No último período da sua vida, Léon Dehon traçou um caminho espiritual cujos contornos ainda não foram suficientemente esclarecidos. Esta fase da história de L. Dehon coincidiu com a sua saída forçada de São Quintino e o seu exílio em Bruxelas. A sua vida espiritual sofreu uma mudança de rumo, afastando-se do seu envolvimento com a cena social e dedicando-se quase exclusivamente a uma revisão da devoção ao Sagrado Coração. Durante este período, escreveu nove livros sobre o Sagrado Coração e sobre a vida espiritual: La retraite du Sacré-Coeur (1896); Le mois du Sacré-Coeur (1899); De la vie d’amour envers le Sacré-Coeur (1900); Couronnes d’amour (1904); Le Coeur sacerdotal de Jésus (1906); L’Année avec le Sacré-Coeur (1918); La Vie intérieure (1918); La vie intérieure: Ses principes, ses voies diverses et sa pratique (1918) e Études sur le Sacré-Coeur de Jésus (1922).
Todos estes textos sobre o Sagrado Coração apresentam uma estrutura interna comum. Partilham certas características, e o nosso reconhecimento dessas características pode ajudar-nos a compreender a intenção do autor do texto.
- Os seis textos adquiriram a sua forma e identidade como textos do Sagrado Coração ao apropriarem-se estruturalmente de certas práticas devocionais da devoção tradicional ao Sagrado Coração, tais como a Ladainha do Sagrado Coração, a Coroa, o mês de junho, a noção de oblação e o ano litúrgico.
- Aos seis textos sobre a devoção ao Sagrado Coração foi dada a forma do exercício espiritual conhecido como retiro. Cada um dos retiros está configurado como uma série de meditações.
- Enquanto meditações, estes textos não são analíticos, mas sim práticos e contemplativos. Procuram causar impacto no leitor, que é concebido como o realizador do retiro. O leitor é um meditante, um contemplativo.
- O objetivo final destas meditações é a união com o Sagrado Coração de Cristo, alcançada através dos mistérios de Cristo, utilizando uma leitura específica das Escrituras, neste caso do Novo Testamento e da liturgia da Eucaristia. O modelo para esta leitura ou meditação das Escrituras deriva de Pierre de Bérulle, da Escola Francesa de Espiritualidade.
- O ponto final destes retiros, a união com o Sagrado Coração, é o que L. Dehon chama de puro amor, uma espécie de imersão mística do meditante no Sagrado Coração.
Extraído do contributo da Comissão Teológica Dehoniana da América do Norte
ao VII Seminário Teológico em Taubaté (Brasil)



