03º Domingo do Advento – Ano A [atualizada]

ANO A

3.º DOMINGO DO ADVENTO

Tema do 3.º Domingo do Advento

Continuamos, nesta terceira etapa do “caminho do advento”, a preparar a vinda do Senhor. Chamado “domingo Gaudete”, este terceiro domingo do advento convida-nos à alegria: a vinda do Senhor aproxima-se; a nossa libertação está cada vez mais perto.

Na primeira leitura um profeta anónimo anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que estão a acabar os anos de tristeza e que vão finalmente chegar os tempos novos da alegria e da esperança. Porquê? Porque Deus “aí está para fazer justiça”. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo, em procissão triunfal, possa regressar a Sião. Deus nunca desiste dos seus queridos filhos.

No Evangelho, o próprio Jesus define a missão que o Pai lhe confiou quando o enviou ao encontro dos homens: dar vista aos cegos e tirá-los da escuridão onde se afundam, libertar os coxos de tudo aquilo que os impede de caminhar, curar os leprosos e reintegrá-los na família de Deus, abrir os ouvidos dos surdos que vivem fechados no seu mundo autossuficiente, devolver a vida àqueles que se sentem às portas da morte, anunciar aos pobres a “Boa Notícia” do amor de Deus. Com Jesus, o Reino de Deus chegou à vida e à história dos homens.

Na segunda leitura um tal Tiago, que se apresenta como “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, avisa os pobres, vítimas das prepotências dos poderosos, que o Senhor, o “juiz” dos homens, está a chegar para fazer justiça. A sua vinda irá libertá-los da opressão a que têm estado sujeitos. Enquanto esperam, os pobres devem colocar a sua confiança em Deus e continuar a percorrer, com fidelidade e sem desânimo, o seu caminho que têm à frente.

 

LEITURA I – Isaías 35, 1-6a.10

Alegrem-se o deserto e o descampado,
rejubile e floresça a terra árida,
cubra-se de flores como o narciso,
exulte com brados de alegria.
Ser-lhe-á dada a glória do Líbano,
o esplendor do Carmelo e do Sáron.
Verão a glória do Senhor,
o esplendor do nosso Deus.
Fortalecei as mãos fatigadas
e robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei aos corações perturbados:
«Tende coragem, não temais:
Aí está o vosso Deus,
vem para fazer justiça e dar a recompensa.
Ele próprio vem salvar-nos».
Então se abrirão os olhos dos cegos
e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.
Então o coxo saltará como um veado
e a língua do mudo cantará de alegria.
Voltarão os que o Senhor libertar,
hão de chegar a Sião com brados de alegria,
com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto.
Reinarão o prazer e o contentamento
e acabarão a dor e os gemidos.

 

CONTEXTO

Os capítulos 34 e 35 de Isaías – designados como “pequeno apocalipse de Isaías”, para distinguir do “grande apocalipse de Isaías” dos capítulos 24-27 – são um caso particular no conjunto do livro. Os comentadores consideram que estes dois capítulos não vêm do primeiro Isaías (o profeta que atuou em Jerusalém entre 740 e 685 a.C., nos reinados de Jotam, Acaz e Ezequias), mas talvez do Deutero-Isaías, um profeta que exerceu a sua missão entre os exilados na Babilónia (entre 550 e 539 a.C.) e do qual provêm também os capítulos 40 a 55 do livro de Isaías. Por que razão os capítulos 34 e 35 de Isaías se apresentam separados do seu “ambiente natural” (Is 40-55)? Provavelmente, foram atraídos pelas peças escatológicas soltas de Is 28-33, em particular pelo capítulo 33.

Em meados do séc. VI a.C., a situação dos exilados na Babilónia era bem difícil. Crescia por todo o lado o desânimo e a frustração. Os anos iam passando e o exílio não terminava. Parecia-lhes que Deus os tinha esquecido. Nesse contexto, um profeta que conhecemos pelo nome de Deutero-Isaías propõe-se revitalizar a esperança de Judá e “consolar” aquele povo desanimado. Na sua mensagem, esse profeta garante aos exilados que, num futuro já não muito distante, Deus vai intervir. Como? Antes de mais, vai julgar e condenar as nações inimigas de Judá (cf. Is 34,1-4), especialmente os edomitas (cf. Is 34,5-15); em seguida, Deus vai derramar a sua bênção sobre o Seu povo e ordenar o regresso triunfal a Sião dos habitantes de Judá exilados na Babilónia (cf. Is 35,1-10). Esta temática será desenvolvida em profundidade pelo mesmo profeta nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías.

 

MENSAGEM

Depois dos anos de tristeza e de frustração, chegaram finalmente os tempos novos da alegria exuberante (menciona-se a “alegria” por dez vezes, recorrendo a quatro sinónimos da palavra). Qual a razão dessa alegria irreprimível? É que Deus “aí está para fazer justiça”: Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo possa regressar em triunfo a Sião.

