Dar significado ao sofrimento: os reverses como favor divino

L. Dehon ensina o leitor a encarar o sofrimento através de uma lente “sacramental” – a interpretar cada revés como uma potencial manifestação da graça divina, em vez de uma evidência direta da ausência ou do descontentamento divinos. Ele apresenta o “Fiat” [faça-se] como a resposta definitiva aos reveses, transformando o “fardo da angariação de fundos”, a recusa romana de imprimaturs e a desonestidade de “economistas pouco sérios” em ocasiões para um “sacrifício diário pelo reino do Sagrado Coração”.

A interpretação sacramental do sofrimento tem também o seu fundamento na própria vida interior de L. Dehon. A 5 de março de 1923, na festa das Cinco Chagas, a Irmã Ignace, enquanto rezava, ouviu Nosso Senhor dizer-lhe: “Deves procurá-Lo sempre na chaga do meu Coração”. L. Dehon responde imediatamente com total identificação:

“Sim, é realmente aí que quero viver. Uno-me ao Coração de Jesus para adorar e amar a Santíssima Trindade, para reparar, para rezar. É aí que faço a minha meditação, a minha adoração e todos esses “sursum corda” que gostaria de tornar ainda mais assíduos e fervorosos”.

Este texto introduz o clima que caracteriza a vida espiritual dos últimos anos de L. Dehon. Esta “democratização da mística” constitui uma das contribuições pastoralmente mais generosas das Notes Quotidiennes: a certeza de que o cume da vida espiritual não requer circunstâncias excepcionais nem dons extraordinários, mas é acessível a todos os membros da congregação, em todas as situações, em todos os momentos.

Extraído do contributo da
Comissão Teológica Dehoniana Europeia
ao VII Seminário Teológico em Taubaté (Brasil)