21º Domingo do Tempo Comum – Ano A [atualizado]

ANO A
21.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 21.º Domingo do Tempo Comum

Quem é Jesus para nós? Que importância e que papel assume Ele no nosso projeto de vida? Reconhecemos em Jesus o Salvador, enviado por Deus para nos mostrar o caminho que conduz à vida? Estamos dispostos a segui-l’O, sem condições nem desculpas? Aceitamos integrar a comunidade que d’Ele nasceu e à qual Ele confiou a missão de dar testemunho do Seu Evangelho? São estas as questões que as leituras deste domingo nos deixam.

O Evangelho convida-nos a ver em Jesus “o Messias, o Filho de Deus vivo”, e a abraçar a proposta de salvação que Ele veio oferecer. Os que se dispõem a seguir esse caminho passam a integrar a Igreja, a comunidade nascida de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A Pedro e à Igreja Jesus confiou o “poder das chaves” e o “poder de ligar e desligar”: propor ao mundo a Boa Notícia da salvação, interpretar e explicar a palavra de Jesus, acolher na comunidade todos aqueles que acreditam em Jesus e se dispõem a segui-l’O.
A primeira leitura ajuda-nos a entender o simbolismo desse “poder das chaves” que Jesus entregou a Pedro e à Igreja. Aquele a quem foi confiado o serviço da autoridade não pode utilizar o seu poder para concretizar interesses pessoais, mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos filhos, com solicitude, com amor e com justiça.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo exorta-nos a contemplar a profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus. Talvez os projetos de Deus nos pareçam misteriosos e desconcertantes; mas é d’Ele que nos vem a vida e a salvação. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e oferecer-lhe continuamente um hino de louvor, de agradecimento e de amor.

LEITURA I – Isaías 22,19-23

Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio:
«Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te-ei do teu posto.
E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim,
filho de Elcias.
Hei de revesti-lo com a tua túnica,
Hei de pôr-lhe à cintura a tua faixa,
entregar-lhe nas mãos os teus poderes.
E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém
e para a casa de Judá.
Porei aos seus ombros a chave da casa de David:
Há de abrir, sem que ninguém possa fechar;
Há de fechar, sem que ninguém possa abrir.
Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme
e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».

CONTEXTO

O profeta Isaías (autor dos caps. 1-39 do Livro de Isaías) nasceu por volta do ano 760 a. C., no tempo do rei Ozias. De origem nobre, parece ter vivido em Jerusalém.
Isaías sentiu-se chamado por Deus à vocação profética quando tinha cerca de vinte anos (“no ano da morte do rei Ozias”, o que equivale a 740/739 a.C. – Is 6,1). Sabemos também que casou e teve filhos. Desconhecemos o nome da esposa, conhecida somente como “a profetiza” (Is 8,3).
O carácter de Isaías pode conhecer-se suficientemente através da sua obra. É um homem decidido, sem falsa modéstia, que se oferece voluntariamente a Deus no momento do seu chamamento vocacional. Seguramente, faz parte dos notáveis do país: participa nas decisões relativas ao Reino, falando com autoridade aos altos funcionários (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (Is 7,10). É enérgico e nunca se deixa desanimar. É inimigo da anarquia (cf. Is 3,1-9); mas isso não significa que apoie as classes altas. Na verdade, os seus maiores ataques são dirigidos aos grupos dominantes: autoridades, juízes, latifundiários, políticos. É duro e irónico com as mulheres da classe alta de Jerusalém (cf. Is 3,16-24; 32,9-14). Defende com paixão os oprimidos, os órfãos, as viúvas (cf. Is 1,17), o povo explorado e desencaminhado pelos governantes (cf. Is 3,12-15).
O ministério profético de Isaías estende-se por cerca de 50 anos. Os últimos oráculos de Isaías são, talvez, de 689 a. C. Um apócrifo judeu do séc. I d. C. – “Ascensão de Isaías” – afirma que o profeta foi assassinado pelo rei ímpio Manassés.
O oráculo de Isaías que nos é hoje proposto leva-nos à época do rei Ezequias. Por volta de 715 a.C., Ezequias atinge a maioridade e começa a dirigir os destinos de Judá. Por essa altura, o país girava, há já alguns anos, na órbita do império assírio. Ezequias procurou, inicialmente, não se envolver em alianças políticas que significassem um rompimento com a Assíria. No entanto, por volta de 705 a.C., aquando da morte do rei Sargão II, irromperam por todo o império assírio contestações e sublevações. Senaquerib, sucessor de Sargão II, demorou quatro ano a acabar com elas. Ezequias, julgando estar diante de uma oportunidade que vinha ao encontro do seu desejo de independência política, aderiu a uma coligação antiassíria, à frente da qual estava Merodac-Baladán, rei da Babilónia. Mas Senaquerib, depois de atacar e de vencer sucessivamente os diversos membros da coligação, pôs cerco a Jerusalém (701 a.C.). Ezequias, para evitar uma derrota humilhante, prometeu pagar tributo a Senaquerib. O profeta Isaías, contudo, convencido de que os invasores tinham ultrapassado todas as marcas, profetizou que Jerusalém devia resistir aos assírios; e garantiu que, se os assírios tentassem entrar na cidade, receberiam o castigo de Deus (cf. 2Re 19,20-34). De facto, o exército assírio foi devastado por uma epidemia e teve de retirar-se sem entrar em Jerusalém (cf. 2Re 19,35-37).
O episódio que nos é narrado, contudo, não se refere aos grandes acontecimentos políticos em que Judá, por esta altura, se vê envolvido. Refere-se, antes, a um episódio doméstico da vida do palácio. Quer Chebna, quer Eliacim, os personagens aqui nomeados, são altos funcionários de Ezequias, que o segundo livro dos Reis cita a propósito de um episódio relacionado com a referida invasão de Senaquerib (cf. 2Re 18,18.26.37).

