04º Domingo do Advento – Ano A [atualizado]

ANO A

4.º DOMINGO DO ADVENTO

Tema do 4.º Domingo do Advento

No último Domingo do Advento, a liturgia apresenta-nos o Menino cujo nascimento nos preparamos para celebrar: Ele é o “Emanuel”, o “Deus connosco”, o Deus Amigo e Irmão que vem ao nosso encontro para nos salvar de tudo aquilo que impede o nosso encontro com a vida verdadeira. A Boa Notícia da vinda do Menino Deus dá um sentido novo e pleno à história dos homens.

Na primeira leitura o profeta Isaías garante ao rei Acaz – preocupado porque o seu reino está sob ameaça dos inimigos – que há razões para encarar o futuro com esperança. A jovem esposa do rei vai dar à luz um menino que assegurará o futuro da nação. O nascimento desse menino será um sinal de que Deus está e estará sempre com o Seu povo, acompanhando-o nos caminhos da vida e da história.

No Evangelho temos uma composição do “catequista” Mateus sobre o Menino que vai nascer de Maria de Nazaré e que será o “Emanuel”, o “Deus connosco”, o Deus que vem visitar-nos para ficar ao nosso lado e para nos oferecer a salvação. José, o jovem “prometido” de Maria, é convidado a colaborar no projeto de Deus e a acolher esse menino. A resposta humilde e generosa de José às solicitações de Deus fazem dele um exemplo para todos aqueles que se preparam para acolher o nascimento de Jesus.

Na segunda leitura o apóstolo Paulo apresenta-se aos cristãos de Roma. Define-se como “servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o Evangelho que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, acerca do Seu Filho”. Paulo, depois de ter sido “visitado” pelo Senhor Jesus, construiu toda a sua vida à volta d’Ele e tornou-se Sua testemunha até aos confins da terra.

 

LEITURA I – Isaías 7,10-14

Naqueles dias,
o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem:
«Pede um sinal ao Senhor teu Deus,
quer nas profundezas do abismo,
quer lá em cima nas alturas».
Acaz respondeu:
«Não pedirei, não porei o Senhor à prova».
Então Isaías disse:
«Escutai, casa de David:
Não vos basta que andeis a molestar os homens
para quererdes também molestar o meu Deus?
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal:
a virgem conceberá e dará à luz um filho
e o seu nome será Emanuel».

 

CONTEXTO

No ano 745 a.C. Tiglat-Pileser III sobe ao trono assírio. Inicia imediatamente uma política imperialista que conduz à anexação de diversos reinos da região. Alguns anos depois, em 738 a.C., as tropas assírias invadem os reinos de Tiro, Damasco e Israel. Esses reinos ficam submetidos a Tiglat-Pileser III e são obrigados a pagar-lhe um pesado tributo. Tiglat-Pileser III, contudo, obrigado a enfrentar problemas militares no norte do seu império, não avança para a conquista do reino de Judá.

Em 736 a.C., Acaz sobe ao trono de Judá. Pouco depois Pecah, rei de Israel, toma a decisão de rebelar-se contra o domínio assírio. Convida Acaz, rei de Judá, a entrar numa coligação anti-assíria com Rezin, rei da Síria. Acaz, prevendo que uma aventura desse tipo acabaria mal, recusa. Então Pecah e Rezin lançam as suas tropas contra Jerusalém, com o objetivo de derrubar Acaz e instalar no trono de Judá um rei disposto a participar numa rebelião contra a Assíria. Acaz receia não poder opor-se às tropas de Pecah e Rezin. Decide então pedir a ajuda dos assírios para resistir aos invasores. O profeta Isaías não está de acordo com a decisão de Acaz: para ele, Judá deve contar unicamente com Deus; confiar a segurança da nação a potências e a exércitos estrangeiros é, na perspetiva de Isaías, abandonar Deus e expor o país a dependências que só podem trazer sofrimento e opressão.

Isaías, acompanhado do seu filho Chear-Yachub, vai encontrar-se com o rei Acaz junto do aqueduto de Guijon, uma fonte de água que abastecia Jerusalém. Pede-lhe que confie em Deus, pois Deus irá livrá-lo dos exércitos de Pecah e Rezin (cf. Is 7,3-9). Não será necessário pedir a intervenção da Assíria. Acaz, no entanto, mantém-se firme na sua decisão política de pedir auxílio aos assírios.

