30º Domingo do Tempo Comum - Ano A [atualizado]
25 de Outubro, 2026
Ano A
30.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 30.º Domingo do Tempo Comum
O que é que está no centro da experiência cristã? Qual é a “sugestão” fundamental que Deus nos deixa para construirmos uma vida repleta de significado? As leituras que a liturgia do trigésimo domingo Comum nos propõe convidam-nos a colocar o amor – o amor a Deus e o amor aos irmãos – no centro da nossa vida. O que Deus pede – ou antes, o que Deus exige – a cada crente é que deixe o seu coração ser submergido pelo amor.
Na primeira leitura o Deus que libertou os hebreus da escravidão do Egito e que se comprometeu com Israel numa Aliança de amor pede ao Seu povo que edifique uma sociedade livre, justa, fraterna, solidária, humana. Só uma comunidade que defende os mais frágeis e desprotegidos – o estrangeiro, o órfão, a viúva, o pobre sufocado pela ganância dos poderosos – poderá viver em comunhão com Deus e dar testemunho no mundo da compaixão, da misericórdia, da bondade, da ternura, do amor de Deus.
No Evangelho Jesus indica, aos fariseus que o questionam nos átrios do templo de Jerusalém, qual é a raiz de todos os mandamentos, o núcleo central a partir do qual se edifica a comunidade do Reino: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e amar o próximo como a si mesmo. O decisivo, o fundamental, a prioridade, é e será sempre o amor. De acordo com Jesus, neste duplo mandamento está resumida toda a revelação de Deus.
Na segunda leitura o apóstolo Paulo traz-nos o exemplo de uma comunidade cristã – da cidade grega de Tessalónica – que acolheu o Evangelho de Jesus no meio de tribulações, mas com uma profunda alegria. A experiência de encontro com a fé cristã que os tessalonicenses viveram contagiou mesmo outras comunidades, levando-as até Jesus. O testemunho da fé faz de homens e mulheres de todas as raças uma família que vive no amor e que tem como missão testemunhar o amor.
LEITURA I – Êxodo 22,20-26
Eis o que diz o Senhor:
«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás,
porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto.
Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim,
escutarei o seu clamor;
inflamar-se-á a minha indignação
e matar-vos-ei ao fio da espada.
As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo,
ao pobre que vive junto de ti,
não procederás com ele como um usurário,
sobrecarregando-o com juros.
Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
terás de lha devolver até ao pôr do sol,
pois é tudo o que ele tem para se cobrir,
é o vestuário com que cobre o seu corpo.
Com que dormiria ele?
Se ele Me invocar, escutá-lo-ei,
porque sou misericordioso».
CONTEXTO
Três meses depois de terem escapado do Egito, os hebreus, conduzidos por Moisés, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam diante de um monte (cf. Ex 19,1-2). Foi diante desse monte que celebraram uma Aliança com Javé, o Deus que os tinha salvo da escravidão do Egito (cf. Ex 19,1-24,18).
No texto bíblico não há indicações geográficas suficientes para conseguirmos identificar o “monte da Aliança”. Em si, o nome “Sinai” não designa um monte, mas sim uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilómetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho. A norte, junto do Mediterrâneo, o Sinai apresenta uma faixa arenosa de cerca de 25 quilómetros de largura; mas à medida que se desce para sul, o território torna-se mais acidentado, com montanhas que chegam a atingir os 2600 metros de altura. Uma tradição cristã tardia (séc. IV) identifica o “monte da Aliança” com o Jebel Musa (o “monte de Moisés”), uma montanha com 2244 metros de altitude, situada a sul da península sinaítica. Embora a identificação do “monte da Aliança” com este lugar levante problemas, o Jebel Musa é, ainda hoje, um lugar de peregrinação para judeus e cristãos.
