29º Domingo do Tempo Comum - Ano A [atualizado]
18 de Outubro, 2026
Ano A
29.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 29.º Domingo do Tempo Comum
Quem é que preside à história do mundo? É Deus, ou são esses pequenos “césares” que se julgam no direito de impor aos seus irmãos os seus projetos pessoais e os seus sonhos megalómanos? As leituras que a liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum apresenta recordam-nos que Deus é o único Senhor do Universo. É n’Ele que temos de colocar a nossa esperança; é a Ele que devemos confiar a nossa vida; é para Ele que devemos caminhar; é a Sua vontade que devemos abraçar.
Na primeira leitura um profeta da época do Exílio anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que está a chegar o dia em que serão libertados do cativeiro e poderão regressar a Jerusalém. Ciro, rei dos persas, será o “Ungido de Deus” para concretizar a libertação anunciada. É Javé, o Senhor do universo, que preside à história dos homens; mas Deus concretiza os seus planos através de pessoas que escolhe e que envia para atuar em Seu nome no mundo e na história.
No Evangelho Jesus é questionado pelos discípulos dos fariseus e pelos partidários de Herodes Antipas sobre o pagamento do imposto devido ao imperador de Roma. Jesus aproveita para recordar-lhes que, bem mais do que “devolver a César o que pertence a César”, é importante “devolver a Deus aquilo que pertence a Deus”. Para Jesus, Deus tem de ser a nossa prioridade; os interesses de Deus, os projetos de Deus, as indicações de Deus têm de estar na primeira linha das nossas preocupações.
Na segunda leitura o apóstolo Paulo traz-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus. Eleita por Deus para ser Sua testemunha no mundo, vive ancorada numa fé ativa, numa caridade operante e numa esperança inabalável.
LEITURA I – Isaías 45,1.4-6
Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido,
a quem tomou pela mão direita,
para subjugar diante dele as nações
e fazer cair as armas da cintura dos reis,
para abrir as portas à sua frente,
sem que nenhuma lhe seja fechada:
«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito,
Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso,
quando ainda não Me conhecias.
Eu sou o Senhor e não há outro;
fora de Mim não há Deus.
Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias,
para que se saiba, do Oriente ao Ocidente,
que fora de Mim não há outro.
Eu sou o Senhor e mais ninguém».
CONTEXTO
O texto da primeira leitura deste domingo pertence ao “Livro da Consolação”, do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55). “Deutero-Isaías” é um nome convencional com que os biblistas designam um profeta anónimo, certamente da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética na Babilónia, entre os exilados de Judá, na fase final do Exílio (entre os anos 550 e 539 a.C., provavelmente). Os oráculos por ele proferidos destinam-se a “consolar” e a dar esperança aos exilados, desalentados e abatidos após décadas de sofrimento numa terra estrangeira.
Durante o reinado de Nabónides, rei da Babilónia (556–539 a.C.), desponta na Pérsia uma figura que rapidamente se impõe no cenário político internacional… Em 553 a.C. Ciro, rei dos Persas, conquista a capital da Média (Ecbátana) e junta no mesmo império os Medos e os Persas. Pouco depois, em 547 a.C., Ciro lança o seu exército contra a Lídia, conquista Sardes e apodera-se da maior parte da Ásia Menor. Nos anos seguintes, uma série de vitórias fulgurantes dão-lhe o domínio do Irão oriental, do Afeganistão e do Turquestão, até à Índia. Fortalecido em ouro e em homens, Ciro dirige, em seguida, os seus exércitos contra a Babilónia; e, em 539 a.C., entra vitorioso na capital babilónica onde, sem qualquer oposição, é recebido como libertador.
A atividade profética do Deutero-Isaías desenvolve-se nos anos que precederam a entrada vitoriosa de Ciro na Babilónia… Para os exilados, é uma época de grandes expetativas: as notícias que lhes chegam sobre as vitórias de Ciro fazem os exilados sonhar com a proximidade da libertação do cativeiro. À alegria pela libertação iminente juntam-se, no entanto, algumas interrogações inquietantes… Então o libertador que Judá ansiosamente aguarda não vai sair do meio do Povo de Deus, mas será um rei estrangeiro? E quando a libertação se concretizar, a quem deverá ser atribuída: a Javé, o Deus dos exilados judeus, a Marduk, o deus principal da mitologia babilónica, ou a algum outro deus do universo religioso dos persas? Javé ter-se-á desinteressado e afastado do seu Povo, ou terá perdido o seu poder?
