Cabe-nos a nós aceitar ser “contratados”. Há trabalho para todos? Vamos para a sua Vinha?

 

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