22º Domingo do Tempo Comum – Ano A [atualizado]

ANO A
22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 22.º Domingo do Tempo Comum

Ao longo da nossa peregrinação pela terra deparamo-nos, a cada passo, com uma infinidade de caminhos; mas nem sempre conseguimos ver, com claridade, que caminho escolher para construir uma vida com sentido. As leituras deste domingo dão-nos, sobre isto, algumas pistas. Garantem-nos que o caminho da “cruz” – o caminho do amor e do dom da vida – é aquele que mais diretamente conduz à vida eterna.

Na primeira leitura, o profeta Jeremias expõe a Deus o drama que marcou toda a sua vida. Seduzido pela Palavra de Javé, Jeremias sentiu-se enviado a dizer palavras duras, palavras que abalavam as certezas e as seguranças dos seus concidadãos. Essa experiência trouxe-lhe um grande sofrimento: incompreendido, perseguido, humilhado, o profeta experimentou a solidão e o fracasso. Desanimado, sentiu-se tentado a desistir do testemunho profético; mas não o fez, pois o amor pela Palavra de Deus ardia no seu coração como um fogo inextinguível. Apesar das crises e desilusões que enfrenta, Jeremias tem a certeza que nunca desistirá de seguir o caminho que Deus lhe aponta.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo diz-nos qual é verdadeiro culto que agrada a Deus e que Deus espera de nós: a doação total, a obediência pronta, a fé inabalável, a confiança absoluta. A entrega a Deus da nossa existência supõe ainda a não conformação com a lógica do mundo, a recusa dos valores e das propostas que subvertem a projeto que Deus tem para o mundo e para os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de dois caminhos, de duas propostas, de duas lógicas. De um lado, está o caminho escolhido por Jesus, um caminho que passa pela cruz, mas que leva à ressurreição e à vida nova; do outro está o caminho defendido por Pedro, um caminho que passa pelas honras, glórias e triunfos humanos, mas que não conduz à vida verdadeira. Jesus pede aos seus discípulos que escolham O sigam no caminho da cruz, da doação da própria vida, do amor até ao extremo.

LEITURA I – Jeremias 20,7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes.
Em todo o tempo sou objeto de escárnio,
toda a gente se ri de mim;
porque sempre que falo é para gritar e proclamar:
«Violência e ruína!»
E a palavra do Senhor tornou-se para mim
ocasião permanente de insultos e zombarias.
Então eu disse:
«Não voltarei a falar n’Ele,
não falarei mais em seu nome».
Mas havia no meu coração um fogo ardente,
comprimido dentro dos meus ossos.
Procurava contê-lo, mas não podia.