Trata-se de um problema teológico que, para os exilados, adquire contornos inquietantes. Em jogo poderá estar todo o sistema religioso sobre o qual o povo de Deus apoia a sua fé. O Deutero-Isaías vai procurar formular respostas que ajudem os exilados a entender o papel e o lugar de Javé nos acontecimentos históricos que estão a desenrolar-se.
MENSAGEM
Quem é esse Ciro, o Grande, cujas vitórias estão a espantar o mundo e que se prepara para derrubar o imperialismo babilónico? O Deutero-Isaías refere-se a Ciro como “o Ungido” (em hebraico, o “messias”; em grego, o “cristo”) de Javé (Is 45,1a). No Antigo Testamento, o título de “Ungido” aplica-se a reis (cf. 2Sm 5,3), a sacerdotes (cf. Ex 29,7) e a profetas (cf. Is 61,1). Designa alguém que foi escolhido por Deus para uma missão, para ser sinal de Deus no mundo. A novidade, aqui, é que este Ciro é um estrangeiro: é a primeira vez que a reflexão profética atribui claramente a um pagão o título de “Ungido de Javé”. Deus, para levar a cabo o seu projeto de salvação, não se deixa amarrar por fronteiras de raça, de cultura ou até de religião.
O próprio Javé confirma, logo de seguida, que Ciro é o Seu escolhido: foi Deus que o chamou pelo nome e que lhe deu “um título glorioso” (cf. Is 45,4). Ao cingi-lo “com a insígnia do poder” (cf. Is 45,5), Deus deu a Ciro a legitimidade para exercer a realeza, bem como a capacidade de se impor diante dos reis da terra. Agora Ciro poderá “subjugar as nações”, “fazer cair as armas da cintura dos reis”, abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada” (Is 45,1b). A missão que Deus confia a Ciro é, claramente, uma missão de âmbito político-militar.
Ao atribuir a Ciro essa missão, o que é que Deus tem em vista? Evidentemente, a libertação do povo de Deus exilado na Babilónia: foi “por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito”, que “Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias” (Is 45,4). Ciro é, portanto, o instrumento através do qual Deus vai intervir para libertar os exilados de Judá e trazê-los de volta a Jerusalém. Trata-se de uma constante na história da salvação: é através de pessoas concretos que Deus materializa na história dos homens os seus planos de salvação.
Javé, o Deus de Israel e de Judá, o Deus da Aliança que outrora salvou o Seu povo da opressão do Egito, é verdadeiramente o Senhor da história. É Ele, o Senhor do universo, que preside à história dos homens; é Ele que mexe os cordelinhos da história e que a conduz de acordo com os seus planos. Fora d’Ele não há Deus. Ciro ainda não conhece Javé; mas, sem ter consciência disso, está a realizar o projeto do Senhor.
Os exilados sabem, agora, que não é a um qualquer deus da Babilónia ou da Pérsia que devem agradecer a sua libertação. Embora servindo-se de um rei estrangeiro, Javé vai mostrar a Judá que é, definitivamente, esse Deus salvador e libertador em quem o Povo pode sempre confiar.
INTERPELAÇÕES
• As dúvidas, inquietações e perplexidades da gente de Judá exilada na Babilónia não nos são estranhas: também nós, diante dos acontecimentos que marcam a história deste tempo que nos tocou viver, sentimo-nos perdidos, assustados, à deriva, um pouco como um barco sem leme… Perguntamo-nos: onde está Deus, quando a história humana avança por caminhos tortuosos? Ele preocupa-Se, realmente, com os homens? Qual o seu papel na condução dos destinos do mundo? Porque é que Ele deixa que os homens inventem esquemas sofisticados de destruição e de morte, cultivem a exploração e a injustiça, mantenham tantos homens e mulheres amarrados à miséria e à escravidão? É possível que não tenhamos respostas claras para estas questões… No entanto, a primeira leitura deste domingo garante-nos: Deus nunca perde o controlo da história e nunca abandona os seus filhos que peregrinam na terra. Ele encontra sempre forma de intervir no mundo e de concretizar os seus projetos de salvação. Talvez as intervenções de Deus nem sempre estejam de acordo com as nossas regras, as nossas lógicas, os nossos desejos, os nossos calendários; talvez nem sempre consigamos perceber o verdadeiro alcance dos projetos de Deus… Mas Deus, o Senhor da história, continuará a conduzir o mundo de acordo com o seu plano. Resta-nos confiar n’Ele e entregarmo-nos nas suas mãos. Acreditamos que o mundo e a história dos homens estão na mão de Deus? O que é que isso nos faz sentir?