MENSAGEM

O profeta Isaías recebe de Deus a missão de ir ter com Chebna, o “administrador do palácio” real, e de lhe entregar uma mensagem. Nessa mensagem, Deus avisa que Chebna vai ser demitido do cargo que desempenha. Porquê?
A razão aparece num versículo anterior, que não foi incluído na primeira leitura deste dia: Chebna talhou “para si um sepulcro no alto e cavou para si na rocha um mausoléu” (Is 22,16). O que haverá de condenável na edificação de um monumento funerário? O texto não o diz explicitamente. Talvez, na opinião do profeta, a construção por Chebna de um sepulcro com o seu nome seja uma expressão de orgulho e de vaidade; ou talvez o profeta pretenda condenar o facto de Chebna, num momento difícil para a comunidade nacional, ter utilizado bens da nação em benefício próprio, para perpetuar o seu próprio nome.
Seja como for, Deus decidiu que Chebna não é digno de continuar a desempenhar o alto cargo que lhe foi confiado. Será, portanto, substituído nas suas funções. Será despojado das insígnias do seu poder: a túnica, o cinto, a chave do palácio (cf. Is 22,19). O novo administrador do palácio real será um tal “Eliacim, filho de Elcias” (Is 22,20).
Demitido Chebna, Eliacim receberá o “poder das chaves”. O simbolismo das chaves é particularmente sugestivo: o mordomo do palácio, entre outras coisas, conservava em seu poder as chaves do palácio real, administrava os bens do soberano, fixava a abertura e o fechamento das portas e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano.
O profeta Isaías deposita grande esperança em Eliacim e na forma como ele irá desempenhar as suas funções. A expressão usada pelo profeta, referindo-se a Eliacim – “será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá” (Is 22,21) – sugere que ele agirá com solicitude, com amor, com justiça. Eliacim será como “uma estaca firme” (Is 22,23): desempenhará as suas funções com firmeza e integridade.
O nosso texto termina aqui. É preciso dizer, no entanto, que Isaías se enganou e que Eliacim não foi um administrador do palácio real tão íntegro e fiável como o profeta esperava. Um comentador tardio acrescentou mais dois versículos à história de Eliacim. Esse comentador retomará a imagem da “estaca” e dirá que, nessa “estaca”, penduraram-se e apoiaram-se todos os familiares de Eliacim (os nobres que pertenciam à família, os filhos e os netos) e a “estaca” acabou por desmoronar-se, arrastando na queda todos aqueles que a ela se seguravam e que dela se aproveitavam (cf. Is 22,24-25). Afinal, o exercício do poder é capaz de corromper e de fazer esquecer os verdadeiros valores.
Porque é que este pormenor corriqueiro da administração palaciana, nos é hoje proposto como Palavra de Deus? Uma dupla história de corrupção, de vaidade, de venalidade e de nepotismo é assim tão importante?
Ela prepara-nos para entender melhor o Evangelho que escutaremos neste domingo. Define em que consiste o verdadeiro serviço “das chaves”, o serviço da autoridade: ser um pai para aqueles sobre quem se tem responsabilidade e procurar o bem de todos com solicitude, com dedicação, com amor, com justiça.