CONTEXTO

Jeremias nasceu por volta de 650 a.C., numa povoação levítica chamada Anatot, situada a cerca de cinco quilómetros a nordeste de Jerusalém. Pertencia a uma família sacerdotal. Sentiu-se chamado à vocação profética no décimo terceiro ano do reinado de Josias, o que corresponde a 627/626 a.C.; o seu ministério profético prolongou-se até depois da queda de Jerusalém nas mãos dos babilónios (ano 586 a.C.).
A vida de Jeremias decorreu numa época bastante conturbada, quer a nível político, quer a nível religioso. Durante mais de cinquenta anos os reis ímpios Manassés (698-643 a.C.) e Amon (643-640 a.C.), tinham multiplicado no país os altares aos deuses estrangeiros e levado o Povo a afastar-se de Javé. Após a morte de Amon, contudo, subiu ao trono Josias (640-609 a.C.), um rei bom que levou a cabo uma profunda reforma religiosa: procurou eliminar o culto aos deuses estrangeiros e concentrar a vida litúrgica de Judá num único lugar – o Templo de Jerusalém. Jeremias, convocado por Deus para o ministério profético, terá estado envolvido nesta reforma; mas acabou por manifestar uma certa desilusão quando constatou que o esforço reformador de Josias não estava a ter os resultados esperados. Quando em 609 a.C. Josias morreu em Megido em combate contra o exército egípcio, tudo se desmoronou. O seu sucessor, o rei Joaquin (609-598 a.C.) aliou-se com os egípcios, contra os babilónios; mas Nabucodonosor, rei da Babilónia, venceu os egípcios em Carquemish (607 a.C.) e Joaquin tornou-se vassalo da Babilónia, ficando obrigado a pagar um pesado tributo. As jogadas políticas de Joaquin conduziram, finalmente, à invasão de Nabucodonosor, rei da Babilónia, que pôs cerco a Jerusalém, conquistou a cidade (598 a.C.) e ordenou a deportação para a Babilónia de um grupo de notáveis de Judá. Sedecias, que ocupou o trono a seguir, depois de alguns anos de calma governação, continuou com a política aventureira de Joaquin. Os babilónios puseram novo cerco a Jerusalém, destruíram a cidade e deportaram o resto dos seus habitantes para a Babilónia (586 a.C.).
Jeremias é o paradigma dos profetas que sofreram por causa da missão que lhes foi confiada. De natureza sensível e cordial, homem de paz, Jeremias não foi feito para o confronto, para a violência das palavras ou dos gestos; mas Javé chamou-o para “arrancar e destruir, para exterminar e demolir” (Jer 1,10), para predizer desgraças e anunciar destruição e morte (cf. Jer 20,8). Assim o profeta, para cumprir o mandato de Deus, teve de dizer palavras duras, palavras difíceis de ouvir, palavras que abalavam as falsas seguranças em que a sociedade de Judá se tinha instalado. Os contemporâneos de Jeremias desprezavam-no, criticavam-no, afastavam-se mal ele abria a boca para proferir os seus oráculos; e esse homem sensível e delicado sofria terrivelmente pelo abandono e pela solidão a que era votado.
Jeremias foi um profeta apaixonado pela Palavra de Deus e pela verdade de Deus. Mas isso não evitou que, em certos momentos de desânimo, o sofrimento que lhe feria o coração se transformasse em dolorido lamento. É por isso que, no livro de Jeremias aparecem, a par e passo, queixas do profeta dirigidas a Deus. Alguns desses textos são conhecidos como “confissões de Jeremias” e são verdadeiros desabafos em que o profeta expõe a Javé, com sinceridade e rebeldia, a sua desilusão, a sua amargura e a sua frustração (cf. Jer 11,18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18). O texto que, neste domingo, hoje nos é proposto como primeira leitura integra a última dessas “confissões”.

MENSAGEM

A última das “confissões” de Jeremias (cf. Jer 20,7-18) é, também, a mais dramática e a mais desconcertante. Apresenta-se em forma de oração, dirigida pelo profeta a Javé. Em que contexto terá Jeremias feito esta oração? Certamente num momento em que se sentia mergulhado numa profunda crise pessoal. Podemos talvez, num exercício puramente teórico, apontar para o momento em que o profeta, condenado pelos altos dignatários do rei Sedecias, foi atirado para uma cisterna cheia de lodo (cf. Jer 38,1-6). Em risco de vida, Jeremias sente que fracassou em toda a linha: os seus adversários derrubaram-no, Deus abandonou-o, o seu anúncio foi ignorado… Valeu a pena ter nascido e ter acolhido o chamamento de Deus?
A oração de Jeremias assume a forma de uma acusação contra Deus. Essa acusação é formulada através da imagem da “sedução” (o verbo “pth”, aqui utilizado, aparece em Ex 22,15 para falar da sedução de uma jovem solteira): Deus, o “sedutor”, insinuou-Se na vida do profeta, pressionou-o, dominou-o, encantou-o, convenceu-o a aceder às suas solicitações; e o profeta, qual donzela inexperiente, deixou-se levar, não soube como resistir às investidas do “sedutor”. Embalado pelas promessas de Deus, incapaz de resistir ao seu “charme” e aos seus jogos de sedução, pressionado e enganado, Jeremias entregou-se completamente nas suas mãos e dedicou toda a vida ao seu serviço.
O que é que o profeta ganhou com a sua entrega a Javé? Segundo a “confissão” de Jeremias, nada de positivo. Esse Deus que o seduziu, que o convenceu a dedicar a vida ao serviço profético, abandonou-o miseravelmente e deixou-o entregue aos insultos e às zombarias dos seus adversários, não se importou que o condenassem à morte. O profeta está dececionado e magoado; e a sua desilusão traduz-se na resolução firme de resistir, a partir de agora, à voz do sedutor, de não estar mais disponível para servi-l’O: “não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome” (Jer 20,9a). Mas conseguirá o profeta levar até ao fim o seu propósito?
Não. O amor por Deus e pela sua Palavra apossou-se definitivamente do coração de Jeremias e infiltrou-se-lhe nos ossos; e o profeta nunca poderá resistir a esse fogo avassalador que o consome (“procurava contê-lo, mas não podia” – Jer 20,9b). O profeta conclui, então, que nunca conseguirá desistir de Deus, ignorar as exigências de Deus, deixar o serviço de Deus, esconder-se atrás de uma vida confortável e instalada. Resta-lhe, então, continuar a servir a Palavra de Deus, conformar-se com esse destino de solidão e de sofrimento a que a missão profética o obriga. O amor é exigente, pede dedicação total, faz com que ponhamos em primeiro lugar aquele ou aquela que é objeto do nosso amor. Ora, Jeremias ama com paixão esse Deus que o seduziu; por isso, nunca deixará de servi-lo com todo o coração, com toda a alma, com todas as suas forças.