• A intervenção de Deus no mundo e na história dos homens não se processa, habitualmente, através de gestos espetaculares, de fenómenos extraordinários caídos do céu, ou de manifestações que nos deixam espantados, temerosos e sem fôlego… Deus não é um exibicionista que gosta de recorrer a passes mágicos para nos impressionar. Em geral, Ele atua no mundo com discrição e recato, através de pessoas – muitas vezes pessoas limitadas, pecadoras, “normais” – que são chamadas a ser, no meio dos seus irmãos, sinais vivos de Deus, testemunhas da bondade, do amor, da ternura e da misericórdia de Deus. Estaremos também nós envolvidos nesta história de chamamento e de envio? Deus contará connosco – apesar das nossas fragilidades e incongruências – para, através de nós, fazer nascer um mundo mais justo, mais humano e mais feliz? Estamos disponíveis para acolher o chamamento de Deus e para abraçar a missão que Ele entender confiar-nos?
• Os exilados esperavam ansiosamente a intervenção de Deus para os salvar do Exílio e para os fazer retornar a Jerusalém… O que não contavam é que Deus atuasse através de um pagão, de um rei estrangeiro que não conhecia Javé e não fazia parte do povo de Deus. Deus é assim: Ele nunca se deixa encerrar dentro das fronteiras que tentamos impor-lhe; Ele salta sempre por cima das nossas barreiras de raça, de cor, de poder económico, de estatuto social, para nos dizer que todos são seus filhos e que conta com todos para concretizar o seu projeto para o mundo e para os homens; Ele recusa-se a dividir o mundo entre “bons” e “maus”, entre “dignos” e “indignos”, entre “santos” e pecadores”, entre os que são “dos nossos” e os que são “de fora”… É esta também a nossa forma de ver as coisas? O nosso olhar sobre o mundo e sobre os homens é inclusivo e fraterno, ou é discriminatório e intolerante?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 95 (96)
Refrão: Aclamai a glória e o poder do Senhor.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.
O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.
Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.
Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é rei»,
governa os povos com equidade.
LEITURA II – 1 Tessalonicenses 1,1-5b
Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses,
que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo:
A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós,
ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a atividade da vossa fé,
o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
em Nosso Senhor Jesus Cristo,
na presença de Deus, nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus,
como fostes escolhidos.
O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras,
mas também com obras poderosas,
com a ação do Espírito Santo.
CONTEXTO
Tessalónica era, no século I da nossa era, a cidade mais importante da Macedónia. Porto marítimo e cidade de intenso comércio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo.
A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessalónica acompanhado de Silvano e Timóteo, depois de ter sido forçado a deixar a cidade de Filipos. Esteve na cidade cerca de três meses; mas esse curto espaço de tempo foi o suficiente para que se constituísse, à volta da pregação de Paulo, uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída maioritariamente por pagãos convertidos ao Evangelho. A obra de Paulo foi brutalmente interrompida, ao fim desses breves meses, pela reação da colónia judaica… Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade à pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).
Entretanto, Paulo tinha a consciência de que a formação doutrinal da comunidade cristã de Tessalónica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada há pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalónica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1Ts 3,2-5). Depois de ter estado em Tessalónica, Timóteo reencontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, Paulo decidiu escrever aos cristãos de Tessalónica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade.
A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.
O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como primeira leitura é o início da Primeira Carta aos Tessalonicenses. O texto inclui a indicação dos remetentes e dos destinatários da Carta.
MENSAGEM
Os remetentes da Primeira Carta aos Tessalonicenses são três: Paulo, Silvano e Timóteo. Estes “missionários” formaram uma parceria na obra da evangelização. Silvano (tinha também um nome hebraico: Silas) foi escolhido para acompanhar o apóstolo Paulo na segunda viagem missionária, depois de Paulo se ter desentendido com Barnabé (cf. At 15,40); Timóteo era um jovem de Listra, filho de mãe judia e de pai grego, que Paulo convidou a acompanhá-lo no anúncio do Evangelho (cf. At 16,1-3). A Carta é endereçada à comunidade cristã de Tessalónica.