O compromisso (“berit” – “Aliança”) celebrado no Sinai, diante de um monte, entre Deus e Israel ficou plasmado num documento conhecido como “Decálogo” ou “Dez Palavras”. O “Decálogo” ou “Dez mandamentos” (cf. Ex 20,2-17) era, sem dúvida, o coração da Aliança e apresentava os valores fundamentais que deviam marcar o comportamento do Povo de Deus, quer em relação a Javé, quer em relação aos compromissos comunitários. No entanto, as leis do “Decálogo” elencavam princípios gerais e não consideravam todos os casos e situações particulares que a vida pode comportar. Foi necessário, portanto, definir outras normas, mais concretas, que regulassem as muitas situações e “casos” da vida. Nesse sentido, os legisladores de Israel acrescentaram ao “Decálogo” um bloco heterodoxo de leis, que se convencionou chamar “Código da Aliança” (cf. Ex 20,22-23,19). Embora apresentadas como ditadas por Deus a Moisés são, na realidade, leis de proveniência diversa, cuja antiguidade continua a ser discutida, mas que a maioria dos comentadores faz remontar ao tempo dos “juízes” (séc. XII a.C.).
O “Código da Aliança” regula dimensões diversas da vida do Povo de Deus, desde o culto até às relações sociais. São prescrições, soluções, disposições, indicações que solucionam dificuldades, explicam princípios e ordenam a conduta dos homens nas situações comuns e variáveis da existência. Nele sobressai, não apenas uma consciência muito viva de que Israel é chamado à comunhão com Deus, mas também um forte sentido social. Mostra um Povo empenhado em concretizar os compromissos da Aliança na vida do dia a dia. Sugere, além disso, que a fé de Israel não é uma realidade abstrata ou fantasmagórica, mas algo bem vivo, que toca cada momento e cada passo da existência.
A primeira leitura deste domingo oferece-nos um extrato do “Código da Aliança”. Apresenta um conjunto de leis humanitárias que se destinam à proteção dos mais desamparados.
MENSAGEM
Na melhor tradição bíblica, o estrangeiro, o órfão e a viúva integram o grupo dos mais desamparados (cf. Dt 10,18-19; 24,17-21; Zac 7,10; Sl 146,9). No entanto, o texto do “Código da Aliança” que a primeira leitura deste domingo nos oferece acrescenta uma outra categoria a esta lista: o pobre que foi obrigado a pedir dinheiro emprestado. São, umas e outras, pessoas em situação de grande vulnerabilidade, quer quanto à proteção jurídica, quer quanto ao enquadramento social, quer quanto ao estatuto económico.
O “estrangeiro” é o “deslocado” da sua terra por causa de guerras, fomes ou conflitos. Obrigado a deixar a sua terra e o seu quadro de relações familiares, atirado para um ambiente cultural e social estranho, é um desenraizado. As leis da terra onde encontrou refúgio nem sempre protegem os seus direitos e a sua dignidade. A situação de debilidade do “estrangeiro” é aproveitada, com frequência, por pessoas sem escrúpulos que o exploram, que o escravizam e que contra ele cometem as maiores injustiças. O “Código da Aliança” exige aos israelitas que não prejudiquem nem oprimam os estrangeiros que residem dentro das suas fronteiras. Razão: eles próprios foram imigrantes numa terra estrangeira, de onde foram salvos pela ação libertadora de Deus. Como Israel constatou “in loco”, Deus não suporta a exploração e a injustiça; por isso, a Aliança que celebraram com Javé obriga os israelitas a não perpetuarem essa cadeia de maldade que Deus abomina (cf. Ex 22,20).
O “órfão” e a “viúva” integram também a categoria das vítimas tradicionais dos abusos dos poderosos. Sem defesa diante das arbitrariedades dos mais fortes, vítimas de toda a espécie de injustiças, ignorados pelos juízes e pelos dirigentes, têm em Javé o seu único defensor. O “Código da Aliança” avisa: Deus não deixará de escutar os seus gritos de dor; virá em sua defesa e não deixará impunes aqueles que os maltratarem (cf. Ex 22,21-23).
O “pobre que pede dinheiro emprestado” é, frequentemente, o camponês arruinado por anos de más colheitas, que tem de pedir dinheiro emprestado para pagar as dívidas, para liquidar os impostos e para sustentar a família. A sua extrema necessidade é explorada pelos usurários e pelos especuladores sem escrúpulos, que o obrigam a deixar como penhor os seus bens mais básicos, incluindo a capa com que se cobre. Sufocado pelos altos juros cobrados, o pobre acaba por tudo perder, por ficar na miséria mais absoluta. O “Código da aliança” é claro: o pobre que pede dinheiro não deverá ser sobrecarregado com juros exorbitantes e deverá reaver rapidamente os bens que teve de entregar como penhor. O Deus misericordioso exige que o seu povo conheça o significado da misericórdia e que aja com misericórdia (cf. Ex 22,24-26).