INTERPELAÇÕES

• A história de Jeremias é um caso isolado? É apenas a história de um homem demasiado sensível, que por engano se viu envolvido numa missão que ultrapassava as suas capacidades? Não, a história de Jeremias não é um caso único, nem um caso clássico de inadaptação profissional. A história de Jeremias é, mais vírgula menos vírgula, a história de todos aqueles que Deus chama a serem profetas, a serem voz de Deus no mundo dos homens. Enquanto voz de Deus, o profeta é chamado a lembrar o projeto de Deus para os homens e, portanto, a denunciar tudo aquilo que causa sofrimento e morte: a injustiça, a opressão, a violência, a maldade nas suas mil e uma formas. Ao fazê-lo, o profeta irá pôr em causa os projetos egoístas dos grandes do mundo. Em consequência, o profeta sofrerá a oposição, a incompreensão, a perseguição, a condenação, talvez até a morte; sentir-se-á sozinho, ameaçado, abandonado, desprezado… Mas tem de estar preparado para enfrentar tudo isso, pois Deus conta com ele para ajudar a construir um mundo mais justo e mais humano. Nós que no momento do nosso batismo fomos ungidos com o óleo do Crisma e constituídos profetas, à imagem de Jesus, estamos dispostos a cumprir, apesar da sua dureza, a missão que nos foi confiada?

• Antes de ser voz de Deus que ecoa no mundo e na história dos homens, o profeta tem de escutar a Palavra de Deus, de acolhê-la no coração, de meditá-la longamente, de compreendê-la, de apaixonar-se por ela, de deixar-se habitar por ela dia e noite… Jeremias fez esta experiência: sentia a Palavra de Deus como um “fogo ardente” que o queimava até aos ossos, que tomava conta do seu ser e que o impelia a proclamá-la diante do mundo, independentemente da forma como o seu anúncio era recebido… Que lugar ocupa a Palavra de Deus na nossa vida? Escutamo-la, meditamo-la, guardamo-la no coração, sentimos necessidade de partilhá-la com aqueles que se cruzam connosco nos caminhos da vida? Estamos dispostos a correr todos os riscos para que a Palavra de Deus seja escutada e renove o mundo?

• As lamentações de Jeremias, as palavras duras que ele diz a Deus, devem ser entendidas no contexto do sofrimento intolerável que o profeta experimenta. São o grito de um coração humano dolorido, ferido pela incompreensão dos que o rodeiam, pelo abandono, pela solidão e pelo aparente fracasso da missão a que devotou a sua vida. Não são as mesmas palavras que às vezes dizemos quando a dor, a solidão, o sofrimento tomam conta do nosso coração? Devemos saber que esses momentos não são propriamente momentos negativos da nossa caminhada de fé e de relação com Deus; mas são momentos – talvez necessários – de crescimento e de amadurecimento, em que experimentamos a nossa fragilidade e descobrimos que, sem Deus e sem o seu amor, a nossa vida não faz sentido. Já fizemos esta experiência? Ela amadureceu-nos, ajudou-nos a crescer na fé e na confiança em Deus?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 62 (63)

Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água.

Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios hão de cantar-Vos louvores.

Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares,
e com vozes de júbilo Vos louvarei.

Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.
Unido a Vós estou, Senhor,
a vossa mão me serve de amparo.

LEITURA II – Romanos 12,1-2

Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus,
que vos ofereçais a vós mesmos
como vítima santa, viva, agradável a Deus,
como culto racional.
Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
pela renovação espiritual da vossa mente,
para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus,
o que é bom,
o que Lhe é agradável,
o que é perfeito.