INTERPELAÇÕES

• Esta historieta sobre os fracassos e os êxitos de dois administradores do palácio real, na época do rei Ezequias, propõe-nos uma reflexão sobre a lógica e o sentido do exercício do poder. Quem é chamado a desempenhar cargos de responsabilidade não pode fazê-lo com arrogância e vaidade, ignorando as necessidades dos mais frágeis, pisando a dignidade dos mais pequenos, agindo à margem do bem comum, utilizando em benefício próprio os recursos que pertencem a todos; mas deve comportar-se como “um pai” que cuida dos filhos: com solicitude e amor, com bondade e misericórdia, com tolerância e compreensão. A autoridade é um serviço que tem de ser exercido com amor. Só quem ama poderá cuidar dos seus irmãos. É essa a atitude que devemos exigir aos que são chamados a exercer cargos públicos, seja no contexto civil, seja no contexto da comunidade cristã. Como vemos o exercício da autoridade? Quando somos chamados a assumir cargos de responsabilidade, como nos comportamos? Temos presente o “estilo” de Jesus que, apesar de ser “Mestre” e “Senhor”, não se importou de “lavar os pés” aos discípulos?

• Todos nós, de uma forma ou de outra, estamos expostos à tentação de usar o nosso poder, a nossa influência, os nossos conhecimentos, para contornar as regras e para conseguir vantagens que nos beneficiem ou que favoreçam as pessoas das nossas relações. Esses comportamentos podem não estar certos do ponto de vista ético, especialmente se violam princípios de equidade, de imparcialidade e de impessoalidade. Como vemos isto? Respeitamos as regras vigentes, sem procurar conseguir vantagens indevidas? A nossa forma de agir baseia-se na transparência, na honestidade, no respeito pelas leis que defendem o bem comum e garantem a justiça para todos?

• O que se passou com Chebna e, depois, com Eliacim faz-nos pensar na precariedade e na finitude de certos valores que os homens valorizam e, por vezes, colocam no centro da sua existência: o poder, as honras, os privilégios, o reconhecimento, a riqueza, a importância social… Trata-se, por um lado, de valores que facilmente se perdem e que, ao perderem-se, deixam o ser humano a braços com uma crise existencial difícil de ultrapassar; trata-se, por outro lado, de valores que podem corromper o ser humano, degradar a sua autenticidade, levá-lo à perda da sua integridade moral ou da sua empatia com os que o rodeiam. Quais são os valores sobre os quais assentamos a construção do nosso projeto de vida? São valores que nos humanizam e nos realizam? São valores que favorecem a comunhão, a solidariedade, o entendimento com os nossos irmãos e irmãs?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)

Refrão 1: Senhor, a vossa misericórdia é eterna: não abandoneis a obra das vossas mãos.

Refrão 2: Pela vossa misericórdia, não nos abandoneis, Senhor.

De todo o coração, senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.

LEITURA II – Romanos 11,33-36

Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus!
Como são insondáveis os seus desígnios
e incompreensíveis os seus caminhos!
Quem conheceu o pensamento do Senhor?
Quem foi o seu conselheiro?
Quem Lhe deu primeiro,
para que tenha de receber retribuição?
D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
Glória a Deus para sempre. Amen.