O mais significativo, porém, é que estas leis de proteção dos desamparados têm, por detrás, de si, motivações teológicas: o Deus da Aliança é um Deus compassivo, misericordioso e bom, que não pactua com a injustiça, com a violência, com a exploração. Quem quiser comprometer-se com Deus, fazer parte do povo de Deus, escrever com Deus uma história de comunhão e de Aliança, tem de viver numa lógica de misericórdia e de compaixão. Os mais frágeis, os mais desamparados – o estrangeiro, o órfão, a viúva, o pobre que é obrigado a pedir dinheiro emprestado para sobreviver – são o “lugar” onde Deus se manifesta. Quem não conhece a misericórdia não conhece Deus; quem acolhe o desamparado, acolhe e abraça Deus.
INTERPELAÇÕES
• Vivemos numa época de grandes movimentos migratórios e somos a cada momento interpelados e questionados pelo “outro”, pelo “diferente”, pelo “estranho” que aparece junto das nossas fronteiras à procura de um lugar onde possa “montar a sua tenda” e viver de forma digna. Como olhamos para o “estrangeiro” que bate à nossa porta? Com a desconfiança de quem se sente ameaçado na bolha de segurança e de conforto em que vive comodamente instalado? Com o egoísmo de quem não está disposto a partilhar os recursos que Deus pôs à disposição de todos os seus filhos? Com o preconceito de quem escuta e se deixa convencer pelos discursos xenófobos dos líderes populistas? Ou com a responsabilidade de quem vê em cada homem um irmão, independentemente da cor da sua pele, do seu país de origem, da língua em que se exprime, dos valores culturais que transporta, da religião que professa? “Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás” – diz o Deus da Aliança, que ofereceu a terra aos seus filhos e pretende vê-los a construir um mundo onde todos façam parte de uma única família. Como é que este pedido de Deus soa para nós? Sentimo-nos responsáveis por cada irmão que se cruza connosco, seja ele quem for, venha ele de onde vier?
• “Não maltratarás a viúva nem o órfão” – diz o Deus da Aliança, o Deus que cuida dos mais frágeis e que está sempre atento aos gritos de angústia das vítimas dos poderosos da terra. “A viúva e o órfão” são, nos nossos dias, as crianças exploradas, maltratadas, violentadas, impedidas de viver a infância e de concretizar os seus sonhos; são os idosos esquecidos, atirados para lares sem condições, condenados em vida a uma existência de sombras, obrigados a viver de pensões miseráveis depois de uma vida de trabalho árduo; são os doentes incuráveis, condenados à solidão e ao abandono, escondidos para não perturbar a nossa boa disposição e o mito de uma vida isenta de sofrimento e de morte; são os mais humildes de todos, aqueles cuja voz nunca chega aos centros de poder, aqueles que não contam para as estatísticas e que ficam sempre esquecidos nas bermas do caminho que a humanidade percorre… Deus escuta-os e conta cada lágrima que derramam. E nós, seus irmãos? Passamos por eles indiferentes aos sofrimentos que os ferem? Permitimos, com o nosso silêncio cúmplice, que eles continuem a ser magoados e abandonados à sua sorte?
• O Deus da misericórdia “desce” até nós para nos pedir que não exploremos o pobre, que não o privemos do pão de cada dia, que não nos aproveitemos da sua fragilidade para lhe extorquir os escassos recursos que lhe restam, que não o deixemos “nu” e indefeso diante das vicissitudes que a vida traz, que não lhe roubemos a dignidade e a esperança… No entanto, continuamos a construir um mundo submetido à ditadura do dinheiro, servido por uma economia que mata, alicerçado no lucro desenfreado e na ambição desmedida, apoiado em estruturas que perpetuam a injustiça… Esse mundo desumano, que trata os pobres como “resíduos” descartáveis, que os transforma em escravos, que os condena a uma vida miserável, é o mundo querido por Deus? O que podemos fazer? Para quem segue uma ética de amor e de justiça, a resignação será uma opção?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 17 (18)
Refrão: Eu vos amo, Senhor: sois a minha força.
Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protetor, minha defesa e meu salvador.
Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu ungido.
LEITURA II – 1 Tessalonicenses 1,5c-10
Irmãos:
Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem.
Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor,
recebendo a palavra no meio de muitas tribulações,
com a alegria do Espírito Santo;
e assim vos tornastes exemplo
para todos os crentes da Macedónia e da Acaia.
Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou
não só na Macedónia e na Acaia,
mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus,
de modo que não precisamos de falar sobre ela.
De facto, são eles próprios que relatam
o acolhimento que tivemos junto de vós
e como dos ídolos vos convertestes a Deus,
para servir ao Deus vivo e verdadeiro
e esperar dos Céus o seu Filho,
a quem ressuscitou dos mortos:
Jesus, que nos livrará da ira que há de vir.
CONTEXTO
A cidade de Tessalónica foi fundada em 315 a.C. por um dos generais de Alexandre Magno, Cassandro, que lhe deu o nome da sua esposa. Atravessada pela Via Egnácia – importante estrada romana que ligava o mar Egeu ao Adriático e a Bizâncio – e dotada de um importante porto de mar, Tessalónica tornou-se um grande centro de comércio. Era, além disso, uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com outras propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo. Entre os cultos pagãos presentes na cidade contavam-se, para além dos autóctones, os cultos aos deuses egípcios e romanos, bem como o culto imperial. Porém, existia pelo menos uma sinagoga (cf. At 17,1), o que assinala a presença da fé judaica na cidade.
A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessalónica acompanhado de Silvano e Timóteo, depois de ter sido forçado a deixar a cidade de Filipos. A permanência de Paulo na cidade não foi longa (cf. At 17,2-9); mas da pregação de Paulo nasceu uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída maioritariamente por pagãos convertidos ao Evangelho.
Os membros da colónia judaica de Tessalónica não aceitaram bem o testemunho de Paulo. Acusaram-no de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade à pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).
Afastado de Tessalónica, Paulo sentia-se inquieto com a sorte da jovem comunidade cristã que deixara para trás. Dado o pouco tempo que passara na cidade, o apóstolo não tinha conseguido completar a formação cristã dos tessalonicenses. A comunidade estava, assim, quase desarmada num contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalónica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1Ts 3,2-5).
Quando Timóteo regressou de Tessalónica, reencontrou Paulo em Corinto. As notícias trazidas por Timóteo eram boas: os tessalonicenses davam um bom exemplo e mantinham-se firmes na fé. Confortado pelas informações trazidas por Timóteo, Paulo decidiu escrever aos cristãos de Tessalónica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade.
A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.
O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como primeira leitura integra uma “ação de graças” na qual o apóstolo se congratula com a forma como os tessalonicenses acolheram e vivem o Evangelho que lhes foi anunciado (cf. 1Ts 1,2-3,13).
MENSAGEM
À ação evangelizadora levada a cabo por Paulo, Silvano e Timóteo, os tessalonicenses responderam com uma adesão entusiasta ao Evangelho. Eles receberam a mensagem “com a alegria do Espírito Santo”, apesar da oposição que tiveram de enfrentar da parte da comunidade judaica e das autoridades da cidade (1Ts 1,5c-6). O encontro com a Boa Nova de Jesus produz uma alegria verdadeira nos corações, uma alegria que nem mesmo a tribulação, a perseguição, a oposição conseguirão calar.
A maravilhosa narrativa do anúncio do Evangelho entre os tessalonicenses espalhou-se pela Macedónia e pela Acaia (as duas províncias romanas da Grécia) e por todo o lado. Tocados pelo exemplo dos tessalonicenses, impressionados pela forma como eles abandonaram os ídolos e se converteram a Deus, muitos outros homens e mulheres aderiram ao “caminho” cristão. O facto de Tessalónica estar situada numa encruzilhada de caminhos e dar acesso ao oriente e ao ocidente facilitou, sem dúvida, a circulação da notícia sobre a adesão dos tessalonicenses à salvação; mas, para além de tudo isso, esteve a ação de Deus, que fez com que o exemplo dos tessalonicenses contagiasse e inspirasse muitos outros (cf. 1Ts 1,7-10). Assim, os tessalonicenses tornaram-se, pelo seu exemplo, verdadeiros missionários da Boa Nova.
Tudo isto mostra que o Evangelho de Jesus contém um dinamismo de vida capaz de alcançar todos os povos. Quando é acolhido com alegria, vence a oposição, a má vontade e a rejeição. Torna-se uma força irresistível, que ultrapassa todas as fronteiras e que transforma o mundo e a vida dos homens.