CONTEXTO

Na altura em que decidiu escrever a Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo não conhecia a comunidade cristã de Roma. A sua missão apostólica desenrolara-se, até então, na região da Ásia Menor e da Grécia, as regiões por onde ele tinha andado nas suas três viagens missionárias. Mas Paulo sentia que o seu trabalho no Mediterrâneo oriental estava praticamente concluído e que as comunidades cristãs que criara e animara nessa parte do mundo já podiam caminhar sem a sua ajuda. Era necessário, agora, enfrentar novos desafios… E Paulo via, como novo campo de missão, esse longínquo ocidente onde o Evangelho de Jesus ainda não tinha chegado. Em concreto, o apóstolo pensava ir até à Espanha, depois de passar por Roma (cf. Rm 15,24-28).
Paulo quis dar conta aos cristãos de Roma deste projeto. Mas aproveitou a oportunidade para se apresentar aos romanos e para lhes expor, com serenidade e sem entrar em polémicas estéreis, as linhas fundamentais do Evangelho que anunciava. A reflexão de Paulo incide, de forma especial sobre a questão da unidade, um problema muito discutido nas primeiras comunidades cristãs, incluindo a comunidade cristã de Roma, há muito afetada por problemas de relacionamento entre judeo-cristãos e pagano-cristãos. Era por volta do ano 57 ou 58.
Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo faz questão de lembrar aos cristãos divididos que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente, sem distinção de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a “justiça de Deus” dá vida a todos, sem distinção (cf. Rm 3,1-5,11); e é em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o cristão morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Espírito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santificação e caminha para a Vida eterna.
A segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) tem uma dimensão eminentemente prática. De uma forma muito concreta, o apóstolo convida os cristãos de Roma a assumirem atitudes concretas que sejam a expressão existencial desse dinamismo de vida nova que receberam no batismo, quando aderiram a Jesus.
O texto que a liturgia nos propõe, neste domingo, como segunda leitura, apresenta os dois primeiros versículos da segunda parte da carta. Esses versículos fazem a ligação entre a reflexão teológica (primeira parte da carta) e as orientações práticas daí decorrentes (segunda parte da carta).

MENSAGEM

A iniciativa de Deus (descrita na primeira parte da Carta aos Romanos), que oferece ao homem, de forma totalmente gratuita, a salvação, exige uma resposta. Como é que deve concretizar-se essa resposta?
Segundo Paulo, o que Deus pretende dos crentes não é o culto véterotestamentário, que passava pelo sacrifício cruento de animais, realizado no templo de Jerusalém; mas é que o crente se ofereça a si próprios. Paulo diz, literalmente: “peço-vos… que ofereçais os vossos corpos” (Rm 12,1). O “corpo”, na antropologia semita, designa a pessoa na sua totalidade, o homem que age no e pelo seu corpo, lugar necessário da sua existência e da sua relação com Deus, com os outros homens e com o mundo. O que Deus espera é que o ser humano se entregue completamente nas Suas mãos, na obediência radical, na doação total da sua vida, numa entrega que abarque todas as dimensões e ângulos da sua existência.
A entrega da própria pessoa nas mãos de Deus será, segundo Paulo, um “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. O culto que, dessa forma, o homem oferece a Deus é um “culto espiritual” (pode traduzir-se também como “culto lógico”, ou “culto racional”). O adjetivo utilizado por Paulo (“logikê”) para referir-se ao culto é utilizado em contextos análogos, tanto por autores judaicos como por autores gregos, para marcar a diferença entre um culto formalista e puramente exterior, que não compromete o homem, e o culto verdadeiro, que brota do coração e que envolve o crente na sua totalidade (cf. Am 5,21-25; Os 6,6; Jo 4,23-24).
Esse “culto espiritual” inclui a não conformação com este mundo (cf. Rm 12,2). Essa “não conformação” significa, antes de mais, manter uma distância crítica em relação aos esquemas do mundo e aos valores sobre os quais este mundo de egoísmo e de pecado se constrói. Significa, por outro lado, uma mudança de coração, de mentalidade, de inteligência, de perspetiva, que possibilite ao homem entender a lógica de Deus e discernir qual é a vontade de Deus. Só então o homem poderá caminhar, com fidelidade, nos caminhos que Deus lhe aponta.
Deus, na sua infinita benevolência, oferece a salvação a todos os homens e mulheres, sem exceção; mas, embora esse dom seja dado sem condições, “a fundo perdido”, merece uma resposta por parte do crente. Pela fé, o crente acolhe a oferta de salvação que lhe é feita; e compromete-se a adotar um estilo de vida coerente com o compromisso que assumiu no momento do seu batismo, quando escolheu pertencer à família de Deus.