 

MENSAGEM

Alguns dias depois de se ter encontrado com Acaz junto ao aqueduto de Guijon, Isaías vai novamente ao encontro do rei, desta vez no palácio real (vers. 10). Sugere a Acaz que peça um sinal – seja ele qual for – que confirme o compromisso de Deus com a salvação de Judá (vers. 11). O rei, contudo, não volta atrás. Alegando não querer pôr Deus à prova, Acaz recusa pedir qualquer sinal (vers. 12). As palavras do rei soam a hipocrisia: na verdade ele mantém a sua decisão simplesmente porque confia mais na força do exército assírio do que em Deus.

Isaías reage com indignação à recusa de Acaz. Com a sua teimosia o rei está, não apenas a preparar caminhos de ruína e de morte para Judá, mas também a desconsiderar Deus (vers. 13). Estará então tudo terminado? Não. Deus não desiste de apontar ao Seu povo o caminho certo. Por isso, o próprio Deus irá tomar a iniciativa e enviar um sinal ao rei Acaz (vers. 14a). O “sinal” de Deus será este: “a jovem (em hebraico: “ha-‘almah”) conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Deus connosco” (em hebraico: “‘Imanu El”) (vers. 14b). Que significa esse sinal? O profeta refere-se a quê, em concreto?

Muito provavelmente ao facto de “a jovem” esposa do rei estar grávida e ir dar a Acab o seu primeiro filho (o título “a jovem” como designação da esposa do rei não era invulgar: aparece, aliás, em diversos textos de Ugarit). O menino que vai nascer, filho de Acaz e de Abia (assim se chamava a jovem esposa de Acaz), receberá o nome de Ezequias; e alguns anos mais tarde, sucederá a Acaz no trono de Judá. O nascimento de Ezequias será um sinal de Deus: será a garantia de que a descendência de David subsistirá e de que, apesar estar sob ataque dos seus inimigos (Pecah, de Israel, e Rezin, da Síria), Judá terá um futuro. Esse bebé será portanto, para o rei Acaz, um sinal de que Deus está com o Seu povo (“Deus connosco”), disposto a cuidar de Judá e a assegurar-lhe um futuro de esperança.

Alguns séculos depois, quando se fizer uma tradução grega da Bíblia Hebraica (a “Setenta”), os tradutores irão utilizar o vocábulo “parthénos” (“virgem”) para traduzir o hebraico “‘almah” (“jovem”). A tradição judaica verá naquele “filho” anunciado por Isaías uma referência ao Messias, que haveria de nascer de uma “virgem”.

O evangelista Mateus conhece esta tradição. No Evangelho segundo Mateus, Jesus será esse “Emanuel” (“Deus connosco”), da descendência de David, referido na profecia de Isaías; e Maria, a mãe de Jesus, será a “virgem” nomeada no texto grego de Is 7,14.

 

INTERPELAÇÕES

  • Para aqueles que são capazes de observar a história dos homens com os olhos da fé, há uma realidade incontornável, que se vai manifestando a cada momento e das mais variadas formas: a “vinda” de Deus ao encontro dos homens para os acompanhar e guiar, a presença decisiva de Deus em cada curva do caminho que a humanidade está a percorrer, o cuidado e a ternura de Deus pelos seus queridos filhos que peregrinam no mundo ao encontro da vida verdadeira. O “caso” referido na primeira leitura deste quarto domingo do Advento encaixa-se bem neste molde: num tempo de desnorte e de crise, quando o rei Acaz insiste em arrastar Judá para caminhos sem saída, Deus vem ao encontro do Seu povo para lhe apontar o caminho que leva à salvação. Desde Acaz até aos nossos dias muita água correu sob as pontes da história; mas Deus, felizmente, ainda não perdeu essa bela “mania” de se meter connosco, de vir ao nosso encontro, de nos apontar caminhos, de ser o “Deus connosco”. A celebração do nascimento de Jesus – que ocorrerá dentro de poucos dias – coloca-nos frente a essa realidade. Estamos disponíveis para acolher o Deus que, em Jesus, vem ter connosco? Estamos dispostos a pôr de lado as nossas velhas ideias e preconceitos, os nossos interesses mesquinhos, as nossas certezas absolutas, para acolher as propostas e indicações de Deus?
  • Acaz disse ao profeta Isaías que não queria pedir a Deus um sinal porque não queria colocar Deus à prova. Tratava-se de uma desculpa esfarrapada. A verdade é que Acaz confiava mais nas alianças com os poderosos, na força do exército assírio, no poder das armas, na lógica da violência, do que em Deus. Acaz representa bem uma certa mentalidade “moderna”, racional e concreta, que prefere apostar em lógicas terrenas e humanas do que em lógicas que nos colocam na área da transcendência e do mistério insondável de Deus. O problema, no entanto, é que os alicerces humanos sobre os quais construímos os nossos projetos se revelam, quase sempre, pouco fiáveis. Desmoronam-se rapidamente, traem a nossa confiança, desiludem-nos a cada passo. Acaz fez rapidamente essa experiência. E Deus, também nos desilude e nos trai? Talvez nem sempre entendamos a Sua lógica e os Seus “tempos” de intervenção; mas Deus alguma vez nos deixou cair ou se voltou contra nós? Onde está a nossa “rocha segura” que não falha: em Deus ou nas estruturas humanas?
  • Deus, para tornar mais claro o caminho certo, enviou a Acaz um sinal. Acaz, no entanto, não quis ou não soube “ler” o sinal que Deus colocou diante dos seus olhos; por isso, não conseguiu fazer a escolha acertada e acabou por conduzir o seu povo por caminhos de morte e de desgraça. O exemplo de Acaz pode servir de base para nos questionarmos sobre a forma como encaramos os sinais que Deus coloca diante dos nossos olhos. Caminhamos atentos aos “sinais” que Deus posta na estrada da nossa vida e através dos quais nos indica o caminho que conduz à vida verdadeira, ou caminhamos numa alegre inconsciência, ao sabor da corrente e dos momentos, desviando-nos por atalhos que nos afastam do objetivo e nos fazem sofrer?