INTERPELAÇÕES
• Quando o Evangelho lhes chegou, pelo testemunho de Paulo, Silvano e Timóteo, os tessalonicenses acolheram-no com uma alegria transbordante. Não se deixaram condicionar e amedrontar pela oposição dos judeus nem pelos obstáculos levantados pelas autoridades de Tessalónica. Encontraram na Boa Nova de Jesus uma proposta irrecusável de salvação, pela qual valia a pena enfrentar todas as dificuldades e contestações. Hoje, em pleno séc. XXI, o Evangelho de Jesus continua a ser rejeitado por muitos e a trazer perseguições e incompreensões àqueles que o acolhem. A nossa grande tentação poderá ser colocar o Evangelho de lado para não ter de lidar com a rejeição ou até mesmo a perseguição. Como lidamos com a má vontade de muitos dos nossos contemporâneos em relação ao Evangelho de Jesus? Na vivência e no testemunho do Evangelho deixamo-nos condicionar, de alguma forma, pelo receio de nos defrontarmos com situações incómodas, que ponham em causa a nossa tranquilidade e o nosso bem-estar? O Evangelho é, também para nós, uma proposta irrecusável, pela qual estamos dispostos a arriscar tudo?
• A história da fé dos tessalonicenses tornou-se conhecida em toda a Grécia e contagiou muitos outros homens e mulheres. Dessa forma, pela sua adesão a Jesus, pela alegria com que assumiram a fé, pelo seu exemplo contagiante os tessalonicenses tornaram-se missionários convincentes da Boa Nova. É mesmo assim: o melhor testemunho, o testemunho que mais questiona e convence é o testemunho que damos com a forma como vivemos aquilo em que acreditamos. Como é o testemunho que as nossas comunidades cristãs oferecem ao mundo? Como é o testemunho que cada um de nós oferece aos outros homens e mulheres que se cruzam connosco? É um testemunho alegre, convincente, interpelante, que transmite esperança e felicidade, que “convoca” ao seguimento de Jesus? Quem nos vê e acompanha sente vontade de descobrir Jesus e de caminhar atrás d’Ele?
• O cenário em que a segunda leitura deste domingo nos coloca é um cenário onde se vão desenhando laços, contactos e influências entre as diversas comunidades cristãs, num sistema de “vasos comunicantes”. Ora, isto lembra-nos que nenhuma comunidade cristã é uma ilha. Todas as comunidades nascidas de Jesus integram o “Corpo de Cristo” e fazem parte de uma grande família, espalhada pelo mundo inteiro. Portanto, faz todo o sentido que as comunidades cristãs partilhem, estabeleçam laços, se interpelem umas às outras, se ajudem, se animem mutuamente, exerçam umas para com as outras o sacramento da caridade. É nesse diálogo e nessa partilha que o projeto de Deus se vai tornando mais claro para todos e que podemos discernir, com mais nitidez, os caminhos de Deus. As nossas comunidades cristãs estão abertas à partilha, ou são células isoladas, que vivem num total alheamento dos problemas, das vicissitudes e das dificuldades das outras comunidades?
ALELUIA – João 14,23
Aleluia. Aleluia.
Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, diz o Senhor;
meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.
EVANGELHO – Mateus 22,34-40
Naquele tempo,
os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus,
reuniram-se em grupo,
e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:
«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».
Jesus respondeu:
«‘Amarás o Senhor, teu Deus,
com todo o teu coração, com toda a tua alma
e com todo o teu espírito’.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo, porém, é semelhante a este:
‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Nestes dois mandamentos se resumem
toda a Lei e os Profetas».
CONTEXTO
Jesus está em Jerusalém, acompanhado pelos seus discípulos. Passa os dias no templo, a ensinar todos os que vêm ter com Ele e estão dispostos a ouvir a proposta do reino de Deus. Os líderes religiosos judaicos, por sua vez, aproveitam todas as oportunidades para questionar Jesus. A decisão deles está há muito tomada: a proposta que Jesus traz não vem de Deus e deve, portanto, ser rejeitada. Além disso, Jesus tem de ser silenciado, pois ameaça a religião e a ordem social. Os dirigentes da nação preparam-se, portanto, para O prender, levar a tribunal, condená-l’O de forma exemplar.
