Voluntariado no Luau – Angola

Depois de uns meses de preparação em Lisboa lá partimos os três voluntários – Pe. José Manuel, Joana e Vera, no dia 28 de Julho com destino a Luanda. Foi uma viagem calma que deu para comer o que nos deram, dormir e ainda para ler os jornais e revistas que nos deram no início da viagem. Na capital esperavam-nos o David, o Flávio e a Emília que ficará com o nosso grupo durante a primeira semana de actividades. Após o almoço na casa Padre Dehon, onde se encontravam os Padres Domingos, Amândio e Vincenzo, fomos visitar uma feira de artesanato onde para adquirir qualquer objecto era preciso regatear o preço até se chegar a um consenso no preço. Tudo muito caro ou não seja Luanda a capital mais cara do mundo.

Partimos para o Luau, destino da nossa viagem, no dia 31 de Julho. Foi uma maratona de 2 dias em que Pe. Jorge nos conduziu por estradas onde os buracos e as “crateras” abundavam. Não acertar em algum era quase um milagre. Sobrevivemos embora as costas e os “bicos de papagaio” fossem rangendo aqui e ali… Depois de visitarmos as cataratas Calandula, também conhecidas por Quedas de Água Duque de Bragança, pernoitamos em Malange na casa dos franciscanos e no dia seguinte passando por Saurimo chegamos ao Luau onde nos esperavam para o jantar o Pe. Joaquim e o Pe. Luíz Cláudio. Fomos instalados nuns aposentos que pertenceram a uma ONG. Era uma espécie de “condomínio fechado…” com direito à presença de segurança que mais do que nos guardarem a nós tinham de estar atentos a alguns “amigos do alheio” que gostassem de desviar material das obras da missão.

Tínhamos como missão três objectivos muito concretos: divulgação da biblioteca Padre Dehon montada e organizada pelo grupo de voluntários do ano passado, formação de professores na área da pedagogia com a realização de 4 seminários e colaboração na vida da comunidade cristã trabalhando com os catequistas e os jovens.

Para que a biblioteca não fosse vista como uma livraria – ideia que reinava na comunidade – visitamos as escolas convidando as turmas e respectivos professores a fazerem uma visita de estudo ao local. Pelas contas da Joana e da Vera passaram por lá cerca de 500 alunos e alguns professores que ficaram entusiasmados e afirmavam que iriam usar este espaço que a missão lhes oferecia.

Enquanto isto decorria a Emília foi organizando kits de livros dos primeiros anos de ensino para serem distribuídos pelas diversas escolas espalhadas por toda a missão. Foi a maneira que se achou apropriada para rentabiliza todos aqueles livros que foram enviados de Portugal.

Quanto aos Workshops preparados com entusiasmo e dedicação pela Vera e Joana tiveram a presença de cerca 20 professores. Talvez este ano não tenham participado mais professores por dois motivos: semana de pausa e férias no ensino em toda a Angola e por se pagar uma taxa simbólica pela inscrição.

Com a comunidade cristã estivemos aos fins-de-semana visitando as diversas aldeias espalhadas pelo território da missão. Foram experiências maravilhosas onde fomos acolhidos em todo o lado com alegria, entusiasmo e amizade. Sentíamo-nos em casa pois até nos convidavam para ir almoçar o seu prato de “funge”. No regresso lá trazíamos uma galinha ou um pouco de mandioca como contribuição e reconhecimento da ida até eles.

Na semana em que lá esteve a Emília ainda se encontrou num sábado com o grupo de jovens que se está a preparar para o crisma. Parece que o Espírito esteve com ela pois pelo que consta falou como um livro aberto…
O Pe. José Manuel reuniu-se com os catequistas. Foram momentos muito enriquecedores onde se partilharam experiências e se aprofundaram conteúdos e metodologias de como organizar e dar uma sessão de catequese.

Já a Joana e Vera estiveram com o grupo de jovens durante a tarde dos domingos. Depois de falarem do voluntariado entraram nas artes cénicas onde a Vera se sente como peixe na água… Como prova de que a coisa resultou houve, na tarde do último domingo, um teatro inédito feito pelos jovens em honra de tão ilustres visitantes…

A última semana foi muito mais calma. Tão calma que a Vera até teve tempo para adoecer… Para febres altas, dor de cabeça e garganta inflamada o diagnóstico feito por nós e pelo hospital do Luau (que na prática só tinha serviço de obstetrícia e maternidade…) foi imediato: quer ela quisesse ou não tinha paludismo e tinha de fazer o tratamento. Aqui é que as coisas se complicaram pois ela não gosta e tem muita dificuldade de ingerir comprimidos. Foram três dias de calvário para ela. Já em Portugal e no hospital S. Francisco Xavier chegou-se à conclusão depois dos exames feitos que ela sofria é de uma amigdalite. Paciência! Errámos, mas tentámos ser ajuda apesar dos protestos dela.

Ainda recordados da aventura da viagem da vinda para o Luau optámos por fazer a viagem de regresso noutro meio de transporte – avião. Assim o Pe. Luiz Cláudio trouxe-nos até Saurimo onde deveríamos apanhar o avião cerca das 10.00 horas. Digo deveríamos porque estivemos no aeroporto desde as 9.30 horas até cerca das 13.30 horas. Deu para ler, jogar às cartas e ouvir um grupo coral que foi cantar umas canções a alguém relacionado com eles que também estava de partida. A sensação que fica é que por Angola e no que diz respeito a horários há como que três mudanças: devagar, devagarinho e parado…

Depois de uma noite novamente na nossa casa de Viana onde o Pe. Amândio, Pe. Odilo e Pe. Vincenzo nos acolheram com muita simpatia e amizade apanhamos o avião de regresso a Lisboa por volta das 11h00 da noite.

Como balanço deste mês de voluntariado apenas nos ocorre uma palavra de agradecimento a todos os missionários dehonianos que nos acolheram e nos fizeram sentir em nossa casa oferecendo e partilhando tudo o que estava ao seu alcance para que a nossa missão fosse realizada. Temos a certeza de que recebemos mais do que demos e ficou o desejo de um dia voltar.

Obrigado!

» Pe. José Manuel, Joana e Vera