Depois da saudação inicial, Paulo, Silvano e Timóteo revelam que, nas suas orações, não cessam de dar graças a Deus pelas coisas maravilhosas que estão a acontecer na Igreja de Tessalónica: os tessalonicenses acolheram o anúncio do Evangelho no meio de grandes tribulações; mas, apesar das provas que tiveram de suportar, permanecem fiéis ao Evangelho e ao ensino recebido (cf. 1Ts 1,1-3,13). Na opinião de Paulo, Silvano e Timóteo, isso não pode deixar de ser obra de Deus.
Na verdade, os tessalonicenses, depois de receberem o anúncio que lhes chegou sobre Jesus e a sua proposta, responderam com uma fé ativa, uma caridade esforçada e uma esperança firme (cf. 1Ts 1,3). A “fé ativa” traduz uma adesão ao Evangelho que não se manifesta só em palavras, mas também em atitudes concretas de conversão e de mudança de vida; a “caridade esforçada” refere-se a um amor que não é teórico mas é efetivo, e que se traduz em gestos de bondade, de entrega, de partilha, de doação, de serviço; a “esperança firme” define essa confiança inabalável dos tessalonicenses em Deus e na vida nova que Ele oferece àqueles que O amam – confiança que, nem a hostilidade do mundo, nem as dificuldades da vida conseguem deitar por terra.
Tudo isto mostra, sem qualquer sombra de dúvida, que os tessalonicenses foram “escolhidos” por Deus (cf. 1Ts 1,4). No Antigo Testamento, a “eleição” é um privilégio de Israel, o povo escolhido por Deus de entre os outros povos, não em virtude dos seus méritos particulares, mas como resultado da graça e do amor de Deus; agora, são as comunidades cristãs de origem pagã que são objeto do mesmo privilégio, que tem a sua fonte no amor gratuito do Deus salvador. Os tessalonicenses, chamados por Deus à fé, incluem agora o lote dos “eleitos” de Deus.
O Evangelho que Paulo, Silvano e Timóteo, por mandato de Deus, anunciaram às gentes de Tessalónica não foi um discurso feito de belas palavras, mas inconsequente; foi uma Boa Nova de Deus, poderosa e transformadora, que felizmente encontrou eco no coração dos tessalonicenses e que, pela ação do Espírito Santo, deu frutos de fé, de amor e de esperança (cf. 1Ts 1,5ab).
Paulo, Silvano e Timóteo, conscientes das maravilhas operadas por Deus em Tessalónica, sentem o coração inundado de alegria e de esperança.
INTERPELAÇÕES
• Apesar de terem tido uma catequese incipiente e de terem sofrido a hostilidade dos seus concidadãos, os cristãos de Tessalónica abraçaram com entusiasmo e determinação o Evangelho de Jesus; em condições difíceis, deram mostras de uma fé viva, de uma caridade concretizada em obras, de uma esperança firme nessa vida nova prometida por Deus a todos os seus queridos filhos. Ora, o testemunho dos cristãos de Tessalónica constitui, para nós, uma contundente interpelação… Depois de muitos anos de catequese e de compromisso com Jesus, como vivemos o nosso compromisso cristão: com um entusiasmo sempre renovado e sempre coerente, ou com o desleixo e a indiferença de quem está instalado numa fé morna e pouco exigente? A nossa fé é apenas uma questão de palavras, de fórmulas, de dogmas, de doutrina, ou expressa-se num compromisso efetivo com a transformação da nossa vida, da nossa família, da nossa comunidade, do mundo onde caminhamos? O nosso amor traduz-se em atitudes concretas de partilha, de doação, de solidariedade, de serviço, de luta contra tudo o que oprime e fere os nossos irmãos mais pequeninos? A nossa esperança mantém-nos serenos e confiantes, de olhos postos nesse futuro novo que Deus nos reserva, apesar das vicissitudes, das dificuldades, das incompreensões que dia a dia temos de enfrentar?
• Paulo, Silvano e Timóteo sentem-se verdadeiramente “tocados” pelo belo testemunho dos cristãos de Tessalónica. Aquela comunidade cristã que vive serenamente a sua fé em condições difíceis e que multiplica os gestos de bondade e de amor é uma “boa notícia”. Talvez, em pleno séc. XXI, na era digital, estejamos a perder a sensibilidade para essas “boas notícias”, as notícias que fazem brilhar a luz na “noite” do mundo… Não é verdade que prestamos muito mais atenção às coisas negativas, escandalosas, dramáticas, ameaçadoras, do que aos sinais de bondade, de generosidade, de solidariedade, de amor verdadeiro, que acontecem à nossa volta? Não poderíamos publicitar mais a “luz” do que as “trevas”? Se aprendêssemos a reparar nas coisas belas que existem por todo o lado, não teríamos uma compreensão mais positiva da existência e não encararíamos a vida com mais esperança?