INTERPELAÇÕES

• Na vivência da fé deparamo-nos frequentemente com a tentação de resumir a nossa resposta a Deus à prática de um conjunto de gestos externos, vazios, mecânicos, rotineiros, que não exigem muito de nós nem nos comprometem excessivamente. Ao praticá-los, descansamos a nossa consciência e ficamos com a sensação de ter cumprido as nossas obrigações religiosas, de ter “pago” a Deus o que lhe devemos, de ter feito o necessário para que Deus “não tenha razões de queixa”… O apóstolo Paulo, contudo, vem lembrar-nos – no texto da Carta aos Romanos que escutámos – que esses gestos externos traduzem uma mera “fé de fachada”, um formalismo vazio e estéril, uma religião sem amor. De acordo com Paulo, o verdadeiro culto passa pela doação total de nós próprios a Deus, num compromisso sem reservas com Ele, numa escuta atenta de Deus e das suas indicações, numa obediência radical à Palavra de Deus, num compromisso total com Deus e com o seu projeto. Como vivemos a nossa fé? Como respondemos ao amor fiel e incondicional de Deus?

• “Não vos conformeis com este mundo” – pede Paulo aos cristãos de Roma e a nós também. O cristão não vive de relações cortadas com o mundo, nem vê o mundo como um “antro de perdição” sem saída e sem remédio; mas o cristão também não aceita, de forma acrítica, todos os valores sobre os quais o mundo se constrói. O cristão sabe que a violência não é a melhor forma de resolver os desacordos e as tensões que dividem os homens e os povos; o cristão, sustentado pelos valores do Evangelho, recusa-se a aceitar que a lógica materialista do sucesso a qualquer custo seja uma base viável para a edificação de uma sociedade mais justa e mais humana; o cristão não pode estar de acordo com as exigências de uma globalização que favorece alguns privilegiados, mas aumenta as bolsas de miséria e de exclusão; o cristão não pactua com discursos de ódio, de racismo, de marginalização das minorias, de desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais frágeis… Como nos situamos face aos valores que contradizem o projeto de Deus para o mundo e para os homens? Vivemos comodamente instalados no nosso canto, egoisticamente ocupados a devorar a nossa pequena fatia de felicidade, ou lutamos objetivamente contra tudo aquilo que desfeia o mundo e fere os homens?

• “Transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente” – pede Paulo aos cristãos de Roma e a nós também. Chamamos a isto, em linguagem cristã, “conversão”. Só quem vive em permanente processo de “conversão” consegue ultrapassar o imobilismo, a acomodação, a instalação, que nos paralisam e esterilizam; só quem vive em permanente processo de “conversão” pode escutar, a cada momento, as indicações de Deus, os desafios sempre novos de Deus. Vivemos instalados nos nossos preconceitos, nas nossas certezas, nas nossas seguranças, nos nossos princípios imutáveis, ou procuramos viver na escuta permanente de Deus, na procura nunca terminada dos caminhos de Deus, no discernimento dos projetos e das propostas de Deus?

ALELUIA – cf. Efésios 1,17-18

Aleluia. Aleluia.

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,
ilumine os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados.

EVANGELHO – Mateus 16,21-27

Naquele tempo,
Jesus começou a explicar aos seus discípulos
que tinha de ir a Jerusalém
e sofrer da parte dos anciãos,
dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas;
que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Pedro, tomando-O à parte,
começou a contestá-l’O, dizendo:
«Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!»
Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe:
«Vai-te daqui, Satanás.
Tu és para mim uma ocasião de escândalo,
pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».
Jesus disse então aos seus discípulos:
«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Porque, quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
há de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro,
se perder a sua vida?
O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai,
com os seus Anjos,
e então dará a cada um segundo as suas obras».