CONTEXTO

Na altura em que decide escrever aos cristãos da comunidade de Roma, Paulo está prestes a terminar a sua terceira viagem missionária. Sente que terminou a sua missão na Grécia e na Ásia Menor, pois as igrejas que fundou e acompanhou estão organizadas e já podem caminhar sozinhas. Tem planos para se dirigir para ocidente, pensando inclusive em ir até à Espanha para aí anunciar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28). Tenciona passar por Roma e permanecer algum tempo na cidade.
A Carta aos Romanos é uma carta serena e lúcida, onde Paulo expõe os principais problemas que o preocupam. Entre eles sobressai a questão da unidade, um problema que a comunidade cristã de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre judeo-cristãos e pagano-cristãos, conhecia bem. Evitando afirmações polémicas, Paulo expõe aos cristãos de Roma as linhas mestras do Evangelho que anuncia. A Carta aos Romanos é uma espécie de resumo da teologia paulina. Estamos no ano 57 ou 58.
Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos cristãos divididos que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente, sem distinção de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a “justiça de Deus” dá vida a todos, sem distinção (cf. Rm 3,1-5,11); e é em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o cristão morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Espírito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santificação e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante prática, exorta os cristãos a viverem de acordo com a vida nova que receberam de Jesus.
Nos capítulos 9 a 11 da Carta aos Romanos, Paulo ocupa-se de uma questão muito discutida pelas primeiras gerações cristãs: o acesso de Israel à salvação. Israel tinha recusado a proposta feita por Deus através de Jesus Cristo; isso significa que Israel está, definitivamente, arredado da salvação? Para Paulo, Israel foi, desde os primeiros instantes da sua existência, chamado a ser Povo de Deus; e esse chamamento é irrevogável. Deus prometeu a salvação a Israel; e Deus é sempre fiel às suas promessas, não as deixará perderem-se. É verdade que uma parte de Israel recusou a proposta que lhe foi feita através de Jesus; mas a história da salvação não está ainda encerrada. Para além disso, a recusa de Israel trouxe um bem: permitiu que a proposta de salvação trazida por Jesus saltasse as fronteiras institucionais de Israel e chegasse aos gentios. A recusa de Israel trouxe algo positivo: fez com que os gentios pudessem beneficiar dos dons de Deus. De um mal, Deus tirou um bem. Mas o apóstolo acredita que o exemplo dos gentios arrastará Israel e fará com que ele se decida a acolher novamente a proposta de Deus.
O texto que a segunda leitura deste domingo nos oferece é a conclusão da reflexão de Paulo. Trata-se de um belíssimo hino de louvor, de reconhecimento e de adoração que exalta o desígnio salvador de Deus.

MENSAGEM

Depois de ter refletido sobre o projeto salvador de Deus e de ter compreendido o lugar de Israel nesse projeto, Paulo proclama a sua admiração e o seu espanto pelas “qualidades” de Deus: “como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus!” (cf. Rm 11,33). Essa admiração e esse espanto reaparecem depois, em ondas concêntricas, nas exclamações e interrogações que completam esse maravilhoso hino (cf. Rm 11,34-36) que encerra a secção especificamente doutrinal da Carta aos Romanos.
Paulo reconhece que os desígnios de Deus são misteriosos e ultrapassam infinitamente a capacidade de compreensão e de entendimento do homem. Deus é e será sempre mais do que aquilo que o homem possa imaginar: mais sábio, mais poderoso, mais grandioso, mais bondoso, mais misericordioso… Ao homem resta reconhecer a sua própria pequenez, os seus próprios limites, a sua própria finitude, a sua própria incapacidade para compreender totalmente esse Deus desconcertante e incompreensível. Mesmo quando as coisas parecem não fazer sentido – porque a lógica de Deus é completamente diferente da lógica dos homens –, ao homem resta atirar-se com confiança para os braços de Deus, acolher humildemente a sua Palavra e procurar seguir, com simplicidade e amor os seus caminhos. O verdadeiro crente é aquele que, mesmo sem entender o alcance total dos projetos de Deus, confia no amor de Deus e entrega-se sem hesitações nas mãos de Deus.
O espanto, o reconhecimento, a admiração que o crente sente diante da grandeza de Deus conduzem, finalmente, à ação de graças e ao louvor. Depois das maravilhas que presenciou e experimentou, o crente verdadeiro proclama: “glória a Deus para sempre. Amén”.

INTERPELAÇÕES

• O apóstolo Paulo parece absolutamente fascinado com a grandeza de Deus e com o projeto de salvação que Deus preparou para os seus filhos. Deteve-se a contemplar a forma como Deus tem agido na história dos homens e como tem oferecido aos homens o seu amor, a sua graça, a sua misericórdia; e, tocado por tudo isso, extravasa desta forma a sua admiração: “como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus!” Mergulhar – como Paulo ousou fazer – no mistério de Deus é abrir-nos à compreensão de Deus e à comunhão com Deus. Trata-se de uma experiência que poderá abrir-nos horizontes absolutamente novos e dar um sentido mais pleno à nossa existência. No entanto nós, homens e mulheres do séc. XXI, afogados num mar de problemas, mergulhados numa vida frenética, apostados em correr atrás de valores efémeros, dificilmente arranjamos tempo para nos determos a olhar para Deus, para os seus dons, para o seu amor. Quando nos disporemos a encontrar tempo e disponibilidade para “estar” com Deus, para mergulhar no mistério de Deus, para contemplar tudo o que Deus faz na nossa vida e na história do mundo?