• Paulo, Silvano e Timóteo, ao verem como os cristãos de Tessalónica vivem a sua experiência cristã, sentem uma irreprimível vontade de louvar e de agradecer a Deus. Eles têm consciência de que, por detrás de tudo o que está a acontecer na comunidade cristã de Tessalónica, está Deus. Nós também somos testemunhas, a cada momento, de tantos e tantos gestos de bondade, de solidariedade, de doação, de generosidade, de serviço, de amor, que acontecem por todo o lado… Vemos nesses gestos a ação bondosa e amorosa de Deus? Sentimo-nos gratos por tudo o que Deus vai fazendo no mundo, nas nossas comunidades, na vida das nossas famílias? O nosso reconhecimento diante da bondade e do amor de Deus traduz-se em louvor e ação de graças?
ALELUIA – Filipenses 2,15d.16a
Aleluia. Aleluia.
Vós brilhais como estrelas no mundo,
ostentando a palavra da vida.
EVANGELHO – Mateus 22,15-21
Naquele tempo,
os fariseus reuniram-se para deliberar
sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.
Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos,
juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe:
«Mestre, sabemos que és sincero
e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus,
sem Te deixares influenciar por ninguém,
pois não fazes aceção de pessoas.
Diz-nos o teu parecer:
É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu:
«Porque Me tentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo».
Eles apresentaram-Lhe um denário,
e Jesus perguntou:
«De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Eles responderam: «De César».
Disse-lhes Jesus:
«Então, daí a César o que é de César
e a Deus o que é de Deus».
CONTEXTO
Falta pouco tempo para a celebração da festa da Páscoa e Jesus está em Jerusalém, acompanhado dos seus discípulos. Ele passa a maior parte do dia no templo, provavelmente no Átrio dos Gentios, a ensinar e a falar do reino de Deus. Os líderes religiosos judaicos não O perdem de vista. Instalados nas suas certezas e preconceitos, contestam abertamente Jesus e recusam-se a acolher a proposta do reino de Deus. Jesus, por seu lado, procura fazê-los entender que, ao recusar o reino de Deus, estão a rejeitar a oferta de salvação que Deus lhes faz.
Para ilustrar com clareza a situação em que os líderes religiosos se colocaram, Jesus conta-lhes três parábolas. Na primeira, identifica-os com um filho que escutou e aceitou o convite do pai para ir trabalhar na vinha familiar, mas que afinal não chegou a fazer aquilo que o pai lhe pediu (cf. Mt 21,28-32); na segunda, equipara-os a uns vinhateiros maus, que recusaram enviar ao proprietário da vinha os frutos que lhe pertenciam por direito e que, para cúmulo, ainda tiveram a ousadia de matar o filho do dono da vinha (cf. Mt 21,33-46); na terceira, compara-os a convidados indignos, que se atreveram a rejeitar o convite de um rei para participar no banquete nupcial do seu filho (cf. Mt 22,1-14). São histórias fortes e contundentes, que irritam os líderes. Estes começam a preparar o terreno para silenciar Jesus.
É neste contexto que Mateus nos vai apresentar três controvérsias entre Jesus e os líderes religiosos de Israel (cf. Mt 22,15-22.23-33.34-40). Em qualquer uma delas, o objetivo dos dirigentes é surpreender alguma afirmação de Jesus que possa depois ser usada para uma condenação em tribunal (cf. Mt 22,15).
A primeira dessas controvérsias – a que nos é apresentada no Evangelho do vigésimo nono Domingo do Tempo Comum – diz respeito a uma questão muito discutida, de implicações políticas e também religiosas: a obrigação de pagar o tributo ao imperador romano.
Além dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandegários, taxas de vendas…), todos os judeus adultos – mulheres e escravos incluídos – deviam pagar anualmente um tributo estipulado por Roma. Era o tributum capitis (“imposto por cabeça”), instituído quando a Judeia se tornou uma província romana direta, no ano 6 d.C. Para os judeus, no entanto, o pagamento deste imposto era problemático… Antes de mais, por um motivo religioso: a moeda romano do imposto (o denário) ostentava a imagem do imperador e a inscrição "Filho do Divino Augusto" (“Tiberius Caesar, Divi Augusti Filius Augustus”), o que violava os mandamentos contra a idolatria; depois, por um motivo político: pagar o imposto significava reconhecer a soberania de um governante estrangeiro sobre a terra que pertencia unicamente a Deus.