CONTEXTO

Pouco antes, nos arredores de Cesareia de Filipe, Jesus tinha questionado os discípulos sobre o que pensavam d’Ele. Pedro, o porta-voz do grupo, respondera: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus validara a resposta de Pedro e afirmara que construiria a sua Igreja sobre a fé professada por Pedro e pelos outros discípulos (cf. Mt 16,13-20).
Estava tudo claro? Pedro e os outros discípulos compreenderiam exatamente o alcance da resposta dada a Jesus? Entenderiam eles, em toda a sua dimensão, o sentido da messianidade de Jesus? Provavelmente não. A sequência vai mostrar que Pedro e os outros discípulos encaravam a messianidade de Jesus em sentido político e esperavam ser associados por Jesus a um destino de glórias militares, de grandezas e de poder. Jesus, no entanto, não se revia num projeto desse tipo e sabia que esse não era o plano que o Pai tinha para Ele. Por isso, Jesus pediu aos discípulos que, por enquanto, não dissessem nada a ninguém: antes de darem testemunho do Messias, eles tinham de descobrir o verdadeiro sentido da messianidade de Jesus.
Com o episódio que se seguiu à confissão de Pedro (aquele que o Evangelho deste domingo nos apresenta) começa uma nova secção no Evangelho segundo Mateus. A expressão “a partir desse momento” (Mt 16,21a) sugere exatamente isso. Nesta nova secção, as multidões ficam em plano secundário. Quem ocupa o centro do palco são os discípulos. Jesus vai explicar-lhes que o projeto que o Pai Lhe confiou não passa por triunfos humanos, mas pela cruz (cf. Mt 16,21-17,21); e vai avisá-los de que viver como discípulo é seguir esse mesmo caminho, fazendo da própria vida um dom total, por amor (cf. Mt 17,22-27).
Mateus escreve o seu Evangelho para comunidades cristãs do final do séc. I (anos 80/90). São comunidades que já esqueceram o fervor inicial e que se acomodaram numa vivência morna e pouco exigente da própria fé. No entanto, aproximam-se tempos difíceis: no horizonte próximo estão já as grandes perseguições que irão atingir as comunidades cristãs no final do séc. I; é conveniente, portanto, lembrar aos crentes que o caminho cristão não é um caminho fácil, percorrido no meio de êxitos e de aplausos, mas é um caminho difícil, que passa pela cruz e que exige diariamente a entrega e o dom da própria vida.

MENSAGEM

O relato que Mateus nos oferece apresenta, claramente, duas partes. Na primeira (cf. Mt 16,21-23), Jesus começa a desvelar, para os discípulos, o mistério do Messias; na segunda (cf. Mt 16,24-28), Jesus define as condições para quem quiser segui-l’O e integrar a comunidade messiânica, a comunidade do Reino de Deus.

De acordo com Mateus, “Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia” (Mt 16,21).
Jesus teve sempre plena consciência de que o projeto do Reino seria decidido em Jerusalém, o lugar onde as tradições judaicas sempre situaram a erupção da salvação trazida pelo Messias. Por isso, terminada a etapa da Galileia, decidiu pôr-se a caminho de Jerusalém. Ele queria confrontar os líderes judaicos (os “anciãos”, autoridades civis; os “príncipes dos sacerdotes”, autoridades religiosas; os “escribas”, autoridades intelectuais) com a proposta do Reino de Deus. Era, evidentemente, uma jogada arriscada, que provavelmente conduziria à cruz. Jesus sabia-o; mas tinha que cumprir até ao fim a missão que Lhe fora confiada pelo Pai. Foi essa decisão de ir para Jerusalém e de enfrentar o seu destino de cruz que Jesus comunicou aos discípulos.
Pedro e os outros discípulos não entendem a decisão de Jesus: para eles, a cruz iria derrotar todos os sonhos que eles longamente sonharam ao longo da inolvidável etapa da Galileia. Por isso, Pedro coloca-se à frente de Jesus e declara a sua oposição a que Ele se encaminhe para Jerusalém e para a cruz (cf. Mt 16,22). A oposição de Pedro (e dos outros discípulos, pois Pedro continua a ser o porta-voz da comunidade) significa que a sua compreensão do mistério de Jesus ainda é imperfeita. Para ele, a missão do “Messias, Filho de Deus” é uma missão gloriosa e vencedora; e, na lógica de Pedro a vitória e a glória não poderão estar na cruz e no dom da vida.
Jesus responde a Pedro com uma dureza pouco habitual, pois é preciso que os discípulos corrijam o seu entendimento sobre a missão do Messias e sobre o projeto que o Pai confiou a Jesus. O plano de Deus não passa por triunfos humanos, nem por esquemas de poder e de domínio; mas passa pelo dom da vida e pelo amor até às últimas consequências. Ao pedir a Jesus que não embarque nos projetos do Pai, Pedro está a repetir aquelas tentações que Jesus experimentou no início do seu ministério (cf. Mt 4,3-10); por isso, Mateus coloca na boca de Jesus a mesma resposta que, então, Ele deu ao diabo: “Retira-te, Satanás” (literalmente, “vai para trás de mim, Satanás” – Mt 16,23). As palavras de Pedro – como as do diabo anteriormente – pretendem desviar Jesus do cumprimento dos planos do Pai; mas Jesus não está disposto a transigir com qualquer proposta que O impeça de cumprir a missão que lhe foi confiada pelo Pai. Pedro não tem de dizer a Jesus o que deve fazer; tem de, simplesmente, remeter-se ao seu papel de discípulo e caminhar atrás de Jesus.