O profeta começa por interpelar a natureza e pedir-lhe que se prepare para a ação libertadora de Deus em favor do seu Povo: o deserto e o descampado, estéreis e desolados, são convidados a revestir-se de vida abundante (como o Líbano, o monte Carmelo ou a planície do Sharon, zonas proverbiais de vida e de fecundidade) e a enfeitar-se de flores de todas as formas e cores (vers. 1-2). Assim vestida, a natureza manifestará a sua alegria pela intervenção salvadora de Javé.

Mais: essa natureza transformada e vestida de festa será o cenário adequado para a intervenção gloriosa de Deus, destinada a levar vida nova ao Povo. A magnificência das árvores e das plantas será a imagem da glória e da beleza do Senhor e falará a todos da grandeza de Deus, da sua capacidade para fazer brotar vida onde só há morte, desolação e esterilidade.

Depois, o profeta dirige-se aos homens (vers. 3-4). Diz-lhes: “nada de desânimo, nada de cobardia, nada de baixar os braços: Deus aí está para salvar e libertar o seu Povo”. Os exilados devem unir-se à natureza nessa corrente de alegria e de vida nova, pois a libertação chegou.

O resultado da iniciativa salvadora e libertadora de Deus será verdadeiramente impactante: os olhos dos cegos abrir-se-ão e desimpedir-se-ão os ouvidos dos surdos; o coxo não somente andará, mas saltará como um veado; o mudo não somente falará, mas cantará de alegria (vers. 5-6). A intervenção de Deus é excessiva, imensa, exuberante, verdadeiramente transformadora e geradora de vida em abundância.

Os exilados de Judá regressarão à sua terra. A marcha do Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade será um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador aquando do primeiro êxodo; no entanto, este segundo êxodo será ainda mais grandioso, quanto à manifestação e à ação de Deus. Será uma peregrinação festiva, uma procissão solene, feita na alegria e na festa. O resultado final desse segundo êxodo será o reencontro com Sião, a eterna felicidade, a alegria sem fim (vers. 10).

 

INTERPELAÇÕES

  • Há formas diversas de olharmos para este extraordinário tempo histórico que nos tocou viver. Para os otimistas, o nosso tempo é um tempo de realizações notáveis, de descobertas maravilhosas, de conquistas inacreditáveis; é um tempo em que o ser humano parece estar a superar todos os limites e a preparar um futuro melhor. Para os pessimistas, no entanto, o nosso tempo é um tempo de superaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear, de crise de valores fundamentais, de indiferença generalizada para com os sem voz e sem vez; é um tempo em que a humanidade, com total inconsciência, caminha a passos largos para a catástrofe… Para uns e para outros, o nosso tempo é um tempo paradoxal, cheio de interpelações, de desafios, de incertezas e de riscos. Como é que nós nos relacionamos com este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperança, ou com as lentes negras do medo e da angústia?
  • Os crentes, contudo, atravessam a vida ancorados numa certeza fundamental: “Deus está aí”, presidindo à história dos homens e conduzindo-a de acordo com o seu projeto de salvação. Ele conhece os sofrimentos e angústias dos seus filhos e não lhes vira as costas; Ele, quase sempre de forma discreta e sem espalhafato, aponta caminhos, desenha planos, faz nascer flores no deserto árido, infunde coragem aos fracos, abre os olhos aos cegos, desimpede os ouvidos dos surdos, faz o coxo saltar com desenvoltura e o mudo cantar a plenos pulmões; Ele coloca-se ao lado do pobre e do fraco para o sustentar no caminho, acolhe o condenado pela sociedade e pelas igrejas, bate à porta e entra na casa daquele que todos evitam e abandonam… Estamos conscientes da presença de Deus na nossa história? É com esta certeza da presença de Deus e com a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que caminhamos pela vida e que a enfrentamos os obstáculos que aparecem no caminho?
  • O Advento é o tempo da espera do Senhor que vem. É um tempo de “gravidez”, durante o qual esperamos ansiosamente o nascimento do Deus-Menino que vem trazer uma esperança nova ao nosso mundo e às nossas vidas. Sabemos, no entanto, que o Deus-Menino só vem ter connosco se tivermos lugar para Ele, se estivermos dispostos a acolhê-l’O. Temos aproveitado esta “caminhada de advento” para limpar a nossa vida de toda a “tralha” inútil que se acumula no nosso coração e que não deixa espaço para o Amor, para o Perdão, para a Bondade, para a Justiça, para a Paz, para todos esses dons que o Deus-Menino traz para nos oferecer?
  • No cenário desolador do exílio da Babilónia, o Deutero-Isaías é enviado por Deus para remar contra a maré. Por isso, apresenta-se no meio de um povo desanimado e descrente como a sentinela da esperança. O profeta, sinal vivo de Deus e voz de Deus no mundo dos homens, tem por missão ajudar os seus irmãos a ver, para além do sol que se põe, o novo amanhã que irá surgir. É este o testemunho profético que damos aos homens e mulheres que caminham ao nosso lado nos caminhos da história e da vida? Temos consciência de que somos enviados aos homens e mulheres do nosso tempo como testemunhas da alegria e da esperança de Deus?