• Paulo constata que os desígnios de Deus “são insondáveis” e que os caminhos de Deus “são incompreensíveis”. É verdade: a lógica de Deus nem sempre coincide com a lógica dos homens; os projetos de Deus ultrapassam infinitamente a nossa compreensão; a forma como Deus vê o mundo e os homens está infinitamente distante da visão limitada que nós temos das coisas. Por vezes, no nosso orgulho e na nossa autossuficiência julgamos saber mais do que Deus; mas isso é uma ilusão que rapidamente a vida desfaz. O único caminho viável, para nós, é reconhecermos os nossos limites e entregarmo-nos confiadamente nas mãos de Deus, seguros do seu amor e da sua bondade. Como é que nós nos situamos diante de Deus: com a arrogância de quem julga que sabe tudo, ou com a humildade de quem reconhece a grandeza de Deus e confia incondicionalmente no seu amor?

• Depois da “experiência de Deus” que fez, depois de ter contemplado a ação de Deus, Paulo chega ao louvor: “glória a Deus para sempre. Amén”. O louvor é a atitude natural e espontânea do coração que reconhece a presença, o amor e as maravilhas de Deus na história dos homens; o louvor é a respiração normal da alma humana que reconhece o Criador. Como respondemos ao amor e à bondade de Deus? Lembramo-nos de agradecer tudo o que Deus faz em nosso favor e na vida dos homens?

ALELUIA – Mateus 16,18

Aleluia. Aleluia.

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

EVANGELHO – Mateus 16,13-20

Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém
que Ele era o Messias.

CONTEXTO

O episódio que nos é proposto ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Aparece num momento de viragem, quando já começa a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz.
Antes deste episódio, Jesus andara a percorrer as vilas e aldeias da Galileia, anunciando o Reino de Deus com palavras (cf. Mt 5-7) e com gestos (cf. Mt 8-9). Acompanhavam-no numerosos discípulos, decididos a viver o sonho do Reino. De entre esses discípulos Jesus escolhera Doze, a determinada altura, para formarem um grupo especial (cf. Mt 10,1-4). Mateus designá-los-á por “apóstolos”. Jesus chegou a enviar os Doze, com instruções precisas, a pregar o Reino de Deus (cf. Mt 10,5-11,1).
A pregação de Jesus teve, inicialmente, um acolhimento entusiástico. Mas, com o passar do tempo, começou a notar-se, cada vez mais, a oposição dos líderes judaicos ao anúncio do Reino de Deus (cf. Mt 11,20-24; 12,1-14. 22-32; 15,1-20). Os Doze tinham apostado tudo em Jesus; mas, diante da contestação sempre crescente, começaram a interrogar-se: seria possível, contra as autoridades judaicas, levar para a frente o projeto do Reino de Deus? Como iria terminar aquela aventura?
Jesus sabia que o anúncio do Reino não podia ficar pela Galileia e que era necessário dar um passo em frente. Esse passo supunha ir a Jerusalém e confrontar as autoridades judaicas da capital. Era, no entanto, um passo que comportava riscos elevados (cf. Mt 16,21-28). Entretanto, havia o grupo dos discípulos: estariam eles dispostos a arriscar as próprias vidas por causa do Reino de Deus?
Antes de começar o caminho para Jerusalém, Jesus sonda os discípulos… Pretende saber como é que eles se posicionam face a tudo isto. O que é que eles sentem por Jesus? Como é que eles O veem? Estarão eles disponíveis para segui-l’O até Jerusalém, até à cruz?
A narração que Mateus nos oferece apresenta algumas diferenças em relação aos relatos do mesmo episódio apresentados pelos outros sinóticos (cf. Mc 8,27-30). Concretamente, Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, acrescentando a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus e a missão confiada a Pedro.
Cesareia de Filipe – o cenário geográfico onde o Evangelho deste domingo nos coloca – era uma cidade situada no Norte da Galileia, no sopé do Monte Hermon, junto de uma das nascentes do rio Jordão (na zona da atual Bânias). Durante o período helenístico, a cidade tinha tomado o nome de Panion, em virtude de haver lá um santuário dedicado ao deus grego Pan; mas, no ano 2 ou 3 a.C., Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) reconstruiu-a e deu-lhe o nome de Cesareia, em honra de César Augusto, imperador de Roma. Era, portanto, uma cidade marcada pelo paganismo e pelo culto ao imperador.