Os grupos político-religiosos que coabitavam dentro do espetro social israelita tinham diversas posições quanto ao pagamento do tributum capitis. Os partidários de Herodes e os saduceus (a alta aristocracia sacerdotal) estavam de acordo com o tributo, pois aceitavam naturalmente a sujeição a Roma. Os movimentos revolucionários, por sua vez, estavam frontalmente contra, pois consideravam o imperador um usurpador do poder que só pertencia a Javé. Os fariseus, embora contestando o tributo, tinham uma posição intermédia: pagavam-no para evitar males maiores.
Em qualquer caso, a questão trazida a Jesus era uma questão “armadilhada”. Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de colaboracionismo e de defender a usurpação pelos romanos do poder que pertencia a Javé; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de rebelião contra Roma e, certamente, executado.
MENSAGEM
A intenção dos discípulos dos fariseus e dos partidários de Herodes Antipas que vêm ao encontro de Jesus era surpreendê-lo “no que dissesse” (Mt 22,15). No entanto, eles começam por dirigir a Jesus um coro de louvores: “Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas” (Mt 22,16). Isto significa que aquela gente sente genuína admiração por Jesus? Não exatamente. O recurso à adulação tem apenas como objetivo levar Jesus a “baixar a guarda” e a cair mais facilmente na armadilha que lhe montaram.
Depois vem a pergunta capciosa, preparada para encurralar Jesus: “É lícito ou não pagar tributo a César?” (Mt 22,17). Jesus percebe imediatamente a má intenção que os anima e passa ao ataque: “Porque Me tentais, hipócritas?” (Mt 22,18). Ao chamar-lhes “hipócritas”, Jesus está, desde logo, a denunciar a teia de mentiras em que querem envolvê-lo. Depois, pede-lhes que Lhe mostrem a moeda do tributo (cf. Mt 22,19) e pergunta-lhes: “De quem é esta imagem e esta inscrição?” (Mt 22,20). Eles respondem o óbvio: “De César” (Mt 22,21a). Face a esta resposta, Jesus faz uma afirmação desconcertante: “Então, devolvei (“apodídômi”) a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 21,21b). Como devemos entender a afirmação de Jesus?
A resposta de Jesus não constitui, como alguns pensam, uma forma de fugir à questão. Também não significa que Jesus via em Deus e no imperador de Roma poderes paralelos, que podiam exigir, cada um na sua área de intervenção, determinadas obrigações aos seus súbditos… A afirmação de Jesus simplesmente projeta a questão para um nível mais elevado e questiona os líderes religiosos de Israel sobre algo que eles parecem ter esquecido: o lugar e o papel que Deus deve ter na vida do povo e da nação.
Se, como os discípulos dos fariseus e os herodianos reconhecem, a moeda do tributo tem a imagem de César e a inscrição que a liga a César, é porque pertence a César; deve, portanto, voltar ao seu “dono”, a César. Contudo, a grande preocupação dos líderes judaicos deveria situar-se a outro nível: em “devolver” a Deus aquilo que pertence a Deus e que lhe tem sido sonegado.
Ora, o que é que Deus quer do Seu povo? O que interessa a Deus é que se escute e se acolha o Seu Filho, Aquele que Ele enviou ao mundo com uma proposta de vida nova; mas os líderes judaicos preparam-se para prender, julgar, condenar e entregar a César o enviado de Deus. O que interessa a Deus é que Israel acolha o convite à conversão que lhe foi endereçado através de Jesus e se aproxime novamente de Deus; mas os líderes judaicos, instalados nas suas certezas absolutas, decidiram que são o “povo eleito” e que isso lhes basta para assegurar a salvação. O que interessa a Deus é que se trate com misericórdia e compaixão todos os seus filhos, especialmente os pobres, os pequeninos, os desprezados, os que não têm voz nem vez; mas os líderes religiosos judaicos desprezam o povo simples, condenam e marginalizam os que erram, servem-se da religião para explorar a gente humilde. O denário, a moeda do tributum capitis, tem a imagem de César, pertence a César e deve ser restituída a César; o ser humano, criado por Deus, tem impressa em si a imagem” de Deus (Gn 1,27), pertence a Deus e deve ser restituído a Deus. Israel tem andado afastado de Deus; tem de reentrar na órbita de Deus, de reconhecer a soberania de Deus, de ver em Deus o seu único senhor, de viver na obediência a Deus… Então, “devolvido a Deus”, Israel voltará a ser o povo de Deus.