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 23 (24)

Refrão 1: Venha o Senhor: é Ele o rei glorioso.

Refrão 2: O Senhor virá: Ele é o rei da glória.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob.

 

LEITURA II – Romanos 1,1-7

Paulo, servo de Jesus Cristo,
apóstolo por chamamento divino,
escolhido para o Evangelho
que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas
nas Sagradas Escrituras, acerca de seu Filho,
nascido da descendência de David, segundo a carne,
mas, pelo Espírito que santifica,
constituído Filho de Deus em todo o seu poder
pela sua ressurreição de entre os mortos:
Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo,
a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé,
para honra do seu nome,
dos quais fazeis parte também vós,
chamados por Jesus Cristo.
A todos os que habitam em Roma,
amados por Deus e chamados a serem santos,
a graça e a paz de Deus nosso Pai
e do Senhor Jesus Cristo.

 

CONTEXTO

Em meados do séc. I, Roma era a maior cidade do mundo, com aproximadamente um milhão de habitantes. Neste número estavam incluídos cerca de 50.000 judeus.

Provavelmente, o cristianismo chegou a Roma levado por judeus palestinos convertidos ao Evangelho de Jesus. Uma antiga tradição diz que foi Pedro quem anunciou o Evangelho em Roma, por volta do ano 42, e que da sua pregação resultou uma florescente comunidade cristã. No entanto, não temos evidências que comprovem esta tradição.

Paulo escreveu a sua Carta aos Romanos por volta do ano 57 ou 58. Estava, por essa altura, prestes a terminar a sua terceira viagem missionária. Sentia que tinha concluído a sua missão no Mediterrâneo oriental, pois as igrejas que fundara e acompanhara nessas paragens estavam organizadas e já podiam caminhar por si próprias. O olhar de Paulo dirigia-se agora para ocidente. O apóstolo pensava passar por Roma, deter-se algum tempo nessa cidade e viajar depois para a Espanha para aí anunciar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28).

Ao dirigir-se por carta aos cristãos de Roma, Paulo pretendia estabelecer laços com eles; mas também aproveitou a oportunidade para lhes apresentar os principais problemas que então o preocupavam, entre os quais sobressaía a questão da unidade. Tratava-se de um problema que se sentia um pouco por todo o lado e que também inquietava a jovem comunidade cristã de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre cristãos de origem judaica e cristãos vindos do mundo greco-romano. Com serenidade e lucidez, evitando qualquer polémica, Paulo expôs aos cristãos de Roma as linhas mestras do Evangelho que anunciava. A Carta aos Romanos é uma espécie de resumo da teologia paulina e, do ponto de vista teológico, o escrito mais completo de Paulo.

Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos cristãos divididos que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente, sem distinção de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a “justiça de Deus” dá vida a todos, sem distinção (cf. Rm 3,1-5,11); e é em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o cristão morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Espírito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santificação e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante prática, exorta os cristãos a viverem de acordo com o Evangelho de Jesus.

O texto que nos é hoje proposto é parte da introdução à carta. Sabendo que se trata de uma comunidade que não foi fundada por ele, Paulo adota singulares precauções diplomáticas, a fim de não melindrar os cristãos de Roma. Começa por se apresentar e por definir a missão que Deus lhe confiou.

 

MENSAGEM

Num começo solene, Paulo de Tarso apresenta-se à comunidade cristã de Roma. Quem é ele? Paulo refere três apelativos que o definem: servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para anunciar o Evangelho (vers. 1).