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146)

Refrão 1: Vinde, Senhor, e salvai-nos.

Refrão 2: Vinde salvar-nos, Senhor.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta ao abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.

 

LEITURA II – Tiago 5, 7-10

Irmãos:
Esperai com paciência a vinda do Senhor.
Vede como o agricultor espera pacientemente
o precioso fruto da terra,
aguardando a chuva temporã e a tardia.
Sede pacientes, vós também,
e fortalecei os vossos corações,
porque a vinda do Senhor está próxima.
Não vos queixeis uns dos outros,
a fim de não serdes julgados.
Eis que o Juiz está à porta.
Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência
os profetas, que falaram em nome do Senhor.

 

CONTEXTO

O autor da Carta de onde foi extraída a segunda leitura deste terceiro domingo do advento apresenta-se a si próprio como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (cf. Tg 1,1). A tradição liga-o ao Tiago “irmão” (parente) do Senhor, que presidiu à Igreja de Jerusalém e do qual os Evangelhos falam acidentalmente como filho de Maria (cf. Mt 13,55; 27,56). De acordo com Flávio Josefo, teria sido martirizado em Jerusalém no ano 62. No entanto, a atribuição deste escrito a tal personagem levanta bastantes dificuldades. O mais certo é estarmos perante um outro qualquer Tiago, desconhecido até agora (o “Tiago, filho de Alfeu” – de que se fala em Mc 3,18 – e o “Tiago, filho de Zebedeu” e irmão de João – de que se fala em Mc 1,19 – também não se encaixam neste perfil). É, de qualquer forma, um autor que escreve em excelente grego, recorrendo até a recursos retóricos como a “diatribe” (um género muito usado pela filosofia popular helénica), a perguntas retóricas e a jogos de paradoxos e contrastes. Inspira-se particularmente na literatura sapiencial, para extrair dela lições de moral prática; mas depende também profundamente dos ensinamentos do Evangelho. Trata-se de um sábio judeo-cristão que repensa, de maneira original, as máximas da sabedoria judaica, em função do cumprimento que elas encontraram nas palavras e no ensinamento de Jesus.

A carta de Tiago foi enviada “às doze tribos que vivem na Diáspora” (Tg 1,1). Provavelmente, a expressão alude a cristãos de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo nas regiões próximas da Palestina – como a Síria ou o Egipto; mas, também pode referir-se, em termos metafóricos, à totalidade da comunidade de Jesus, dispersa pelo mundo greco-romano. Exorta os crentes a que não percam os valores cristãos autênticos herdados do judaísmo através dos ensinamentos de Cristo. Apela a que os cristãos vivam com coerência e verdade a própria fé.

O nosso texto pertence à terceira parte da carta (Tg 3,14-5,20). Aí, o autor apresenta, num conjunto de desenvolvimentos e de sentenças aparentemente sem ordem nem lógica, indicações concretas destinadas a favorecer uma vida cristã mais autêntica.

 

MENSAGEM

Nos versículos imediatamente anteriores ao nosso texto (cf. Tg 5,1-6), o autor da Carta de Tiago tinha dirigido uma violenta admoestação aos ricos que oprimem os pobres e que enriquecem retendo os salários dos seus trabalhadores. Avisara-os de que Deus não deixaria passar em claro as suas maldades. Agora – no texto que nos é proposto como segunda leitura neste terceiro domingo do advento – ele fala a esses pobres que são constantemente vítimas da prepotência e da maldade dos grandes da terra.

Tiago parte de uma convicção inabalável (que, aliás, muitos cristãos da época partilhavam): no horizonte próximo da história dos homens está a segunda vinda de Cristo. O “juiz” dos homens está a chegar para fazer justiça. A sua vinda irá trazer a mudança esperada, irá libertar os pobres de todas as injustiças a que têm estado sujeitos. Entretanto, como é que os pobres devem viver esses dias que precedem a sua libertação?

Tiago responde: “com paciência” (a palavra é repetida por quatro vezes). O que é que isso significa exatamente? Significa que devem colocar a sua confiança em Deus e continuar a percorrer, com fidelidade e sem desânimo, o seu caminho.

