Os cadernos da maturidade de L. Dehon

Os últimos Cahiers das NQT (35-45) documentam o período final e talvez o mais rico da vida de L. Dehon: abrangem os últimos quinze anos da sua vida, desde o seu regresso à Europa após uma volta ao mundo (2 de março de 1911) até às últimas anotações feitas semanas antes da sua morte, em agosto de 1925, representando a sua “plena maturidade” e a síntese definitiva do seu legado espiritual e institucional.

Estes últimos cadernos documentam uma série de momentos decisivos: o regresso da sua viagem pelo mundo e a audiência concedida por Pio X (abril de 1911); a comemoração do seu septuagésimo aniversário e o envio da circular Souvenirs como testamento espiritual (março de 1912); o início da Grande Guerra e a ocupação alemã de São Quintino (agosto de 1914); o exílio forçado para Enghien e Bruxelas, na Bélgica (março de 1917); o quinquagésimo aniversário do seu sacerdócio em 1918; a reconstrução pós-guerra das instituições da Congregação; e, finalmente, a aprovação das Constituições por Pio XI em 1923 – um acontecimento que Dehon considerou como a conclusão da sua “grande obra de vida”.

No início do Caderno 35, L. Dehon estabelece um tom de consciência do fim, observando que os problemas de saúde o fazem perceber que o seu tempo é curto. Esta consciência acentua a intencionalidade pedagógica da escrita: cada entrada é, em certo sentido, uma mensagem aos discípulos que lhe sobreviverão – um modelo de como ler a história, como interpretar o sofrimento e como sustentar a vida interior em condições de adversidade institucional.

Extraído do contributo da Comissão Teológica Dehoniana Europeia ao VII Seminário Teológico em Taubaté (Brasil)