Paulo é “servo de Jesus Cristo” porque, depois que se encontrou com o Senhor Jesus na estrada de Damasco, decidiu colocar toda sua vida ao serviço de Jesus e do Seu projeto. A designação “servo” não tem aqui qualquer conotação com escravidão (o que, de resto, estaria em contradição com a consciência que o apóstolo tem da liberdade cristã); mas deve ser entendida como entrega livre e consciente da própria vida a alguém – Cristo – que se tornou o centro da vida de Paulo. Desta forma, Paulo define o sentido da sua atividade missionária: é um serviço a Cristo e ao seu projeto libertador em favor dos homens.

Paulo considera-se também “apóstolo por chamamento divino”. Ele não escolheu, por sua iniciativa, uma carreira compatível com os seus gostos pessoais; mas foi chamado por Deus e enviado ao mundo por Deus para cumprir uma missão no meio dos homens. Quando Deus chama, o homem não pode ignorar esse chamamento. Consciente disso, Paulo está disposto a enfrentar todas as dificuldades, a fim de ser fiel ao chamamento que lhe foi feito.

Paulo sente-se, finalmente, um “escolhido para o Evangelho”. A palavra “escolhido” indica que Paulo, ainda antes de nascer, já tinha sido eleito por Deus para desempenhar um papel no projeto salvador de Deus. Ora, esse papel é anunciar a Boa Notícia de Jesus, uma Boa Notícia “que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras” (vers. 2-3). Paulo, plenamente consciente da sua eleição para o serviço do Evangelho, tem dedicado toda a sua vida a levar “todos os gentios a obedecerem à fé” (vers. 5). Também os romanos estão incluídos neste “mapa” do projeto salvador de Deus (vers. 6) e, portanto, no esforço missionário de Paulo.

No centro de todo este “discurso” de Paulo está o Evangelho. Paulo vê o “Evangelho” como a proposta salvadora de Deus, que se tornou viva e presente no mundo através da pessoa de Jesus Cristo, o Messias, e que se destina à salvação de todos os homens. Esse “Evangelho” não é uma coleção de textos mortos, ou um sumário de uma doutrina bem ou mal articulada; mas trata-se de uma proclamação viva, ativa, transformadora, capaz de gerar vida nova e liberdade plena naqueles que a escutam e a acolhem. Paulo está enamorado do Evangelho; sente que toda a sua vida está ao serviço desse projeto e que a sua missão é levá-lo a todos os homens.

 

INTERPELAÇÕES

  • Paulo não fez parte daquele grupo que acompanhou Jesus desde a Galileia a Jerusalém e que foi testemunha ocular do que Jesus disse e fez. Descobriu Jesus mais tarde, precisamente quando ia a caminho de Damasco, com um mandato do Sinédrio para descobrir os cristãos dessa cidade e trazê-los algemados para Jerusalém (cf. At 9,2). No entanto, esse encontro com Jesus na estrada de Damasco foi absolutamente decisivo na vida de Paulo. Mudou completamente o horizonte sobre o qual ele pensava construir o seu projeto de vida. Desde o primeiro instante em que conheceu Jesus, Paulo acolheu-O; e acolheu-O de tal maneira que passou a dizer: “já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). O Evangelho de Jesus passou a ser, para Paulo, a norma suprema, a sua referência fundamental. Numa altura em que estamos a poucos dias da celebração do nascimento de Jesus, talvez Paulo possa mostrar-nos como se acolhe Jesus. Vamos, uma vez mais, encontrar-nos com o Senhor Jesus que vem ter connosco. Estamos disponíveis para o acolher (como Paulo o acolheu quando se encontrou com Ele na estrada de Damasco) e para deixar que Ele nos transforme? Estamos disponíveis para caminhar com Ele e para fazer do Seu Evangelho o nosso “programa” de vida?
  • Paulo, depois de se encontrar com Jesus, tornou-se “apóstolo”. Aceitou o chamamento de Deus e fez-se “testemunha” de Jesus e do Seu projeto por todos os lugares onde a vida o levou. Não podia ser de outra forma: quando alguém faz uma verdadeira experiência de Jesus, percebe que não pode ficar calado; tem de partilhar com o mundo inteiro a Boa Notícia que descobriu. O anúncio do Evangelho torna-se então, não apenas um imperativo, mas uma missão plenamente assumida, necessária, incontornável. É por isso que Paulo dizia: “ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). Vamos, nestes dias, celebrar o nascimento de Jesus. Vamos acolhê-l’O e acolher a Boa Notícia de Deus que Ele nos traz. Depois de ouvirmos Jesus, vem o momento do testemunho. Aceitamos ser arautos do Evangelho de Jesus neste mundo que tão necessitado está de escutar a proposta de salvação que Deus faz aos homens?