É neste cenário que Mateus situa três controvérsias entre Jesus e os chefes religiosos judaicos. Essas controvérsias são, na realidade, armadilhas destinadas a apanhar Jesus em falso. A ideia é levá-lo a fazer afirmações que possam depois ser usadas contra Ele em tribunal. Depois das controvérsias sobre o tributo a César (cf. Mt 22,15-22) e sobre a ressurreição dos mortos (cf. Mt 22,23-33), chega a controvérsia sobre o maior mandamento da Lei (cf. Mt 22,34-40). É esta última que o Evangelho deste domingo nos traz. Ao perguntar a Jesus qual é o maior mandamento da Lei, os fariseus procuram demonstrar que Jesus não sabe interpretar a Lei e que, portanto, não é digno de crédito.
A questão do maior mandamento da Lei era uma questão bastante pertinente, objeto de debates intermináveis entre os fariseus e os doutores da Lei. O acervo de leis, nos textos judaicos sagrados, era imenso… Incluía, além do “Decálogo” (cf. Ex 20,1-17), o “Código da Aliança” (cf. Ex 20,22-23,33), a “Lei da santidade” (cf. Lv 17-26), o “Código deuteronómico (cf. Dt 12-26), o “Dodecálogo siquemita” (cf. Dt 27,15-26) e muitos outros mandamentos e proibições espalhados por todo o Pentateuco. Os mestres judaicos, na sua preocupação de propor a Lei de forma clara, tinham reduzido todo esse material legalista a um conjunto de 613 preceitos, dos quais 365 (tantos quantos os dias do ano) eram proibições e 248 (tantos quantos os membros do corpo humano, no entendimento dos rabis) eram ações a pôr em prática. Esta multiplicação dos preceitos legais lançava, evidentemente, a questão das prioridades: todos os preceitos têm a mesma importância, ou há algum que é mais importante do que os outros? A discussão era interminável, pois cada “mestre” tinha a sua perspetiva das coisas. É nessa discussão que os fariseus querem envolver Jesus “para O experimentar”.
MENSAGEM
Jesus responde à pergunta ardilosa do fariseu citando as primeiras palavras do “Shema’ Israel”, a grande afirmação de fé que todo o judeu recitava no início e no final do dia (cf. Dt 6,4-5): “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito” (Mt 22,37). O primeiro mandamento é, para Jesus, o amor a Deus. Mas Jesus não se detém aí; como se achasse que essa primeira resposta não era suficiente, completa-a com a referência um segundo mandamento: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39). Trata-se de uma citação do Levítico (cf. Lv 19,18) que integra a “Lei da santidade” (cf. Lv 17-26). Jesus estabelece que o maior mandamento é o mandamento do amor; e esse mandamento fundamental concretiza-se em duas dimensões que se completam mutuamente – a do amor a Deus e a do amor ao próximo.
A resposta de Jesus supera o horizonte estreito da pergunta e vai muito mais além, situando-se ao nível das opções profundas que o homem deve fazer. O importante, na perspetiva de Jesus, não é definir qual o mandamento mais importante, mas encontrar a raiz de todos os mandamentos, o núcleo central da vivência cristã. E, na perspetiva de Jesus, essa raiz gira à volta de duas coordenadas fundamentais: o amor a Deus e o amor ao próximo. A Lei e os Profetas são apenas comentários a estas duas indicações de Deus.
Os membros da comunidade de Mateus usavam a expressão “a Lei e os Profetas” para se referirem aos livros inspirados do Antigo Testamento que apresentavam a revelação de Deus (cf. Mt 5,17; 7,12). Dizer, portanto, que “nestes dois mandamentos se resumem a Lei e os Profetas” (Mt 22,40), significa que eles encerram toda a revelação de Deus, que eles contêm a totalidade da proposta de Deus para os homens.
A originalidade deste sumário evangélico da Lei não está nas ideias de amor a Deus a ao próximo, que são bem conhecidas do Antigo Testamento. A originalidade deste ensinamento está, por um lado, no facto de Jesus os aproximar um do outro, pondo-os em perfeito paralelo e, por outro, no facto de Jesus simplificar e concentrar toda a revelação de Deus nestes dois mandamentos.