Depois de ter afirmado a Sua irrevogável decisão de cumprir o plano do Pai e de ter colocado Pedro “no seu lugar” (o lugar do discípulo), Jesus define – para desfazer qualquer equívoco que ainda exista – as atitudes próprias do discípulo: quem quiser integrar a comunidade do Reino de Deus tem de “renunciar a si mesmo”, “tomar a cruz” e seguir Jesus no caminho do amor, da entrega e do dom da vida (cf. Mt 16,24).
O que é que significa, exatamente, renunciar a si mesmo? Significa renunciar ao seu egoísmo e autossuficiência, para fazer da vida um dom a Deus e aos outros. O discípulo de Jesus não pode viver fechado em si próprio, preocupado apenas em concretizar os seus sonhos pessoais, os seus projetos de riqueza, de segurança, de bem-estar, de domínio, de êxito, de triunfo… O verdadeiro discípulo de Jesus deve, na linha do seu Mestre, fazer da sua vida um dom generoso a Deus e aos irmãos. Só assim ele poderá integrar a comunidade do Reino.
O que é que significa “tomar a cruz” de Jesus e segui-l’O? A cruz é a expressão de um amor total, radical, que se dá até ao extremo. Significa a entrega da própria vida por amor. “Tomar a cruz” é ser capaz de gastar a vida por amor a Deus e para concretizar o projeto de Deus em favor dos homens.
Para concluir a Sua catequese, Jesus garante aos discípulos que o caminho do amor que se dá até às últimas consequências não é um caminho de fracasso, uma vez que conduz à vida e à ressurreição; e aponta-lhes as razões pelas quais eles devem abraçar a “lógica da cruz”.
Primeira razão: oferecer a vida por amor não é perdê-la, mas ganhá-la. Quem é capaz de dar a vida a Deus e aos irmãos não fracassa; mas ganha a vida eterna, a vida verdadeira que Deus oferece a quem vive de acordo com as suas propostas (cf. Mt 16,25).
Segunda razão: a vida que gozamos neste mundo não é a vida definitiva. Não devemos, portanto, preocuparmo-nos em preservá-la a qualquer custo; devemos é procurar encontrar, já nesta terra, essa vida definitiva que passa pelo amor total e pelo dom a Deus e aos outros. É essa a grande meta que todos devem procurar alcançar (cf. Mt 16,26).
Terceira razão: devemos ter sempre diante dos olhos, enquanto caminhamos na terra, o nosso encontro final com Deus: nessa altura, Deus dar-nos-á a recompensa pelas opções que fizemos (cf. Mt 16,27). Esta alusão ao momento do juízo não é rara em Mateus: ele recorre, com alguma frequência, a esta motivação para fundamentar as exigências éticas da vida cristã.

INTERPELAÇÕES

• Frente a frente, o Evangelho deste domingo coloca a lógica dos homens (Pedro) e a lógica de Deus (Jesus). A lógica dos homens aposta no poder, no domínio, no triunfo, no êxito; garante-nos que a vida só tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abundância, se formos reconhecidos e incensados pelas multidões, se pudermos cercar-nos de bem-estar e garantir que os nossos dias decorram tranquilos e confortáveis, se assegurarmos a nossa quota de poder e influência… A lógica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irmãos; garante-nos que a vida só faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade. Na nossa vida de cada dia estas duas perspetivas confrontam-se, a par e passo e exigem de nós um posicionamento claro. Qual é a nossa escolha? Na nossa perspetiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?