 

ALELUIA – Mateus 1,23

Aleluia. Aleluia.

A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,
que será chamado Emanuel, Deus connosco.

 

EVANGELHO – Mateus 1,18-24

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:
Maria, sua Mãe, noiva de José,
antes de terem vivido em comum,
encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
Mas José, seu esposo,
que era justo e não queria difamá-la,
resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado,
quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor,
que lhe disse:
«José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa,
pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
Ela dará à luz um Filho
e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus,
porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o senhor anunciara
por meio do Profeta, que diz:
«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,
que será chamado ‘Emanuel’,
que quer dizer ‘Deus connosco’».
Quando despertou do sono,
José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara
e recebeu sua esposa.

 

CONTEXTO

O texto que nos é hoje proposto pertence ao “Evangelho da Infância”, na versão de Mateus. Os “Evangelhos da Infância de Jesus” (quer o de Mateus, quer o de Lucas) enquadram-se num género literário próprio, que utiliza técnicas do midrash haggádico (um método de abordagem do texto bíblico utilizado pelos rabis judaicos com o objetivo de captar o significado pleno do referido texto) para nos apresentar o mistério de Jesus. A preocupação dos evangelistas que nos legaram os “Evangelhos da Infância” não é apresentar um relato factual dos acontecimentos dos primeiros anos de Jesus, mas sim oferecer às suas comunidades uma catequese que proclame determinadas realidades salvíficas: que Jesus é o Messias, que Ele vem de Deus, que Ele é o “Deus connosco”. Com recurso a tipologias (correspondência entre factos e pessoas do Antigo Testamento e outros factos e pessoas do Novo Testamento), a manifestações apocalípticas (anjos, aparições, sonhos) e a outros recursos literários, Mateus e Lucas tecem as suas catequeses sobre Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens. O Evangelho que nos é hoje proposto deve ser entendido a esta luz e neste enquadramento.

Para entendermos a “narração do nascimento de Jesus” que Mateus nos apresenta, devemos enquadrá-la no contexto dos costumes matrimoniais em vigor na sociedade palestina da época. Mateus diz-nos, logo no início do relato, que Maria e José estavam noivos, mas ainda não viviam em comum. O casamento hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas etapas: havia uma primeira fase, na qual os noivos se prometiam um ao outro (os “esponsais”); só depois, numa segunda fase, surgia o compromisso definitivo, selado com as cerimónias do matrimónio propriamente dito. Entre os “esponsais” e a celebração do matrimónio, passava um tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar atrás, ainda que sofrendo uma penalidade. Durante esse tempo, os noivos não viviam em comum; mas o compromisso que os dois assumiam tinha já um carácter estável e vinculativo, de tal forma que, se surgia um filho, este era considerado filho legítimo de ambos. A Lei de Moisés considerava a infidelidade da noiva “prometida” como uma ofensa semelhante à infidelidade da esposa (cf. Dt 22,23-27). A união entre os dois “prometidos” só podia dissolver-se com a fórmula jurídica do divórcio. Ora, segundo o texto que nos é proposto, José e Maria estavam na situação de “prometidos”: ainda não tinham celebrado o matrimónio, mas já tinham celebrado os “esponsais”.

 

MENSAGEM

Pouco tempo depois da celebração dos esponsais, José apercebe-se de que Maria espera um filho. O evangelista Mateus não deixa ao leitor nem um segundo de dúvida: o menino que Maria espera vem de Deus, é fruto do Espírito Santo (vers. 18 e 20). No entanto, José não está ao corrente desse facto; apenas tem conhecimento que a gravidez de Maria aconteceu sem a sua intervenção. Sendo um “homem justo” e generoso, José decide não denunciar a sua “prometida”: se o fizesse Maria seria julgada como adúltera, condenada e apedrejada até à morte (cf. Dt 22,20-21). José considera simplesmente a possibilidade de repudiar Maria “em segredo”, isto é, sem apontar os motivos que o levam a terminar a relação (vers. 19).

Enquanto considera essa solução, José recebe, em sonhos, a visita do mensageiro de Deus. Este esclarece-o: o menino concebido por Maria “é fruto do Espírito Santo” (vers. 20). A narração do anúncio do anjo a José (vers. 20-24) não é original, pois segue o modelo dos relatos que referem o anúncio de nascimento de personagens importantes (cf. Jz 13: nascimento de Sansão), de acordo com o seguinte esquema: a) o anúncio está rodeado de sinais divinos (o “anjo do Senhor”, o sonho); b) esses sinais provocam medo e espanto; c) o mensageiro divino anuncia qual será o nome e a missão da criança que vai nascer; d) dá-se um sinal que confirma o anúncio (o cumprimento das Escrituras). A função destes anúncios é vincular a personagem, desde o seu nascimento, com o projeto divino. Este mesmo esquema estereotipado é, aliás, usado por Lucas para descrever o nascimento de João, o “Batista” (cf. Lc 1,5-25).