A resposta de Jesus à pergunta manhosa dos fariseus e dos herodianos põe o dedo na ferida: o problema de Israel é que, a dada altura, deixou de ter Deus como sua prioridade e passou a ter outros “senhores” como referência. Israel afastou-se de Deus e escolheu andar por caminhos de egoísmo e de autossuficiência. Esses caminhos levaram-no a becos sem saída, tornaram-no escravo dos “césares” do mundo.
No entanto, a história não está fechada. Os dirigentes religiosos de Israel têm a grave obrigação de colocar outra vez Deus no centro da vida desse povo cujo cuidado que lhes foi confiado. Para que isso aconteça, basta-lhes acolher Jesus e a proposta de vida nova que Ele veio oferecer aos homens.
De acordo com o relato de Mateus, os fariseus e os herodianos que vieram questionar Jesus “ficaram maravilhados e, deixando-o, retiraram-se” (Mt 22,22). “Maravilhados”? “Maravilhados”, talvez; mas não dispostos a dar ouvidos ao enviado de Deus. Voltarão dentro de poucas horas para prender Jesus e para o entregar a César.
INTERPELAÇÕES
• Jesus aproveita a questão sobre o pagamento do imposto exigido pelo imperador de Roma para lembrar aos líderes religiosos de Israel algo que eles nunca deviam ter esquecido: a preocupação fundamental do ser humano tem de ser “restituir a Deus aquilo que pertence a Deus”. Na verdade, o povo de Deus havia esquecido os mandamentos de Deus, vivia afastado de Deus, tinha optado por caminhos à margem de Deus… Ao proceder dessa forma, tinha defraudado Deus. “Restituir a Deus aquilo que Lhe pertence” será, neste quadro, voltar para Deus, escutar novamente as indicações de Deus, colocar Deus no centro da própria vida. Na verdade, a chamada de atenção que Jesus faz é justa e conveniente. Servirá também para nós, homens e mulheres do séc. XXI? Embalados pela embriaguez de uma liberdade sem fronteiras, entusiasmados com as conquistas da ciência e da técnica, enganados pela falsa convicção da nossa invulnerabilidade, instalados num conforto que nos faz esquecer o essencial, decidimos que não precisávamos de Deus e que podíamos, à margem de Deus, dar sentido à nossa vida. Assim defraudamos Deus, tiramos-lhe algo que Lhe pertencia. “Devolver a Deus o que pertence a Deus” não será, então, regressar ao encontro de Deus, abandonar os caminhos de orgulho e de autossuficiência em que temos andado, acolher com amor e humildade os desafios de Deus, abraçar a proposta de Deus que nos chegou através de Jesus? Estamos dispostos a isso?
• De acordo com a lógica de Jesus, se a imagem de César estava inscrita na moeda do tributo, essa moeda pertencia a César e devia ser devolvida a César. Do mesmo modo, se o homem e a mulher foram feitos à “imagem de Deus” e transportam em si a imagem de Deus, eles pertencem a Deus e devem ser “devolvidos” a Deus… No entanto, esquecemos frequentemente que cada homem e cada mulher são filhos queridos de Deus e pertencem a Deus. Admitimos que os “césares” do mundo criem mecanismos de injustiça e de opressão que são responsáveis pelo sofrimento e pelas lágrimas de milhões de seres humanos; aceitamos que a ditadura de uma economia sem rosto e sem coração mantenha amarrados numa miséria sem saída tantos e tantos dos nossos irmãos; consentimos, com o nosso comodismo e com a nossa indiferença, que os mais pobres, os mais humildes, os mais frágeis, sejam explorados, violentados, abandonados na berma da estrada que a humanidade percorre. Poderemos continuar a deixar que tantos e tantos homens e mulheres sejam vendidos, usados, feridos, destruídos, diante dos nossos olhos? “Devolver a Deus o que pertence a Deus” não será lutar objetivamente contra tudo aquilo que destrói a vida e a dignidade dos filhos queridos de Deus? O que podemos fazer para devolver a Deus esses filhos que Lhe foram roubados pelo egoísmo, pela injustiça, pela violência, pela ganância, pela maldade?