Como exemplo e estímulo, o autor da Carta de Tiago propõe aos pobres a figura do agricultor que, depois de ter feito o seu trabalho, fica pacientemente à espera que chegue a chuva temporã e a tardia, e que a terra, fecundada pela chuva, produza os seus frutos. Sem as chuvas temporãs, que caíam no início do outono, depois de um verão longo e seco, os agricultores palestinos não podiam lançar as sementeiras de outono; e também tinham de esperar as chuvas tardias, que caíam no início da primavera, depois de um inverno frio e seco, para lançar novas sementeiras. Sem a intervenção de Deus, que mandava a chuva a seu tempo, os agricultores não podiam fazer absolutamente nada; restava-lhes esperar com paciência.

Enquanto esperam, valerá a pena reagir agressivamente contra a maldade e a injustiça? Não. A indicação final de Tiago é: aguardai serenamente enquanto esperais que chegue a libertação; entretanto, não cometais violência contra aqueles que vos oprimem e não passeis o tempo a queixar-vos. Que ninguém faça justiça pelas suas mãos. Aprendei com os profetas a esperar a justiça de Deus.

Haverá, nestas indicações de Tiago, um apelo à passividade, a cruzar os braços, a demitir-se da luta pelo mundo melhor? Não. Devemos entender os conselhos de Tiago como um apelo a confiar no Senhor e a não embarcar no mesmo esquema injusto e violento dos opressores. O acento é posto na esperança que deve alumiar o coração de quem sofre: o Senhor vem, garantidamente; a libertação está a chegar.

 

INTERPELAÇÕES

  • Como acontecia no tempo de Tiago, também hoje muitos homens e mulheres continuam a ser vítimas da injustiça, da exploração, das humilhações, das agressões, da prepotência dos grandes da terra. Privados dos seus direitos e da sua indignidade, sentem-se impotentes, desvalorizados, abandonados, incapazes de sair da sua triste situação. Alguns sentem a tentação do desânimo; quem poderá salvá-los? Tiago, o “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (Tg 1,1), diz-lhes: “Tende esperança. Deus conhece a vossa situação. Ele não vos abandonou nem esqueceu. Ele vai libertar-vos. Aproxima-se o dia da intervenção salvadora de Deus em vosso favor”. Neste tempo de Advento, esta “promessa” de Deus tem um sabor especial. A próxima celebração do nascimento de Jesus é a celebração da presença de Deus na história e na vida dos homens para lhes oferecer a Sua salvação. Vivemos este tempo de Advento como um tempo de esperança? Acreditamos que Jesus vem libertar-nos de tudo aquilo que nos rouba a vida e a dignidade? Estamos disponíveis para acolher a libertação que Jesus nos vem oferecer?
  • Tiago pede aos destinatários da Carta por si enviada às “doze tribos da Dispersão” (Tg 1,1) que esperem “com paciência a vinda do Senhor”. “Esperar com paciência” não é, na perspetiva de Tiago, instalar-se numa resignação que aliena e numa passividade que é renúncia à própria dignidade humana. “Esperar com paciência” é continuar a caminhar, com coerência e verdade, sem se deixar abater ou afundar no desespero; é enfrentar serenamente as vicissitudes e manter-se fiel a Deus, confiando sempre no amor de Deus e acreditando que Deus irá derrotar o mal e oferecer a salvação aos seus queridos filhos. É com essa confiança inquebrantável em Deus que enfrentamos as injustiças e as maldades que nos atingem ao longo do caminho?
  • Tiago recomenda aos cristãos que não respondam com a violência, a agressividade, o ódio, o rancor, a vingança, as queixas, às injustiças e arbitrariedades que os atingem. Esses sentimentos violentos são destrutivos para quem os cultiva: envenenam o coração, roubam a paz, impedem de ter um olhar positivo e construtivo sobre a vida. Quando esses sentimentos tomam posse de alguém, destroem-no. Não deixam qualquer espaço na pessoa para o encontro com a ação libertadora e salvadora de Deus. Temos algum desse “lixo” a ocupar espaço no nosso coração? Estamos dispostos a livrar-nos dele a fim de arranjar espaço para o Senhor que vem ao nosso encontro?

 

ALELUIA – Isaías 61, 1

Aleluia. Aleluia.