Neste episódio temos, portanto, não uma descrição de factos históricos, mas uma catequese sobre Jesus, apresentada com recurso a esquemas literários populares no mundo antigo. Qual é o objetivo desta catequese? Qual a mensagem fundamental que, através dela, Mateus pretende oferecer aos destinatários do seu evangelho?

O grande objetivo de Mateus parece ser, com este relato, fazer uma apresentação de Jesus. Afirma-se, antes de mais, que Jesus vem de Deus, que a sua origem é divina. Maria, a mãe de Jesus, encontra-se grávida, não por qualquer intervenção humana, mas por virtude do Espírito Santo”. Por outro lado, o facto de José, um homem da descendência de David, acolher Jesus como seu filho (a “paternidade” de José fica clara no facto de ser ele a dar o nome ao Menino), liga Jesus à família de David e sugere que Ele é o enviado de Deus para efetivar as promessas outrora feitas por Javé ao Seu povo através dos profetas (cf. 2Sm 7,11-16; Is 7,10-16). Esse Menino, da família de David, irá concretizar aquele reino ideal de paz e de felicidade pelo qual todo o Israel ansiava.

Para além disso, a “catequese” de Mateus também se refere ao papel que o Menino nascido de Maria terá no projeto de Deus. Ele será chamado “Jesus”. O nome significa “Deus salva”. Esse nome é, por si só, um autêntico “programa” de vida: o Menino vem de Deus com uma proposta de salvação para os homens; oferecendo a Sua vida para derrotar o egoísmo, a violência e a maldade, Ele “salvará o povo dos seus pecados” (vers. 21).

No Menino que vai nascer está o Deus que vem ao encontro dos homens (o “Deus connosco” – cf. Is 7,14), o Deus que desce ao nosso nível para abraçar a nossa humanidade, para reabilitar o “barro” de que somos feitos, para caminhar ao nosso lado e para ficar connosco “até ao fim dos tempos” (Mt 28,20). A referência ao “Deus connosco” está no princípio e no fim do Evangelho segundo Mateus.

Uma palavra final para essa figura discreta, silenciosa, simples, generosa, humana, “justa” que é José. José é “justo”, não porque age segundo a estrita Lei judaica, mas porque atua de acordo com a vontade de Deus e está disponível para acolher os desígnios de Deus, mesmo que isso lhe transtorne os seus próprios planos. José aparece, nesta belíssima catequese, como o modelo do verdadeiro crente: obediente, fiel, manso, humilde, atento, plenamente sintonizado com Deus. O crente que procede como José está sempre preparado para acolher o Senhor que vem.

 