MENSAGEM

Chegado a Cesareia de Filipe, um território que ficava fora da jurisdição de Herodes Antipas e onde a pressão dos fariseus e doutores da Lei não se fazia sentir tão fortemente como no resto da Galileia, Jesus conversa tranquilamente com os discípulos sobre a Sua própria identidade. Pergunta-lhes, antes de mais: “quem dizem os homens que é o Filho do homem?” (Mt 16,13); e acrescenta, logo a seguir: “e vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mt 16,15).
A resposta à primeira questão parece pouco significativa: “uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16,14). Os “homens” veem Jesus em continuidade com o passado. Não captam a condição única de Jesus, a sua novidade, a sua originalidade. Reconhecem, apenas, que Jesus é um homem convocado por Deus e enviado ao mundo com uma missão, como os profetas do Antigo Testamento… Mas não vão além disso. Na perspetiva dos “homens”, Jesus é, apenas, um homem que escutou os apelos de Deus e que Se esforçou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros antes d’Ele. É já algo; mas não é o suficiente: significa que os “homens” ainda não captaram a novidade do Messias, a profundidade do mistério de Jesus.
Os discípulos, no entanto, conhecem melhor Jesus. Percorreram com Ele toda a Galileia, escutaram as palavras que Ele disse, viram os gestos que ele fez, partilharam com Ele o sonho do Reino de Deus. Ora, depois de tudo isso, aquilo que eles pensam de Jesus vai muito além da opinião comum… Pedro, porta-voz dos discípulos, resume o sentir da comunidade do Reino na expressão: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (vers. 16). É o que os discípulos, naquele momento em que são questionados, pensam de Jesus? Mais do que isso: nestes dois títulos resume-se a fé da Igreja de Mateus, o entendimento que a comunidade mateana tinha sobre a identidade de Jesus. Dizer que Jesus é “o Cristo” (o Messias) significa dizer que Ele é o libertador que Israel esperava, o enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salvação definitiva. No entanto, para os membros da comunidade do Reino, Jesus não é apenas o Messias: é também o “Filho de Deus”. No Antigo Testamento, a expressão “Filho de Deus” é aplicada aos anjos (cf. Dt 32,8; Sl 29,1; 89,7; Job 1,6), ao Povo eleito (cf. Ex 4,22; Os 11,1; Jer 3,19), aos vários membros do Povo de Deus (cf. Dt 14,1-2; Is 1,2; 30,1.9; Jer 3,14), ao rei (cf. 2Sm 7,14) e ao Messias/rei da linhagem de David (cf. Sl 2,7; 89,27). Designa a condição de alguém que tem uma relação particular com Deus, a quem Deus elegeu e a quem Deus confiou uma missão. Definir Jesus como o “Filho de Deus” significa, não só que Ele recebe vida de Deus, mas que vive em total comunhão com Deus, que desenvolve com Deus uma relação de profunda intimidade e que Deus Lhe confiou uma missão única para a salvação dos homens; significa reconhecer a profunda unidade e intimidade entre Jesus e o Pai e que Jesus conhece e realiza os projetos do Pai no meio dos homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino entendem e sentem o mistério de Jesus.

A “confissão de Pedro” (que é também a “confissão” da comunidade de Mateus) merece um comentário de Jesus (cf. Mt 16,17-20). Jesus começa por felicitar Pedro pela clareza da fé que o anima. Mas essa fé não é, no dizer de Jesus, mérito de Pedro, mas um dom de Deus (“não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que está nos céus” – Mt 16,17). Pedro pertence a essa categoria dos “pobres”, abertos à novidade de Deus, que têm um coração disponível para escutar Deus, para acolher os dons e as propostas de Deus. Esses “pobres” estão em contraste com os líderes religiosos judaicos – os fariseus, os escribas, os doutores da Lei – que, instalados nas suas certezas, seguranças e preconceitos, são incapazes de abrir o coração aos desafios de Deus. Pedro “sabe” quem é Jesus porque esteve sempre disponível para escutar Deus.
Na sequência, Jesus declara a Pedro que é sobre essa “pedra” que irá edificar a Sua Igreja. A que é que Jesus se refere? Que “pedra” é essa? Muito provavelmente, Jesus refere-se ao “dito” de Pedro, à confissão de fé precedente. A base firme e inamovível sobre a qual vai assentar a Igreja nascida de Jesus é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professam: a fé em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.