O Espírito do Senhor está sobre mim:
enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

EVANGELHO – Mateus 11, 2-11

Naquele tempo,
João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo
e mandou-Lhe dizer pelos discípulos:
«És Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?»
Jesus respondeu-lhes:
«Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam
e a boa nova é anunciada aos pobres.
E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim
motivo de escândalo».
Quando os mensageiros partiram,
Jesus começou a falar de João às multidões:
«Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?
Mas aqueles que usam roupas delicadas
encontram-se nos palácios dos reis.
Que fostes ver então? Um profeta?
Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta.
É dele que está escrito:
‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro,
para te preparar o caminho’.
Em verdade vos digo:
Entre os filhos de mulher,
não apareceu ninguém maior do que João Baptista.
Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

 

CONTEXTO

Depois de ter sido batizado por João, o “Batista”, nas águas do rio Jordão (cf. Mt 3,13-17), Jesus começou a “ver” claramente a missão que o Pai lhe confiava. Deixando João nas margens do rio Jordão, Jesus voltou para a Galileia e instalou-se em Cafarnaum, uma cidade situada na costa noroeste do Mar da Galileia. A cidade era ponto de passagem entre várias rotas comerciais, oferecendo um acesso fácil a todas as aldeias e cidades da região. A partir de Cafarnaum, Jesus passou a percorrer as aldeias e vilas da Galileia, dizendo a todos os que queriam escutá-l’O: “convertei-vos, porque está perto o Reino do Céu” (Mt 4,17). O Seu anúncio era completado por gestos poderosos (cf. Mt 8,1-4. 5-13. 14-17. 28-34; 9,1-8. 18-26. 27-31. 32-34), que mostravam como seria esse mundo cheio de vida que, na perspetiva de Jesus, Deus queria oferecer aos seus filhos.

Entretanto João, o “Batista”, continuou nas margens do rio Jordão a propor a sua mensagem de conversão e o seu batismo purificador. Com ousadia profética denunciava o pecado de todos, inclusive do próprio rei Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e da Pereia, que tinha repudiado a sua esposa legítima e vivia com Herodíade, mulher do seu irmão Filipe. João denunciou publicamente a atitude de Antipas, considerando-a contrária à Lei. Herodes Antipas, com medo que as palavras de João incendiassem os ânimos da população e causassem uma revolta, mandou prender o “Batista” na fortaleza de Maqueronte, situada a 24 quilómetros a sudeste da foz do rio Jordão, na costa leste do Mar Morto.

Foi de Maqueronte que João, o Batista”, enviou alguns dos seus discípulos a Jesus com uma questão que o incomodava e que ele desejava ver esclarecida: “és Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?” A pergunta sugere dúvida; mas não é desprovida de sentido… João esperava um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar os maus e os pecadores, dar início ao “juízo de Deus” (cf. Mt 3,11-12); mas, ao contrário, Jesus aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros, estendeu-lhes a mão, mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salvação (cf. Mt 9,10-13). João e os seus discípulos sentiam-se desconcertados: Jesus era o Messias esperado, ou seria preciso esperar um outro que viesse atuar de uma forma mais decidida, mais severa e mais justiceira?

Mateus tem um interesse especial pela figura de João Baptista. Apresenta-o como o precursor que veio preparar os homens para acolher Jesus. Mateus tinha deixado já claro, na cena do batismo (cf. Mt 3,14), qual dos dois era o mais importante; mas aqui regressa ao tema, exaltando João mas, ao mesmo tempo, colocando-o no seu devido lugar. É provável que, ao fazer esta apresentação, o evangelista queira dirigir-se aos discípulos de João que, na segunda metade do séc. I, ainda mantinham viva a “memória” do “Batista”. Mateus pretenderia “piscar o olho” aos discípulos de João, convidando-os a aderir à proposta cristã e a entrar na Igreja de Jesus.

 

MENSAGEM

O texto apresenta duas partes bem distintas. Na primeira, Jesus responde à pergunta de João e define a sua identidade messiânica (vers. 2-6); na segunda, Jesus comenta com a multidão a figura e a ação profética de João (vers. 7-11).

Confrontado com a pergunta que Lhe foi trazida pelos discípulos de João, Jesus responde de forma desconcertante. Recorrendo às Escrituras, refere um conjunto de “obras” que, segundo o discurso profético, competem ao Messias: dar vida aos mortos (cf. Is 26,19), abrir os olhos dos cegos, desimpedir os ouvidos dos surdos, dar liberdade de movimentos aos coxos, fazer falar os mudos (cf. Is 35,5-6), anunciar a Boa Nova aos pobres (cf. Is 61,1). Ora, se Jesus realizou estas obras isso quer dizer que chegaram os dias messiânicos. Sim, Jesus é o Messias, enviado por Deus para libertar o Seu povo de tudo aquilo que lhe rouba a vida; Ele é o Messias que vem propor e construir um mundo novo, o Reino de Deus; Ele é o Messias que vem cumprir as promessas feitas por Deus.

É verdade que os gestos que Jesus tem realizado – os gestos próprios do Messias – não são sinais de condenação, mas sim de salvação. João, o “Batista”, estava enganado quando falava de um enviado de Deus que deveria vir para julgar e condenar. A missão que Jesus recebeu do Pai é a de salvar e dar vida. Talvez o “Batista” fique escandalizado por constatar que o Messias atua de uma forma diferente do esperado; por isso, Jesus deixa-lhe um recado final: “bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo” (vers. 6). Será feliz quem reconhecer e acolher Jesus como o Messias enviado para oferecer aos homens a salvação de Deus.