• Jesus tornou-Se um de nós para concretizar os planos do Pai e propor aos homens – através do amor, do serviço, do dom da vida – o caminho da salvação. Neste texto fica claramente expressa a fidelidade radical de Jesus a esse projeto. Por isso, Ele não aceita que nada nem ninguém O afaste do caminho do dom da vida: dar ouvidos à lógica do mundo e esquecer os planos de Deus é, para Jesus, uma tentação diabólica que Ele rejeita terminantemente. Que significado e que lugar ocupam na nossa vida os projetos de Deus? Esforçamo-nos, como Jesus, por descobrir a vontade de Deus a nosso respeito e a respeito do mundo? Mantemo-nos atentos, em cada passo do nosso caminho, a esses “sinais dos tempos” através dos quais Deus nos interpela? Somos capazes de acolher e de viver com fidelidade e radicalidade as propostas de Deus, mesmo quando elas são exigentes e vão contra os nossos interesses e projetos pessoais?

• O que é que faz de nós verdadeiros discípulos de Jesus? Muitos de nós receberam uma catequese que insistia em ritos, em fórmulas, em práticas de piedade, em determinadas obrigações legais, mas que nem sempre punha em relevo o essencial do cristianismo: o seguimento de Jesus. No entanto, a identidade cristã constrói-se à volta de Jesus, do seu Evangelho, da sua proposta de vida. Sentimo-nos verdadeiramente discípulos de Jesus? Estamos disponíveis, de alma e coração, para ir atrás d’Ele no caminho da doação da vida e do amor até às últimas consequências?

• Jesus convida os seus discípulos a renunciarem a si mesmos… O que é “renunciar a si mesmo”? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a autossuficiência, a ambição, a mentira, dominem a nossa vida. O seguidor de Jesus não vive fechado na sua zona de conforto, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos. Até que ponto estamos disponíveis para renunciar a nós mesmos e para colocar a nossa vida ao serviço do projeto de Deus?

• Jesus também convida os seus discípulos a tomarem a cruz… O que é “tomar a cruz”? É amar até às últimas consequências, até à morte, se for necessário; é gastar cada instante da vida a servir, a amar, a cuidar, a fazer o bem… O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos. Aceitamos tomar cada dia a nossa cruz e a viver para os outros, como Jesus?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 22.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. “SE ALGUÉM QUISER SEGUIR-ME, TOME A SUA CRUZ…”
Ao longo da celebração, o sinal da cruz, a introdução inicial, as invocações do rito penitencial, a oração dos fiéis, a admonição ao rito da paz… podem fazer eco das cruzes – visíveis ou escondidas – levadas por cada um e cada uma e pela humanidade inteira. O rito penitencial pode desenrolar-se com toda a assembleia voltada para a Cruz.

3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Senhor, nós Te louvamos pelo profeta Jeremias e pela disponibilidade que manifestou nas missões que lhe confiaste. Nós Te louvamos pelo fogo devorador do teu amor que nos seduz e nos prende a Ti.
Nós Te pedimos pelos mensageiros da tua Palavra e por nós, os teus fiéis, encarregados de testemunhar em toda a nossa vida. Que o teu Espírito nos torne mais fortes.

No final da segunda leitura:
Senhor, nós Te damos graças pela vontade de salvação que nos manifestaste com perseverança desde os tempos antigos e pela adoração verdadeira à qual o teu Filho nos associa, pelo sopro interior do teu Espírito.
Nós Te pedimos: renova as nossas maneiras de pensar, ensina-nos a reconhecer o que é bom, o que Te é agradável, para a salvação do mundo.

No final do Evangelho:
Jesus, Messias, Filho do Deus vivo, nós Te damos graças pela tua subida a Jerusalém, para a Paixão, que assumiste com coragem, por nossa causa, e que mostraste que podia tornar-se um caminho de ressurreição.
Quando Te fazemos obstáculo, retidos pela fraqueza da carne, nós Te suplicamos: livra-nos de ceder à tentação.

4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística III, cujas epicleses fazem eco da segunda leitura.

5. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Três perfis de discípulos… Através das leituras deste domingo, temos três perfis de discípulos: PEDRO – que receia a cruz para Jesus mas também para si mesmo; PAULO – que nos convida a ultrapassar os modelos do mundo para que as nossas vidas estejam de acordo com a vontade de Deus; JEREMIAS – que, para lá de todas as dificuldades encontradas, se deixa seduzir pelo amor do Senhor. E nós? Que género de discípulos somos?

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
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