Pedro, a partir da fé que o anima, é chamado a colaborar com Jesus na edificação da comunidade do Reino. Nesse sentido, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”. A entrega das chaves equivale à nomeação do “administrador do palácio” de que falava a primeira leitura: entre outras coisas, o “administrador do palácio” geria os bens do soberano, fixava o horário da abertura e do fechamento das portas do palácio e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano. Por outro lado, a expressão “ligar e desligar” designava, entre os judeus da época, o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido, para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. Quem tem a missão de “ligar e desligar”, tem autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino. Mas então a comunidade de Jesus não é uma comunidade aberta a todos? Na verdade, todos são chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que não estão dispostos a aderir às propostas de Jesus não podem fazer parte dela.
O “poder das chaves” e o “poder de ligar e desligar” são aqui confiados por Jesus exclusivamente a um homem (Pedro), ou à comunidade dos discípulos, da qual Pedro é o porta-voz? É difícil, a partir deste texto, tirar conclusões definitivas sobre esta questão. O poder de “ligar e desligar”, por exemplo, aparece noutro contexto, confiado à totalidade da comunidade e não a Pedro em exclusivo (“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu” – Mt 18,18). Provavelmente, o mais correto é ver em Pedro o protótipo do discípulo: ele representa e sintetiza a comunidade que se reúne à volta de Jesus e que proclama a sua fé em Jesus como o “Messias” e o “Filho de Deus”. É a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de “atar e desatar”. Isso não invalida que Pedro fosse uma figura de referência para os primeiros cristãos e que desempenhasse um papel de primeiro plano na animação da Igreja nascente, sobretudo nas comunidades da Síria (as comunidades a que o Evangelho de Mateus se destina). Ainda hoje a Igreja nascida de Jesus revê-se na figura de Pedro e caminha pela história sob a orientação de Pedro.

INTERPELAÇÕES

• Quem é Jesus? Como é que os homens do séc. XXI o veem? Muitos dos nossos contemporâneos – crentes, agnósticos ou mesmo ateus – veem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros veem em Jesus um admirável “mestre” de moral, que tinha uma proposta de vida “interessante”, mas que não conseguiu impor os seus valores; alguns veem em Jesus um admirável condutor de massas, que acendeu a esperança nos corações das multidões carentes e órfãs, mas que passou de moda quando as multidões deixaram de se interessar pelo fenómeno; outros, ainda, veem em Jesus um revolucionário, ingénuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o “status quo”. Que achamos destas “visões” sobre Jesus? Consideramo-las redutoras, ou contentamo-nos com elas? Jesus terá sido apenas um “homem” que deixou a sua pegada na história humana, como tantos outros que a história absorveu e digeriu?

• “E vós, quem dizeis que Eu sou?” – perguntou Jesus diretamente aos seus discípulos nos arredores de Cesareia de Filipe. É uma pergunta decisiva, que deve ecoar, de forma constante, nos ouvidos e no coração dos discípulos de Jesus de todas as épocas. A nossa resposta a esta questão não pode ficar-se pela repetição papagueada de velhas fórmulas que aprendemos na catequese, ou pela reprodução impessoal de uma definição tirada de um qualquer tratado de teologia. A questão vai dirigida ao âmago do nosso ser e exige uma tomada de posição pessoal, um pronunciamento sincero, sobre a forma como Jesus toca a nossa vida. A resposta a esta questão é o passo mais importante e decisivo na vida de cada cristão. Quem é Jesus para nós? Que lugar ocupa Ele na nossa existência? Que valor damos às suas propostas? Que importância assumem os seus valores nas nossas opções de vida? Jesus é, para nós, a grande referência, o vetor à volta do qual o nosso mundo se constrói? Ele é para nós, de facto, “caminho, verdade e vida”?

• À volta de Jesus há um grupo de discípulos que o veem e o confessam como “o Messias, o Filho de Deus vivo”. Eles andaram com Jesus pelos caminhos da Galileia, perceberam a ligação que Jesus tem com o Pai, acreditam firmemente que Jesus foi enviado pelo Pai para oferecer aos homens a salvação. Jesus valida a “confissão de fé” dos discípulos e declara-lhes que é sobre essa “pedra” que edificará a Sua Igreja. Mais: Jesus garante aos discípulos que, assente nessa fé, a Igreja poderá enfrentar, sem medo nem desfalecimentos, as tempestades e as crises da história. Há dois mil anos que essa Igreja, nascida de Jesus, faz caminho no mundo. Hoje, como ontem, ela continua a assentar na fé em Jesus, Messias e Filho de Deus. Nós que fomos batizados em Cristo e nos consideramos discípulos de Jesus, temos consciência disso? Na base da nossa experiência e da nossa caminhada de fé está esse Jesus que é Messias e Filho de Deus? Revemo-nos na forma como a Igreja nascida de Jesus vive e proclama a sua fé, ou vivemos o nosso compromisso com Jesus à margem da comunidade, a partir de conceções pessoais e de visões individualistas da fé? Os que se aproximam das nossas comunidades cristãs podem sentir o entusiasmo que Jesus desperta em nós? Caminhamos sem medo, enfrentado ventos e marés, certos de que o mal nunca poderá derrotar a comunidade nascida de Jesus?