Depois de os discípulos de João terem ido embora (vers. 7), Jesus comenta com as pessoas que o rodeiam a figura e a missão de João, o “Batista”. Mateus lança aqui mão de um recurso retórico muito conhecido: uma série de perguntas que convidam os ouvintes a dar uma resposta concreta. A resposta às duas primeiras questões que Jesus formula é, evidentemente, negativa: não, João não é um pregador oportunista que se inclina diante dos poderosos e que diz o que eles querem ouvir (vers. 7); também não é um interesseiro, à procura de uma vida cómoda e fácil, que gosta de viver no luxo e no esbanjamento (vers. 8). João é um homem íntegro, verdadeiro, que é capaz de enfrentar de peito aberto os poderosos e denunciar as mentiras em que eles vivem; João é um homem despojado, que vive com simplicidade, que não dá qualquer atenção aos valores fúteis e que está focado naquilo que é eterno. Finalmente, Jesus deixa no ar uma terceira pergunta: João será “um profeta”? O próprio Jesus dá a resposta: “sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta” (vers. 9). João é um profeta escolhido por Deus e enviado ao mundo para ser no meio dos homens um sinal de Deus. Mais: ele é o “mensageiro” que os profetas anunciaram, aquele que Deus prometeu enviar à Sua frente para Lhe preparar o caminho (cf. Mal 3,1: “eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho”). A tradição judaica liga esse “mensageiro” com a figura de Elias (cf. Mal 3,23). Por isso, Jesus ainda acrescenta (num versículo que o texto lido na liturgia deste domingo não conservou): “ele é o Elias que estava para vir”. Sim, João era um profeta, mas um profeta singular. Ele era o mensageiro, o arauto, que Deus enviou aos homens para anunciar a presença do Messias no mundo e para preparar os caminhos por onde o Messias devia chegar ao coração e à vida dos homens.

O testemunho de Jesus sobre João termina com um singular comentário final: “no entanto, o menor no reino dos Céus é maior do que ele” (vers. 10). Quer dizer: aqueles que escutaram a proposta de Jesus e que acolheram o dinamismo do Reino de Deus, aqueles que se dispuseram a seguir Jesus e a acolher a proposta de salvação que Ele trouxe, são maiores do que João.

 