INTERPELAÇÕES

  • Mateus parece fascinado com esse facto extraordinário que é Deus acercar-se dos homens para estar com eles e para fazer caminho com eles. Recupera mesmo uma antiga profecia de Isaías para nos apresentar o Menino que vai nascer de Maria como o “Emanuel”, o “Deus connosco”. Há, efetivamente, algo de absolutamente maravilhoso nesta história de um Deus que se despe de todas as suas prerrogativas divinas e se “veste” do barro débil de que somos feitos, que entra no nosso mundo pela porta da humildade e se aproxima de nós com a ternura de uma criança, que aceita sofrer lado a lado connosco as dores que marcam o caminho dos homens e que enfrenta a morte para nos dar vida… E porque é que Deus se dispõe a fazer esse caminho descendente e a incarnar na nossa história? Simplesmente porque nos ama e quer oferecer-nos a sua salvação. Preparamo-nos para celebrar, nos próximos dias, o nascimento desse Menino, do Emanuel, do Deus que vem ter connosco para ficar connosco e para caminhar connosco. Estamos preparados para o acolher? Ele tem lugar na nossa vida, não apenas no dia de Natal, mas em todos os dias do ano? Estamos dispostos a acolher a salvação que Ele nos traz?
  • Vivemos nestes dias imersos num ruído de fundo que nos deixa pouco espaço para preparar o encontro com o Senhor… É o folclore das prendas “obrigatórias”, as luzes que piscam nas ruas e nas nossas “árvores de natal”, as músicas natalícias mil vezes repetidas, as tradições familiares que fazemos questão de respeitar, os petiscos tradicionais que é necessário preparar, os artefactos que a sociedade de consumo nos impõe, o cenário superficial e manipulado que nos espera sempre que entramos num centro comercial… Como conseguiremos descobrir, por detrás de tanta superficialidade e aturdimento o mistério do Deus que vem ter connosco, do bebé chamado Jesus (“Deus salva”) que vem amorosamente trazer-nos uma proposta de salvação? Passaremos ao lado do Natal de Jesus se não conseguirmos fazer silêncio no nosso coração, abrir o coração ao mistério de um Deus que se aproxima de nós, saborear profundamente a chegada desse Deus Amigo que vem visitar-nos e quer encontrar lugar na nossa vida e no nosso coração. Ainda estamos a tempo: queremos, neste Natal, atirar para segundo plano as coisas supérfluas e abraçar o essencial, o Menino de Belém?
  • José é uma das grandes figuras do Advento. Ao narrar-nos a “anunciação do anjo a José”, Mateus convida-nos a contemplar esse homem humilde e generoso, humano e discreto, bom e “justo”, que acolhe num silêncio respeitoso as indicações de Deus e se disponibiliza totalmente para colaborar no projeto de Deus. Sem reivindicar nada, sem fazer espalhafato, sem questionar os caminhos misteriosos de Deus, sem apontar para si próprio as luzes que iluminam o palco onde se desenrola a história da salvação, José sintoniza plenamente com Deus e assume a missão paternal de cuidar do Filho de Deus. Contando com a humilde colaboração de José, Deus pôde vir ao encontro dos homens para lhes oferecer a sua salvação. A nossa disponibilidade para colaborar no projeto de Deus é semelhante à do “justo” José?
  • Há outra figura incontornável para todos aqueles que estão empenhados em preparar o Natal do Senhor: Maria, a mãe de Jesus. Ela, a jovem humilde de Nazaré, com a sua disponibilidade para escutar os apelos de Deus, com o seu “sim” incondicional ao projeto de Deus, abriu as portas da história humana ao Deus que queria vir ter connosco e fazer caminho connosco. Vemos em Maria um modelo de disponibilidade para acolher os desafios de Deus? Como ela, somos capazes de dizer todos os dias “sim”, de forma a que, através de nós, Deus possa nascer na vida dos homens?

 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 4.º DOMINGO DO ADVENTO
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

  1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 4.º Domingo do Advento, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

 

  1. FAVORECER OS TEMPOS DE SILÊNCIO.

O gesto-símbolo para este domingo pode ser a comunhão em silêncio: é no silêncio e na contemplação que Maria acolheu o Corpo Sagrado; é num profundo recolhimento que podemos receber nas nossas mãos o grão lançado à terra… Recolhimento que deverá caracterizar o conjunto de toda esta missa, a começar pelas pausas que serão indicadas no rito de abertura da celebração.

 

  1. RENOVAR A PROFISSÃO DE FÉ.

Depois da homilia e de um breve tempo de silêncio, todos se levantam; em seguida, o leitor da segunda leitura vai ao ambão e, lenta e solenemente, proclama de novo esta passagem da Carta aos Romanos: «…nascido da descendência de David, segundo a carne, mas, pelo Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor». Depois, após uma breve pausa, o presidente da assembleia diz: “Irmãos e irmãs, nós que acreditamos nesta Boa Nova, professemos a nossa fé!”

 

  1. BILHETE DE EVANGELHO.

Aos homens perdidos, Deus oferece a sua presença. O Povo de Deus estava perdido, esperava o Messias prometido pelos Profetas e não O via chegar. Maria e José estavam perdidos, porque não havia lugar para eles. Os pastores estavam perdidos, eram excluídos em toda a parte. Os Magos estavam perdidos, não sabiam onde devia nascer o Messias. E eis que Deus oferece a sua presença: Ele é o Emanuel, Deus connosco! Depois do Natal, ninguém está totalmente perdido. A solidão total não existe mais. Deus está sempre presente. Mas é necessário que os seus mediadores manifestem esta presença. Se estamos perdidos, estendamos a mão para conseguirmos agarrar outra. Se encontrarmos um irmão perdido, estendamos a mão para que Natal seja verdadeiramente Natal para ele e ele saiba que Deus está bem presente entre os seus.

 

  1. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.

Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

 

No final da primeira leitura:

Nós Te louvamos pelas promessas feitas ao teu povo, à Casa de David. Tu abriste-nos o espírito: da casa de tijolos orientaste-nos para esta casa de pedras vivas cuja fundação e lar é Jesus.

Nós Te pedimos pela tua Casa, que é a tua Igreja, na multidão das suas comunidades: que ela manifeste a presença do Emanuel!