• Jesus deixou claro que Deus tem de ser a nossa referência fundamental e deve estar em primeiro lugar nas nossas escolhas, nos nossos interesses e nas nossas preocupações. Isso não significa, no entanto, que vivamos de olhos postos no céu, alheados do mundo e que negligenciemos as nossas responsabilidades sociais e comunitárias. Fazemos parte de um “corpo social”; partilhamos os sonhos, os anseios e as aspirações dos nossos irmãos e irmãs; somos solidários com os outros homens e mulheres que são nossos companheiros na viagem da vida. Esse “compromisso social” deve traduzir-se no cumprimento dos nossos deveres cívicos, no acatamento das leis fiscais vigentes, na recusa em favorecer esquemas de corrupção e de suborno, no respeito pelas leis justas estabelecidas pelos competentes órgãos de soberania, na promoção do bem comum, na participação ativa na construção de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais fraterna, mais humana. Cumprimos os nossos compromissos enquanto cidadãos e membros responsáveis da sociedade?
• No entanto, o nosso compromisso com a sociedade não pode impedir-nos de olhar para as estruturas de poder com um olhar crítico. É provável que nem todos os projetos políticos que nos são propostos estejam em consonância com os valores do reino de Deus; é bem possível que nem todos os “nichos” ideológicos que ocupam um determinado espaço no espectro político sejam aceitáveis à luz do Evangelho; é provável que nem todas as propostas dos nossos líderes ajudem a concretizar o mundo de justiça, de entendimento, de inclusão, de fraternidade que Deus sonhou para os seus filhos; é possível que nem todas as sugestões que nos são “vendidas” contribuam para nos tornar mais livres, mais realizados e mais felizes. Compete-nos, neste cenário, avaliar as propostas que estão em cima da mesa, manter o discernimento, defender a verdade, lutar pelos valores em que acreditamos… É isso que fazemos?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 29.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 29.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. DURANTE A CELEBRAÇÃO.
No momento da oração universal, sobretudo neste domingo em que se celebra o Dia Missionário Mundial, poderá ser expressa a atenção às coisas do mundo, em nome da nossa fé em Deus.
3. PALAVRA DE VIDA.
O Dia Mundial das Missões deveria manter-nos acordados. Será que, sim ou não, nós acreditamos que a mensagem de Cristo se dirige a todos os homens dos cinco continentes, quaisquer que sejam a sua situação, as suas alegrias, os seus sofrimentos, as suas questões, os seus projetos? Se a mensagem de Cristo é universal, é necessário que aqueles que dela beneficiaram não a guardem só para si, mas devem anunciá-la, gritá-la, e dar àqueles que partiram para a anunciar os meios de a fazer conhecer. Esta mensagem não consiste apenas em palavras para escutar, mas numa Palavra que faz viver, que volta a erguer, que dá felicidade. Então, estejamos preocupados com a propagação do Evangelho em toda a parte e para todos.
4. UM PONTO DE ATENÇÃO.
Programar uma partilha do Evangelho…
De vez em quando, será bom programar uma partilha de Evangelho. Trata-se essencialmente, entre algumas pessoas, de dizer o que o texto do Evangelho evoca, de que modo fala a cada um: não se trata de uma discussão, mas de uma verdadeira partilha. Como proceder? Primeiro, desde o início da celebração, é útil advertir que haverá uma partilha para aqueles que quiserem: este anúncio prévio permite uma escuta mais atenta dos textos; será ainda melhor se as pessoas puderem ter o texto nas mãos. De seguida, o grupo que se forma espontaneamente não deve exceder quatro ou cinco pessoas, a fim de que cada um se possa exprimir. É bom indicar o tempo de que se dispõe (cerca de 10 minutos no total). Pode-se orientar a reflexão colocando uma ou duas questões. O essencial, durante a partilha, é que cada um tenha a palavra e se possa exprimir e que todos possam escutar e enriquecer-se com o que os outros dizem.
5. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Dizer a nossa felicidade a outros…
Cabe a cada um fazer o ponto da situação sobre a missão precisa que lhe confere o seu batismo, no seu lugar de vida. Suscitar esta semana uma ocasião de a testemunhar explicitamente. «Dar a Deus o que é de Deus» é dizer também a outros a felicidade que nos é dada pelo Altíssimo!
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org