INTERPELAÇÕES

  • No belo texto de Mateus que a liturgia deste terceiro domingo do Advento nos propõe, o próprio Jesus apresenta-se como o Messias que veio ao mundo para cumprir as promessas de Deus, para derrotar o mal e para abrir para os homens um caudal de vida abundante. A sua presença inaugura uma nova era, um mundo onde se rasgam caminhos novos para os deserdados, os abandonados, os injustiçados, os que não conhecem a alegria, os que vivem mergulhados nas trevas, os que caminham sem esperança, os que não têm voz nem vez. Esta maravilhosa história do Messias de Deus, contada por Mateus, não é uma história vivida e cumprida num tempo já fechado, com princípio, meio e fim há mais de dois mil anos; mas é uma história que continua a escrever-se hoje, para nós que vivemos no séc. XXI. Jesus continua a vir ao nosso encontro, a inundar de vida nova o nosso mundo velho, a curar as nossas feridas, a oferecer-nos generosamente a salvação de Deus. Estamos disponíveis para O acolher? Estamos efetivamente interessados em romper as velhas cadeias que nos prendem para abraçar essa vida nova e plena que Jesus nos vem oferecer?
  • Jesus, depois de ter terminado o Seu caminho na terra, reentrou na glória do Pai. No entanto, quando se despediu daqueles homens e mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia a Jerusalém e que tinham sido testemunhas de tudo o que Ele disse e fez, pediu-lhes que fossem, no mundo, os arautos da salvação de Deus. Hoje, mais de dois mil anos depois, isto é connosco. Nós, discípulos e testemunhas de Jesus, dedicamo-nos a fazer as obras que Ele fazia? Os “cegos”, encerrados nas trevas do egoísmo e do erro, podem contar connosco para saírem da escuridão e encontrarem a luz libertadora de Deus? Os “coxos”, incapazes de caminhar sozinhos, podem contar connosco para se verem livres daquilo que os limita e os impede de ir em frente, em direção a uma vida com sentido? Os “leprosos”, marginalizados e excluídos por uma sociedade que não tem lugar para todos, podem contar connosco para serem novamente acolhidos à mesa familiar dos filhos de Deus? Os “surdos”, fechados no seu mundo de autossuficiência e de silêncio, podem contar connosco para descobrirem a beleza do diálogo e da comunhão? Os “mortos”, os que vivem mergulhados no desespero e já desistiram de viver, podem contar connosco para aprenderem a sonhar com um amanhã de esperança? Os “pobres”, privados de recursos necessários para terem uma vida digna, podem contar connosco para se defenderem da miséria que lhes rouba a dignidade? Deus pode contar connosco para curar as feridas do mundo?
  • João, o “Batista”, aquele de quem Jesus disse que era “o maior entre os filhos de mulher”, reaparece-nos todos os anos neste tempo de Advento para nos ajudar a preparar a chegada do Messias. A sua verticalidade e coerência, a sua integridade e fortaleza, o seu compromisso firme com a verdade, o seu estilo de vida simples e desprendido, o seu desprezo pelos bens materiais, a sua indiferença pela vida cómoda e fácil, o seu “jeito” de remar contra a corrente, a sua decisão irrevogável de fazer a voz de Deus ecoar no mundo dos homens, interpelam-nos fortemente. João é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la com fidelidade. A nossa vida e o nosso testemunho profético cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade de João? Sentimos que o “estilo” de vida de João nos pode inspirar a viver de uma forma mais verdadeira? Captando a mensagem de João, estamos dispostos a uma mudança radical na nossa forma de estar na vida, a fim de que Jesus possa “caber” no nosso projeto?
  • Talvez resulte um pouco chocante ouvirmos dizer que, a certa altura, João teve dúvidas sobre a messianidade de Jesus. Aquele Jesus que antes queria falar da misericórdia de Deus do que da Sua ira, que acolhia os pecadores e se sentava com eles à mesa, que não condenava ninguém nem ameaçava com castigos terríveis, não encaixava na conceção que João tinha do “ungido de Deus”. No entanto, ao questionar Jesus (“és Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”), João assumiu uma posição de profunda honestidade. Quis saber, quis perceber o projeto de Jesus. Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas inamovíveis, que estão absolutamente certos das suas verdades e dos seus dogmas, do que daqueles que procuram honestamente, em diálogo com os seus irmãos, as respostas às questões que a vida todos os dias coloca. Como nos comportamos quando vemos que a realidade que nos cerca não coincide exatamente com as nossas ideias feitas? Entrincheiramo-nos atrás das nossas certezas e disparamos contra o mundo, ou procuramos sinceramente escutar aqueles que nos rodeiam, compreender as visões diferentes e encontrar, a partir daí, o caminho que conduz à verdade?

 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 3.º DOMINGO DO ADVENTO
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

 

  1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 3.º Domingo do Advento, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

 

  1. UMA ASSEMBLEIA EM ALEGRIA.

Tudo deverá concorrer para que a assembleia celebre em estado de alegria: luzes, flores, música… mas também uma primeira leitura (um imenso grito de alegria!) lida por um leitor feliz e que contagie felicidade, sem falar do próprio presidente, cujo tom influenciará muito o clima deste domingo. Que estes elementos brotem do interior de todos os que participam na celebração, comungando da enorme felicidade em acolher a Palavra de Deus na Eucaristia…

 

  1. A PAZ, A ALEGRIA.

Este terceiro domingo do Advento é o domingo da alegria. A alegria está intimamente ligada à paz. Paz e alegria: duas grandes riquezas que queremos para o nosso mundo. Na preparação da liturgia, seria interessante procurar formas de dar um real conteúdo à nossa esperança, ver como as palavras “paz” e “alegria” podem ressoar no coração de cada um: procurar propor gestos concretos que vão neste sentido para os habitantes do bairro ou da cidade; procurar que a nossa oração deste dia seja mais verdadeira e consequente na vida concreta. E como convidar os cristãos a ser testemunhas da paz e da alegria de Cristo? A festa de Natal, este ano, mudará alguma coisa à nossa volta? É importante preparar a liturgia neste sentido, para que a celebração continue nas situações de vida durante a semana…

 

  1. BILHETE DE EVANGELHO.

Aos homens que reconhecem a sua fragilidade, Deus manifesta o seu poder. Não é frequente reconhecermos os nossos desvios, os nossos erros, a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade. Porém, isso seria reconhecer simplesmente a nossa humanidade… Os pais não perdem a honra ao reconhecer diante dos seus filhos que se enganaram. A Igreja não se rebaixa ao reconhecer os seus erros do passado; ao contrário, eleva-se. Os cristãos não se entristecem ao reconhecer o seu pecado; ao contrário, dão a Deus a alegria de os perdoar. Deixemos Deus manifestar o seu poder, concedendo-nos o seu perdão! Basta que nos reconheçamos frágeis. Então, a nossa fragilidade mudar-se-á em força. De frágeis tornar-nos-emos fortes, fortes de ser amados.