Portanto, o compromisso religioso (que é proposto aos crentes, quer do Antigo, quer do Novo Testamento) resume-se no amor a Deus e no amor ao próximo. Na perspetiva de Jesus, o que é que isto implica exatamente?
De acordo com os relatos evangélicos, Jesus nunca se preocupou excessivamente com o cumprimento dos rituais litúrgicos que a religião judaica determinava, nem viveu obcecado com a entrega a Deus de ofertas materiais. A grande preocupação de Jesus foi, em contrapartida, discernir a vontade do Pai e cumpri-la com fidelidade e amor. Amar a Deus” seria, no entendimento de Jesus, viver em comunhão com o Pai, procurar a proximidade do Pai, centrar a própria vida no Pai, discernir o projeto do Pai, obedecer incondicionalmente ao Pai e procurar concretizar, na vida do dia a dia, os planos do Pai. Ora, Jesus sabia que os planos do Pai passavam por dar vida aos seus queridos filhos; por isso, Jesus “passou pelo mundo fazendo o bem”: curando os doentes, acolhendo os desprezados, libertando os que eram escravos do pecado ou da Lei, abraçando os humildes e os pequeninos, enxugando as lágrimas dos que choravam, levando aos pobres uma esperança nova, amando todos sem exceção. A entrega de Jesus na cruz será a expressão máxima desse amor “até ao extremo” (Jo 13,1), desse amor inquestionável que Jesus sentia pelos seus irmãos e que viveu em cada gesto que fez.
Assim, na perspetiva de Jesus, o “amor a Deus” e o “amor aos irmãos” estão intimamente associados. Não são dois mandamentos diversos, mas duas faces da mesma moeda. “Amar a Deus” é cumprir o seu projeto de amor, que se concretiza na solidariedade, na partilha, no serviço, no dom da vida em favor dos irmãos.
Como é que deve ser esse “amor aos irmãos”? Este texto só explica que é preciso “amar o próximo como a si mesmo”. As palavras “como a si mesmo” não significam qualquer espécie de condicionalismo, mas que é preciso amar totalmente, de todo o coração, buscando o bem do outro com o mesmo compromisso e entusiasmo com que procuramos o nosso próprio bem.
Noutros textos mateanos, Jesus explica aos seus discípulos que é preciso amar os inimigos e orar pelos perseguidores (cf. Mt 5,43-48). A palavra “próximo” não implica que coloquemos fronteiras ao amor, mas que olhemos com solicitude todos aqueles de quem nos aproximamos, todos aqueles que se cruzam connosco nos caminhos da vida. Aliás, noutros textos neotestamentários Jesus explica aos seus discípulos que é preciso amar até os próprios inimigos e orar até pelos próprios perseguidores (cf. Mt 5,43-48). Trata-se, pois, de um amor sem limites, sem medida e que não distingue entre bons e maus, amigos e inimigos. O evangelista Lucas, ao contar este mesmo episódio, acrescenta-lhe a história do “bom samaritano”, explicando que esse “amor aos irmãos” pedido por Jesus é incondicional e deve atingir todo o irmão que encontrarmos caído e abandonado nos caminhos da vida, mesmo que se trate de um estrangeiro ou de um inimigo (cf. Lc 10,25-37).
INTERPELAÇÕES
• Há dois mil anos que a comunidade cristã, nascida de Jesus, caminha na história. Ao longo desse tempo a Igreja foi acumulando uma pesada herança de mandamentos, de leis, de preceitos, de dogmas, de proibições, de exigências, de normas disciplinares, de opiniões, de preconceitos, de pecados e de virtudes. Quase sem nos apercebermos, deixámos que o inevitável “pó dos séculos” (uma expressão associada ao Papa João XXIII, que convocou o concílio Vaticano II precisamente para permitir “a entrada de ar fresco” e “sacudir o pó dos séculos”) cobrisse o essencial e o acessório; depois, misturámos tudo, distraímo-nos com coisas secundárias e perdemos a noção do que é verdadeiramente importante. Hoje, gastamos tempo e energias a discutir questões absolutamente laterais, que nos são impostas pela agenda da comunicação social ou pelos lobbies de influência, mas deixamos em plano secundário o essencial da proposta cristã. O Evangelho deste domingo põe as coisas de forma totalmente clara: o maior dos mandamentos é o amor a Deus e o amor aos irmãos. Nisto se resume toda a revelação de Deus e a sua proposta de vida plena e definitiva para os homens. Precisamos de rever tudo, de forma a que o lixo acumulado não nos impeça de compreender, de viver, de anunciar e de testemunhar o cerne da proposta de Jesus. É esse o nosso entendimento da experiência cristã?