• A Igreja de Jesus não existe, no entanto, para ficar a olhar para o céu, numa contemplação inconsequente e estéril do “Messias, Filho de Deus”; mas existe para O testemunhar e para levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salvação que Ele veio oferecer. Por isso Jesus, antes de partir para o Pai, disse aos seus discípulos: “ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado” (Mt 28,19-20). Temos consciência desta dimensão “profética” e missionária da Igreja? Como membros da Igreja de Jesus, sentimos a responsabilidade de dar testemunho – com palavras, com gestos, com a vida – do Evangelho que Jesus anunciou? Os homens e as mulheres com quem contactamos no dia a dia – em casa, no emprego, na escola, na rua, no prédio, nos acontecimentos sociais – recebem de nós este anúncio e este convite a integrar a comunidade da salvação?

• A comunidade dos discípulos é, como qualquer comunidade humana, uma comunidade organizada e estruturada, onde existem pessoas a quem foi confiado o serviço da autoridade. Essa autoridade não é, no entanto, absoluta; mas é uma autoridade que se define a partir de Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida” (Mt 20,28). Na comunidade nascida de Jesus, o que quiser ser “o primeiro” deve ser o servo de todos (cf. Mt 20,26-27). Na Igreja de Jesus, a autoridade deve ser entendida como um serviço à comunidade, um serviço exercido com amor, em espírito de comunhão, de corresponsabilidade, de sinodalidade. É dessa forma que vemos e que entendemos a autoridade na Igreja de Jesus?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 21.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 21.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. ACLAMAR O FILHO DE DEUS VIVO.
A Boa Nova deste domingo convida a dar uma atenção particular à profissão de fé. Poder-se-ia dar um maior destaque à aclamação ao Evangelho. O presidente apresenta o Evangeliário aberto à assembleia, dizendo: “Senhor Jesus, cremos que tens palavras de vida eterna!” A assembleia retoma o refrão, cantando: “Louvor e glória a Ti, Senhor Jesus” (ou outro refrão). Depois: “Senhor Jesus, cremos que és o Salvador de todos os homens” e refrão. E finalmente: “Senhor Jesus, cremos que és o Caminho, a Verdade e a Vida” e refrão.

3. INSISTIR NA PROFISSÃO DE FÉ.
Como eco ao texto do Evangelho (confissão de fé de Pedro), pode-se insistir particularmente na profissão de fé. Poder-se-á tomar a do tipo pergunta/resposta: profissão de fé batismal ou uma das propostas no ritual da confirmação. Recorde-se que a resposta é sempre “CREIO” e não “cremos”.

4. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Mestre do universo, nós Te louvamos porque em todo o tempo enviaste profetas. Iluminados pelo teu Espírito, eles perceberam os sinais dos tempos. Tornados fortes pelo teu Espírito, denunciaram o mal com coragem.
Nós Te pedimos: torna-nos recetivos aos profetas do nosso tempo, suscita pastores para as nossas comunidades e para o nosso mundo.

No final da segunda leitura:
Deus, que ultrapassas infinitamente tudo o que possamos imaginar, com o apóstolo Paulo proclamamos a profundidade e a riqueza da tua sabedoria e da tua ciência. A Ti, glória eterna!
Nós Te pedimos pelos pregadores, catequistas, teólogos e mensageiros da tua Palavra. Que o teu Espírito nos eduque para a ação de graças.

No final do Evangelho:
Jesus, nosso irmão, com o apóstolo Pedro proclamamos os títulos que revelam a tua natureza e a tua missão: Filho do homem, novo Elias, grande Profeta, Messias, Filho do Deus vivo. Nós Te bendizemos!
Nós Te pedimos pela tua Igreja, pelo sucessor de Pedro e por todos os bispos a quem confias as chaves do teu Reino.

5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística I, que nomeia os Apóstolos e em particular Pedro, de quem o Evangelho de hoje fala da confissão de fé.

6. PALAVRA PARA O CAMINHO.
«Para vós, quem sou Eu?» Tomemos tempo para colocar esta questão a nós mesmos, no real muito concreto das nossas existências. Quem é Jesus para nós? E que “dizemos” d’Ele – ou não dizemos – quando se apresenta ocasião para testemunhar a nossa fé?

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
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