 

  1. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.

Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

 

No final da primeira leitura:

Deus nosso Salvador, gritamos a nossa alegria e exultamos, porque vens até nós, como outrora, quando pelos profetas anunciaste ao teu povo exilado o fim da provação e o regresso do cativeiro. Nós Te pedimos pelos infelizes e desencorajados: fortifica as mãos cansados, torna firmes os joelhos dobrados, ilumina os seus rostos.

 

No final da segunda leitura:

Nós Te bendizemos, Senhor, pela tua paciência: como o agricultor, Tu preparaste a terra e lançaste a semente da Boa Nova. Nós Te pedimos pelas nossas comunidades: que o teu Espírito nos livre de gemer uns contra os outros, que Ele nos fortaleça na concórdia e nos guie na preparação de uma nova terra.

 

No final do Evangelho:

Nós Te damos graças, Senhor, por João Baptista, por quem preparaste o caminho para o teu Filho e manifestaste o cumprimento das Escrituras. Nós Te suplicamos por aqueles cuja vista está tapada, os passos incertos, a vida envenenada… novos leprosos presentes nos nossos caminhos. Que o teu Espírito nos inspire as palavras e os gestos capazes de os abrir à tua presença.

 

  1. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.

Pode-se escolher a Oração Eucarística III da Assembleia com Crianças, pois exprime bem o clima das leituras.

 

  1. PALAVRA EXPLICADA 1: SALMO E ALELUIA.

Na liturgia da Palavra, Deus está em diálogo com o seu Povo, pela alternância entre as leituras bíblicas e o cântico dos salmos. No domingo, na organização em três leituras, a primeira leitura é um extrato do Antigo Testamento ou, no tempo pascal, dos Atos dos Apóstolos. Esta proclamação revela à assembleia ações que Deus cumpriu no passado, ou propõe uma meditação sobre a solicitude de Deus a seu respeito. Esta escuta suscita sentimentos de ação de graças que a assembleia exprime pelo cântico do Salmo, respondendo à Palavra de Deus através de outras palavras da Bíblia: é verdadeiramente um diálogo no Espírito Santo, que proclamamos haver falado pelos Profetas. A segunda leitura é extraída dos escritos apostólicos. É seguida da aclamação ao Evangelho, seja um Aleluia com o seu versículo, seja, durante a Quaresma, um versículo com outra aclamação. Quando a liturgia da Palavra comporta apenas uma leitura antes do Evangelho, o Salmo e a aclamação do Evangelho seguem-se imediatamente.

 

  1. PALAVRA EXPLICADA 2: REFRÃO SÂLMICO.

Para o Salmo que responde à primeira leitura, o lecionário propõe um refrão, também chamado antífona, e alguns versículos. Esta fórmula permite a toda a assembleia participar neste momento importante, que é resposta à Palavra de Deus. Os refrães são frases curtas, extraídas do próprio Salmo ou de um outro texto, como o da noite de Natal: “Hoje, um Salvador nasceu, é Cristo, o Senhor”. Para favorecer a participação de toda a assembleia, o coro, ou um solista, canta primeiro o refrão, para o fazer ouvir à assembleia, e esta retoma-o de seguida. Em seguida, o solista, ou o coro, canta os versículos do Salmo. No fim ou nos intervalos dos versículos, retoma-se o refrão. A sua brevidade permite que a assembleia o guarde mais facilmente na memória, não somente para a participação na celebração, mas para que possa ser retomado por cada um na oração pessoal e familiar.

 

  1. ATENÇÃO ÀS CRIANÇAS: ALEGRIA! ALEGRIA! ALEGRIA!

Domingo da Alegria: a palavra aparece quatro vezes na primeira leitura; o Salmo e o Evangelho dão as razões profundas da alegria. Trata-se de fazer descobrir às crianças que somos feitos para a alegria. Elas poderão dizê-lo nalgum momento da celebração: acendendo a terceira vela, a vela da alegria; animando um o outro cântico de alegria (Aleluia, Santo); ou agradecendo ao Senhor com uma oração após a comunhão. Por exemplo: “Jesus, Tu oferece-nos a verdadeira alegria, a alegria que vem de Ti. Enche os nossos corações com o teu amor, para podermos levar a tua alegria àqueles que encontrarmos”.

 

  1. PALAVRA PARA O CAMINHO.

Paciência! Uma palavra em sentido contrário aos nossos comportamentos: exigimos tudo, imediatamente! Dois milénios em que esperamos a vinda do Senhor! Ainda não veio! Mas já está! Renovemos, reajustemos o nosso olhar de fé e redescubramo-l’O bem presente, e em ação, em lugares e situações em que tantas vezes não esperávamos encontrá-l’O! Sempre em atitude de alegria e de esperança.

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA

Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org