• Jesus diz que “o maior e o primeiro mandamento” é amar a Deus “com todo o coração, com toda a alma e com todo o espírito”. O que é que significa “amar a Deus”? Jesus estará a pensar em sentimentos e em emoções que podem brotar do nosso coração e que são dirigidas a um “ente” que está no céu? Estará a convidar-nos a multiplicar as nossas orações, os nossos rituais litúrgicos, as nossas manifestações religiosas? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pelo reconhecimento de Deus como fonte última da nossa existência, pela comunhão com Deus, pelo desejo sincero de integrar a família de Deus, pela obediência total aos projetos de Deus. Que lugar tem Deus na nossa vida? Esforçamo-nos, verdadeiramente, por escutar as propostas de Deus, por manter um diálogo pessoal com Ele, por refletir e interiorizar a sua Palavra, por interpretar os sinais com que Ele nos interpela na vida de cada dia? Mantemos o coração aberto às suas propostas, ou fechamo-nos no nosso egoísmo, nos nossos preconceitos e na nossa autossuficiência, procurando construir uma vida à margem de Deus ou contra Deus? Procuramos ser, em nome de Deus, testemunhas proféticas que interpelam o mundo, que testemunham a verdade e que lutam pela justiça, ou instalamo-nos no nosso espaço cómodo e renunciamos ao compromisso com Deus e com a construção do reino de Deus?
• Jesus diz que o segundo mandamento é amar o próximo como a si mesmo. O que é “amar o próximo”? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor ao irmão passa por prestar atenção a cada pessoa com quem nos cruzamos, seja ela branca ou negra, rica ou pobre, nacional ou estrangeira, amiga ou inimiga, boa ou má; passa por sentirmo-nos solidários com cada homem ou cada mulher que chora, que ri, que sofre, que sonha, que ama; passa por partilhar as desilusões e esperanças de todos aqueles que encontramos ao longo do caminho da vida; passa por ultrapassarmos a “bolha” protegida onde nos encerrarmos para “descobrirmos” o outro e para lhe oferecermos a nossa solidariedade, a nossa compaixão, o nosso cuidado; passa por levantarmos do chão os “perdidos”, os ignorados, os feridos, ao marginalizados por uma sociedade sem coração; passa, numa palavra, por fazermos da nossa vida um dom total a todos. A maneira de Jesus amar é a medida com que amamos os nossos irmãos? Somos testemunhas, junto daqueles que a vida coloca ao nosso lado, da bondade, da ternura, da misericórdia, do amor de Deus?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 30.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 30.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. DURANTE A CELEBRAÇÃO.
As palavras finais de envio poderão retomar o mandamento do amor fraterno, propondo um ou outro gesto concreto para o aplicar nesta semana: no bairro, ou através de uma ou outra iniciativa, ainda neste mês missionário. O amor ao qual Cristo nos convida é, efetivamente, um amor para viver!
3. PALAVRA DE VIDA.
Eram numerosas as prescrições na Lei, o que levava talvez a esquecer o essencial. Jesus, posto à prova por um doutor da Lei, resume os preceitos num só mandamento, o do Amor, tendo como sujeitos a amar: Deus e o próximo. Nenhuma concorrência entre si. Se amar a Deus é o primeiro mandamento e amar o próximo o segundo, Jesus precisa que os dois são “semelhantes”. São João, o discípulo que Jesus amava, chega a afirmar: “Aquele que diz «amo a Deus» e não ama o seu irmão é um mentiroso”.
4. UM PONTO DE ATENÇÃO.
Pôr em realce o Evangelho…
Ele lembra-nos a importância do mandamento do amor. A leitura do Evangelho deve ser pausada e, porventura, enquadrada com algum refrão ou gesto que refira o Amor de Deus.
5. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Comprometer-se com uma pessoa particular…
Quem é este “próximo” que tenho dificuldade em amar? O Evangelho deste domingo compromete-nos com uma pessoa particular: através de uma palavra, de um gesto, de um caminho, de uma visita que traduzirá o amor que temos para com ele.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org