 

No final da segunda leitura:

Nós Te damos glória, Deus nosso Pai, pela graça e pela paz, pelo apelo de Ti recebido, pela Boa Nova do teu Filho, pela sua ressurreição de entre os mortos e pelo teu Espírito que santifica.

Nós Te suplicamos por todas as nações pagãs: que o teu Nome seja honrado um dia em todas as línguas da terra.

 

No final do Evangelho:

Nós Te damos graças pela vinda misteriosa de Jesus à nossa humanidade, como Filho de David. Nós Te louvamos pela ação do teu Espírito em Maria, por esta nova criação, aurora de uma nova humanidade.

Nós Te pedimos pelas tuas comunidades: que elas acolham e partilhem a vida nova recebida pela comunicação do teu Filho.

 

  1. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.

Pode-se escolher a Oração Eucarística IV.

 

  1. PALAVRA EXPLICADA 1: SONHOS.

As advertências transmitidas pelos sonhos são numerosas no relato da infância do Evangelho segundo São Mateus. Os beneficiários são os anjos (Mt 2,12), mas sobretudo José (Mt 1,20; 2,13.19.22), habitualmente representado “sonhador” nos ícones da Natividade. Numerosas personagens bíblicas foram advertidas durante a noite, em sonho: Jacob, pela visão da escada a ligar o céu (Gn 28,12), o profeta Natã, enviado em missão junto de David (2 Sm 7,4), o apóstolo Paulo, pela sua estadia na Macedónia (At 16,9), etc. Através de mensagens invisíveis enviadas por Deus, como os anjos, a comunicação de noite, em sonhos e visões, era o meio privilegiado e ideal para transmitir as suas informações e as suas instruções. Na liturgia, numerosas tradições tiveram como origem tais visões pelo sonho. É o caso para o louvor celeste “Santo, Santo, Santo, o Senhor”, comunicado ao profeta Isaías (Is 6) e para todas as aclamações recebidas das visões do Apocalipse, como a de Ap 7,2.14.

 

  1. PALAVRA EXPLICADA 2: POVO SANTO.

A segunda leitura deste domingo termina com estas palavras: “todos os amados por Deus e chamados a serem santos”. Daí o povo de Deus ser chamado “povo santo”. Este título, tão frequente nas orações eucarísticas incluindo os prefácios, vem da Bíblia. Na expressão “povo santo”, a santidade não se reduz a uma conduta virtuosa ou íntegra que a palavra “santo” sugere familiarmente. Esta santidade é a comunicação de Deus ao seu povo, desde a assembleia do Sinai: “Sereis santos para Mim, porque Eu sou santo” (Lev 20,26). Tal título e outros semelhantes como “nação santa”, dados às nossas comunidades, manifestam a continuidade da obra de Deus: o que Ele começou no Sinai realiza-o de domingo a domingo nas nossas liturgias.

 

  1. ATENÇÃO ÀS CRIANÇAS: A MISSÃO DE JOSÉ.

Uma partilha de Evangelho pode ser útil hoje com as crianças, para lhes fazer transmitir qual é a bela missão de José. É possível que algumas crianças, vivendo numa família “recomposta”, admitam mais facilmente que outras que Jesus tenha podido ter um “verdadeiro papá” e um “outro papá”. O importante é que todos descubram que Jesus é “Deus” mas que teve necessidade como nós, para crescer, de um pai e de uma mãe. José envolveu Maria e José com toda a sua ternura. As crianças dirão a toda a assembleia o que José fez por Jesus: deu-lhe o seu nome (como hoje se “declara” um nascimento), trabalhou para o alimentar e o ajudar a crescer, protegeu Jesus. Poder-se-á terminar com uma breve oração a São José: “Obrigado, José, por teres tomado o cuidado de Jesus. Hoje, reza-Lhe por nós, para que Ele proteja todas as crianças”.

 

  1. PALAVRA PARA O CAMINHO.

Sinais! Deus está sempre a dar-nos sinais, mas nós procuramos quase sempre do lado do extraordinário. Raramente Deus está no extraordinário. O sinal que Ele nos oferece é o de uma família humana, como as nossas, em que Ele se faz corpo para ser “Deus connosco”. Que espaço Lhe abrimos nas nossas vidas de homens e de mulheres para que o Sinal da sua Presença e do seu Amor seja lisível para todos os que O procuram hoje? Só com o coração aberto a Deus poderemos acolher os irmãos… Só deixando que Deus seja Natal nas nossas vidas poderemos ser Natal para os outros… Nem mais! Mãos à obra em mais uma semana que Deus nos concede, a semana do Natal!

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA

Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
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